A Fórmula do Amor
21 No caminho certo
Diário do Berg
Você deve estar se perguntando: "Que diabo é essa cidade? Quixadá? Nunca ouvi falar!". Mas existe sim! E o pior, se você der uma pesquisada, Quixadá é uma cidade conhecida por ser um dos lugares no mundo onde mais foram vistos OVNI`s. Isso mesmo: Objetos voadores não identificados.
Bom, eu morria de medo dessa cidade, e como eu era muito besta, ficava preocupado com a Valentina. Será que ela fora abduzida?
Quixadá é uma cidade enorme e seria como procurar uma agulha no palheiro. Mas se ainda se fosse como procurar uma agulha no agulheiro, eu não desistiria.
Rafa, Ludi e eu ouvimos falar que um filme seria gravado ali, e não era um filme nacional não! Era um filme de parceria entre o Brasil e os EUA. Bom, Ceará estava ficando famoso. Estávamos perto de um lugar onde estavam gravando o tal filme.
— Ah, Berg, vamos lá! — Ludi insistia. Ela adorava cinema, e por acaso, um dos seus sonhos era ser atriz. Ficou maluca quando soube daquilo.
— Não Ludi!
— Também acho que não. A gente não vai conseguir chegar nem perto. — disse Rafa.
— Sabe quem tá nesse filme? O Adolfo Barreto! Cara, eu amo o trabalho desse ator desde aquele filme dele que ele se veste de mulher... E naquela novela das seis que ele foi um príncipe, lembra? Só sei que ele é um ótimo ator e eu só saio daqui de Quixadá quando eu conhecer ele. Pô, se eu conseguir tirar uma foto com ele, eu iria postar no face e ganhar um monte de curtidas!
— Como você vai conseguir tirar foto com ele se aquele vagabundo lá roubou nossos celulares?
— Ah, gente, por favor!
Rafa olhou para mim, acho que a Ludi conseguiu convencê-lo.
— Ah, não Rafa, nem vem. Se eles estão gravando ali, é porque foi ali que os ETs apareceram, e eu não quero nem chegar perto dali.
— Deixa de ser medroso, Berg!
— A gente tem que procurar um lugar pra ficar. Já ta de noite, não tem ninguém por ali.
— Está bem, Berg, mas amanhã, a gente vem aqui. Faz isso por mim? — Ludi e o seu poder de persuasão...
— O que você não me pede sorrindo que eu faço chorando, Ludi?
— Te amo, Berg.
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Diário da Ludi
Conseguimos um pequeno quarto em um hotel barato. Os serviços de lá valiam o preço, ou seja: comida ruim, mal atendimento, etc. Ainda que os dois cavalheiros aceitaram dormir no chão para me darem a cama, resolvi dormir no chão também. Não sou melhor do que ninguém.
Acordei bem cedo, ansiosa para ver o Adolfo Barreto. Sério, sem mancada, se eu gostasse, até teria coragem de ficar com ele (momento zoação). Mas eu o achava um ótimo ator. Sabe, eu sempre quis ser atriz, e eu assistia às novelas (boas) e os filmes e ficava me imaginando em cada papel.
Pelo menos um autógrafo eu ia ter que descolar. Ah se ia! Bem em frente ao hotel-chiqueiro onde estávamos, tinha um hotel-pousada super simpático, e parecia bem aconchegante.
É ali que o elenco do filme está! — pensei. Um hotel bonito daqueles, com piscina, e cara de que muita gente metida a besta ficava lá. Além de ser perto do local das gravações do filme. Saí e deixei os garotos lá dormindo. Estava disposta a encontrar o Adolfo Barreto.
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O hotel era bem mais do que imaginei. Lindo! Parecia coisa de outro mundo...
— Hey garota, o que você quer aqui? — disse um segurança. Tinha um sotaque americano. Senti que estava no caminho certo.
— Desculpa, mas eu... — parei de falar quando o vi, ele mesmo, Adolfo Barreto na recepção do hotel. Eu estava do lado de fora e comecei a gritar: — Adolfo! Adolfo! Eu sou sua fã! Aqui! Aqui!
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Diário do Berg
Pela manhã do dia seguinte, quando abri os olhos, percebi que havia mais alguém dentro do quarto. A voz vinha do outro compartimento, onde ficava uma pequena mesa e uma velha TV.
Sacudi Rafa para que ele acordasse. Meu... Foi mega difícil. O cara dormia feito uma pedra.
— Acorda, Rafa. Acorda, macho!
— Pô Berg, me deixa dormir cara. Tô morrendo de sono.
— Tem um homem lá na sala e a Ludi não tá aqui no quarto. Quer morrer de verdade? A gente tem que fazer alguma coisa.
De mansinho, tentamos nos aproximar da sala sem fazer barulho. Surpreendemo-nos com a cena que vimos: Ludi de altos papos com o tal ator. Ele mesmo: Adolfo Barreto!
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Diário da Ludi
Cara, aquilo que estava acontecendo com a gente era tipo... sem palavras!
Só sei que quando contei pro Adolfo (íntima, não?) sobre a nossa história e sobre tudo o que a gente passou, ele se comoveu muito. Sem querer, ainda deixei escapar que meu sonho era de ser atriz, mas juro que não foi visando alguma coisa nisso. O foco era a Valentina.
Rafa e Berg se surpreenderam quando viram o famosão sentado naquela velha mesa e ainda por cima conversando comigo.
— Berg, te admiro muito pelo que você está fazendo. O mundo está precisando de caras que nem você, meu chapa! — Adolfo falou aquilo só pra deixar o Berg mais convencido do que ele era.
— Obrigado, mas sinto que essa é a minha obrigação. E eu não seria nada sem os meus amigos.
— Assim que se diz, Berg!
— Gente, é o seguinte: eu quero ajudar vocês. — Adolfo parecia empolgado. — E eu vou começar tirando os três daqui, depois a gente localiza a Valentina. A gente vai à TV, ao rádio, ao que for preciso. O que acham?
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Diário do Berg
Depois de tudo o que estava acontecendo, aquele foi um momento feliz. Mudamo-nos de mala e cuia para o hotel da frente (que grande avanço hein?). Lá parecia que havíamos saído do Ceará, (sem ofensas) mas aquele hotel-pousada destacava-se demais em relação às outras coisas daquela parte da cidade.
Cada um ficou no seu quarto, fizemos umas compras, até que chegou a hora, digamos, mais difícil: telefonema para os pais.
— Vai, Berg, você começa.
— Ah, por que eu Ludi?
— Por que, por que... Por que você é o líder.
— Não, você vai ligar pra casa do Rafa e vai dar notícias para a Dona Angelina. Damas primeiro.
— Nada disso, Berg. — Rafa se intrometeu. — Liga pra Andreza, vai!
Liguei para minha irmã. Um pouco desconfortável por falar com ela depois de saber que ela estava grávida, mas segui em frente.
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Diário da Andreza
Nunca o toque do meu telefone me deixou tão feliz. Era o Berg dando notícias. Eu estava nervosa, muito nervosa, mas saber que eles estavam bem me tirou um baita peso das minhas costas.
— Alô, Andreza?
— Berg? Meu irmão, por que você não deu notícias! Você prometeu! Mamãe ta pirando na batatinha mais do que nunca e o papai quase enfarta quando soube que você foi pra Quixadá!
— Desculpa, mas nós fomos assaltados e ficamos sem celular, Andreza.
— Nossa! Machucaram vocês?
— Não, tá tudo bem. Aliás, tudo ótimo. Se preocupa não. Quem tá preocupado sou eu. Como é que você está?
— O Rafa te contou não é?
—É... Olha, está tudo bem. Tenta acalmar a Dona Hilda e o Sr. Araújo. Principalmente a mamãe. É capaz de ela ter uma síncope.
—Vocês demoram?
— Acho melhor você falar com o Rafa. — disse Berg.
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Diário do Rafa
Berg me entregou o telefone. Meu coração disparou. Quais seriam as novas?
— Rafa, eu tô com medo. Meu pai e minha mãe vão me matar, os seus também. Eu tô preocupada. — mesmo pelo outro lado da linha, sentia-se o desespero de Andreza.
— Calma, não faz nada até eu chegar.
— Eu já me decidi. Vou tirar a criança. Eu vou fazer um aborto.
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