A Força D'um Amor (+18)
16 Capítulo XV • «Situações opostas»
Notas iniciais
João Pedro Garrett Soares tem trinta e cinco anos, tem cerca de um metro e noventa, os olhos azuis e um corpo musculado. É maduro devido à idade. A profissão de João é advocacia e é casado com Teresa Cristina Buarque Siqueira Velmont de Soares há cerca de dez anos. É mais um português que vive em São Paulo, o que não é de estranhar, apesar de também se poder pensar ok é por causa da crise, em São Paulo paga-se melhor, tem-se um custo de vida melhor.
Teresa Cristina é filha de um velho fazendeiro. Adoptou o sobrenome Soares desde que se casou com João. Eles amam-se e João deu a sua filha à mulher estéril, atribuindo-lhe assim o gosto pela vida.
Marlisa Soares tem catorze anos. É desprendida de tudo o que é material, é a melhor aluna da sua escola. Luta pelos ideais que acredita, em casa não deixa ninguém fazer nada, ela tem pilhas para tudo, cozinha, põe a mesa, ao fim levanta a mesa, lava a loiça, e arruma-a no armário, faz a sua cama, enfim é uma criança feliz. Mar, como lhe chamavam, gosta de desporto, faz paraquedismo com o seu pai. Ela é muito divertida, no seu núcleo de amigos com quem convive, todos gostam muito dela.
– Papai! Depois eu vou fazer surf, ok? – Pedia ela, com um belo sorriso nos lábios que sabia que seu pai não resistia.
O pai chega à sala e senta-se à mesa, já posta.
– Filha, outra vez que fazes o trabalho doméstico, eu não quero… – ralha com Marlisa.
– Mas, e o surf?
– Surf? Com quem vais?
– Com o Atenor.
– Hum, isso não está a ficar muito sério, não? – Diz João enquanto se serve de sumo de laranja.
– Não, eu não gosto dele.
– A sério, olha que os grandes amores começam assim. – João bebe um pouco do seu sumo e come um bocado do seu pão.
– Bom dia! – Cumprimenta Teresa.
– Olá querida.
– Olá mãe. Senta-te!
Teresa senta-se e serve-se de sumo de laranja.
– Oh Mar, obrigada! O que vão fazer hoje?
– Eu estava a comentar com o pai que ia fazer Surf com o Atenor – diz Marlisa. – Isto é, se ele deixar.
– E adianta alguma coisa dizer que não? – Indaga João.
Teresa vê tudo duplo na sua cabeça, uma nuvem que a faz ouvir as vozes longe.
– Mãe?
– Teresa!
– Ai, ai, tenho dores de cabeça. – Queixa-se Teresa levando as mãos há cabeça. – João!
– ‘Tou aqui!
Mas o desespero da mulher era enorme. — Aqui, onde?
– O que vês? – Pergunta João Pedro aflito. – Tens que ir ao médico!
De repente passa, e a Dona Teresa Cristina começa a ver tudo nitidamente outraves.
– Ok! Tem razão. – Concorda.
– Posso marcar?
– Pode.
*
Sérgio leva a carta a Dora. Sobe as escadas, com uma carta nas mãos ainda com o roupão vestido. Entra no quarto de Dora, esta vê-o e encolhe-se. Sérgio põe-lhe a mão à frente:
– Não se preocupes, não lhe vou fazer mal. – Dora olha para o outro lado da cama – trago-te uma carta do teu filho, Pedro!
– Deixe-a aí, por favor. – Pede Dora que estranha um pouco o seu filho lhe escrever.
– Não a vai ler?
– Não lhe interessa… – Responde Dora.
– Dora, Dora! Aconselho a ter mais moderação se não já sabe… – ameaça Sérgio.
Sérgio sai do quarto. Dora vira-se e ainda lhe custava a mexer. Tinha marcas no rosto. Os olhos negros. Com custo vira-se para a mesa-de-cabeceira e estica o braço para chegar à carta. Com muita dificuldade, pois os pulsos doíam-lhe e os ombros também.
Cada vez mais intrigado com a história que Sérgio lhe contou acerca de Pedro, Tomás está ainda mais preocupado, não sabe nada do amigo e isso assusta-o. A verdade é que Pedro nunca conta a sua vida, nunca lhe contava os seus problemas, era muito ao contrário do que ele queria que fosse, Pedro não era nada sensível aos olhos de Tomás, nunca ele o vira a chorar, porque “um homem não chora”. Agora isto, Pedro poderia muito bem estar doente, mas não dizia nada! Das duas uma, nada o comovia ou então entendia que ninguém teria de saber da sua própria doença. E se assim fosse, seria imperdoável. Decidido a falar com Pedro, Tomás pega no seu telemóvel e manda a seguinte mensagem:
“ Tio, posso ir aí falar consigo um bocadinho?”
Sérgio sai do quarto e desce as escadas, para o primeiro piso que atravessa quando ouve um apito do seu telemóvel. Silva Lobo vê um objecto a brilhar por debaixo das folhas de um jornal que estava em cima da mesa do escritório, senta-se à secretaria e pega no engenho, encostando-se à cadeira. Lê a mensagem e logo envia outra.
“ Tomás, tu não foste corrido, é sempre um prazer e uma honra, receber-te. Até já!” Escreve Sérgio, enviando logo de seguida.
No piso superior do domicílio Dora relê a carta sem acreditar numa única palavra.
“Mãe
Decidi tirar uns dias de férias, não te preocupes, está tudo bem graças a Deus.
Estou em Roma com o Tomás e amo a Cidade, o meu único senão é a escola, mas o pai trata disso. Acho eu?
Pai, muito obrigado pela viagem. É o máximo, Roma – Itália.”
Isto de facto, nunca foi do Pedro, viajar e depois portar-se bem e dizer logo onde estava. Devia de ser alguma partida, porque Pedro não era assim…
Tomás sai de casa. Vestia umas calças de ganga e uma camisola amarela. Dirige-se a pé para casa de Pedro. Caminha pensativo por entre as ruas, cabisbaixo até chegar em frente a um portão de madeira envernizada. Abre o portão e entra fecha-o atrás de si, subindo de seguida os degraus de uma escada de granito, e premindo a campainha de uma porta.
Sérgio, no interior do seu escritório, ouve a campainha.
– Já vai! – Informa – Já vai.
Atravessa a sala até à porta. Em seguida, abre a entrada. Deixa Tomás pisar o chão da sua casa e fecha a porta.
– Anda para a biblioteca para falarmos mais à vontade…
– Como queira, tio – profere Tomás com cara séria e caminha atrás de Sérgio para o escritório.
Sérgio abre a porta:
– Entra – ordena – Senta-te.
– Não é preciso. Estou muito bem em pé. – Pronuncia.
– Óptimo, então o que é que te traz por cá? – Interpela o Vereador da câmara.
– Tio, diga-me por favor, o que fez ao Pedro?
– Eu, nada. – exprime o pai de Pedro inocentemente.
– Então onde está o Pedro?
– O que é que tu escreveste na carta à Dora? – Demanda Sérgio.
– O quê? – Questiona sem entender o fim da questão.
– Então se calhar deverias acreditar mais em ti… – responde Sérgio muito friamente.
– Sim, mas na carta também diz que eu estou com Pedro em Roma. – Fala o amigo de Pedro, quase sem pensar.
– O Pedro é um rato, nunca olha aos seus amigos, nunca responde por eles, é um cobarde, um sacripanta qualquer – Declara Sérgio muito calmamente – o Pedro comete erros, não é perfeito, nunca o foi. – Agora Sérgio pretende testar Tomás, quanto Pedro valeria para ele.
– Ok, já entendi, quer que eu me vá embora? Pois fique sabendo que, se eu sair por aquela porta, vou contar tudo aquilo que sei. – Tomás ameaça Sérgio. – Ah! E não é só aos meus pais, é também à polícia.
– Faz isso faz, eu sou um pai muito preocupado com a saúde do seu filho.
Sérgio olha para Tomás de rompante e pensa: “que quer este traste, será que também tenho que lhe acabar com a vida vais ter que aprender a obedecer” à posteriori para Tomás esboça-lhe um sorriso amigável:
– Vejamos bem, Tomi, só quero que tu tires umas férias. Se tu vais para Roma ter com o Pedro ou para qualquer outro sítio…
– Escute bem tio, eu sou muito bom rapaz mas onde está o Pedro?
Os dois conversam e Sérgio convence Tomás a aceitar uma avultada quantia para não aparecer sem que Sérgio o chame novamente.
– Obrigado, Tio – os olhos verdes de Tomás brilham para a quantia exorbitante que Sérgio lhe escrevera num cheque
– Vai, vai e não voltes sem te chamar, nem me telefones a toda a hora. Chega?
– Se chega, eu acho que nunca recebi tanto dinheiro em toda a minha vida.
– Óptimo!
Dora não consegue dormir, só chora deitada na almofada e pensa agora no caos em que se tornou a sua vida, também ela preocupada mais com Pedro do que ela própria ou do que as dores que sentia no seu corpo, do que as dores de alma que agora sente, e que toda a sua vida sentiu. Só encobria porque os seus filhos eram pequenos. Agora, não haveria mais que esconder, até Pedro parece que a deixou, e ele que fora sempre o seu enfermeiro de serviço, o seu melhor e único amigo que a apoiava em tudo quanto fazia e em tudo quanto dizia.
– Onde estás, onde estás tu agora? – Dora grita no seu desespero e na sua aflição.
Ela tenta-se levantar, mas cai sobre os lençóis de linho, a frescura deles acalmavam as dores do seu corpo molestado pelas feridas e pelos rasgões de carne, que eram abundantes em todo o corpo.
A maçaneta da porta roda devagar.
– Quem está aí?
Uns chinelos entram dentro do quarto, e logo a seguir um vulto que vestia um pijama.
– Dora! Dora vejo que estás melhor, hen? – Diz num tom arrogante, Dora encolhe-se toda – Calma, não te venho fazer mal, prometo.
– Sérgio… – balbucia ela com medo.
– Pára de chorar, Dora, não te faças de coitadinha, levanta-te dessa cama e faz-te, à vida. – Pausa Sérgio, olhando de relance para a mesa-de-cabeceira, onde tinha posto a carta – já a leste? Ao que parece, Dora, também ele te abandonou – uma lágrima rola pela cara de Dora, enquanto Sérgio caminha até ao guarda-fatos abre e tira um fato castanho – Ainda não percebi a vossa estranha ligação, porquê é que defendes tanto o teu filho, Pedro. E porquê são tão próximos. – Comenta enquanto veste as calças castanhas.
– Acho que é normal uma mãe amar o seu próprio filho, não? E defendê-lo assim tanto! Ainda para mais sendo ele o mais novo. – Dora olha para a outra parte do quarto enquanto Sérgio veste a camisa.
– O que foi? – Indaga – Imunda maldita – Afirma com desdém.
– Nada! Não foi nada. – Responde ela envergonhada.
– Vou sair, não sei a que horas volto, ok? – Sérgio veste o casaco e caminha para a porta do quarto – cuida-te! – Fecha-a atrás de si e desce as escadas.
Dora deixa-o sair e sente saudades de Sérgio, de quando ele é carinhoso com ela, de se sentir amada por ele. Embora, saiba que nada volta atrás, ela tinha desejos de se sentir mulher ao lado dele. Há muito tempo que as coisas entre eles não resultavam bem. Enfim, era uma crise conjugal como tantas outras, mas iria passar.
– Ernesto! Ernesto! – Sérgio chama pelo empregado.
– Senhor Doutor. – Ernesto chega à sala a correr.
– Tira o meu carro, vou sair e não sei a que horas volto, percebeste bem?
– Sim senhor, quer que conduza?
– Não, Ernesto! Eu levo o carro. Mexe-te.
O empregado corre para a garagem e faz as manobras necessárias para que o veículo saia da garagem. Já no recinto, Sérgio pega nas chaves.
– Oh Senhor Doutor, para onde vai diga-me ao menos.
– Vou tratar de assuntos pessoais, Ernesto.
– Vá então boa sorte!
– Obrigado, Ernesto.
E Sérgio arranca.
*
O Sol esbatia contra a uns prédios degradados. No alto de um forte, alguém limpa uma metralhadora e aponta acertando assim a mira enquanto uns rapazes tentam o seu Rap. Debaixo de um alpendre estava uma cama e alguém estava acompanhado por uma jovem negra quando outro entra:
– Filomena, o que estás aqui a fazer, pira-te!
– Vim avisar a quadrilha que logo há reunião à noite.
Filomena é uma jovem mestiça de quinze anos. Ela sozinha toma conta de mais dez putos que são conhecidos pelos anjos negros. Os anjos negros são responsáveis pelo maior tráfico de droga e por muitos assaltos nas redondezas.
– Yah meu, logo à noite apareço.
– Temos trabalho.
– Ok! Relaxe… tenho que ir antes levar a minha dama, páh.
Ouve-se um grito vindo da rua:
– Alerta, Alerta desconhecido aproxima-se.
Um Mercedes de cor preta e metalizado avança numa rua feita de terra batida com muitas rochas.
Edson vai ter com Filomena:
– Mas isto agora virou a casa da Joana, ou o quê? Ponham-se na alheta.
– E agora?
– Deixem passar mas atenção, estejam de olho.
– Mano, que se passa? – Pergunta Edson.
– Não se vê que estou acompanhado?
– Yah, tens razão. – Concorda Filomena, em seguida ordena — Edson! Vamos para outro lugar.
Os dois saiem, deixando Quimbé.
– Onde é que íamos?
– Agora a lado nenhum… – diz a rapariga levantando-se e apanhando o sutiã – eu vou para casa.
– Teresa, fica aqui comigo. Numa boa. Afinal o que é que vais fazer para casa?
– Os meus pais já devem estar preocupados.
– Yah, os teus velhos… Deixa que eu te dou boleia até casa.
Teresa é uma jovem branca e delicada, de pele muito clara, alta e com os cabelos encaracolados e loiros.
O carro preto avança mais no interior do bairro, passa por várias casas degradadas e outras com as paredes grafitadas até que alguém surge e o faz parar, abrindo a porta e apontando uma arma à cabeça.
– Quem és, e o que queres?
Notas finais
Beijinhos
Walk Up Proud
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