A Friendzone de uma Nerd na Merda
19 Forever alone or not
Notas iniciais
Para sempre sozinha ou não

Me diga quando o beijo do amor vira mentira
Que traz a cicatriz do pecado bem lá no fundo
Pra esconder o medo de correr até você
Por favor, deixe que haja luz
Num quarto escuro
– In a Darkened Room, Skid Row
Faz algumas horas que o Gajeel saiu por aquela porta e eu não consigo desgrudar os olhos da maldita guitarra.
– Droga Joan, porque eu só faço merda?
Peguei a guitarra e comecei a brincar com as cordas, que faziam um som interessante. Fiquei empolgada com o que estava fazendo e comecei a brincar com todas as cordas de uma vez. Não demorou para chichi aparecer no quarto.
– Para de fazer barulho, está uma merda!
Suspirei, contrariada.
– Gomen.
Chichi percebeu que eu não estava bem e sentou ao meu lado, na cama.
– Ele não te ensinou a tocar?
– Não, eu vivia dizendo para ele parar de fazer barulho e me deixar em paz.
– E ele obedeceu?
– Aham.
– Você é retardada como uma mula. – Suspirei mais uma vez. Chichi sabia me colocar em um nível mais baixo que o normal. – Mas esse espírito de retardadisse que você tem é de família.
– Er..
– Passa essa guitarra pra cá, vou te ensinar a tocar.
– Okay.
Entreguei Joan para chichi que começou a tocar.
– Isso é um riff.
– Legal.
– Essa música se chama In a Darkened Room, é do Skid Row.
Aí chichi começou a cantar versos que só pioraram meu momento.
Num quarto escuro
Além do alcance da fé de Deus
Estão os feridos e despedaçados restos do amor traído
E a inocência de uma criança é comprada e vendida
Em nome dos malditos
A ira dos anjos deixou silêncio e frio
Perdoe-me, por favor, pois não sei o que faço
Como posso guardar a mágoa que, eu sei, é verdadeira
Me diga quando o beijo do amor vira mentira
Que traz a cicatriz do pecado bem lá no fundo
Pra esconder o medo de correr até você
Por favor, deixe que haja luz
Num quarto escuro
E todos momentos preciosos colocados de lado novamente
E o sorriso da madrugada
Traz a luxuria manchada cantando meu réquiem
Posso encarar o dia quando sou torturado em minha crença?
E assistir isso cristalizando
Enquanto minha salvação vira pó?
Por que não posso guiar o navio antes dele encontrar a tempestade?
Eu caio no mar, mas ainda nado em busca da praia
– Sabe minha filha, muitas vezes nós fazemos coisas e nos arrependemos em seguida. Nós chamamos isso de erros. – Deu uma pausa. – E são esses erros que nos ensinam as coisas certas.
– Mas eu não gosto de errar.
– Ninguém gosta. Mas somos humanos, imperfeitos, erramos o tempo todo. Só que nós temos que procurar os acertos, para superar os erros.
– Como eu faço pra acertar?
– Deixando a luz entrar no quarto escuro, que é seu coração. Deixe a luz iluminar as coisas, iluminar sua mente e suas decisões. Entendeu?
– Acho que sim.
– O que sua mente manda você fazer agora?
– Deitar e dormir.
– E o que seu quarto escuro manda?
– Levantar e ir atrás do Gajeel.
– Então faça o que a luz mandar.
A luz (que eu não faço a mínima de quem seja) não me deu retorno algum. Então resolvi deitar na minha cama e dormir. Só que ao invés de dormir eu comecei a chorar, gritar por dentro, essas coisas de gente perturbada.
– Quimera viu, eu sou muito retardada. Devia ir atrás do Gajeel. – Já repararam que eu falo sozinha? – Claro que não! Ele disse que eu sou inocente demais para fazer certas coisas com ele! Me chamou de infantil! Eu quero estourar a cara dele! – Err.. – Mas eu realmente gosto daquele retardado. Sinto falta dele.
Onde você está? E eu sinto muito
Não consigo dormir, não consigo sonhar esta noite
Eu preciso de alguém e sempre
Esta estranha doente escuridão
Vem rastejando e assombrando o tempo inteiro
– Maldito filho da mãe, eu te odeio!
E assim se passou os dias. Eu ia pra escola, voltava, dormia meia hora, ia pro Café Cosplay, encontrava o Gajeel, fingia que tava tudo bem, entrava no banheiro pra chorar, saia, fingia que tava tudo bem, chorava e dormia.
E eu sentirei falta da sua risada, do seu sorriso
Eu admitirei que estou errada, se você admitir também
Faltava uma semana para as férias e eu não aguentava mais olhar pra cara do Gajeel. Sem falar que ele fazia te tudo para me provocar. De tudo mesmo!
Primeiro ele apareceu de mãos dadas com Lisanna no intervalo. Até aí tudo bem, porque eram só “mãos dadas”. Mas depois ela começou a cochichar no ouvido dele, e ele começou a gargalhar como se ela estivesse falando a coisa mais engraçada do mundo. Uma vez eu soube que ele tinha uma queda por ela, mas eu nunca pensei que ele fosse fazer isso! Minha raiva era incontrolável, por isso peguei o vidro de molho de pimenta do Natsu e joguei na cara do Gajeel. Foi a primeira vez que eu consegui acertar algo e é isso que eu chamo de Força de Ação a Distância.
– Oe nanica, porque fez isso??
– Oh, não era pra ter acertado você, era pra ter acertado o lixo. Não pera, você é quase um lixo!
Todos os alunos ficaram em silêncio ao ouvir nossa discussão. Lucy se levantou e pediu que eu me acalmasse.
– O que você disse? — Gajeel gritou.
– Isso que você ouviu, você é quase um lixo!
– Um “quase lixo” que você ama!
– Amava! Não amo mais.
– Duvido que não ame mais.
Também duvido.
– Não ligo pro que você acredita, não dou a mínima pra você.
Saí correndo e chorei um rio dentro do banheiro. Só que depois eu me levantei e decidi que não ia chorar mais pelo Gajeel. Papo furado! Foi só eu ver o que Gajeel fez no outro dia...
Aviso: Cenas inapropriadas para pessoas com problemas cardíacos.
Gajeel estava beijando Yuki no pátio. ISSO MESMO, GAJEEL ESTAVA BEIJANDO YUKI NO PÁTIO!! PORQUE? PORQUE??
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA EU VOU MATAR VOCÊS DOIS! – adivinhem, quem gritou isso não foi eu, foi Luu-chan. Estava boquiaberta, eu não acreditava no que tava vendo. Yuki empurrou Gajeel com força e deu um tapão na cara dele, e depois um chute, um beliscão, um soco...
– O que eles estão fazendo? – Rogue perguntou, aparecendo atrás de mim.
– Eu não sei. – Estava chorando. É, eu sou sensível demais, choro por qualquer coisa. Mas isso não foi “qualquer coisa”, Gajeel estava tocando no meu ponto fraco, estava me traindo com uma de minhas amigas. Claro que Yuki não gostou nada da ideia, mas o que Gajeel tinha na cabeça quando fez isso? Luu-chan começou a bater em Gajeel e eu fui tentar tirá-la de cima dele, antes que Makarov-senpai visse e desse uma baita ocorrência pra ela. Natsu também foi ajudar, mas todos estavam interessados em surrar Gajeel.
– Luu-chan, sai daqui, não vale a pena.
– Não vale a pena?? Esse filho do capiroto tava agarrando a Mizuno!!
– Eu sei, mas e daí?
– E daí?? Ele é quase seu namorado, tem que te respeitar! E desde quando você não se importa, ahn??
– Desde que ele disse que eu não era madura demais para ele.
De repente tudo ficou quieto. Yuki e Luu-chan pararam de bater no Gajeel, eu parei de puxar Luu-chan e Makarov-senpai apareceu.
– Que merda é essa??
...
Após recebermos um enorme sermão do Makarov-senpai e duas advertências (uma por tumulto e outra por agressão física), eu e Yuki caminhamos sozinhas para casa. Já estava tarde, Luu-chan já tinha ido embora com Natsu e Gajeel estava na enfermaria. Não quis falar com ele, na verdade eu não queria falar com ninguém, mas Yuki não reparou isso.
– Olha Levy, eu não quis te magoar. Não sei por que Gajeel fez aquilo.
– Para me provocar.
– Mas vocês não estavam juntos?
– Não, a gente não resolveu aquele problema. Na verdade resolvemos. Ele foi pra casa dele e eu fiquei na minha.
– Levy..
– Não é culpa sua, não estou com raiva de você nem de ninguem. Só preciso ficar sozinha agora.
Yuki assentiu, e de repente apareceu Rogue atrás da gente, certamente pra conversar com Yuki. Ela estremeceu toda ao ouvir a voz dele.
– Levy, tá tudo bem?
– Sim, Rogue-kun, arigatou.
– Hm. – Claro que ele não tinha acreditado. Só que olhou pra Yuki e disse:– Posso falar com você?
– A-aye!
Rogue e Yuki seguiram em direção a rua do Café Cospaly que ainda tava aberto. Eu nem fui trabalhar hoje... Só queria tomar um banho e me deitar, para esquecer tudo.
Cheguei em casa e encontrei um bilhete de hihi:
“Levy, amorzinho, eu e chichi fomos até a maternidade para eu fazer alguns exames. Logo vamos saber o sexo do seu ototo*. Beijos e comporte-se.”
– Legal. Ganbatte, hihi.
Entrei no banheiro e deixei que a água gelada molhasse meu corpo. O engraçado é que a água estava molhada demais...
– E fria demais.
Tirei minha roupa (é, eu abri o chuveiro, encharquei minhas roupas e depois as tirei) e deixei que minhas lágrimas quentes se misturassem a água gelada.
– Just be friends, all we gotta do, just be friends, Its time to say goodbye...
Chorei mais um pouco, mas logo decidi que era melhor me secar e descansar um pouco. Procurei algo pra vestir e achei meu moletom verde (que ocasionalmente era o que Gajeel mais gostava), só que eu não ia usar nada que lembrasse ele. Vesti um short qualquer e a camiseta do Vocaloid e coloquei uma música qualquer para tocar.
– A lonely Road, crossed another cold state line...
– Não, essa música não.
– Seize the day, or die...
– Não.
– So close, no matter how far...
– Kuso, só tem essas músicas no meu computador??
– É, você falou que eu podia deixar ele a minha cara.
Assustei ao ouvir aquela voz e olhei para trás. Adivinhem quem era! Queria que fosse o boi da cara-preta, mas não.
– O que você tá fazendo aqui, Redbull-san?
– Vim te explicar algumas coisas.
– Não quero saber.
Quero sim.
– Ah, eu sei que você quer. – ele pulou a janela com um pouco de dificuldade e sentou na minha cama. Vadeo. – Vou te falar porque beijei a Yuki na sua frente.
– ...
– Bom, eu fiz isso porque queria que você sentisse ciúmes, queria te irritar.
– Ah não diga?!
– Levy, é sério.
– Estou falando sério também.
– Eu queria muito te irritar.
– Porque? Queria que eu me arrependesse de ter te deixado ir?
– Aye.
– Pois não me arrependo. Você fala que eu sou imatura, porém você é mais do que eu. E olha que você tem 18 anos!
Gajeel ficou calado.
– Queria chamar atenção também né, claro!
– Veja pelo lado bom, isso fez Yuki e Rogue ficarem juntos.
– Como?
– Eles estavam ali fora se pegando.
– Isso só ajudou eles, porque não ajudou a gente. Não que eu queira ajuda.
– Levy.. – Ele me puxou para sentar ao lado dele na cama. Maldita hora que eu não saí correndo. – Escuta, eu fiz as coisas de um jeito meio errado. Mas foi porque você não tava nem ligando pra mim, eu tava ficando louco! E eu já paguei pelos meus pecados, suas amigas me deram uma baita surra.
– Gajeel.. PARE DE SER RETARDADO, CAROLHO! A GENTE PODE RESOLVE AS COISAS CONVERSANDO NÃO AGARRANDO QUALQUER GAROTA POR AÍ!
– Mas eu..
– MAS NADA, SEU ESTÚPIDO, FAÇA AS COISAS DIREITO!
– Gomen.
Gajeel ficou calado, não falou mais nada. Eu não sabia o que fazer, então achei melhor ir procurar uma música decente no pc.
– Today I am dirty, I want to be pretty, Tomorrow, I know I'm just dirt...
– Desde quando você ouve Marilyn Manson?
– Desde que essa música apareceu no meu computador.
Ficamos em completo silêncio, de novo.
– Não acha que é melhor você ir embora? Tá ficando tarde. — Falei, sem olhar pra ele.
– Lembra de quando você foi até minha casa para conhecê-la?
Suspirei, tentando ficar calma. Odeio quando ele tenta melhorar as coisas se lembrando do passado.
– Claro que lembro, você me odiava.
– Sim. E você disse que eu goxtava da Lucy.
– Pare de enrolar a língua assim.
– Foi isso que eu te disse.
– Onde quer chegar?
– Se lembra de quando a gente tava andando de carrinho de compra e você quebrou o braço e eu quebrei o pulso?
– Claro que lembro, eu te amaldiçoei por muito tempo.
– Sim, e foi um dia após o acidente que a gente quase se beijou aqui no seu quarto. — Fiquei rubra. – Eu falei que gostava de você e do seu jeito.
– Você estava falando a verdade?
– Sim, naquele dia eu fui muito sincero. Me arrependo de não ter te agarrado. – Dei um soco no seu braço. – É sério!
A gente ficou em silêncio de novo. Gajeel me encarava como se quisesse dizer mais, e eu o encarava como se quisesse controlar minha vontade de matá-lo. De repente, Lily entrou no quarto e ficou posicionado entre eu e Gajeel. Gajeel o olhou sem entender como ele chegou ali e Lily disse:
– Levy, Gajeel foi um idiota, mas ele te adora e quer muito que você o perdoe.
Ahn?
– Pára de miar, Lily. – Gajeel falou com o neko. E eu me beliscava pra saber se eu havia imaginado aquilo ou não. Mas Lily continuava me encarando e eu não sabia o que dizer.
– Okay Gajeel, eu te perdôo. Mas só porque o Lily pediu.
– Como assim “o Lily pediu”?
– Eu desejo permanecer sempre ao seu lado, pois assim eu serei capaz de ser eu mesma. Eu também quero ser a pessoa que pode fazer você se sentir da mesma maneira.
Tá, roubei esses versos da abertura 10 de Fairy Tail, mas e daí?
– Roubou isso de alguma abertura 10 de Fairy Tail?
Não tem como esconder nada dessa coisa!
– A-aye.
– Até que combinou com o momento. – Gajeel sorriu, não aqueles sorrisos maldosos e psicóticos de antigamente, mas um sorriso que nunca havia estado na minha lista de “Os sorrisos mais interessantes do Gajeel”. Decidi o abraçar, porque sim, e aquele momento pedia isso.
– Arigatou Levy.
– Mas escuta – desfiz o abraço. – se você fizer merda de novo, vou mandar um unicórnio do Paraíso do Ponchá morder essa sua cara deformada.
– Okay, não pretendo fazer mais merda.
– Isso!
– Demorou né Gajeel, agora vocês vão poder ficar juntos. – Lily disse.
– Orra Lily, pára de miar! – Mal ele sabe que eu posso falar com nekos.. Arigatou Lily-senpai!
– Conte comigo, Levy-chan. – Lily "falou" e saiu miando pela casa. Talvez ele encontre o Tio Sam por aí.. Sei lá.
– Agora leve-me para qualquer lugar, vamos para longe nesse cavalo! – Comecei a “cantar” divamente.
– Go! Go! Let's go! Romansu! – Gajeel me acompanhou.
Começamos a rir, como os retardados que somos, e parece que de repente meu quarto que tava tão triste recebeu uma carga enorme de luz. Tudo estava mais calmo dentro de mim, tudo estava mais calmo no meu quarto e eu estava me sentindo leve.
– Hey baixinha, tenho que ir.
– Não quer ficar mais? – É, eu queria que ele ficasse.
– Por mais que sua casa seja melhor que a minha, que a comida da hihi seja melhor, que sua cama seja mais confortável e que sua presença seja a melhor do mundo, não posso ficar aqui como antes.
– Ué, porque?
– As más línguas vão nos julgar muito quando começarmos a namorar.
– Aé? E quando vai ser isso?? – Não estava acreditando na ideia.
– Nas férias.
– Fala sério!
– Tô falando! – Ele tava falando sério?? – Aguarde e verá. – arqueei a sobrancelha. – Duvide o quanto quiser, vou provar pra você que estou certo.
– Aham, claro.
– Vou indo, fique bem. – Gajeel beijou o topo da minha cabeça e me pousou suas mãos na minha cintura. – Eu senti sua falta.
– É, eu também.
Ele me olhou e me beijou como se precisasse muito daquilo, porque talvez ele precisasse. Então eu atendi a sua urgência e nos separamos quando o ar faltou.
– Vou.. Indo.
– Okay.
– Matta.
– Matta ne, Redbull-san.
Ele saiu pela janela (tem porta pra que??) e depois Lily pulou atrás (cadê o Sam?). Olhei a minha volta e Joan estava ali paradinha, no mesmo lugar de sempre.
– Tadinha da minha ruivinha, seu pai te largou aqui de novo.
A “ruivinha” soltou um brilhinho e eu a acariciei, como se ela fosse um neko. Depois voltei a ouvir minhas músicas (minhas músicas, não as músicas do Gajeel) e acabei dormindo assim [N/A: Deixou o computador ligado, sua desnaturada?? E a conta de luz, ahn?]. Sinto que vou ter sonhos bons daqui pra frente, espero que o Ponchá ainda esteja aberto para mim.
"Por você, não importa quando, sempre terei um sorriso para lhe dar, por isso, segure minha mão."
I Wish, Milky Bunny
...
Apenas me dê um motivo
Para manter meu coração batendo
Não se preocupe, é seguro bem aqui em meus braços
Enquanto o mundo se desmorona à nossa volta
Tudo o que podemos fazer é segurar, segurar
One Ok Rock, The Beginning
*Ototo: Irmão mais novo.
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