Notas iniciais
Bom dia Pessoal! Chegou a minha vez de publicar, visto que a Cross é escrita por dois autores, ab initio mas passou a ser mais autores.

Mas agora que via aquela cena, as coisas mudavam. É sempre muito diferente quando ouvimos alguma coisa ou quando a vemos com os nossos próprios olhos.

– John, eu defendi-te sempre! Como é que tu pudeste? Não, como é que tu podes?! – Pergunta Pipa sem obter respostas para o que acaba de acontecer. Scott, tomando consciência de si e vendo o olhar enraivecido de Sónia, afrouxa o aperto na mulher.

– Eu vou passar a noite a um hotel! – Anuncia John, tentando esconder-se de si mesmo.

Sentia uma vergonha intensa e súbita, ele estava louco de ciúmes. Atira Sónia a tossicar para o chão e sobe as escadas a correr. Entra no seu quarto, abre o guarda-fatos, e pega na mala de viagem e atira com a sua roupa lá para dentro. Em seguida desce para a sala novamente.

Pipa entra na sala vinda da cozinha, de onde trouxe um copo com água da torneira e aproxima-se de Sónia, que ainda está sentada no chão. Ajudando-a a levantar-se, é abraçada por ela com força e Sónia começa então a chorar.

– Chiu! Já passou… – informa Pipa, na tentativa de acalmar Sónia.

– Obrigada, eu não sei o que seria de mim sem ti, Pipa! – Declara Sónia tentando recuperar o fôlego.

– Aquele brutamontes nunca mais te vai fazer mal, Sónia – adianta Pipa, dando-lhe o copo com água e tentando fazer com que ela o bebesse.

Sónia recusa e aproxima-se a passos pequenos do sofá da sala. Senta-se e começa a desabafar com a sua assistente.

– Pipa, minha amiga – diz Sónia, ao mesmo tempo em que retorna a chorar. A outra mulher abraça-a transmitindo-lhe afecto e carinho.

– Vá, calma, calma Sónia… – E dá-lhe o copo novamente. – Bebe com cuidado.

*

Fora da casa de Sónia estava Scott, que arrastava o seu pesado trolley até a bagageira já aberta do seu jipe, fechando-a em seguida e dirigindo-se para trás do volante. Fica um tempo parado e sem dar à ignição, para pôr o carro a trabalhar. Scott não consegue acreditar no que acabava de acontecer: ele que era sempre tão calmo… Como é que podia fazer tal coisa à sua família? Como podia perder o controlo à situação e espancar Sónia de uma forma tão violenta? Por fim, decide-se a pôr o motor a trabalhar engata a primeira velocidade e arranca no escuro da noite, só com a luz branca do luar. Apesar da imensa luz existiam árvores que se elevam aos céus e com as suas ramagens faziam desenhos no chão, tentando esconder a lua.

Era uma noite magnífica e, contudo mágica. A luz que a Lua irradiava era demasiado forte, demasiado intensa, demasiado esplendorosa.

Enquanto isso, Sónia, já mais calma, conversa com Pipa na sala.

– Tu viste! Oh Pipa, tu viste que eu estava a trabalhar!

– Sim, Sónia… E de facto esta atitude do Scott, não me agrada nada.

– Ele tem andado muito exaltado… Eu até comentei contigo no outro dia, lembras-te? Ele às vezes recebe uns telefonemas estranhos, e depois fica assim!

*

Sérgio entra na sala da sua casa, uma divisão ampla, só com uma mesa ao meio, e um móvel encostado cheio de salvas de prata. As persianas abertas deixavam entrar o Luar brilhante que inundava a sala, o ambiente era iluminado por um candeeiro de cristal pendurado no tecto, oito lâmpadas que transmitiam luz:

– Boa noite, família! – Cumprimenta Sérgio, em seguida sentando-se à cabeceira da mesa.

– Eu perdi o apetite – diz Pedro tirando o pano de cima das penas e pondo-o em cima da mesa.

– É por minha causa? – Pergunta Sérgio, antes do filho sair.

Pedro encara o pai, estica os olhos e não lhe responde, saindo bruscamente da sala e, de seguida, subindo as escadas a correr. Já no seu quarto, ele fecha a porta atrás de si e dá início ao seu plano. Atira a roupa da cama para trás e põe, varias almofadas sobre o colchão, cobrindo-as em seguida. Um assobio desperta-lhe os sentidos. Pega depois na chave do seu quarto, bem como na chave de casa, e mete-as ao bolso das suas calças de ganga. Abre a janela, senta-se no parapeito e passa as pernas para fora, e salta para o jardim. Tomás já o esperava em baixo:

– Tu estás louco? – Pergunta-lhe Tomás.

– Cheguei – declara Pedro. Olhando para a lua. – É bonita, hoje! – Pausa – então vamos a isso? – Desafia Pedro.

– Então conseguiste arranjar as miúdas?

– Não. Vamos arranjar quando lá chegarmos – afirma Pedro, totalmente confiante.

Ambos prosseguem caminho a pé, está uma noite agradável, com céu limpo. Nem uma nuvem, nem um sinal de chuva para o dia seguinte, até estava uma noite quente com as temperaturas acima dos dezoito graus Celsius. Havia inúmeras pessoas na rua que passeavam a travessa dos beijos, cheia de pessoas que a esta hora falavam entre si.

– Foi pena tu não trazeres o carro – comenta Pedro.

– Yah, podes crer, meu! Mas a minha mãe ainda não se tinha ido deitar – justifica Tomás – Mas, também é perto é já ali. Olha! – Aponta ele.

– Pois, é o que te vale.

Chegam à porta. Um segurança intervém.

– Ei! Vocês aí, que idade têm?

– Eu? – Responde Pedro – Dezoito anos. E ele tem dezanove – mente.

– Tudo bem, Silva Lobo, entrem lá – concede o Segurança depois de olhar bem para Pedro e de o reconhecer.

Os dois rapazes entram num edifício em PH (Propriedade horizontal) o Bauhaus Club, uma discoteca tinha aberto há pouco. Era um lugar enorme e escuro e entrava-se ao contrário de qualquer casa. Isto é a Baubaus Club, tinha três andares, entrava-se no segundo e era iluminado por milhões de luzinhas que todas piscavam. Pedro e Tomás desceram as escadas cobertas a granito bege antiderrapante. No tecto existem múltiplas bolas penduradas de espelhos e, num salão em baixo, a escuridão dominava o ambiente e as luzes alternavam consoante a música que o DJ Lewis escolhia do seu set para pôr a tocar. Só uma luz se mantinha acesa – a do bar, para onde Pedro se dirigiu e onde se sentou ao balcão, aguardando a aproximação do barman.

– O que deseja?

– Pode ser dois martinis, por favor! – Tomás sentou-se a seu lado.

– Estás bem, Pedro?

– Sim, estou, só tenho sede – explicou o Silva Lobo.

– Ah, sim, sede? Tudo bem.

– Deixa lá que as miúdas vêm aqui – garante Pedro ao amigo com um sorriso. – Não me esqueci já para não dizer que eu também preciso de uma – acrescenta.

Notas finais
E agora, será possível que John faça mal à Lisa? Porra! No fundo, ela é filha dele, não é? Será mesmo veridico? Será que eles se vão separar? Até onde vai a dignidade e o orgulho ferido deste homem?Sónia estaria mesmo a Trabalhar como disse? E Sérgio será sínico ao ponto de não saber que Pedro está chateado com ele? O que ele teria feito?