Notas iniciais
Olá amores meus! É a tia Jaded trazendo mais um emocionante e dramático capítulo da galinha mais amada do Brasil! Obrigada a quem tem nos acompanhado até agora e, para quem está gostando da história, fica um aviso: chegamos na metade o/ sim, sim! Psicocótica terá até 24 capítulo (estilo anime, meus amores) então fiquem atentos que haverá muito mais sangue ainda! nauauhuah!
E, naquele fatídico momento Jessie percebeu o erro que cometera: rapidamente lançou um olhar para o cadáver que jazia no chão e para o homem em pé, atrás de seu Chico. A verdade estava clara agora: mesmo tão parecidos, o homem assassinado não era o real criminoso, aquele que comera as pernas de seu amado, mas um homem qualquer. De qualquer forma, a semelhança entre eles era impressionante e, se não fossem as roupas surradas de Valdo e o semblante levemente mais moreno, Jessie não poderia distingui-los. Mas agora era tarde para lamentar o leite derramado e humano bom era humano morto, não havia como voltar atrás, nunca houve. Jessie deu de asas e desejou ter milho para observar o que viria a seguir, estava certa de que seria um show e tanto.
—Cócó có cooo có cocó có coooocó (presta atenção que vai ser bom, tem milho ai?) — perguntou Jessie para sua amiga galinha que ainda estava muito assustada.
—Cocó (não)
—Cooocó có (mas que pena) — e deu de ombros, mantendo os olhos atentos no que se desenrolaria a seguir.
Emílio largou a faca, atônito, pensando numa maneira de se explicar e, como nenhuma palavra veio a sua mente, nenhuma maneira de fazer com que as pessoas acreditassem nele, ele gritou e sua voz saiu como a de um verdadeiro condenado:
—Foi a Galinha, painho!
Com esta declaração final, o pobre Chico caiu para trás e só não atingiu o chão por que foi aparado por Valdo, que era quem deveria estar morto no lugar de Cadinho. Emílio tentou se aproximar do pai, o rosto coberto de lágrimas e sangue, os soluços sacudindo seu débil corpo.
—Painho, eu sou inocente! Foi a galinha! — e apontou para Jessie, que apenas virou o rosto e fez um cocó e um cocô para disfarçar. Virou-se para Valdo — Mas Vardin, acriditi em eu!
—Maisi que coisa é essa de qui foi a gainha, ué? Mas tu tá é doido Emiiio? — ele não esperou resposta e repeliu Emílio — Tu é doido?! Eu já divia di sabê que tu num ia dá pra nada nessi mundo mermo! Eu divia! E o painho também!
—Mar irmão, Vardin, num fui eu não! Tu tem di acreditar im eu! — as lágrimas rolavam de seus olhos ainda mais intensamente, borrando sua visão, — Foi a galinha! Aquela galinha ali! — e apontou para Jessie, que apenas ciscou, enquanto se divertia mentalmente com toda aquela situação.
—Marri eu sabia! Eu sabia! Foi tu no carro! Foi tu!
Valdo, sentindo a dor e a emoção se apossarem dele, deixou seu Chico (que ainda estava desmaiado) cair no chão e socou Emílio, que rodou e caiu no chão, por sobre o cadáver do irmão, empapando-se mais ainda de sangue. Valdo pegou a faca (o que não passou despercebido a Jessie) e a levou consigo: trancaria Emilio ali e não daria para ele nem sequer a chance de se suicidar, caso isto passasse pela cabeça do pobre garoto, ele viveria pra pagar por seus crimes. O pobre Emílio ficou ali no chão, o rosto ensanguentado e choroso por sobre o cadáver, os olhos esbugalhados... lentamente, ele levou a mão até a bochecha e a afastou, sentindo a dor ainda mais intensa, cuspiu um dente e viu sua saliva tornar-se vermelha também. Tudo a sua volta estava vermelho. O pobre homem mal percebeu quando Valdo pegou a faca e o trancou no quarto para chamar a polícia, chamou ainda uma ambulância para o pai, temendo que já fosse tarde demais até para o velho.
—ô puliça! Alô! Alô puliça! — Valdo ligou para o 190, querendo ver o quanto antes seu irmão atrás das grades.
—Qual sua emergência? — a antender falou, do outro lado da linha, enquanto lixava as unhas.
—Meu irmão! Meu irmão matô meu irmão! Tem sangue pra tudo que é lado! Tá tudo virmelho!
A mulher deixou cair a lixa e respirou fundo, pensando que era um trote.
—Senhor... houve um assassinato?
—Sim sinhora! houvi sim! Tá um sangueiro danado cá no quarto! Eu tranquei a porta, pra modi ele não sair, pode manda a puliça vir e levá ele imbora que eu não quero é mais nada cum ele não!
—Aaaah — ela tornou a suspirar, ainda pensando que fosse um trote, mas levemente temerosa pelo jeito do homem falar, com tanta raiva e urgência, na dúvida, pediu o endereço e garantiu que uma viatura estaria ali o mais rápido possível.
Tão logo o chamado fora criado e Pombal, graças a sua rede de informações conquistada e mantida com cerveja e frango assado, já estava sabendo de um assassinato no apartamento de Cadinho da Caucaia, homem ilustríssimo. Pombal sabia que, se isto fosse verdade, significava que suas suspeitas haviam se confirmado e ele havia falhado... mas só havia uma maneira de ir confirmar isto: era ir até lá e ver com seus próprios olhos (que a terra haveria de comer) o que estava acontecendo e, quem sabe, levar Emílio preso.
x-x-x-x--x
—Olha só o que tu fez, Galinha — ele falou, levantando o rosto e se recobrando do soco — Eu sei que foi tu.
—Có cooó cocó cooó (Ninguém nunca acreditará em você, Emílio)- respondeu Jessie aproximando-se dele e do cadáver.
—Eu num sei como é qui uma galinha como tu feiz isso, mais qui eu hei di adiscubrir, isso eu hei de fazê- os olhos embasbacados de Emílio se tingiram com a sede de vingança, ele sabia que não tinha qualquer chance contra aquela galinha ali e isto agora estava claro... sem perceber, ele havia se enredado nas tramas maléficas e galináceas daquela mente psicocótica que não sentia nada além de prazer em matar e um desejo de vingança que consumia cada pena de seu ser. Agora estava claro que ele não deveria ter deixado Valdo e seu pai levarem-na para seu irmão, foi muito inocente em pensar que tudo terminaria em canja. Sim, ele sempre era inocente e por isso muitos o atormentavam quando criança, por causa disso, havia sido alvo de brincadeiras até dos irmãos e do pai, que sempre o censuravam por acreditar em tudo e todos... e agora... sim, agora sua inocência havia feito um pecado recair sobre seus ombros e as pessoas jamais acreditariam nele... mas ele sabia que não estava louco, ele sabia e só ele sabia... ele e Jessie.
Notas finais
(Edição do titio abeIho) Tia jaded é meio doidinha, ainda não estamos na metade :v se vai ter 24 capítulos, a metade seria o capítulo 12, não o 9. Fazer o que, a tia jaded é de humanas e o abeIho é de exatas :P
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