Notas iniciais
Boa Tarde! Desculpem a hora, não é meu apanágio publicar isto tão tarde mas é que o meu filho não me deixou publicar mais cedo. Deixo-vos aqui o que marcou o primeiro dia de Pedro Silva Lobo que fará parte do primeiro Capitulo. Boas Leituras.

– Marta, eu posso explicar.– Tenta-se justificar Sérgio, que olha para Pedro enfurecido.

– Eu vou contar à mãe…

– Anda cá, Pedro, não vais nada contar…

– Quer apostar?

– Não me provoques.

– Não te provoco, o quê? A mãe ama-te! – Grita Pedro exaltado – se pensas que tenho medo de ti estás muito enganado, ah! E tenho nojo de ser teu filho, és um monstro.

Cada vez mais enraivecido, Sérgio revira-lhe os olhos:

– Vai-te embora, olha o escândalo…

– Não tenho nada a perder…

Pedro deixa o pai a falar só, e segue o seu caminho até casa. Entra na Avenida dos Beijos e sobe a Rua dos Sonhos. Entra num jardim, contorna uma casa construída de pedra e entra numa porta aberta quando, de repente, ouve passos em casa. Entra na sala de visitas e, com o olhar fixo no chão, dirige-se para a escada:

– Aonde é que pensas que vais, Pedro?

– Pelos vistos a lado nenhum…

– Tens razão, temos um assunto pendente…

– Pois, mas agora não me apetece falar sobre isso, pai!

– Apetece-me a mim e tu vais-me ouvir, Pedrinho… Senão vai ser muito pior para ti…

– Ai vai, ainda mais, o que é que me vai fazer, expulsar-me de casa? Ah! Essa não, já o fez, não foi?

– Pedro! Tu não sabes o que estás a dizer…

– E aquela – leva a mão ao queixo – como era o nome? Ah! Já sei, Merda? Não esse não, Marta. Como eu me pode esquecer, é um nome sem classe… vagabundo e, e… — Sérgio perde o controlo e dá uma estalada no seu filho tão forte, que Pedro cai no chão, bate com a cabeça na parede, e deixa-a suja de sangue.”

Sem perceber o porquê, Pedro pensa na Lisa, algo lhe diz, no seu peito, que deve estar com ela, que ela tem uma nova para lhe contar, mas ele não liga muito ao que o seu coração lhe diz, habituado a ter sempre um cartão de crédito recheado à mão.

No entanto, algo lhe vinha sempre à memória, a imagem de uma Lisa débil, na cama, doente. O jovem sentia-se mal, no fundo de si mesmo, não sabia há quantas horas estava a dormir, sentia-se fraco e cansado, sem o animus de redescobrir o mundo, fora de portas. Volta a deitar-se, olha para o outro lado da janela, não se lembra que o quarto era tão grande. Pensa também no que Tomás lhe disse, na confissão feita pelo seu amigo: “… Amo-te! Meu bom Pedro!”

“Não! Ele não pode estar a falar a sério, o Tomás não, o Tomás que eu conheço, não gosta de homens” pensa Pedro.

Ele começa a ouvir barulhos nocturnos vindos do quarto do lado, primeiramente um autoclismo, cochichos, por fim as molas de um colchão a chiar. Ele continuava sem saber há quantos dias, semanas, meses ou quem sabe anos estava naquele estado.

Sérgio apaga a luz e volta para a cama, Dora acorda de repente, levanta-se e vai à casa de banho. Sérgio deita-se por seu turno mas deixa o candeeiro que está na mesa-de-cabeceira aceso para que a mulher, quando viesse, não embatesse contra algum objecto do quarto, e não caísse.

“Ela está cada vez mais jeitosa…” pensa Sérgio e sorri. “Ai! Adoro o perfume… Ei! Eu não disse isto…” Declara ao cheirar a almofada do lado. “Dora, Dora!”

Dora corre o autoclismo e regressa ao quarto.

– Sérgio? – Admira-se, pois nota que Sérgio está diferente, ao contornar a cama.

– Ehn!

Chega ao seu lado da cama, despe o roupão de seda branca. Sérgio olha-a atentamente.

– O que é que tem, Sérgio?

– Nada.

– Eu tenho sono, boa noite, Sérgio. – Dora deita-se e o marido apaga a luz do quarto.

Posteriormente, aproxima-se dela e brinca comos seus cabelos. Beija-lhe os ombros e agarra-a pela cintura.

– Ah! Sérgio, pode deixar-me dormir, por favor… – Suplica enquanto se vira para ele. Dora vê ali a oportunidade de se sentir amada pelo marido, ele beija os doces lábios e morde-os, massajando a sua cara.

Ele aproxima-se dela, aperta-lhe a cintura e beija-a. As calças do pijama aumentam de tamanho. Dora põe-se de costas na cama, ele sobre ela. Retira-lhe a camisa branca e apalpa-lhe os seios. Ela agarra-o para si e retira-lhe a camisola do pijama. Ele dá-lhe pequenas mordidas no lábio inferior enquanto lhe retira as cuecas. Por sua vez, ela retira-lhe as calças e toca na sua grande erecção, Subindo as pernas, ela circunda Sérgio no seu interior, ele introduz-lhe o pénis erecto na vagina e ela geme. Segue-se o apressado vai e vem, ouve-se os testículos a baterem à entrada da vagina e ele ejacula. Os movimentos das molas do colchão chiam, regem, a cama dá de si.

Pedro adormece.

*

Uma vivenda de cor branca, com um jardim e uma piscina onde vive Gostinho com a sua família. Sobe-se umas escadas e entra-se na porta principal. Por trás dessa porta existe uma grande sala decorada com sofás amarelos e um grande plasma preto sobre um suporte em frente aos sofás. No chão branco estava um tapete vermelho, um jarro de flores secas a um canto e uma lareira para os dias mais frios do Inverno. Seguia-se uma estante de livros devidamente lidos, os candeeiros, apagados, que iluminavam o ambiente resplandecente todas as noites. À entrada existem umas escadas que levam ao segundo andar desta magnífica vivenda. O segundo andar aparece todo ele apetrechado por móveis do século XVI, e por muitas portas fechadas. Uma casa de banho, comum a todos da casa, mobilada a rigor e com banheira de hidromassagens. Os azulejos e o chão eram brancos e existia também um móvel, com um espelho pendurado na parede, e uma bacia, ao lado de uma janela na qual era visível a lua. Numa outra porta, um escritório com uma secretária preta, uma estante encostada à parede, cheia de livros e dossiês, e um candeeiro. O quarto dos donos de casa estava decorado com uma cama de casal, no centro, e uma mesa-de-cabeceira de cada lado da cama. Gostinho volta-se para a esposa e continua a dormir. Ao lado do quarto principal, está o quarto de Tomás. Este acorda durante a noite devido a um sonho que teve com Pedro e recorda-o com alguma tristeza.

Estava numa praia com Pedro e este beijava-o.

Acorda com grande mágoa por tudo só ter sido um lindo sonho de amor, não passava disso, um lindo sonho, só.

Ah! Quem me dera que fosse real…” pensa “não, não, Tomi, tu não gostas dele, não podes. Porquê? Bom isso é fácil, tu o que queres é babys, elas sim, só andas com ele por causa disso, percebeste? Mas ele é tão lindo… Sim! É, mas precisa de uma mulher.” Reflecte entristecido “Tão sexy, ah Pedro, Pedro. Ui, ui! O que eu fazia contigo. Ele não gosta de homens, fora de questão. Ouviste, Tomás?” Auto repreende-se por pensar no Pedro daquela maneira. “Além disso, ele não gosta de ti, não dessa maneira. Ele é normal, e eu não…” logo, entriste entristece por pensar que Pedro deixará este mundo em breve.

Considera uma única hipótese, a de Pedro vir a ama-lo como ele o ama. Ou melhor ainda “será, será…” sorri só de pensar “será que ele já gosta de mim só está à espera da altura certa para namorar comigo, Ah! Minha nossa senhora do fogo aflito, se for isso eu vou aí de joelhos ao fim do mundo só para ver se o mundo acaba ”

Notas finais
Será que Sérgio merece desculpas? O que levou Pedro a pensar em Lisa? Será que Pedro consegue se libertar? Terá Tomás oportunidade com Pedro? Não percam, até à próxima. Anne Margareth Cullen Scott