A Fronteira Maldita

12 11 - Acontecimentos Culposos


Notas iniciais
Hey, gente! Como estão? Espero não ter demorado muito: estou tendo alguns problemas de criatividade, e to precisando rever o roteiro das fics. Mas vou tentar não demorar tanto, mesmo que a faculdade tenha voltado! Anyway: Dama das Cores, daughter of the sun e Mica Ligeia, muito obrigada pelos reviews no capítulo anterior. Espero que todos gostem desse aqui!

P. O. V Autora:

Como uma viagem pelas sombras funciona, ao certo, ninguém sabe, porém Nico se transportava pensando no local que gostaria de estar ou na pessoa com quem gostaria de falar. No momento ele gostaria de falar com Catarina de Lyra, em Veneza, e felizmente foi guiado diretamente para lá.

Infelizmente, contudo, foi jogado no meio de um confronto.

— Nico? — Catarina arregala seus olhos azuis para ele, completamente confusa. — O que está fazendo aqui? E porque está com essa roupa?

— Droga! — ele murmura ríspido, soltando a espada de ferro estígio da bainha. — Eu vim para checar uma coisa, mas pelo visto isso fica pra depois. O que são essas coisas?

Nico já vira e fizera coisas estranhas — invocar zumbis não era nada normal, e ele sabia —, mas jamais havia se deparado com monstros como aqueles antes: a parte posterior do corpo parecia ser de algum felino grande, como um leão, porém a cabeça era a de uma serpente. Nem mesmo os animais exóticos de Ártemis se pareciam com aquilo.

— Sepopardos! — uma garota loira o respondeu, lançando algo brilhante da ponta de um objeto semelhante a um bumerangue. — Pode lutar contra eles se quiser, somos todos a favor!

Antes que ele pudesse contestar, uma das feras pulava sobre ele, que descreveu um arco com sua espada na tentativa de se defender. Funcionou, mas do contrário do imaginado, o bicho não se dissolveu em pó. Sem tempo para contestar, Nico voltou a lutar contra os sepopardos, e quando deu por si estava costa a costa com Claire, uma filha de Afrodite que ele conhecia de vista do Acampamento.

— O que você tá fazendo aqui? — ela pergunta, chutando um dos bichos na barriga, fazendo com que se erguesse o suficiente para ser atravessado por uma flecha disparada por Catarina.

— Você estava lá! Quando Catarina usou esse arco pela primeira vez! Você a ensinou a usá-lo! — ele se lembrou do ano anterior, quando ajudara Will e Aria a cuidar de Eleazar, um semideus amigo deles.

— Era meu dever! — Claire respondeu, tornando a acertar outro monstro, desta vez enterrando sua espada nele.

— Assim como era meu dever e de Thalia Grace o de manter aquele arco fora do alcance de inimigo? — Nico pergunta arfando, girando para acertar um monstro.

Não houve resposta, porém. O filho de Hades apenas sentiu o momento em que a garota se afastou dele, correndo na direção oposta da casa, onde um dos monstros estava sobre uma mulher adulta, prestes a atacá-la; ele pôde ver Claire erguendo a espada para salvar a senhora, mas foi impedida por outra fera que se jogou contra ela, levando-a a inconsciência. Nico chegou a esboçar correr naquela direção, contudo sua atenção foi atraída para mais perto, onde vários dos estranhos animais cercavam uma garota.

Por algum motivo, a memória de Bianca veio à mente do garoto, mesmo que as duas em nada se parecessem. Nico correu naquela direção, enterrando sua espada no maior número de sepopardos que conseguia, todavia de nada adiantou sua manobra: uma tempestade de areia começou a girar sobre a menina cercada, e antes que ele pudesse fazer algo para tirá-la do meio da confusão, ela foi sugada junto aos monstros, desaparecendo rapidamente.

P. O. V Catarina:

Tudo acontecera rápido demais, numa velocidade incrivelmente suspeita. Em um minuto Sophia estava ali, e no seguinte havia desaparecido em um ataque que começara no exato instante em que Sadie e eu decifrávamos um trecho da profecia que envolvia a garota. Entretanto, eu não tinha como perder tempo com indagações a respeito do ataque repentino: se uma das consequências fora o rapto de Sophia, a outra grave tragédia fora Sadie acabar ferida.

Ignorando o fato de Claire e a senhora D'Anibale estarem desmaiadas, arrastei Sadie até a cozinha, onde a fiz deitar-se sobre o balcão para que eu pudesse analisar melhor a ferida em sua perna.

— Esses monstros, eles são venenosos? — perguntei ao ver o tamanho da mordida.

— Eu já os vi derreter janelas, então acredito que sim! — ela me respondeu trêmula. — Minha bolsa... A poção de cura...

Corri de volta à sala, e encontrei a bolsa de Sadie completamente revirada e encharcada; a bolsa de Claire encontrava-se em estado parecido, embora a garrafinha com néctar ainda estivesse completamente cheia. Devido ao estado de Sadie, eu duvidava muito que ela conseguisse fazer outra poção — ou sequer se tinha material para tanto —, então respirei fundo três vezes antes de seguir o conselho de Nico e confiar em meus instintos.

Perguntei, aos gritos, se havia agulha e linha naquela casa, e fui respondida no mesmo tom por Lorenzzo, que me informou que eu encontraria tais coisas no andar superior, no quarto de Sophia. Subi as escadas de dois em dois degraus, e facilmente encontrei o quarto da garota — havia uma daquelas placas de "me deixe em paz" na porta, que era de um tom claro de rosa. —, onde revirei as gavetas até achar o que procurava; desci a escada o mais rápido que pude e fui direto para a cozinha.

— O que... O que vai fazer? — Sadie estava ainda mais pálida do que antes.

— Limpar essa ferida e suturá-la. — respondo, tentando soar o mais calma possível.

Eu não tivera treinamento suficiente para fazer coisa alguma, mas acreditava que minha herança divina me ajudaria naquele momento.

— Ah não precisa, sua boba! — ela abre um sorriso, mas posso ver a dor em seus olhos. — Eu já estou bem melhor... — a última palavra saiu em um grito entrecortado, que a fez recair sobre o mármore frio da bancada.

A partir daí tudo foi um borrão em minha mente, desde o momento em que ensopei um pano de prato numa mistura de néctar e poção de cura para limpar a ferida, passando pelo momento em que esterilizei a agulha na chama de um acendedor elétrico, até o momento em que Sadie choramingava enquanto eu suturava o machucado. Fora angustiante vê-la se retorcendo de dor, e por mais rápida que eu estivesse, a velocidade nunca parecia suficiente.

— Pronto. — murmurei quando finalmente terminei o curativo, mas fui recebida pelo silêncio: Sadie dormira devido a exaustão.

Tremendo, deixei meu corpo encontrar conforto e apoio no chão gélido da cozinha, respirando fundo na tentativa de me acalmar. De uma hora para a outra eu fora de uma aspirante à bailarina para semideusa amaldiçoada e perseguida por monstros: não estava mais conseguindo assimilar o que estava acontecendo com minha vida, apenas sabia que estava tudo confuso.

— Catarina? — a voz grave de Lorenzzo me desperta de meu martírio.

— Sinto muito, Lorenzzo. — é a única coisa em que consigo pensar e falar. — Sinto muito termos surgido assim, do nada, transformando sua vida em um inferno!

Ele estava visivelmente abalado, embora ainda tivesse a Lança Sangrenta em mãos. Sem falar qualquer coisa, ele deslizou pela parede até se encontrar sentado ao meu lado, encarando o nada a nossa frente.

— Você tem tanta culpa nisso quanto eu, Catarina. — ele murmura, ainda sem me olhar nos olhos. — Eu não queria ver minha irmã sumir daquele jeito, e depois de te ver lutar daquele jeito lá fora, acredito que tampouco quisesse.

— Como consegue estar tão calmo? — ingenuidade, novamente, tomava conta de mim.

— Não estou calmo. Apenas não estou direcionando minha raiva para a pessoa errada. Tenho certeza de que a culpa é daquele tal deus do medo... — a antipatia na voz de Lorenzzo quase fez com que eu me encolhesse de medo.

— Na verdade, duvido muito que Phobos tenha a ver com o que aconteceu. — Claire aparece, sendo seguida por Nico. — Esse ataque não foi nem um pouco grego.

— Ou romano! — Nico completa.

Ele já não vestia mais a armadura completa, contudo ainda estava em postura de alerta total, como se esperasse por mais ataques.

— Como está minha mãe? — Lorenzzo pergunta, inclinando-se para ter uma visão da sala.

— Coloquei sua mãe para dormir! — Claire informa, sem dar muitas explicações. — Disse a ela que encontraríamos Sophia, mas não prometi nada: a essa altura do campeonato, promessas são perigosas demais.

— Ela está certa! — Nico suspira, encostando-se a parede.

— E você quem é? — Lorenzzo murmura, soando desconfiado.

— Nico di Angelo, filho de Hades, embaixador de Plutão, Rei Espectral... Só mais um ser ferrado como você! — Nico responde com sarcasmo. — E antes que me perguntem o que vim fazer aqui, vou direto ao ponto. — e no segundo seguinte, Nico arrancava meu diadema, e o girava em sua mão direita.

Vi o arco aparecer e sumir, assim como uma espada igualmente forjada em ouro. Conforme Nico girava o diadema, este se transformava em armas diferentes, à medida que as expressões do filho de Hades também se modificavam.

— Agora entendo porque nos envolveram nessa confusão... — Nico murmurou, devolvendo-me o arco. — Você sempre soube, né Claire?

— Eu sempre estive por dentro de todos os passos do plano. Eu precisava saber onde a arma estava, e precisava devolvê-la em segurança para Apolo: eu fui a última pessoa a pegá-la com vocês, Nico, e devo dizer que fizeram um ótimo trabalho. — Claire o respondeu com firmeza, sem se deixar abalar pelo olhar de Nico.

— Do que eles estão falando? — Lorenzzo faz eco a minha pergunta, chamando a atenção deles.

— Sôter, o arco de Catarina, passou um ano viajando o mundo comigo e com Thalia. Era como se fôssemos um casal divorciado, com a guarda do filho compartilhada. — Nico nos respondeu sarcasticamente, parecendo injuriado. — Não ligo de sair em missões assim, mas depois de tudo o que aconteceu, apagarem minhas lembranças é ofensivo!

Lorenzzo me olhou em busca de explicação, mas eu não tinha a menor idéia do que Nico e Claire estavam discutindo, apenas sabia que ela não era a pessoa favorita dele naquele dia. Tentei aproveitar o momento para achar um lugar melhor para que Sadie pudesse descansar, afinal não havia nada de confortável em se ficar deitada sobre o balcão da cozinha.

— Obrigada pela ajuda e, mais uma vez, me desculpe por ter destruído a sua vida em menos de um dia! — dou um sorriso torto para Lorenzzo.

Ele me ajudara a levar Sadie para o quarto de hóspedes, onde ficaríamos junto com Claire. Já estava um pouco tarde para arrumarmos a casa ou fazer qualquer outra coisa que não fosse descansar — algo que precisávamos muito.

— Não é culpa de vocês o que aconteceu hoje... — ele suspira e se interrompe, puxando-me pela mão até o outro lado do corredor, onde ficava seu quarto. — Eu sei que não estava esperando que três garotas bonitas aparecessem e me dissessem que tenho poderes, mas não posso dizer que esteja surpreso por esse tipo de coisa acontecer: é típico eu ser o último a descobrir as coisas, como você bem viu hoje!

Eu sabia que ele estava se referindo ao fato de sua mãe ter escondido dele a verdade sobre suas origens, e sobre Sophia não ter contado nada sobre a dela também; eu o entendia perfeitamente bem, e agora me via tendo que acalmá-lo: Lorenzzo era parte do jogo agora, e precisava conhecer as regras.

— Há dois dias, eu não tinha a menor idéia de que todo esse mundo existia: eu cresci achando que meu pai era um médio sem fronteiras, e por isso não morava comigo; todas as minhas memórias foram congeladas para que eu não soubesse a verdade sobre os deuses; minha prima me odeia porque a vida dela foi devotada a me guiar nessa missão... Eu estava tão indiferente sobre a minha vida quanto você, Lorenzzo. — sento-me ao seu lado, focando meu olhar em seus olhos esverdeados.

— Por que eles fazem isso conosco? Não seria menos perigoso se já soubéssemos quem somos? Se treinássemos para o momento em que precisássemos sair por aí e enfrentar o perigo?

— No Acampamento Meio-Sangue, onde outros como nós treinam, me explicaram que a partir do momento em que sabemos sobre os deuses, sobre o que realmente somos, os monstros também descobrem e fica muito mais fácil de nos rastrear. — explico gentilmente. — E, muitas vezes, somos treinados indiretamente... Não sei como sua mãe te criou, mas minha tutora me fez participar de vários tipos de luta, me colocou para treinar arquearia e esgrima, e quase me tornou uma enciclopédia ambulante... Confesso que ajudou bastante até agora.

— Bom... Minha mãe me mandava para acampamentos bem estranhos quando eu era pequeno... Ela dizia que uma pegada mais medieval era legal... Mas ainda não tenho certeza em como isso pode me ajudar...

Eu também não tinha a menor idéia de como aquilo nos ajudaria, então o enrolei, dizendo que os poderes de seu progenitor o guiariam e que no dia seguinte Claire e Nico, que eram veteranos, e entendiam muito mais que eu, poderiam conversar com eles a respeito de tudo. Não fui hipócrita o suficiente pare desejar-lhe uma boa noite de sono, apenas lhe aconselhei a tentar dormir... Duvidava que ele conseguisse.

Ou que qualquer um por ali fosse capaz de fechar os olhos e não sonhar com tudo o que acontecera naquele dia.

P. O. V Autora:

Após o fatídico primeiro dia em Veneza, nem mesmo o Jet lag pôde impedir os semideuses e a maga de irem dormir às 19 horas e 30 minutos do horário local. Mesmo que seus organismos estivessem programados para o horário em Nova York, onde ainda eram uma e meia da tarde do dia 24, os dois confrontos os deixaram cansados o suficiente para que fossem cedo para cama.

Contudo, em Nova York — mais precisamente no Queens, onde o Aeroporto Internacional JFK está localizado —, três magos aguardavam ansiosos pelo próximo vôo para Veneza.

— Por que estamos aqui? Por que não podemos, simplesmente, abrir um portal e irmos de uma vez? — Zia pergunta impaciente, andando de um lado para o outro na sala de embarque.

— Você sabe muito bem porque, Rashid: assim como nos dias do demônio, agora também está perigoso abrirmos portais e viajarmos pelo Duat. Se tudo o que Sadie e você sonharam, além do que a tal profecia grega revelou, for verdade, Apófis está voltando e ninguém quer dar de cara com ele enquanto tenta mudar de país! — Walt explicou, parecendo igualmente impaciente.

Carter, que já se encontrava preocupado por não receber notícias da irmã, estava ficando ainda mais estressado. O mago se perguntava, constantemente, porque Sadie fora escolhida para ir nessa missão: sua irmã era ótima, ele sabia, mas quando havia um combate, os irmãos Kanes, juntos, eram perfeitos. Sadie com os encantamentos, Carter com a luta; sem ele, parecia que a frente de batalha estava incompleta.

Na verdade, sem Sadie por ali, ao lado de seus amigos, é que tudo parecia errado.

— Você avisou a ela que estamos indo? — Walt pergunta ao cunhado pouco antes de entrarem no avião.

Foram os últimos a embarcarem, na esperança de que fossem os primeiros a desembarcarem quando chegasse à Itália, contando em alcançar Sadie e o restante do grupo antes que mudassem sua localização.

— Telefonei, deixei recado na caixa postal, e ainda enviei uma mensagem de texto. — Carter tenta parecer tranqüilo, mas seu tom de voz deixava claro que estava preocupado com a falta de contato.

E por mais que tentassem parecer tranqüilos, Walt e Zia estavam igualmente preocupados.

P. O. V Lorenzzo:

Acordei cedo na manhã do dia 25 de janeiro, dando de cara com a menina loira andando de um lado para o outro pelo corredor do segundo andar. Ainda um pouco atordoado pelo sono, perguntei se algo estava acontecendo e ela, brevemente, me contou sobre o irmão estar procurando por ela.

— Poderia me dar o endereço daqui, por favor? — ela pediu, e eu prontamente murmurei a resposta, sentindo-me estranho por estar em meio a uma crise, e ainda assim estar recebendo visitas daquele jeito.

Menos de 24 horas haviam se passado desde que minha vida virou de cabeça pra baixo, e, no entanto ali estava eu, descobrindo que a menina loira se chamava Sadie, era uma maga, e tinha um passado conflituoso com o falecido pai biológico de Sophia. Era muita coisa para assimilar em tão pouco tempo. Depois dos acontecimentos do dia anterior, ver Sadie abraçar e discutir com seu irmão me doía um pouco. Eu continuava a me criticar e perguntar se não poderia ter feito algo para impedir que Sophia fosse levada.

— Bom dia! — sou arrancado de meus pensamentos melancólicos quando Catarina para ao meu lado na cozinha. — Conseguiu dormir?

Ela parecia nervosa, provavelmente ainda se culpando por tudo o que acontecera, embora eu mesmo jamais pudesse atirar pedras sobre ela: se não fosse por Catarina, com certeza eu estaria morto, e Sophia teria sido levada quando ainda esperava por mim na escola.

— Depois de rolar um pouco pela cama, sim! — respondi suavemente, oferecendo-lhe a cestinha de pães — E você?

— Só por não ter tido pesadelos, eu já considero que foi uma boa noite! — ela sorri brevemente, levando-me a notar algo.

Embora o dia anterior tenha sido péssimo, repleto de monstros que atrapalhariam o sono de qualquer um, pela primeira vez em meses eu não tivera um pesadelo; foi a primeira noite em que não sonhei com as lágrimas de Catarina, e isso me deixou temeroso.

Deixar de sonhar significaria que o pesadelo se tornaria real?

Notas finais
Preciso confessar que estou amando criar cenas entre os personagens novos e os do tio Rick. Porém, a pergunta que não quer calar é: acham que o Lorenzzo está certo? E sobre o capítulo, o que têm a declarar? Digam-me o que acharam, mesmo que seja um simples gostei: quero muito conhecer o pessoal que ta lendo, não sejam fantasmas, por favor! Espero ver vocês nos reviews! Beijoos!!