A Fórmula do Amor
29 Teorias do amor moderno
Notas iniciais
Diário da Andreza
Os dias se passavam muito depressa, e eu não sabia qual seria meu futuro. O Rafa me evitando dentro da nossa casa desde aquele dia em que ele fora expulso da sala do DJ na Mofoville. A culpa não foi minha!
Tentei ter uma conversa muito séria com ele:
—Rafa, vai falar comigo ou não?
Ele me evitou mais uma vez.
Enquanto em casa tinha um marido que me tratava mal, que nem me via e que me rejeitava, no trabalho eu tinha um patrão muito bom, que me tratava muito bem. Bem melhor que o Rafael naquele momento, confesso.
Nos tornamos grandes amigos. Eu não era tão ingênua, sabia que ele queria algo mais de mim, mas Fernando era um homem respeitador e sabia que eu era casada.
Enquanto discutíamos as músicas que tocariam naquele fim de semana, quase nos beijamos. Não foi culpa nem minha nem dele, foi o clima!
— Er... Desculpa Andreza.
— Não, Fernando. Tudo bem.
—Vamos esquecer.
—Claro.
Mais uma vez naquele dia eu questionei se estava casada com o cara certo e tal. Se talvez só fosse pela Débora o motivo de continuarmos “juntos”. Foi aí mais uma tentativa de conversa.
Era um sábado, e estava quase anoitecendo.
— Rafa, ou você fala comigo ou amanhã quando chegar do trabalho não vai encontrar nem eu nem sua filha em casa. Você quem sabe.
💜
Diário do Rafa
A briga foi feia. Desentendemo-nos mais uma vez. O encanto do nosso amor acabou junto com o casamento, Andreza.
— Eu vou sair.
— Pra onde?
— Não interessa. Fica com o teu patrãozinho.
— Mas Rafa, não tem com quem a Débora ficar. Rafa, Rafa!
Quando ela menos percebeu, eu já tinha ido embora.
Vi o Berg passando e frente da minha casa. O Berg saindo sábado à noite?
— E aí cara, vai pra onde?
— Vou numa festa. Ei, não conta pra ninguém não. Eu tô indo escondido.
— Ei cara, me deixa ir contigo? Eu... preciso desopilar um pouco.
— Tudo bem, mas... ai de você se aprontar. — Bergolino me fuzilou com os olhos.
Ele mal sabia que eu queria que Andreza se explodisse naquele momento.
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Diário do Berg
O local da festa mais parecia um cabaré! Bem, eu queria era me divertir. Esquecer de tudo, principalmente da Valentina.
— Rafa, vou ficar de olho em você. Se tu trair minha irmã, passo a faca no teu pescoço, falou? – o alertei.
— Fica de boa. Vou só tomar uns gorós aqui.
— Assim espero.
Encontrei meus amigos do colégio, Jackson e Eri. Eles me apresentaram umas garotas, que eram beeeeeeeem bonitas, diga-se de passagem. Evitei beber, pois eu poderia gerar aquela confusão que todos os fiéis leitores conhecem. Tarde demais.
— E aí gatinho, não quer ir ali comigo não? – Uma das garotas estava dando o maior mole pra mim.
— Onde? – Perguntei. (seu besta, brincar de bola de gude!)
A garota me puxou pelo braço e me levou até um quarto. De certa, aquela casa era dela ou de alguma conhecida dela e os seus pais tinham saído.
Ela me jogou na cama e deitou-se em cima de mim. Ela esperava que eu correspondesse, mas confesso que eu estava assustado pra caramba.
— Quê que é?
— Quê que é o quê?
— Vem!
— Pra onde?
Ela pegou minhas mãos e as esfregou nos seios dela. Eu tirei.
— Não posso!
— Tu é veado rapaz?
— Eu tenho namorada!
Na verdade eu não tinha mais, já que ela fez questão de terminar comigo por telefone.
— Ela não precisa saber! — a garota estava muito disposta a fazer o que quisesse comigo. Pena que eu não estava nem um pouco a fim dela. Eu ainda me sentia fiel, de certa forma, e apensar de tudo, à Valentina.
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Diário do Rafa
A festa continuava e eu apenas bebia, observando a movimentação. O Berg passou por mim em disparada, mas tão assustado, mas tão assustado que nem se despediu dos amigos dele, e tampouco me esperou. Por sorte ele não me viu pendurado nos beiços de uma menina que eu conheci lá.
Eu não estava mais respondendo pelos meus atos, a cachaça já havia tomado conta de mim.
O remorso por estar traindo a minha esposa tomaria conta do meu coração mais tarde.
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Diário do Berg
Seria normal um cara com quase 17 anos ainda ser virgem? Existe uma idade certa para se perder virgindade?
Para os meus amigos, e para a maioria dos jovens de hoje, não tinha nada de normal.
Eu poderia morrer virgem, mas se eu tivesse que perder seria com a Valentina. Ela não gostava mais de mim. Eu tinha que reconquistá-la!
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Diário da Madalena
Triste fim. Era o fim mesmo.
O preto que me vestia, me caía bem. O céu para mim não tinha cor. A não ser quando eu saía de casa sem destino pela noite, o brilho da lua me iluminava e ofuscava minha mente.
John, por pior que você fora, eu gostava de você. Não tinha perdão? O que eu fiz foi pela minha vida!
O cemitério tornou-se a minha segunda casa. Minhas roupas me disfarçavam, disfarçavam minha dor e me ocultavam o máximo que podia.
Chorava ao túmulo. Ele foi a única pessoa que me compreendia, ele era o cara mais perfeito que uma mulher poderia ter!
Certo dia dei de cara com um rapaz esquisito no cemitério. Assim como eu estava, ele usava preto. Até maquiagem ele estava usando! Ele estava tomando vinho em cima de um túmulo. Notei que ele não parava de olhar pra mim, daí resolvi falar com ele.
—Oi.
O rapaz olhou pra mim como se eu fosse um bicho e ele estivesse perdido na selva.
—Quer? – Me ofereceu um copo de vinho.
—Não, obrigada.
—É gótica?
Gótica, eu? Eu mal sabia o que era isso, mas depois me deu na telha que eu estava parecida com uma, pelo que eu via nos modinhas do colégio. Resolvi mentir. Eu precisava falar com alguém, quem sabe aquele cara me escutaria?
—Sim.
—Legal. Curte que bandas?
Comecei a falar o nome de uma porção de bandas. Acho que nenhuma era gótica.
—Legal. Meu nome é Richard.
—Prazer, Madalena.
Aquela não foi a primeira vez que eu vi o Richard lá no cemitério. Sempre que eu ia lá eu o via, sempre em túmulos diferentes e bebendo vinho. Eu sempre falava com ele e ele me respondia com um “joinha”.
Comecei a pesquisar sobre o movimento gótico, e me encantei com as roupas, músicas, estilos de cabelo e tal. Passei a me vestir diferente, abandonando o visual nerd e adotando o dark. Meus CDs da Britney Spears , Spice Girls e afins foram parar no lixo, sendo substituídos assim pelos de outras bandas como Nightwish, Lacrimosa e Épica. Pôsteres se espalharam no meu quarto e comecei a me tornar o mais antissocial possível. Sair, nem pensar, a não ser pra dizer que ia pra aula, quando ia mesmo era até o cemitério ver o John e conversar com o Richard.
Richard me contou que achava o cemitério o lugar mais tranquilo do mundo. Eu concordava com tudo o que ele dizia. Falava comigo e me abraçava como se eu fosse uma das melhores amigas dele. Compreendi que eu era a única, Depois veio na cabeça que ele era o meu único amigo também.
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Diário da Andreza
Ele me traiu. O fim de semana dele se resumiu em comer vagabundas. Desculpem o desabafo, mas aquela marca de batom na camisa do Rafa não me dizia outra coisa. Expliquem-me: o que eu fiz pra merecer tudo isso?
O Rafael era um irresponsável, infeliz. Quando saía na noite não lembrava que tinha uma filha com menos de um ano de idade. Eu nem digo por mim, só pela Débora. A coitadinha vai crescer sem pai.
Segunda-feira, dez da noite. Rafa havia acabado de chegar da escola. Pegou um pacote de macarrão instantâneo e cozinhou. Quem o via tranquilo daquele jeito nem imaginava as coisas que ele havia aprontado.
—Rafa. – Chamei por ele calmamente. Ele nem olhou. – Rafa! – mais uma vez, ele nem sequer piscou.
À medida que ele comia o macarrão quente, olhava para a TV. O filme não estava tão bom assim. Empurrei o prato, fazendo com que ele derrubasse o conteúdo no seu corpo.
—Vai me escutar agora?
—Sua maluca! Ai! — ele sentia a dor do caldo quente de macarrão sobre a sua pele.
—Nosso casamento acabou. Vai se divertir com as putas do fim de semana, vai!
Joguei a camisa suja de batom nele e saí
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Diario do Berg
Andreza voltou a morar em casa. Trouxe a Débora. Eu achei melhor assim. Os dois andavam brigando demais.
No começo, me senti um burro de não ter visto o Rafa com a tal garota, mas eu estava tão perturbado...
Julho chegara e com ele o grande dia! Não sabia com que cara olharia para a Valentina.
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Diário da Ludi
Era hora de voltar pra casa, baby!
Já tinha um ano, nossa! Mas nesse tempo eu aprendi muita coisa fiz muitos amigos, porém desisti.
Vi que meu sonho não era aquele. Ser atriz, ser quase obrigada a fazer um papel que eu não combine ou não goste não era pra mim. Me deu na telha que o meu negócio era criar os personagens, as histórias, enfim!
Eu seria uma grande escritora.
E começaria escrevendo a história de Berg e Valentina.
E esperava que essa história tivesse um final feliz quando ela voltasse para a nossa cidade e o reencontrasse.
Aproveitaria que a Valentina voltaria para Fortaleza e pegaria o mesmo voo que ela.
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Diário da Valentina
Sinceramente, eu não queria voltar. Sabe por qual motivo? Chegando lá na minha cidade teria minha mãe, minha avó, meu tio, o peso da morte do meu pai... Eu não queria voltar. Preferia mil vezes ficar enfurnada naquele manicômio que chamam de centro de reabilitação.
Curada? Sim, eu estava. Limpíssima.
Só uma coisa eu não me arrependo: ter me afastado do Berg.
Berg era um cara maneiro, puro e cheio de personalidade. Ele não me merecia. Não falei aquelas coisas para ele por mal. Foi porque naquele tempo eu não tinha esperança alguma de voltar a ser uma garota normal.
Meus sonhos foram corrompidos pelas drogas, mas eu começaria tudo de novo e ao lado dele, caso ele ainda me quisesse.
Eu estava pronta para escrever um novo capítulo na história da minha vida.
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Diário do Berg
A mãe da Ludi não moveu uma palha quando eu disse que ela voltaria naquele dia. Na boa, que idiota preconceituosa!
Rafael e eu fomos até o aeroporto. Chegamos atrasados, pois as pessoas que vieram do Rio de Janeiro já haviam chegado.
— Será que elas vieram?
— A Ludi me garantiu que elas viriam nesse voo. – respondi.
De repente algo tapou meus olhos. Era aquela velha brincadeira “adivinha quem é”.
—Valentina?
Olhei para trás e vi que era a Ludi.
— Vai dizer que não tava com saudade de mim! —Disse ela.
— Claro! – Abracei –a.
Disfarçadamente rodeei o aeroporto com meus olhos. Mas quem eu procurava parecia não estar lá. Parecia...
—Me procurando meu nerd lindo?
— Valentina? — Ela me chamou de “nerd lindo”. Era ela mesmo? A mesma garota que me tratou tão mal, inúmeras vezes, pelo telefone?
Ela pulou em meus braços e eu a segurei como pude. Foi ótima aquela sensação. Esquecemo-nos de tudo, de todos. E principalmente de tudo o que aconteceu quando nós estávamos separados.
—Você tá tão … diferente! —Falei à Valentina quando acabamos de nos beijar.
— Mudei pra pior ou pra melhor?
— Que se dane, eu gosto de você assim do jeito que você é. Quer dizer... ah., desculpa, quanto mais eu falo mais eu me complico!
—Ei! Me responde logo, tá com raiva de mim?
— Claro que não!
—Já tem outra?
— Não vou ter outra nem em um milhão de anos!.
Mais um beijo.
— E você, ta com raiva de mim? —perguntei.
— Por quê estaria? Você é maravilhoso, você me entende! É inteligente! —risos bobos e sorrisos sinceros marcavam nossos rostos. —Eu te amo cara!
— E por que você falou aquilo tudo pra mim? Me magoou geral!
— Achei que isso estivesse bem claro. — Os traços alegres no seu rosto transformaram-se em traços tristes de repente.
— Claro que eu te entendo. Mas eu queria ouvir a verdade de você.
— Eu achei que não fosse conseguir me recuperar. Por isso tentei me afastar de você.
— O que importa agora, não é? Estamos aqui, vamos viver o agora. Vamos esquecer de tudo, ok?
Pus na minha cabeça que Valentina ficaria lá em casa. Que nada, minha mãe tinha que implicar.
— Eu não quero essa drogada aqui dentro de casa. —disse ela. Felizmente minha mãe não estava na frente da Valentina.
—Mãe! A casa é grande, e a Andreza não se importaria de dividir o quarto com ela. Além do mais ela se tratou, beleza?
— Depois de tanta confusão que você se meteu, ainda insiste em correr atrás dela. Eu mereço. — Dona Hilda era uma cabeça dura.
— A Valentina vai ficar aqui. A casa é minha também!
Dei de costas. Minha mãe ficou em silêncio.
Valentina cumprimentou a minha mãe, e por educação ela respondeu. Não estava gostando nada, nada daquela situação.
Ludi, por sua vez, voltou para a casa da mãe Rafa, onde foi bem recebida.
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Diário da Ludi
A mãe do Rafa era a mãe que eu queria que a minha fosse. Ela até brincou dizendo que iria me adotar. Que ideia! O pai dele então, era muito moleque. Ele era palhaço, ficava contando piada e fazendo a galera rir até altas horas.
As notícias que tive da minha verdadeira mãe não foram nada boas. Ela havia se mudado do bairro para um mais próximo do Hospital Geral por problemas de saúde. Eu sabia que tinha de visitar ela, mas faltava coragem.
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Diário da Andreza
Com a Valentina em casa ela poderia m ajudar com a Débora, já que foi amor à primeira vista quando uma viu a outra.
— Ai que linda! Vem com a tia! — A pequena Débora sorriu para a minha cunhada. A cena era encantadora.
— Vai treinando pra quando você tiver o seu. Só te aconselho que seja daqui a uns 10, 15 anos. Se bem que se depender do Berg... bem...
— Do que você está falando Andreza? — Valentina me fitou, confusa.
— Eu não imagino o Berg... transando.
Notei que a face de Valentina adquiriu um tom avermelhado. Resolvi mudar de assunto.
— Hora de trocar a fralda da Débora. — falei. — E ela é toda sua, cunhadinha.
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Diário da Ludi
Minha mãe tinha um problema sério no coração, acompanhado de diabetes, enfim. Naquele mesmo dia consegui o endereço do local onde ela estava morando. Com a mãe do Rafa, Dona Angelina, fui procura-la.
Não deu tempo nem descansar! (essa foi a desculpa que eu dei, mas não colou.)
A casa onde ela estava residindo era bem mais humilde que a nossa. Ao chamarmos no portão minha mãe veio. Ela não esperava me encontrar ali. O Berg me disse que ela nem ligou quando ela soube que eu voltaria.
—Mãe?
—Já te disse pra não me chamar de mãe!
Porta na cara.
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Diário da Madalena
Parece que a vida de todos estava voltando aos seus eixos. Até a minha um pouco. Richard e eu no tornamos grandes amigos. Passei a entender o mundo obscuro com ele. Passei a sair com ele e esqueci do John. Esqueci em partes, pois as lembranças das coisas que vivi com ele eu não ia esquecer jamais.
—Você tem que esquecer o John, Madá. —Richard me aconselhava.
—Mas como? Ele foi o meu … segundo namorado. Mas valia como o primeiro, pois o outro era um merda.
—Sabe como você esquece o John?
—Não. Me diz.
Richard me beijou. Me senti um pouco mal, pois estávamos em cima do túmulo do meu ex-namorado.
—Por quê fez isso? —perguntei.
— Por que eu gosto de você.
Prosseguimos com o beijo, porém eu queria que ficasse apenas no beijo. Que nós apenas ficássemos, nada de namorar. Acho que ele também.
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Diário da Valentina
A noite chegou. Meus pensamentos de diabinha me induziam a fazer algo que poderia ser um tano quanto imoral, porém meu lado anjinho me dizia que eu estava pronta.
As palavras de Andreza mexeram um pouco comigo, confesso.
Levantei-me e saí do quarto da Andreza. A pequena Débora dormia profundamente. Ninguém ia acordar. As gêmeas irmãs do Berg dormiam no quarto delas como anjos. Os pais dele também.
Entrei no quarto dele e o chacoalhei.
— Ei, Berg, acorda.
— Hm.. oi? Valentina?
Deitei com ele e comecei a beijá-lo. Os beijos foram ficando cada vez mais quentes. As nossas mãos começavam a se entrelaçar, outras vezes buscando lugares antes nunca explorados por nós.
Depois ele me afastou. Berg era tão cavalheiro! Aquilo só me fazia gostar dele mais ainda.
— Desculpa. Eu... eu sou virgem.
— Ei, Berg. Eu também sou.
— Mas aqui, agora? E minha mãe?
Aquilo acabaria com o clima de qualquer um.
— Deixa quieto. Boa noite.
— Cê tá com raiva?
— Tô de boa. — respondi, meio chateada.
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Diário do Berg
Apesar da hora, eu peguei o meu celular e liguei pro meu amigo Eri. Afinal era o cara mais experiente que eu conhecia. Vivia na tão famosa “Moita”! Talvez ele ainda não teria ido pra cidade de Natal.
—Eri? Aqui quem fala é o Berg!
— A essa hora, cara?
—É importante.
— Então diz logo que eu quero dormir.
—Minha namorada … ah, como eu digo … ela quer … transar comigo!
—E tu tem namorada?
—Qual é o espanto?
—Nada. Tu é virgem?
—Nasci em setembro.
—Véi, diz logo. Sim ou não?
—Sou, poxa! Me diz o que eu faço.
—Fica sozinho com ela, prepara um clima e manda ver. Ah, e por favor, não esqueça as camisinhas. Não quer que sua mãe vire vovó pela segunda vez, né?
—Valeu, pode deixar. Ei, não conta pra ninguém não. Boas férias em Natal.
—Falou. Pode deixar comigo, não contarei pra ninguém — eu sabia que ele contaria pra escola toda. — Boa sorte, cara.
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