A Força do Amor

25 O Caldeirão do Inferno II


Notas iniciais
Olá pessoal! Como passaram de carnaval? Curtiram, descansaram?... Certamente! Todos prontos para mais adrenalina? Então, divirtam-se! O capítulo promete muito mais. Boa leitura!

Assim foi a ação do destino que trouxe, pelo vento e ao som de trombetas, a esperança de volta. E a alegria e o vigor dos combatentes reacenderam, com risos e o tilintar de espadas.

Os elfos avançaram pelos campos empurrando os inimigos, que atordoados com a novidade ficaram entre o golpe da bigorna e do martelo. Por fim, o rei Thranduil se encontrou com Aragorn e os dois se cumprimentaram em meio à batalha e ficaram felizes.

— Muito me alegra ter chegado há tempo, mellon¹... Manifestou o rei élfico.

— E muito me surpreende sua chegada tão abençoada, que não poderia ter sido em hora mais afortunada, meu rei... Respondeu Aragorn.

— Recebi a mensagem de Celeborn informando que uma guerra seria travada às nossas portas. Legolas e os rebentos de Elrond estariam envolvidos nesse confronto e mais uma vez a Terra Média correria o risco de cair nas trevas.

— Exatamente! Estamos agora com todo o exército inimigo a nossa volta e nossa derrota significará a derrota dos povos livres, mesmo de reinos élficos. Muitas perdas e tristezas já nos aconteceram.

— Então vamos vingá-las. Haverá o momento para que tudo me seja esclarecido.

Apertaram às mãos e juntos avançaram para a batalha.

O rei cintilava diante daquele mar negro como uma estrela, pois sua cota de malha era recoberta de prata. Ele sacou suas espadas sindarin para mais um combate.

Ainda tiveram uma luta dura e muito trabalho, pois os Orcs estavam acompanhados de criaturas cruéis e obstinadas em seu desespero, fortes e endurecidas pelo mal que elas continham e isso lhes dava coragem para continuarem lutando, cegamente, sem a consciência da morte iminente.

Gorlock, até aquele momento, não havia manifestado seu poder e permaneceu à parte assistindo a destruição que causava, satisfeito com seus atos, porque sua confiança na vitória era inabalável. Criaturas horríveis ainda aguardavam serem libertadas para o ataque e muito havia a ser feito.

Ao ver Kyara em meio ao combate decidiu que era chegado o momento de capturá-la e mostrar a toda àquela gente sua real força. No meio da batalha, o rei élfico avistou Kyara lutando com Gimli e Glorfindel ao seu lado e isso lhe causou grande estranheza.

Quem poderia ser aquela mulher e a que ponto chegou à loucura e o desespero dessa gente de receberem uma ajuda totalmente inútil?... E onde estaria Legolas?...Pensava o rei.

Um forte tremor foi sentido nos campos, atordoando inimigo e aliado. Todos olhavam ao redor sem saberem do que se tratava.

Sem aviso, grandes volumes de terra ergueram-se do chão e um gigante de pedra surgiu no meio do campo de batalha. Não havia flecha ou espada que o desmantelasse e suas passadas lentas eram como trovões no seio da terra. A cada pisada esmagava muitos, poderiam ser eles quem fossem, amigo ou inimigo.

Diante dessa imagem assombrosa, o rei élfico caído seria pisoteado quando surgiu Kyara erguendo as mãos para protegê-lo com um escudo de força no formato de uma cúpula emborcada. A criatura forçou seu peso para esmagá-los enquanto ela resistia bravamente.

Haldir e Glorfindel correram para acudi-los e ela gritou para que retirassem o rei dali. Thranduil ficou paralisado com a cena jamais imaginada e logo Haldir o arrastou. Glorfindel vacilou com o pedido dela e, sem paciência ela gritou com ele para que saísse. Suas forças se esgotavam e Kyara apoiou um dos joelhos no chão ainda com as mãos erguidas acima da cabeça.

— Glorfindel, se não sair nós dois morreremos.

— Não posso deixá-la aqui para ser esmagada.

— Saia agora!... Agora!

Aos berros ela apoiou uma das mãos no chão e provocou um tremor. A vibração fez com que o elfo se afastasse e ela abriu uma cratera sob os pés do gigante fazendo-o desmoronar no buraco, levantando uma névoa de poeira.

No meio da fumaceira surgiu Kyara cambaleante e fraca com o esforço. Thranduil e Glorfindel correram em seu auxílio e a ampararam.

— Quando eu te disser para sair você atenda, por favor... Mais um minuto e tudo estaria perdido.

— Como poderia adivinhar o que pretendia? Tudo isso me parece um pesadelo medonho. A cada momento sou surpreendido com uma coisa louca e absurda... Respondeu Glorfindel erguendo-a pela cintura.

— Sei que está acostumado a duelar com coisas mortais, que você pode matar com sua espada, mas essa guerra não será combatida só com espadas, mas com magia também. Principalmente com magia, porque é a única arma que esse maldito bruxo dispõe. Para todo o resto ele precisa que alguém ou alguma coisa faça o seu trabalho sujo.

— Quem é essa moça, Glorfindel?

Perguntou Thranduil, com sua postura altiva herdada dos altos elfos do antigo reino de Doriath.

— Essa que acabou de salvar sua vida, majestade, é sua nora. A esposa de Legolas... Respondeu ele.

O rei olhou incrédulo para a figura imunda e desgrenhada da Kyara, sem saber o que dizer. Kyara reverenciou aquele belo homem reconhecendo de quem Legolas havia herdado tanta beleza. Os traços de um eram muito semelhantes aos do outro, porém o rei carregava consigo tempo maior de existência e sabedoria, ainda que aparentasse a jovialidade peculiar dos eldar. Ele tinha a postura de um Deus.

— Kyara, majestade!

Sua voz saiu trêmula provocada por um medo e uma vergonha inesperados. Havia pensado no momento que se depararia com o pai de Legolas, mas nunca naquelas circunstâncias.

— O que disse Glorfindel?... Minha nora?... O rei olhou ao redor sem entender como aquilo se sucedeu... – Onde está Legolas?

— Em algum lugar nas Montanhas Sombrias... Respondeu Aragorn se aproximando... – Estamos combatendo um bruxo poderoso, Thranduil, que vem de outro mundo. Essa moça é uma guerreira e feiticeira e chegou aqui para destruí-lo. O poder que vimos se manifestar a pouco vem de uma determinada pedra roubada por ele das terras onde vive a princesa Kyara... Logo que chegou aqui encontrou seu filho quase morto na saída da trilha dos elfos quando ia para Gondor. Ela o salvou e passaram a viajar juntos. Kyara precisava nos alertar do perigo que corríamos. Durante a viagem apaixonaram-se e casaram-se somente com a benção de Eru.

— E o que, em nome dos Valar, faz Legolas nas cavernas das Montanhas Sombrias e deixa sua... esposa... O rei pronunciou a palavra devagar, como quem quer se convencer de que usava o termo certo... – aqui... E olhou em volta ainda incrédulo da situação... no meio dessa guerra?... Perguntou o rei... – Como permitiram a participação dela? Legolas sabe que está aqui, senhora?... Perguntou ainda demonstrando impaciência.

— Sim, majestade. Na verdade ele não teve escolha. E mesmo contra a vontade de todos, minha participação foi necessária pelos motivos que acabara de presenciar... Legolas está atrás da pedra e tentará recuperá-la. O bruxo pensa que seu filho está morto e, fazendo uso de uma proteção que lhe dei, poderá passar despercebido aos olhos desse demônio. Se ele a recuperar venceremos esta guerra.

Durante a manifestação do gigante de pedra a batalha cessou e cada qual se afastou para um lado do vale, mas esse momento de calmaria durou o suficiente para que reagrupassem e retomasse a batalha. Éomer havia recuperado a austeridade e pensava com clareza. Mandou tocar as cornetas para reunir, sob a sua bandeira, todos os homens que pudessem chegar a ele. O gesto foi repetido pelos anões e Imrahil. A ação deles chamou a atenção de Aragorn e Thranduil.

— Agora não é momento para conversa e questionamentos, mas depois quero saber, em detalhes, o que se passa... Até lá eu a protegerei, senhora, enquanto meu filho não retorna. Não ficarei tranquilo sabendo que corre por aí com uma espada em punho buscando a morte. Depois quero uma explicação para tudo isso.

— Majestade! Sei bem o que faço e precisarei de liberdade para agir. Quisera eu poder ficar a salvo longe do perigo, mas não posso... Manifestou-se Kyara.

— Não posso permitir que corra tantos riscos. Um campo de batalha não é lugar para uma mulher... E se de fato é esposa do meu filho, agora divide com ele as responsabilidades para com seu povo.

Kyara sabia muito bem o significado das palavras do rei. Era como se tivesse voltado no tempo e ouvisse seu próprio pai lhe dizendo as mesmas coisas.

Um terremoto tomou conta das montanhas e de todo o vale e do pico mais alto surgiu uma criatura abominável, saindo das entranhas da terra. Agarrada às encostas exibia suas gigantescas asas, enquanto soltava seu grito crocitante, que enchia de horror todos que a contemplavam.

O dragão voou das encostas e aterrissou nos campos, lançando uma fumaça verde, fétida e envenenada por todos os lados, capaz de secar toda a vegetação do lugar e intoxicar quem a inalasse. Suas gigantescas asas eram como membranas com garras, seu corpo era coberto de escamas e uma grande barbatana seguia ao longo do pescoço comprido. Na base da cabeça coberta de espinhos dois grandes chifres enroscavam-se e seus olhos verdes o deixavam ainda mais assustador.

Estavam diante da maior e mais aterrorizante criatura já vista na Terra Média. Maior ainda que o dragão Glaurung, criado por Morgoth, ou qualquer outro de sua linhagem. E isso poderia ser, seguramente, afirmado, porque naqueles campos ainda estava de pé dois guerreiros remanescentes daquele tempo antigo.

— Sinto como se estivesse voltado no tempo... Disse Glorfindel com os olhos vidrados na criatura.

— A cólera de Gorlock foi despertada e ele está aqui para o nosso desafio... Chegou a minha hora... Manifestou-se Kyara.

— Você não pense que vai enfrentar aquele monstro sozinha... Adiantou-se Aragorn.

— Se tiver que proteger qualquer um que me acompanhe morreremos todos.

O dragão avançava pisoteando e matando tudo a sua frente, quando não envenenava com sua fumaça esverdeada ou queimava com o fogo. Inevitavelmente as tropas recuaram diante da ameaça e Kyara assoviou para Athos. O rei élfico a agarrou pelo braço impedindo-a de montar.

— Você não me desobedeça. Não cometerá a loucura de atacar aquela criatura das trevas.

Falou o rei de forma a não deixar chance para contestação. Kyara o encarou com serenidade cobrindo a mão do rei com a sua e gentilmente a retirou.

— Agradeço sua preocupação, meu senhor. Legolas não poderia mesmo ser diferente, mas estou aqui justamente para esse momento... E montou olhando para todos ao redor... – Foi uma honra conhecê-los e um privilégio lutar ao lado de vocês. Agora preciso cumprir minha missão.

Saiu em disparada empunhando sua espada.

Thranduil espantou-se com tamanha coragem e firmeza contidas nos olhos daquela mulher e silenciou-se entendendo que não poderia interferir, seja lá o que ela pretendesse. Então, fez o que poderia se esperar de um comandante – Reuniu seu exército com seu capitão Narthan ao seu lado e acompanhou Aragorn com seu pelotão, para enfrentar o dragão.

O monstro arrastava sua calda de um lado para o outro lançando longe tudo que o cercava e avançou pelos campos sem maiores resistências. Ao avistar Kyara galopando na sua direção a criatura lançou outra rajada de fogo. Ela cercou tudo ao redor com um escudo de luz e impediu que outros fossem atingidos. Atrás dela vinham às tropas com Aragorn e Gimli a frente e Kyara se desesperou.

— Aragorn! Vocês precisam sair daqui. Serão massacrados se ficarem.

— Não a abandonaremos.

Esperando o ataque, o dragão reteve seu fogo, abriu bem seus olhos e fitou Kyara.

— Salve! Filha de Salmos, sacerdotisa de Tiria.

Falou o monstro através do espírito maligno de Gorlock, com uma voz rouca e demoníaca.

— Tens a fama de ser implacável com teus adversários, mas chegou o dia em que serás subjugada. Tornar-se-á escrava da minha vontade e verás a destruição dessa gente insignificante.

Ouvindo essas palavras Kyara parou e as tropas cessaram o ataque.

— Não sem luta, demônio... Retorquiu ela.

— És destemida até o fim, isso ninguém pode negar. Tua vida foi construída em contradição ao teu destino e eu lhe tirei a única oportunidade de viver com plenitude o que lhe foi reservado. Agora amargará tua sina e pagará por todos os males que me fizeram. Serás minha paga, o meu prêmio, minha vingança.

— Você é incapaz de me enfrentar sem ter que usar de magia para se fortalecer... Concluiu Kyara.

Ela lançou seu fogo de luz queimando a couraça e os olhos sem pálpebras do monstro, cegando-o momentaneamente. Ao se encolher ele foi alvejado por flechas e Kyara, tomada de cólera, avançou montada em Athos com Tellas em punho.

Ninguém poderia detê-la em sua investida louca, que passou a galope em meio a batalha, como um vento levantando poeira. A lâmina da espada dela cortou a carne o dragão, que soltou um estrondoso urro e arremessou fogo sobre tudo que estava a sua frente. Com sua calda lançou longe homens e cavalos.

Os anões se reuniram, abrindo caminho no meio do fogo lançado pelo dragão. Pois o povo comandado por Hung suportava o calor com maior resistência do que elfos e homens. Além disso, era costume dos anões das Montanhas Azuis usarem em combates máscaras enormes, horríveis de contemplar e essa foi a vantagem contra o dragão.

Kyara saltou do cavalo e se agarrou ao corpo do monstro escalando em suas costas, para chegar ao seu pescoço na tentativa de matá-lo, enquanto os soldados atacavam a fera. Aragorn, percebendo sua intenção, se desesperou temendo que ela pudesse cair. Ela cravava a espada e o seu punhal nas costelas da criatura, que se sacudia urrando e lançando fogo ao seu redor sentindo a carne queimar por causa da magia de Tiria contida no aço.

Ele tentou com as patas arrancá-la das costas, mas não conseguiu alcançá-la. Aragorn também começou a subir na fera para ajudá-la. Éomer orientou os soldados a atacarem pelas costas do animal, para evitar serem atingidos pelo fogo. Muitos tombaram queimados, esmagados pelas patas do monstro ou arremessados a distância.

Hung mobilizava seus guerreiros invocando o grito de guerra dos anões.

— Baruk Khazâd! Khazâd aimênu!².

Imediatamente os anões formaram um círculo em torno do monstro quando ele os atacou. E mesmo sua poderosa carapaça não era totalmente invulnerável diante dos golpes dos terríveis machados dos anões.

Em sua ira, o dragão se voltou e derrubou Hung, se arrastando sobre ele. O comandante dos anões, num último golpe, enfiou-lhe uma espada no ventre. O dragão começou a bater as asas voando dali em direção às montanhas, com Kyara e Aragorn agarrados às suas costelas. Ao se aproximar da entrada de uma grande caverna no pico da montanha mais alta, o dragão se transformou numa fumaça densa e negra envolvendo Kyara, fazendo com que Aragorn caísse sobre as pedras.

A fumaça desapareceu caverna adentro levando Kyara, e Aragorn os seguiu.

O ataque do dragão massacrou muitos de ambos os lados, mas o bruxo não se importava se destruiu seus guerreiros, contando que seus inimigos houvessem perecido junto. O objetivo do bruxo havia sido alcançado e, de posse da Kyara, certo que logo seus inimigos cairiam libertou sua última força, lançando sobre eles os dragões alados ainda em número maior que o ataque a Gondor.

Tão súbita e aterradora foi a investida dessa terrível esquadrilha que o exército aliado foi obrigado a recuar, pois a chegada dos dragões veio acompanhada de fortes trovões e relâmpagos e uma tempestade de fogo.

Voando rápido e em círculo, como sombras, os soldados viram no ar várias figuras cruéis como a morte, semelhantes a horríveis aves carniceiras, e, apesar disso maiores que as águias das cordilheiras do vale perdido. Em alguns momentos voavam baixo arriscando-se a chegar quase ao alcance das flechas, com seus gritos horripilantes, derramando suas cascatas de fogo. Então, finalmente o dia se foi e todo o céu encheu-se com um grande incêndio, de modo que as colinas e o vale ficaram tingidos de sangue.

Com a escuridão da noite a esperança se extinguiu.

................................ >>>.............................

Ao chegar ao salão, Legolas escolheu um corredor amplo iluminado por uma luz avermelhada que o conduziu a outro salão com várias colunas. O lugar não tinha paredes, somente colunas para sustentar o teto e escuridão em volta. Até mesmo a porta por onde entrou havia desaparecido. Logo percebeu que se tratava de magia e agora teria que descobrir como conseguiria sair dali.

Ele notou sombras circulando pelo salão projetando-se no chão e nas colunas numa movimentação suspeita. Resolveu então atirar uma flecha na escuridão para ver o que aconteceria e no momento em que a disparou, as sombras transformaram-se em monstros de pedra atarracados, com os braços longos, que se movimentavam apoiando as mãos grossas no chão. Eles não tinham pescoço e a cabeça era enterrada no ombro. Também não tinham olhos, apenas uma grande boca com dentes serrados.

Apareciam a procura de Legolas rosnando, que atirou uma flecha em um deles e todos se voltaram para ele rapidamente. Legolas tentou escapar do ataque, que, embora não enxergassem, percebiam sua presença pelo movimento.

Ele se atirou no chão cobrindo-se com a capa de Lórien para se camuflar, confundindo-os.

Sem detectar qualquer movimento no salão as criaturas voltaram a ser sombras e Legolas soube que flechas não fariam qualquer diferença. Ele circulou pelo salão e quanto mais caminhava percebia que estava no mesmo lugar. O salão não tinha fim e isso o desesperou porque não fazia a menor ideia de como sairia dali.

Sua única chance seria brincar de gato e rato com aquelas criaturas até desvendar esse mistério.

Atirou outra flecha no escuro e na mesma hora as sombras transformaram-se nas criaturas, que se movimentavam como fantasmas procurando por Legolas.

Ele tentou cravar uma das adagas no primeiro que se aproximou, mas nada adiantou e o monstro o lançou longe. Os outros foram na direção de Legolas, que mais uma vez se cobriu com a capa camuflando-se. O tempo passou e todas as suas tentativas não surtiram nenhum efeito e o desespero o dominou pensando nos perigos que Kyara poderia estar correndo, além dos seus amigos.

— Elbereth! Preciso de uma luz. Como farei para sair daqui?

De repente Legolas pensou se faria alguma diferença ele tentar atingir as sombras que apareciam e desapareciam ao seu redor. Atirou uma flecha em uma delas e o monstro surgiu com um rosnado de agonia, para logo em seguida se desmanchar em pó.

Então era essa a charada!

Sem perder mais tempo ele acertou todas as sombras e quando conseguiu destruí-las, um buraco surgiu no centro do salão, sugando tudo para dentro dele, num gigantesco rodamoinho de areia.

E Legolas foi arrastado.

Caiu em meio à escuridão e lutou, desesperadamente, para não ser soterrado pela areia. Ergueu-se e olhou ao redor vendo que estava no pico de uma montanha onde tudo a sua volta era somente lava e fumaça.

Criaturas abomináveis se amontoavam dentro da lava muito abaixo de seus pés. O céu era vermelho com nuvens negras e labaredas saíam do chão por todo o lugar, deixando o ar pesado e quente ao extremo.

Caminhou por uma trilha sobre a montanha, suportando o fogo e vapores de enxofre. Ao menor descuido, era agarrado por homens e mulheres incandescentes enterrados nas rochas. Gritavam e gemiam dores horrendas, com suas feições distorcidas.

À distância, viu flutuando no céu uma gigantesca pedra negra e correu naquela direção, mas percebeu que era perseguido. Três criaturas com formas humanas, olhos vermelhos e capas negras estavam se aproximando. Seus rostos eram cobertos por uma máscara metálica de caveira e tinham nas mãos longas adagas.

Sem flechas, sacou suas adagas e esperou o ataque.

Ao se aproximarem as criaturas se incendiaram e avançaram com voracidade sobre Legolas. Travaram um combate duro e os golpes certeiros que ele deflagrou sobre as criaturas não as mataram. Não foram sequer capazes de feri-las.

De tudo que já havia enfrentado na vida, tenha sido homem ou monstro, nenhum foi tão difícil quanto aqueles seres, que, por um momento, Legolas duvidava ser capaz de destruí-los. Contudo, ele não desistiria. Movido pelo desespero de salvar Kyara e seus amigos, tinha nos seus braços o poder e a força que precisava para resistir e lutar até a morte.

A cada golpe deflagrado era golpeado de volta e queimaduras marcavam seu belo rosto e corpo. Ao desviar-se de um golpe, escorregou e rolou ribanceira abaixo, ficando pendurado à beira de um precipício de fogo. Acima da sua cabeça encontrou a espada da Kyara fincada na terra e seu coração gelou. Agarrando-se nas pedras, arrastou-se e arrancou Tellas, erguendo-a. Saltou para o outro lado e escalou as pedras, chegando ao topo.

Logo que se ergueu recebeu um golpe, que foi defendido pela espada. Da sua lâmina uma chama azul reluziu e Tellas cortou o aço da adaga do seu combatente. Com três golpes rápidos ele conseguiu cortar a cabeça da criatura que derreteu numa gosma verde e em pouco tempo os outros dois foram destruídos.

Ficou claro que sua única chance de sobrevivência naquele inferno seria lutar com Tellas nas mãos, porque teria a magia a seu favor aliada a força do aço.

Olhou ao redor e se perguntou como aquela espada foi parar naquele lugar.

O terror o dominou concluindo que o demônio havia capturado sua amada e agora ela estaria à sua mercê. Sem rumo e em completo desespero, correu na direção da pedra pedindo aos Valar para que lhe dessem força.

Notas finais
Tradução das palavras élficas e dos anões: 1 - Mellon - Amigo 2 - Baruk Khazâd! Khazâd aimênu! - Machados dos Anões! Os Anões estão sobre vós! Ufa! Fiquei tensa agora. Legolas se desespera por descobrir que a sua amada está em poder do maldito bruxo. A guerra está sob o fio da navalha e, mais do que nunca, com um destino incerto. O próximo capítulo será ainda mais desesperador. Falo com vocês nos comentários. Beijo em cada um.