A Friendzone de uma Nerd na Merda
14 Voldemort, Heat Saving, man-lamppost, shopping... and fake vomiting The End
Notas iniciais
Voldemort, Prova Salvadora, Homem-poste, shopping, filmes de vampiros adolescentes e vômitos falsos (Parte Final, eu acho)

– Ok Gajeel, me coloca no chão e eu te dou um beijo, como você quer. – Garoto tarado, que vontade de explodir meu toddynho na sua cara...
– Está me enganando de novo?
– Não, é sério.
Gajeel me olhou desconfiado, mas parou de me jogar pra cima. Segurou minha cintura e me colocou no chão, fazendo com que ficássemos frente à frente. Então meu cérebro paralisou de novo, perdi a noção do que estava fazendo, do que estava vendo. Quando “acordei”, estava com meus braços enlaçados no pescoço de Gajeel, acho que já tínhamos nos beijado.
– Uau.. – Foi a única coisa que Gajeel disse.
Eu estava envergonhada. O plano era: Gajeel me colocaria no chão, eu sairia correndo e evitaria dar um beijo nele. Mas não deu porque ele me segurou! Quimera Levy, quimera!
– Hey – Gajeel levantou meu queixo, já que eu estava olhando para o chão para tentar esconder minha vergonha.– Você manda bem.
– Isso é um elogio?
– É sim. – Ele sorriu e em seguida me abraçou. Hoje é mesmo o Dia do Abraço. – Mas olha, se continuar assim vai fazer com que eu fique mais afim de você. E se eu ficar muito afim... Não sei se poderei me controlar. – Ele deu aquele maldito sorriso malicioso.
– Você é um poto.
– Poto??
– É, poto. Você é muito poto!
– Carvalho, sua linguagem tá ficando cada vez pior.
– E você tá ficando cada vez mais poto!
– Poto me lembra patos..
– Patos te lembram Jimmy. – Jimmy me lembra Herói das Baixinhas.
– Isso ae. — Sorriu.– Temos que ir jogar, perdemos um bom tempo só nos beijando.
Mas o que?!
– Aii Levy, para de me beliscar!
– Retardado!
Perai, acho que eu perdi um detalhe... Meu cérebro está muito lento ultimamente, até meu computador super lotado de programas e lixo consegue processar as coisas de forma mais rápida. Mas o fato é que Gajeel disse uma coisa muito importante...
Mas olha, se continuar assim vai fazer com que eu fique mais afim de você.
Então, ele admitiu o que sente por mim?? É isso mesmo produção?!
Preferi questionar isso depois, já que estávamos prestes a duelar.
– Carolho Gajeel, não precisa ficar sendo delicado. Manda ver com esses golpes, não vou me machucar de verdade.
– Você quem pediu.
Alguns minutos depois...
– Vá se feder, seu retardado!
– Vai você, nanica que não sabe perder!
– Olha como você fala comigo, acéfalo!
– Eu sou mesmo acéfalo aqui? Quem foi que perdeu o jogo, ahn? Fala mais alto eu não estou de ouvindo... Borra, para de ficar me beliscando!
Tudo bem, admito, sou infantil pra caramba. Isso me lembra L, Death Note...
...
...
...
...
– Vou te dar um petisco, pra você ficar calminha. – Gajeel disse, enquanto eu encarava o nada, sentada com as pernas cruzadas no chão do fliperama. Ele se sentou ao meu lado, continuando absurdamente mais alto que eu. – Hey, quer que eu te deixe vencer na próxima?
– Não. – respirei fundo – Eu sou uma idiota, só... Me ignore por uns instantes.
– Se eu conseguisse... Você pode ser baixinha, mas nunca será invisível.
– Talvez isso seja algo bom.
– É, acho que sim. – deu uma pausa – Caramba, onde está esse povo?
– Devem estar se pegando.
– A gente deveria estar fazendo o mesmo?
– Não, somos comportados, não ficamos fazendo tais coisas em público.
– Sei.. – Porcaria de sorriso que esse cara dá!
– Você tem que parar de sorrir assim, não é saudável.
– É saudável pra mim.
– Eu não digo o mesmo.
Ficamos cobertos por uma manta chamada Silêncio. Não falamos mais nada e eu estava pensando se deveria ou não questioná-lo sobre o fato de ele estar afim de mim. Sei lá cara, esse lance de relacionamentos não é uma coisa fácil. Você nunca está segura o suficiente, nunca tem coragem o suficiente... Ás vezes o melhor a fazer é ir direto ao ponto.
– Gajeel?
– Ahn?
– Er... Você... Será que você... Ah cara... Você está... Er...
– Converse como gente!
– EU ESTOU TENTANDO!
– Oe, pare de gritar, estou tentando jogar aqui! – Um adolescente emo gritou do outro lado da sala.
– E quem é que liga? Estou tentando conversar com meu garoto aqui, pare de ser enjoado.
O moleque revoltadinho mostrou seu dedo do meio, o que me fez ter vontade de tacar uma maquina de jogos na cara dele ~se eu conseguisse fazer isso~.
– Seu garoto?
– Ah cara, não sei chamar você de “Meu amigo”.
– Sério? Bobinha.
– É.. Sei disso.
– Mas... O que queria me dizer?
– Não era nada, só... Vai me comprar um petisco?
– Aham, vamos lá.
Compramos alguns petiscos ~isso me lembra ração de cachorro~, salgadinhos e comemos na lanchonete. Luu-chan me mandou uma mensagem dizendo que ficariam para a próxima sessão e que o filme dos vampiros apimentou a relação deles. Pelo amor da batata!
– Hahaha.. Apimentou a relação?? Pelo amor do inhame!
Perae, inhame tem alguma ligação com batata?
– Devolve meu celular, seu poto!
– Nem acredito! Desde quando um filme de vampirinhos bocós pode apimentar relações??
– Não sei, existem coisas que eu realmente não entendo. Olha, tá fazendo frio, vou até a van para pegar meu blusão.
– Vou com você, vai que te sequestram no caminho.
– Porque alguém me sequestraria?
– Sei lá, existem coisas que eu realmente não entendo. — Gajeel respondeu essa frase fazendo uma imitação horrorosa da minha voz. Só pude rir com isso.
Fomos até a van e enquanto eu pegava minha blusa, Gajeel mexia no porta-luvas.
– Levy, olha isso!
– É feio mexer nas coisas dos outros, sabia?
– Sabia, mas ninguém tá vendo. Só você, mas não faz tanta diferença. — Revirei os olhos.– Abre a caixa.
Ele me entregou uma caixa de tamanho médio e eu abri. Me assustei quando vi um bocado de gosmas estranhas lá dentro.
– Que porcaria é essa??
– São vômitos falsos. — Gajeel respondeu naturalmente.
– Pra que servem? – Com certeza não serve pra comer.
– Colocar no capô ou nos vidros dos carros.
Nossa, que divertido!! Sintam a ironia, por favor..
– Vamos lá baixinha, temos que nos divertir de alguma forma! Nossos amigos estão se pegando no escurinho do cinema e a gente aqui sem fazer nada.
Pelo amor da beterraba, não me peça para te beijar novamente!
– Ok Gajeel, vamos colocar essas melecas nos carros.
– Vamos!
Ainda tinha muitos carros no estacionamento, poderíamos escolher qualquer um. O problema era ter que esperar o motorista sair do shopping, ir até o carro, verificar a meleca e nos xingar de nomes feios.
Eu disse a Gajeel para colocarmos o vômito na janela de um carro rosa, que certamente seria de uma patricinha ou de uma vovó muito rica. Esperamos que a senhora saísse atrás de uma moita, e ela demorou muito. Muito mesmo!
– Caramba Gajeel, esse mato tá me fazendo coçar.
– Shiu, tem um cara vindo.
– E é óbvio que ele não é dono do carro rosa. Vamos colocar essa meleca em outro carro.
– Perai..
Um cara bem forte e bonito estava caminhando em direção ao estacionamento. Ele era muito bonito mesmo, poderia dizer que ele era ator de um filme de vampiros. Fiquei excessivamente surpresa quando ele desligou o alarme do CARRO ROSA e começou a gritar divásticamente ao ver a meleca.
– QUE NOJO, QUE NOJO!! AII SEGURANÇA, VEM VER ESSA COISA NO MEU CARRINHO, ECAAA!
Gajeel estava com os olhos arregalados enquanto eu tentava não ficar histérica. Mas quimera é essa, meu povo??
– O que está acontecendo, senhor? — Um cara mais forte que o primeiro apareceu. Certamente é o segurança do shopping.
– AII MAN, TEM VÔMITO NO MEU CARRINHO! EU LAVEI ELE HOJE, SABIA? TAVA CHEIROSINHO ATÉ ALGUM IDIOTA VOMITAR AQUI.
– Mas senhor, isso é vômito falso.
– E QUEM FOI O RETARDADO QUE PREGOU ESSA PEÇA DE MAL GOSTO EM MIM??
– Deve ser algum adolescente, não precisa se preocupar.
– QUERO QUE ACHE ESSE DELINQUENTE, AGORA!
– Senhor, eu tenho trabalho para fazer, estou muito ocupado.
– VÁ PROCURAR QUEM FEZ ISSO! AGORA, OU EU FALO COM MINHA MAMÃE PARA TE COLOCAR NA RUA! - Mordi meu dedo para não rir. Coitado do segurança..
– Sim senhor.
O segurança começou a procurar pelas árvores do estacionamento. Gajeel me puxou e saímos correndo, só que por azar, eu escorreguei numa casca de banana ~qual é, coisas assim acontecem!~ e bati a cara no chão. Duas vezes no mesmo dia?!
– Fiquem parados ai, os dois!!
– Droga Levy, vem!
Senti gosto de sangue na minha boca. Pelo amor do Ponchá, eu não posso sangrar agora! Assim como não posso ser presa!! Fiquei debatendo com o chão até que Gajeel me colocou sobre os ombros e saiu correndo pelo jardim.
– Voltem aqui seus delinqüentes!
Gajeel corria como se sua vida dependesse disso e eu tentava estancar o rio de sangue que jorrava dos meus lábios.
– Você se machucou?
– Cortei a boca, mas tá tudo bem.
– Droga!
– Pode me colocar no chão, consigo correr.
– Lógico que não, pra você cair de novo? Não sabia que era tão desastrada..
– E eu sabia que você era chato, mas não tanto.
– Pelo menos eu não fico caindo por ai!
– Não é culpa minha, ok? Eu não peço para ficar caindo, minhas pernas tem opinião própria, não sei controlá-las.
– Resolva isso, não vou estar sempre ao seu lado para carregar você.
– Eu nunca pedi para você ficar ao meu lado!
Gajeel ficou calado e eu também. Não quero falar nada, queria apenas ficar longe dele, mas ele não me colocou no chão até conseguirmos chegar ao ponto do metrô. Entramos e infelizmente, Gajeel se sentou ao meu lado e ficou com aquela cara de macarrão que sobrou da janta.
– Você manchou minha camiseta de sangue.
– ...
– E seu joelho e sua boca estão sangrando.
– ...
– Vai ficar sem falar comigo?
– EU TE ODEIO, ME DEIXA EM PAZ!
Olhei para as janelas e fiquei observando a paisagem enquanto lágrimas quentes rolavam silenciosamente pelo meu rosto. Porque Gajeel foi tão arrogante comigo? Não consigo entender. Uma hora ele diz que está afim de mim, outra hora fica com raiva porque eu vivo caindo. Mas eu nunca pedi pra que ele ficasse ao meu lado, nunca pedi que ele me carregasse, nunca pedi que ele se compadecesse de mim.
– Hey, foi mal. Não deveria ter falado com você daquele jeito. É que você sabe, se o segurança me pegasse eu iria pra cadeia.
Ahn, como assim?
– Amanhã é meu aniversário de 18 anos, ou seja, daqui a quinze minutos.
Carolho, havia me esquecido disso!
– Ok Gajeel, vamos esquecer.
– Vem cá, deixa eu limpar esse sangue.
Olhei para ele, que tentava puxar a manga de sua camiseta comprida. Gajeel secou o sangue e passou o indicador onde havia lágrimas. Agradeci e encostei minha cabeça no vidro da janela, mas ele me puxou fazendo com que minha cabeça ficasse sobre seu ombro. Sim, Gajeel é muito bipolar.
Descemos no ponto que fica na esquina da minha casa. Mandei uma mensagem para Luu-chan dizendo que havíamos ido embora, ela retornou dizendo que estava se divertido vendo um cara louco e aparentemente gay gritando histericamente com o segurança do shopping. Sorri ao imaginar a cena. Fechei a mensagem e vi que o relógio marcava exatamente meia-noite. É, Gajeel agora tem dezoito anos.
– Feliz aniversário Gajeel. – disse para ele, antes que entrássemos em casa.
– Mas já? Bem.. Arigatou pequena.
Estendi minha mão para cumprimentá-lo, mas ele me deu um abraço. Senti que aquele abraço era como um pedido de desculpas por ter sido um chato. Ele beijou minha testa e entramos em casa, encontrando Wendy esparramada no sofá. Devia ter bebido novamente...
– Ahn, vou lavar sua camiseta, já que ela está bem sujinha.
– Pode ficar com ela, quero que se lembre de mim ao vê-la.
– Mas quem está fazendo aniversário é você.
– Mesmo assim, fique com ela.
– Arigatou.
Subimos para o quarto e eu corri para o banheiro, a fim de tomar um banho e tirar a sujeira. Quando sai, Gajeel estava sentado na cama, sem camisa e ouvindo as músicas que tocavam no meu computador.
– Yo baixinha.
– Yo.
– Conhece essa banda, Iron Maiden?
– Não. Na verdade só conheço bandas de J-rock e os Bee Gees*.
– Meu velho gostava dos Bee Gees, bons tempos..
Sorri e me sentei ao seu lado, cruzando as pernas ~mini-pernas, agora raladas~.
– Hey, só preciso de mais dois meses de salário para comprar uma guitarra. Dois meses passam rapidinho, então terei apenas que aguardar. Aliás, passei minhas músicas para o seu pc, depois você ouve.
– Ah, ok.
Foi ai que eu me lembrei de que deveria dar uma guitarra de presente para o Gajeel e uma festa surpresa no colégio. Meu pâncreas, como eu fui esquecer isso?? Calma Levy, relaxe, amanhã você dá um jeito.
– Vou tomar banho. Não sei se você vai dormir agora, então... Boa noite.
– Boa noite.
Melhor ir dormir, amanhã será um longo dia.
Anjos do Ponchá, me desejem sorte e me abençoem para que amanhã dê tudo certo.
* Bee Gees: foi uma banda formada em 1959 pelos irmãos Gibb. Algumas músicas deles como Wish You Were Here e Too Much Heaven são bem conhecidas no Brasil.
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