Notas iniciais
Boa Tarde :) Trago-vos aqui mais um capitulo, desta vez um Sonho que incomoda o Padre Bernardo Vieira.

XX- O Sonho

*

O padre Bernardo regressa à sacristia despe os seus a paramentos e guarda no cabide dentro dum armário, e sai da igreja, regressa de batina preta pelo caminho das pedras uma coisa atormentava-o, um sonho que o persegue todas as noites, desde que chegou a Lisboa. O padre não conhece as personagens mas sabe que já viveu alguma coisa idêntica.
Um grupo de rapazes que estavam sentados numa escada debaixo de um alpendre vêem aquele homem de negro a passar. Quimbé vai falar com ele.
– Olá como é que te chamas?
– Bom dia, chamo-me Bernardo, padre Bernardo Vieira. Mas podes-me só chamar de Bernardo e tu?
– Quimbé.
– Encantado. – Responde Padre Bernardo de olhos postos no chão.
– Quantos anos tens?
– Vinte e nove, porquê?
– Nada, Bernardo, acho muito corajoso da tua parte, escolheres a profissão que escolheste.
Padre Bernardo olha para ele de cabeça aos pés, e apenas responde:
– Hoje sou eu, quem sabe se amanhã não serás tu?
– Por que? – Responde Quimbé mais incomodado – Não me parece, eu nunca serei padre, por que gosto muito de mulheres… – Diz ele, em tom de troça.
– Ok! Eu também gosto, e no entanto… – Bernardo olha para o relógio que trazia no pulso – a conversa está boa, mas eu não posso ficar mais aqui, a falar contigo, no entanto podemos falar, se tu quiseres?
– Na igreja… – comenta Quimbé – não me parece.
– Podemos combinar em nos encontrarmos para acabar esta conversa. – Padre Bernardo pensa num jeito de o agarrar – Podes vir à residência paroquial quando quiseres. – Padre Bernardo deixa Quimbé boquiaberto, nenhum amigo deste o tinha convidado para ir a sua casa – Bom agora tenho assuntos a resolver, mas gostei de te encontrar e desta conversa, aparece! – Incentiva-o.


*


Um gabinete com os estores em banda corridos, para o lado sentado numa cadeira preta à secretária com vários dossiers sobre a mesa de madeira à sua frente, estava um jovem que fuma o seu cigarro pensante enquanto lê um processo tinha ficado ali toda a noite, uma coisa preta vibra por debaixo dos papeis a luz laranja acende. A mão apalpa a mesa por entre os papéis, alcançando o objecto que treme, o rapaz pode ler:

Mãe a chamar!
O homem prime a tecla e encosta-o ao ouvido:
– ‘Tou.
– Bom dia, Tiago! – Cumprimenta a mulher do outro lado. – É a mãe! Como é que está o meu filho mais corajoso? – Indaga Dora.
– Está tudo na mesma, mãe. – Diz Tiago bocejando.
– Não me digas que ainda não dormiste. — Diz a mulher em preocupação.
– Mãe, não é nada disso. – Tranquiliza-se Tiago – mas já agora diga-me o porquê deste telefonema? – Pergunta estranhando um pouco o motivo pelo qual a mãe lhe ligaria.
– Filho, era só para saber, se está tudo bem, se te estás a alimentar correctamente, – pausa – eu sei, ahm, que tu já és crescido, senhor de ti mesmo, mas o que é que queres sou uma mãe galinha. – Acrescenta Dora, enquanto o seu filho a escutava do outro lado, – aliás o senhor nunca mais cá veio. – Conclui a mesma, um silêncio incomodativo abate-se entre eles – Tou? Filho não dizes nada?
– Mãe, eu sei que não sou o melhor filho do mundo, mas é que sabe, tenho tido tanto trabalho, prometo que assim que puder vou aí vê-la a si e ao pai, e falar com o meu irmão está bem?
– Está bem filho, desculpa por te importunar tanto.
– Não incomodou, mãe, olhe eu amo-a do fundo da minha alma. – Declara Tiago. – Há novidades?
– Não, não as há. Ah! Olha boa sorte para essa tua nova missão.
– Agradecido, mãe! Mais alguma coisa?
– Filho vê se dormes, vá beijinhos com imensas saudades.
– Vá beijinhos, e muitos abraços para o pai e para o Pedro, ele andasse a portar melhor?
– Não sei, viajou para Roma com o Tomás.
– Ah ok. Olhe eu agora, tenho coisas a fazer, por isso tenha um bom dia. Tenho pena de me despedir já.
– Ok vá vai lá, filhote. Com licença!
Dora desliga, Sérgio sai do banho e veste-se, no quarto.
– Bom dia! – Cumprimenta Sérgio – com quem estava a falar?
– Bom dia! Com o Tiago o seu filho.
– Ah! Sim.
– Ai que sono, Sérgio! Deixe-me dormir.
– Bons sonhos, Dora – Sérgio curva-se sobre a mulher dando-lhe um beijo.

Sai do quarto, vai ao quarto do lado, abre a porta, vê Pedro a dormir preso, volta a fechar daqui mais ou menos uma hora Sérgio tem que o injectar, desce as escadas devagar, e atravessa a sala, era o dia de folga dos empregados, em seguida abre a porta do escritório, e entra, procura o telemóvel, tinha quarenta e nove chamadas não atendidas, ouve alguém a bater no vidro com uma guitarra nas mãos. Olha para fora, assustado, acena à pessoa para entrar e dirige-se até à cozinha, abre a porta que dava acesso ao jardim.
– Bom dia, tio!
– Bom dia, Tomi então o que é que te trás por cá – indaga Sérgio como se não soubesse o motivo – vens ver o Pedro? – Advinha.
– Sim, e também venho falar consigo um bocadinho.
– Compreendo, rapaz. Vem comigo – diz Sérgio que sai do escritório, e subindo em seguida as escadas que os levava ao segundo andar da moraria, pisam o chão castanho. Tomás estranha um pouco e pensa: mas o Pedro não está lá em baixo, hum estranho.
– Tio mas o Pedro… – Começa por dizer Tomás.
– O que é que tem o Pedro? – Questiona Sérgio ao abrir a porta do quarto de Pedro.
– Não tem nada, tio. – Nega Tomás enquanto se aproxima do suporte que Pedro costuma colocar a guitarra em pé, pisando o tapete azul do quarto.
O quarto está escuro bastante escuro com as persianas cerradas, Pedro abre os olhos não sabe onde está vê com alguma dificuldade a visão turva mostra estar num espaço grande pensa que foi raptado, até que é atraído por uma luz vinda de um quarto dentro daquele espaço fere-lhe os olhos e obriga-o a fecha-los de imediato. Ele abre a boca e baba-se sem querer, puxa o pulso mas está preso, não sabe a quê lhe prenderam, nem com o quê parece-lhe ser uma corda muito grossa, dói-lhe o braço por estar demasiado esticado e o pulso devido às algemas, dentro da casa de banho Sérgio prepara a injecção, para dar a Pedro.
– Tu? – Pergunta Pedro quando Tomás se aproxima.
– Pedro, olha trouxe-te a guitarra. Meu amigo. Então estás melhor?
– Brigado. Podes-me soltar Tomi.
Um vulto sai de uma divisão, com uma seringa, apaga a luz, Pedro reconhece-o, mas a pessoa senta-se em cima dos pés de Pedro prendendo-o e sem nunca lhe falar.
– Não pai, não – ele tapa-lhe a boca – por favor deixe-me sair. – Pede-lhe.
Sérgio pica o braço de Pedro, um líquido gelado espalha-se no interior das veias de Pedro, os batimentos cardíacos diminuem, o sono é imediato, que o adormece. Sérgio chama Tomás fora do quarto.
– Tomi queres fazer companhia ao Pedro, tomas conta dele não o deixas fugir e assim que ele acordar, avisas-me logo, pode ser?
– Tio! Eu tenho que falar consigo.
– De certeza que pode esperar. – Afirma Sérgio tentando convencer – Não é verdade!? – Conclui.
– Já que tem mesmo de ser. – Confirma – ok! Eu tomo conta do Pedro, tio!
– É só para o caso de ele querer fugir… – Assevera o Vereador da Câmara, enquanto mostra a chave a Tomi – Então olha toma, – diz dando-lhe a chave – esta é a chave, confio-ta de ti.
– Tio! – Admira-se o outro. – Vai confiar de mim uma coisa tão importante, e se eu não dou conta do recado? – Pergunta extremamente preocupado. – É uma honra.
Sérgio acaricia-lhe a cara e sorri cinicamente. Roda sobre os seus pés e caminha até à escada descendo-a muito calmamente em seguida pisa a branca tijoleira pensante os seus pés levam-no até à biblioteca, estica o braço devagar poisa na maçaneta da porta rodando o pulso e entra, do lado de dentro apalpa a textura da porta de madeira branca e fecha-a com o trinco. Move-se até à sua habitual cadeira preta. À posteriori pondo os pés em cima do tampo envernizado da mesa. E quase se deita na cadeira. Maquiava algo, em primeiro lugar ele queria-se reconciliar com Dora, e depois magicava o assunto que Tomás lhe teria a dizer.


*



O Sol rasga o céu, as pessoas andam nas ruas, os ciclistas andam na estrada, dirigem-se para a praia, os shoppings estavam cheios as pessoas andavam de um lado para o outro atarefadas com sacos nas mãos.
Os despertadores tocam, como de costume Marlisa é a primeira a pôr-se a pé, e avança para a casa de banho. Abre a torneira da água fria despe a camisa de dormir de seda branca a seguir desce as cuecas solta o seu lindo cabelo ondulado, entra na banheira e deixa a água correr pelo seu corpo.
Dr. Teresa Cristina ainda dorme abraçada a João, que acaba por acordar, deposita nos lábios um beijo de bons dias. E move-se com cuidado para não acordar a sua esposa. Posteriormente, ele move-se e em seguida levanta-se da cama e caminha até à casa de banho, onde faz a sua higiene matinal e muda de roupa, vestindo uns calções creme e uma camisola cinzenta de manga curta, passa pelo quarto abre a gaveta da sua mesa de cabeceira com o máximo de cuidado para não acordar a sua mulher, e retira de lá uma caixa com varias recordações do seu passado, abre-a e retira de lá um par de alianças, pensa que a sua história poderia ser diferente, muito diferente se alguém soubesse fazer as escolhas certas é uma pena que esse alguém não tivesse a coragem necessária, e escolhesse viver com um monstro do que viver uma linda história de amor a seu lado. Mas, sentimentos não se escolhem. Olha para a cama e vê Teresa Cristina a dormir ainda, Dr. João Soares aproxima-se da porta, e abre-a, sai olhando para trás e diz quase num sussurro Amo-te!
Caminha em direcção á sala, vê a sua querida filha que põe um jarro de sumo de laranja na mesa.
– Bom dia, Marlisa! – Cumprimenta o pai, dando-lhe um beijo no seu cabelo perfumado – outraves com essas tarefas, eu não quero que tu andes aqui a trabalhar em casa… – repreende-a – Não há necessidade disso!
– Eu sei paizinho! – Confirma – mais o senhorr sabi qui, eu sou assim. A mamãe?
– A tua mãe está a descansar, ela tem trabalhado muito, ultimamente.
– Eu sei. – Responde tristemente.
Dr. Teresa Cristina acorda e olha para os dois lados, não vê o marido.
– João! – Apalpa a cama e constata que o marido não está deitado.
Dr. Teresa Cristina levanta-se, veste o seu roupão de seda branco e segue pelo corredor que a leva à sala de jantar onde Dr. João está a tomar o pequeno – almoço com Marlisa. A sua mulher entra na sala e senta-se à mesa.

Notas finais
Boas Leituras. Até para a semana. Walk Up Proud.