A Force Called Love
20 I love both of you.
Notas iniciais
A isis tá me deixando muito boazinha :xxx
Aproveitem!
Já fazia uma hora que estávamos no bug. Essa ansiedade estava me matando lentamente, e eu só estava controlada porque Julie já estava desesperada por nós três.
- E se ele morrer? E se ele tiver caído? E se ele não voltar mais? E se a gente nunca mais encontrar o corpo dele? E se...
- Julie, CALA A BOCA! – Falou Nate, tentando se concentrar na estrada. A morena parou de falar, mas roía tanto as unhas que achei que iam sangrar.
- Então – Digo, quebrando o silêncio. – Você é o que dele? – Ela me olhou.
- É da sua conta?
- Desculpa. – Dei de ombros. Ela suspirou.
- Prima. Sou prima dele. – Meu ciúme diminuiu um pouco.
- Hum. – Murmurei. A busca continuou, e já estava tarde. O sol se punha e não havia sinal de Guto. A mãe de Nate ligou e ele estacionou o bug no alto de um rochedo, para atender a ligação. Desci do carro, e Julie ficou rondando Nate. Olhei para baixo da queda. Não era muito alta, talvez 10, 15 metros. Não letal. Mas isso não passou pela minha cabeça quando eu vi o bug quebrado nas rochas. Meu coração parou, minha respiração acelerou.
Não falei com os outros dois, simplesmente desci pelas pedras até chegar embaixo.
- Não, não, não, não! – Digo, olhando o bug que fumaçava e estava parcialmente destruído. Então eu o vi. Dentro do bug. Estava muito machucado. Se tivesse caído sozinho, estaria bem, mas como caiu com o carro... havia cortes e sangue por toda a extensão de seu corpo. Com algum esforço e um pouco de sangue frio, consegui tirá-lo de dentro dos estilhaços, e até lá já tinham se dado conta do meu desaparecimento. Coloquei-o no meu colo e abracei seu pescoço.
- Guto... fala comigo. Por favor... – Comecei a chorar.
- Jess! – Diz Nick, pondo a mão no meu ombro.
- GUTO! – Diz Julie, chegando perto dele, mas meu aperto a distanciou.
- Não, não NÃO! ELE NÃO! – Eu não conseguia pensar. Eu não conseguia ouvir o que falavam à minha volta. Eu queria ele vivo. Só isso. Alguém tocou meu ombro alguns minutos depois, e eu só tive tempo de ver que era um médico antes de apagar.
~*~
POV’S GUTO
Acordei. Não me lembrava de muita coisa. Só de fugir da Jess para pensar, estar muito puto com o bestão e daquele biquíni que me deixava louco. Estava em um hospital. A luz branca invadiu meus olhos e eu tratei de me acostumar.
Olhei para o lado. Minha mãe estava ali, cochilando.
- Mãe...? – Ela abriu os olhos e sorriu, aliviada.
- Meu Deus, Augusto. – Me deu um beijo na testa. – Você me assustou.
- Me desculpe, mãe. A senhora está bem? – Ela sorriu.
- Agora estou. – Eu assenti e a porta se abriu, enquanto uma Julie completamente desesperada entrava.
- GUTO! – Sorri.
- Hey, Julie! – Ela me abraçou e eu retribuí, sentindo dor nos músculos, mas aguentando porque era minha prima.
- Caralho, menino, você quer me matar?? – Minha mãe olhou pra ela com reprovação.
- Olha a boca, Julie. – A mesma respondeu com um sorriso.
- Desculpa a preocupação. – Julie me deu um tapinha na cabeça.
- Você é doido.
- Como me acharam?
- Quando você saiu, uma menina chegou na praia. Ela era morena e baixinha. Bonita. – Diz, revirando os olhos. – Jess. – Gelei. – Daí, ela disse que íamos te procurar, e a gente foi. Ela te achou, ficou abraçada contigo e chorando, e não deixou eu chegar perto. Quando os médicos chegaram, ela desmaiou. – Me sentei na cama.
- Desmaiou??? Cadê ela?? – Julie torceu o nariz.
- Calma, ela tá viva.
- Cadê ela, Julie?
- Quarto 118. E o namorado dela não sai de lá. – Diz, reforçando a palavra “namorado”. Revirei os olhos.
- Mas você terá muito tempo para vê-la. – Diz minha mãe. – Falei com a mãe dela noite passada, e ela disse que ficariam mais uma semana. Agora, você precisa dormir. – Mesmo querendo ir naquele momento ver como ela estava, assim que minha mãe falou a palavra sono, eu senti a necessidade de descansar. Assim, as duas saíram do quarto e eu dormi.
~*~
POV’S JESS
- Vai falando. – Digo, me sentando ao seu lado no mesmo ponto onde fizemos o piquenique naquele dia. – Por que tentou se matar?
- Acha mesmo que eu tentei me matar?
- Você estava em um penhasco. Não pensei muito bem. – Ele olhou pro horizonte.
- Fiquei preocupado com você.
- COMIGO? Você quase morreu e tava preocupado comigo??
- Você desmaiou.
- Foi a tensão. Eu tenho uns ataques de ansiedade estranhos. Nada demais. – Ficamos em silêncio. – Ficou muito puto comigo?
- Com você? Eu tava... eu tava puto com o Nate. Você me deixa excitado, tonto, lerdo, mas puto? Não. – Eu sorri.
- O que você quis dizer com “cuidar da minha mãe”? – Ele mexeu no cabelo.
- Minha mãe tem câncer, Jess. Leucemia. – Olhei bem pra ele.
- Não acredito.
- O quê?
- Não consigo acreditar. Isso é injusto. Você é uma pessoa tão boa! Por que a vida é tão má com você? – Ele sorriu tristemente.
- Você é minha vida, Jess. Não fale assim de si mesma. – Isso me deixou muito culpada. Muito. Como se eu já não estivesse, sabendo que ele havia se machucado por minha causa naquele dia. Olhei pro chão.
- Eu tô sendo ridícula com você. – Ele ergueu meu queixo.
- Por quê acha isso? Eu tô feliz, ok? Não se martirize.
- Não, você não está feliz e é tudo minha culpa. – Cubro o rosto com as mãos. – Eu queria poder controlar o que sinto, Guto, mas eu não consigo! Eu faria de tudo pra te ver feliz, mas mudar o que eu sinto não vai dar. Eu amo vocês dois. – Ele segurou meus pulsos, tirando minhas mãos do rosto.
- Faria de tudo? – Eu assenti.
- Tudo. — Ele se aproximou. Inclinou a cabeça um pouco pro lado e roçou os lábios nos meus.
- Isso é errado. – Murmurei, arrepiada. Ele sorriu, e nossos lábios estavam tão próximos que senti-os enquanto se curvavam.
- Você disse “tudo”. – E colou nossos lábios. Me senti mal ao constatar que o beijo dele me fazia flutuar. Quando tentei recuar, ele segurou minha cintura e me chocou contra ele, me fazendo ofegar entre o beijo. – Eu amo você, Jess. E não importa quantos namoradinhos você tiver, eu sei de uma coisa. Sei que você nunca vai deixar de se arrepiar, de ofegar, de pensar merda quando eu te beijar, te tocar. – Eu me esforcei para não reagir assim.
- Isso porque eu te amo também, Guto. – Ele sorriu e beijou minha testa, estudando meu corpo de biquíni demoradamente e com um tanto de desejo.
- Eu sei. – Seus olhos perderam o foco por um momento, e eu imaginei o que ele estava pensando enquanto me olhava. Fiquei vermelha e me levantei.
- Sorte que vou passar mais uma semana aqui.
- Sorte a minha. – Baguncei o cabelo dele, sorrindo.
- Tchau, bobão. – E voltei pra pousada.
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