A Fórmula do Amor
26 O início de um novo ciclo
Notas iniciais
Diário da Valentina
O tempo estava passando rápido! Logo chegaria julho de novo. Não sabia como encararia Fortaleza de novo, minha mãe, minha avó, meu tio... o Berg. Pedir um tempo para ele foi a única maneira que encontrei de não fazê-lo sofrer. Seria ruim no começo, mas eu acreditava que ele me esqueceria. Como fui tola em ligar para ele! Se ele estava me esquecendo, aquela ligação deveria ter sido como uma facada no seu coração! Confesso que eu queria ouvir a voz dele também, mas eu não podia demonstrar isso de jeito algum, eu tinha de ser fria!
Bom, fazia quase oito meses que eu não colocava nenhum cigarro na boca, nem bebia nada a não ser água. Isso já era uma boa. Os remédios já não me serviam bastante, mas as enfermeiras diziam que eu precisava continuar tomando.
De vez em quando as visitas da Ludi me consolavam a falta dos amigos nem que fosse um pouco. Ela estava indo muito bem nas aulas de teatro, meu espírito de noveleira adquirido nos dias em que estive presa na casa da minha avó me dizia isso.
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Diário do Berg
A semana cultural da escola era uma das mais importantes. Eu gostava, era uma oportunidade das pessoas ficarem mais perto uma das outras para se unirem e fazer os trabalhos determinados.
Tipo, o tema geral daquele ano foi "O MUNDO EM OUTRAS ÉPOCAS", eu particularmente quis pular de emoção pelo tema não ser "Paz", como sempre era todos os anos. A diretora nova tinha criatividade. Cada sala ficou com um subtema, o da minha foi "Década de 90". Ótimo, uma oportunidade a mais para eu me sentir naquela época, pois a maioria das músicas que eu ouvia era dela.
Tivemos que escolher a mascote da sala, que ficou sendo a Madalena, fantasiada de She-Ra (combinaria mais se ela fosse o dragão da Caverna do Dragão). Fugi logo da parte de esportes, pois futebol pra mim é só pra assistir. Fiquei com a parte teórica, arrumação da sala, e fiquei com uma tarefa da gincana.
Minha tarefa na gincana era cantar uma música da época e caracterizado. Estava na hora de eu mostrar que eu sabia fazer uma coisa que não fosse cálculos e equações.
Chegou o dia da minha tarefa. Medo tinha sim. Vergonha, muito, ainda mais por estar vestido de Kurt Cobain, mas ver a Madalena ridícula de She-Ra me consolou um pouco.
Comecei a cantar a música, aquela música que só eu e a Valentina sabíamos o quanto significava pra nós.
I need an easy friend
I do... with an ear to lend
I do... think you fit this shoe
I do... won`t you have a clue.
I`ll take advantage while
You hang me out to dry
But I can`t see you every night
Free.
I do...
I`ll take advantage while
You hang me out to dry
But I can`t see you every night
I can see you every night
... Free.
I do, I do, I do, I do
Pela primeira vez as pessoas me aplaudiram de pé, e elas gostaram do que eu havia feito. Tipo, me disseram que eu fui o melhor! Caramba, foi um dos dias mais felizes da minha vida.
— Berg, não sabia que você tocava —disse uma menina.
— Pois é, aprendi faz tempo...
— Nossa, você tem talento. —disse um cara.
E assim foi. pessoas que me odiavam, ou que simplesmente não gostavam de mim, começaram a falar comigo do nada! Eu era a nova subcelebridade da escola? Até que eu estava sentindo falta disso. Pelo menos eu estava famoso pelo meu talento, e não por um mico que eu paguei na frente de todo mundo.
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Diário da Andreza
Já era novembro, nossa! Débora poderia nascer a qualquer momento. Eu e Rafa estávamos morando de aluguel numa pequena e confortável casa no mesmo bairro que nossos pais. Eles nos ajudavam bastante, e Rafa estava indo muito bem no emprego. Eu de vez em quando dava uma de manicure para garantir uma graninha extra, mas tive que parar devido ao fim da gravidez. Estávamos, sem dúvida, mas felizes do que nunca, e com certeza ficaríamos ainda mais quando nossa princesinha chegasse.
E foi durante um almoço em família que a minha bolsa estourara. Papai, Rafa e Berg logo se desesperaram. O que seria de mim naquela hora se não fossem minha mãe e minha sogra?
Dei entrada no hospital às duas da tarde do dia 8 de Novembro de 2010.
O parto seria do tipo normal. Cara, minha mãe sempre falava que doeria muito, mas eu realmente não imaginava que seria tanto. Eu gritava e berrava muito, segurando com todas as minhas forças a grade da cama enquanto as enfermeiras me mandavam fazer força.
— Aaahhhhhh!!!!
— Força mulher!
— Mais do que eu tô fazendo? Aaahhh!!! Cala a boca sua vaca, faz logo a porcaria desse parto!
— Força!
Aquilo me incomodava muito, Xinguei muito aquela pobre coitada, mas ela compreendia que era por causa da dor.
Depois de algumas horas, Débora Araújo veio ao mundo. Pesava 2,5 kg. Que linda era minha menina! Quando a vi pela primeira vez, chorei, lembrei de todas as loucuras que fiz para me livrar dela. Como eu fui injusta! Como eu me arrependo até hoje! Mas os olhinhos de Débora me diziam muita coisa, entre elas, que ela me perdoaria, e que tudo o que eu fiz para o bem dela, valeria a pena.
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Diário do Berg
Minha sobrinha era linda! Tive orgulho da minha irmã, aguentar uma barra daquelas, de ter desistido de cometer uma loucura...
O Rafa, já estava quase colocando o coração pra fora, mas quando recebeu a notícia que correu tudo bem , ele se acalmou mais.
E eu, ah, eu já estava quase terminando o 9°ano, faltava pouco. O lado ruim era a formatura, que eu não queria ir para a festa, mas meus pais me obrigariam!
E se eu fosse, seria o orador da turma... Tinha trauma de falar em público desde aquele dia, quando Madalena me derrubou e me filmaram. Agora só me restava rezar.
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Não era um dia feliz, eu não estava nem um pouco interessado em festa, já tinha passado de ano mesmo... Era pra ser uma opção minha querer festa ou não. Mas minha mãe ficaria com raiva. Eu estava sem madrinha, pra dançar a tal valsa, foi então que tive a ideia de convidar a Suellen, a menina que me ajudou a encontrar a Valentina.
Rafa, com muito sacrifício conseguiu passar de ano, e iria com a Andreza, claro. Madalena foi com o John. Ri litros ao ver aquele marginal usando um traje de gala, mas quem ganhou no quesito esquisitice foi a Madalena, que usava um vestido um tanto quanto ridículo e estava se achando.
Os meninos de smoking e as meninas de vestido de festa; eu particularmente achava aquilo muito brega, mas tudo bem. Quem sou eu pra criticar?
A Mofoville estava toda arrumada, as cadeiras e mesas bem organizadas. Tudo um luxo. A festa já poderia começar.
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Diário da Madalena
Berg teria uma surpresinha aquela noite, ah, se teria! John conseguiu pra mim um vidro de purgante, com o qual batizei um copo de refrigerante na festa. Agora só bastaria o Berg tomá-lo. Achei que o mico que ele pagaria valeria pelas humilhações que ele me fez passar desde quando nós nos conhecemos.
— Berg. — Cheguei para ele.
— Madalena ...
— Quero selar nossa paz.
— Paz, com você? Nem vem que eu não nasci ontem! Eu sei que você e o John Lennon estão tramando algo contra mim. Vocês me odeiam!
— Isso mesmo! Eu tô namorando o John, acho que o modo como nós estamos nos tratando não passa de uma mera brincadeira besta. Toma. —entreguei o refrigerante a ele. —Vamos brindar?
Ele pegou o refri, mas a mãe dele o chamou. Fiquei na esperança que ele tomasse.
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Diário do Berg
Paz? Com a Madalena? Que papo! Minha mãe queria me avisar que a Suellen já havia chegado. A cumprimentei, ainda com o copo de refrigerante na mão.
— Escuta Berg, vamo pedir uma música ao DJ?
—Vamos.
Pedimos para o DJ tocar Take on Me, do A-ha. Ele disse que estava com sede e me pediu um pouco de refrigerante.
— Pode ficar. Agora coloca a música aê!
Dançamos pra caramba, mas depois de pouco tempo a música parou. Gritos e mais gritos, crucificando o DJ, mas ele não estava mais no seu lugar. Ouvimos que ele tinha corrido para o banheiro.
Até que a Andreza disse:
— Calma galera, eu dou um jeito!
—Você?
— Eu sim.
E a animação voltou. Minha irmã nos surpreendeu. não imaginava que ela sabia mexer naquelas coisas de DJ. Felizmente não fui orador da turma. Só sei que eu me diverti pra caramba, esqueci dos meus problemas, e claro, não bebi. A não ser refrigerante, mas não batizado com purgante.
Isso mesmo, por pouco eu teria me dado mal. Madalena e seus planos mirabolantes. Mas ela que em esperasse no próximo ano. 2011, 1° ano, vida nova. Aquilo tudo prometia!
Dançamos a valsa, e no final da festa, Madalena com o seu vestidão veio querendo me bater. Acho que por raiva do seu plano ter dado errado. Ela veio correndo na minha direção enquanto eu, Suellen, Rafa e outras pessoas tirávamos fotos na frente da piscina. Eu, apenas sai do meio e ela caiu com tudo dentro d`água.
—Você me paga, Berg! —Ela gritava enquanto John dava a mão para ela sair. Ele também ria.
Esse foi o fim do meu ensino fundamental, marcado por boas e merecidas risadas. E que viesse o novo ano.
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