A Forma da Sua Alma
9 Dia 62
Notas iniciais
Desculpem a demora pra postar~
Minha cabeça lateja. Rolo na cama e acabo quase caindo.
A luz invade o quarto repentinamente e meu olhos ardem. Levanto o braço para cobri-los, xingando. — Levante e vá tomar um banho frio — resmunga Kim, de longe. Ele está em algum lugar perto da porta; sua sombra se recorta em meio à luz. Sua voz me alcança como se ele estivesse falando da ponta oposta de um corredor. Meus olhos se acostumam e abaixo o braço. Puxando o cobertor de qualquer jeito, viro-me para continuar a dormir. O latejar em minha cabeça aumenta. Ouço estrelas. — Vamos — diz ele. — Temos que sair hoje. — Não. — Vamos, Logan. Resmungo. Meus pensamentos estão pesados e me lembro repentinamente do sonho que tive. Sentindo o rosto esquentar, cubro a cabeça e fecho os olhos. — Logan, levanta já! — Hum. Kim repentinamente puxa as cobertas. Me agarro à borda do lençol e ele o puxa também, me arrastando para os pés da cama. — Para! Para! Kim, PARA! Ele puxa com mais força. Me seguro na cabeceira da cama e ele puxa minhas pernas, gargalhando. Me debato. — Kim, me solta! — Não! Estou rindo agora. Ele me puxa com força e solto a cabeceira ao mesmo tempo. Caímos no chão em um bolo de cobertas, lençóis e travesseiros. Estou rindo loucamente e Kim também. Ele puxa um travesseiro e me bate no peito. Seu rosto está aberto, sem reservas, como se ele estivesse se divertindo pela primeira vez em algum tempo. Arranco o travesseiro dele e o empurro. Ele cai deitado e bato em suas pernas com o travesseiro. Ele me agarra pelos braços e me puxa, me derrubando deitado também. Minha barriga está doendo. Tento parar de rir, então Kim começa a me fazer cócegas no pescoço. Solto guinchos, implorando para que ele pare. Estou me mexendo incontrolavelmente. Finalmente ele se cansa e consigo controlar minha respiração. Deito no chão sobre as cobertas jogadas, ofegando. Olho para Kim; ele sorri. — Vamos, vá tomar um banho gelado — diz. — Ande logo, temos coisas a fazer hoje. — Como? — pergunto, erguendo as sobrancelhas. — Ah, não sei — Ele sorri de canto, levantando. — Vamos tentar descobrir o que podemos fazer para te ajudar. O encaro enquanto ele sai, fechando a porta atrás de si sem olhar para mim.*** O ar está morno e doce quando saímos do apartamento. Respiro fundo e sinto o sol bater em meu rosto como uma leve manta me cobrindo. Meu rosto não demora a esquentar. — Onde vamos? — perguntou, tentando manter o ritmo. Kim anda rápido. — Onde devo ir você não pode ir junto, então pensei de você ir fazer algumas coisas para mim enquanto isso. — E onde você vai? — Acho que existe alguém que pode nos... te... ajudar. — Então quero ir junto. — Não — Ele encara a calçada inexpressivamente. — Não será possível. — Posso saber o motivo? — Acho que não deve ir, apenas. — Mas isso é sobre mim! — exclamo. Estamos parados esperando que o sinal abra e algumas pessoas encaram quando falo alto. — Isso é sobre mim— repito, mais baixo, me aproximando dele. — Eu sei! — responde ele. — Eu sei, mas eu não controlo tudo, Logan. Respiro fundo. Kim pressiona os lábios como se controlasse para não falar nada de errado. Reviro os olhos, atravessando a rua com passos largos sem olhar para trás. Ouço Kim xingar atrás de mim. É a primeira vez que o escuto falando algum palavrão. É interessante, penso. Kim tem uma personalidade bastante atípica, eu acho. Ele é uma pessoa séria, recolhida, com um senso de humor sarcástico e azedo, palavras enigmáticas que na maior parte do tempo somente ele compreende e sorrisos ardilosos como se ele estivesse planejando lhe passar a perna. Mas ao mesmo tempo... quando ele sorri, quando ri, quando faz uma piada tosca, até quando me insulta, ele deixa transparecer um lado diferente, suave, oposto de seu eu calado e amargo, como se ele fosse uma pedra preciosa lapidada pela metade; o outro ado, bruto e afiado, era bem mais difícil de lidar. Kim me agarra pelo cotovelo, me puxando até que eu esteja perto o suficiente para ver as raias castanho-claras em suas íris escuras. — Pare com isso — resmunga ele, entre os dentes. As pessoas esbarram em nós descuidadamente; Kim parece irritado. — Eu não sei como a pessoa com quem vou falar vai reagir se eu levar um completo estranho para lá sem aviso! — Um completo estranho cuja vida está em jogo? — Me solto do aperto dele e o encaro. Minha vontade é gritar o mais alto possível e chutar coisas. — Você parece que esquece que isso que para você não tem a mínima importância, é minha vida! Ele parece magoado, mas estou tão frustrado que não consigo me importar. — Não tem a mínima importância? — exclama ele; estamos aos gritos no meio da calçada agora, em frente a um restaurante sujo de comida chinesa. — Engraçado eu fazer tanto por você, tudo que eu podia para te ajudar, te oferecer um lugar para morar, te oferecer tudo o que eu tenho...!, para no fim das coisas ter que ouvir que não fiz nada por você!
Abro a boca mas ele está ofegante; sei que não conseguirei falar. — Se eu realmente não fizesse nada por você, você notaria! — Alterado, ele corre os dedos pelo cabelo com raiva. — Vamos ver o que sobra de você se de repente eu parar de te ajudar! — Não quis dizer isso — Balanço a cabeça; minhas unhas afundam na palma de minhas mãos. — Mas você quer fazer tudo sozinho, decidir tudo sozinho, como se não me dissesse respeito! Como se não fosse sobre mim! — Ah, não sei! — Ele ri alto. — Talvez eu faça isso, sabe, porque sei mais que você? Faz sentido, Hall? Estou prestes a dar uma resposta enfurecida quando uma senhora franzina de olhos caídos aparece na porta do estabelecimento chinês, parecendo infeliz e irritada. — Os dois podiam parar de escândalo na minha estabelecimento, podem ser? — grita ela, rouca. — Que coisa é essa? Os dois está espantando meu clientela! — Me desculpe, senhora — Kim parece envergonhado; ele se inclina. — Estamos saindo. — Vá gritar na concorrências! — aconselha ela, os olhos apertados. — Vamos, sim, senhora — asseguro, balançando a cabeça. Ela parece desconfiada. — Sai de meu porta, já já! — ela gesticula em direção a Kim. — E leve seu amiga de olhos verdes! Com um último olhar fulminante, ela nos dá as costas e entra em seu restaurante. Os olhos de meu hospedeiro são castanhos.*** — Eu não sei! Pela milésima vez, Hall, eu não sei! — Mas se ela me vê... como eu sou... talvez o véu esteja saindo! Kim revira os olhos, soltando a respiração lentamente. — Não existe tal coisa — resmunga ele, mordendo o lábio. — Se há algo, é com ela. Quando o véu sair, será perceptível para todos. — Se ele sair — Engulo em seco. — Isso! — Ele parece entediado. — Fique com esse pensamento negativo mesmo. Vai te levar muito longe. — Meu Deus, o que você tem hoje? — pergunto, intrigado. — Nada, me desculpe — Ele franze o rosto, suspirando. — A briga mais cedo também foi culpa minha, eu deveria ter entendido seu lado. — É — digo, sem querer que ele ache que pode falar o que bem entender. — Deveria. Ele não responde nada e continuamos a caminhar. Após alguns instantes, chegamos a um prédio de poucos andares com uma entrada lateral do tipo que tem uma escada estreita e leva ao segundo andar do prédio. — É aqui — afirma Kim, passando a mão sobre a maçaneta. — Abra então. — Não posso — responde ele. — Temos que ser convidados. — Agora além de mago você é vampiro? — pergunto, genuinamente curioso. Tomando como sarcasmo, Kim me soca de leve no estômago. Me curvo com os braços sobre a barriga para um efeito dramático. — Fique direito — diz ele, segurando um sorriso. Posso ver pelos seus olhos que tipo de sorriso será. Me endireito e cutuco sua barriga. — Não encoste em mim! — exclama ele. Encolho os ombros. — Me desculpe. Te entendo, depois que toco em alguém normalmente a pessoa se apaixona. — Nos seus sonhos apenas — retruca Kim, finalmente sorrindo. Ouço passos na escada. Nos entreolhamos e Kim repentinamente se torna sério. A porta se abre. Ou melhor, uma bela moça a abre; cabelos escuros e lisos caindo pelas costas, um corpo curvilíneo e bem delineado, pele de porcelana e olhos escuros e profundo. — Jong Kim — diz ela, exibindo um sorriso de raposa que conheço bem. — Eu sabia que você voltaria para mim.
Notas finais
O que acharam?
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