Diário do Berg

Você deve estar se perguntando: "Que diabo é essa cidade? Quixadá? Nunca ouvi falar!". Mas existe sim! E o pior, se você der uma pesquisada, Quixadá é uma cidade conhecida por ser um dos lugares no mundo onde mais foram vistos OVNI`s. Isso mesmo: Objetos voadores não identificados.

Bom, eu morria de medo dessa cidade, e como eu era muito besta, ficava preocupado com a Valentina. Será que ela fora abduzida?

Quixadá é uma cidade enorme e seria como procurar uma agulha no palheiro. Mas se ainda se fosse como procurar uma agulha no agulheiro, eu não desistiria.

Rafa, Ludi e eu ouvimos falar que um filme seria gravado ali, e não era um filme nacional não! Era um filme de parceria entre o Brasil e os EUA. Bom, Ceará estava ficando famoso. Estávamos perto de um lugar onde estavam gravando o tal filme.

— Ah, Berg, vamos lá! — Ludi insistia. Ela adorava cinema, e por acaso, um dos seus sonhos era ser atriz. Ficou maluca quando soube daquilo.

— Não Ludi!

— Também acho que não. A gente não vai conseguir chegar nem perto. — disse Rafa.

— Sabe quem tá nesse filme? O Adolfo Barreto! Cara, eu amo o trabalho desse ator desde aquele filme dele que ele se veste de mulher... E naquela novela das seis que ele foi um príncipe, lembra? Só sei que ele é um ótimo ator e eu só saio daqui de Quixadá quando eu conhecer ele. Pô, se eu conseguir tirar uma foto com ele, eu iria postar no face e ganhar um monte de curtidas!

— Como você vai conseguir tirar foto com ele se aquele vagabundo lá roubou nossos celulares?

— Ah, gente, por favor!

Rafa olhou para mim, acho que a Ludi conseguiu convencê-lo.

— Ah, não Rafa, nem vem. Se eles estão gravando ali, é porque foi ali que os ETs apareceram, e eu não quero nem chegar perto dali.

— Deixa de ser medroso, Berg!

— A gente tem que procurar um lugar pra ficar. Já ta de noite, não tem ninguém por ali.

— Está bem, Berg, mas amanhã, a gente vem aqui. Faz isso por mim? — Ludi e o seu poder de persuasão...

— O que você não me pede sorrindo que eu faço chorando, Ludi?

— Te amo, Berg.

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Diário da Ludi

Conseguimos um pequeno quarto em um hotel barato. Os serviços de lá valiam o preço, ou seja: comida ruim, mal atendimento, etc. Ainda que os dois cavalheiros aceitaram dormir no chão para me darem a cama, resolvi dormir no chão também. Não sou melhor do que ninguém.

Acordei bem cedo, ansiosa para ver o Adolfo Barreto. Sério, sem mancada, se eu gostasse, até teria coragem de ficar com ele (momento zoação). Mas eu o achava um ótimo ator. Sabe, eu sempre quis ser atriz, e eu assistia às novelas (boas) e os filmes e ficava me imaginando em cada papel.

Pelo menos um autógrafo eu ia ter que descolar. Ah se ia! Bem em frente ao hotel-chiqueiro onde estávamos, tinha um hotel-pousada super simpático, e parecia bem aconchegante.

É ali que o elenco do filme está! — pensei. Um hotel bonito daqueles, com piscina, e cara de que muita gente metida a besta ficava lá. Além de ser perto do local das gravações do filme. Saí e deixei os garotos lá dormindo. Estava disposta a encontrar o Adolfo Barreto.

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O hotel era bem mais do que imaginei. Lindo! Parecia coisa de outro mundo...

— Hey garota, o que você quer aqui? — disse um segurança. Tinha um sotaque americano. Senti que estava no caminho certo.

— Desculpa, mas eu... — parei de falar quando o vi, ele mesmo, Adolfo Barreto na recepção do hotel. Eu estava do lado de fora e comecei a gritar: — Adolfo! Adolfo! Eu sou sua fã! Aqui! Aqui!

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Diário do Berg

Pela manhã do dia seguinte, quando abri os olhos, percebi que havia mais alguém dentro do quarto. A voz vinha do outro compartimento, onde ficava uma pequena mesa e uma velha TV.

Sacudi Rafa para que ele acordasse. Meu... Foi mega difícil. O cara dormia feito uma pedra.

— Acorda, Rafa. Acorda, macho!

— Pô Berg, me deixa dormir cara. Tô morrendo de sono.

— Tem um homem lá na sala e a Ludi não tá aqui no quarto. Quer morrer de verdade? A gente tem que fazer alguma coisa.

De mansinho, tentamos nos aproximar da sala sem fazer barulho. Surpreendemo-nos com a cena que vimos: Ludi de altos papos com o tal ator. Ele mesmo: Adolfo Barreto!

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Diário da Ludi

Cara, aquilo que estava acontecendo com a gente era tipo... sem palavras!

Só sei que quando contei pro Adolfo (íntima, não?) sobre a nossa história e sobre tudo o que a gente passou, ele se comoveu muito. Sem querer, ainda deixei escapar que meu sonho era de ser atriz, mas juro que não foi visando alguma coisa nisso. O foco era a Valentina.

Rafa e Berg se surpreenderam quando viram o famosão sentado naquela velha mesa e ainda por cima conversando comigo.

— Berg, te admiro muito pelo que você está fazendo. O mundo está precisando de caras que nem você, meu chapa! — Adolfo falou aquilo só pra deixar o Berg mais convencido do que ele era.

— Obrigado, mas sinto que essa é a minha obrigação. E eu não seria nada sem os meus amigos.

— Assim que se diz, Berg!

— Gente, é o seguinte: eu quero ajudar vocês. — Adolfo parecia empolgado. — E eu vou começar tirando os três daqui, depois a gente localiza a Valentina. A gente vai à TV, ao rádio, ao que for preciso. O que acham?

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Diário do Berg

Depois de tudo o que estava acontecendo, aquele foi um momento feliz. Mudamo-nos de mala e cuia para o hotel da frente (que grande avanço hein?). Lá parecia que havíamos saído do Ceará, (sem ofensas) mas aquele hotel-pousada destacava-se demais em relação às outras coisas daquela parte da cidade.

Cada um ficou no seu quarto, fizemos umas compras, até que chegou a hora, digamos, mais difícil: telefonema para os pais.

— Vai, Berg, você começa.

— Ah, por que eu Ludi?

— Por que, por que... Por que você é o líder.

— Não, você vai ligar pra casa do Rafa e vai dar notícias para a Dona Angelina. Damas primeiro.

— Nada disso, Berg. — Rafa se intrometeu. — Liga pra Andreza, vai!

Liguei para minha irmã. Um pouco desconfortável por falar com ela depois de saber que ela estava grávida, mas segui em frente.

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Diário da Andreza

Nunca o toque do meu telefone me deixou tão feliz. Era o Berg dando notícias. Eu estava nervosa, muito nervosa, mas saber que eles estavam bem me tirou um baita peso das minhas costas.

— Alô, Andreza?

— Berg? Meu irmão, por que você não deu notícias! Você prometeu! Mamãe ta pirando na batatinha mais do que nunca e o papai quase enfarta quando soube que você foi pra Quixadá!

— Desculpa, mas nós fomos assaltados e ficamos sem celular, Andreza.

— Nossa! Machucaram vocês?

— Não, tá tudo bem. Aliás, tudo ótimo. Se preocupa não. Quem tá preocupado sou eu. Como é que você está?

— O Rafa te contou não é?

—É... Olha, está tudo bem. Tenta acalmar a Dona Hilda e o Sr. Araújo. Principalmente a mamãe. É capaz de ela ter uma síncope.

—Vocês demoram?

Acho melhor você falar com o Rafa. — disse Berg.

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Diário do Rafa

Berg me entregou o telefone. Meu coração disparou. Quais seriam as novas?

— Rafa, eu tô com medo. Meu pai e minha mãe vão me matar, os seus também. Eu tô preocupada. — mesmo pelo outro lado da linha, sentia-se o desespero de Andreza.

— Calma, não faz nada até eu chegar.

— Eu já me decidi. Vou tirar a criança. Eu vou fazer um aborto.

Notas finais
As informações sobre Quixadá são verdadeiras. No começo desse mês eu viajei pra lá, numa aula de campo da faculdade, sendo que eu já havia escrito esse capítulo e nunca havia estado lá. Foi uma sensação bacana visitar essa cidade. As formações rochosas são muito lindas, umas parecem uns rostos. E sim, um filme sobre ET's foi gravado lá, com o Murilo Rosa. Eu não tô lembrado o nome, acho que é Área Q, mas é muito legal. Enfim, isso tá parecendo novela, não? O próximo capítulo traz muitas emoções *--*