A Força D'um Amor (+18)
20 Capitulo XIX - Um estranho sonho pode levar a um novo amor
O luar desta noite está fraco, os candeeiros acessos com maior voltagem, os carros eram inexistentes. A Avenida principal do bairro de Portugal, Avenida dos Beijos, leva ao largo do Amor no centro deste largo está uma rotunda que tem o S. Valentim com as suas setas, diz a lenda que quem passar nesse largo e tocar no santo será abençoado, e aquele que não o fizer é amaldiçoado para o resto da sua vida. A Alameda vai conduzir a outra rua que sobe, chama-se a rua dos Encontros. No alto localiza-se uma vivenda cor-de-rosa de dois pisos com as portadas douradas no segundo andar existe uma varanda virada para o caminho, a porta de entrada localiza-se no primeiro andar, entrava-se para um grande salão que tinha um fogão de sala para os dias mais frios do Inverno, um plasma sobre a parede, em cima do chão rosa claro estava uma carpete cor de laranja, entre uns sofás amarelos passado a mesa com o tampo em vidro e as cadeiras, em madeira encontravam-se duas portas uma delas era de correr onde se situa o escritório de Afonso Rossi. Ora, Afonso estava rodeado de papéis e dossiers abertos, lia atentamente projectos da nova colecção de roupa, que a linha Rossi iria lançar, quando ouve um truz, truz na porta:
– Entra Lino! – Ordena sem tirar os olhos dos papéis
– Dr. Afonso se me permite a pergunta – Rossi olha para o empregado devidamente arranjado – não vai precisar mais de mim, hoje?
– Não, Lino podes ir… – fala Rossi.
– Boa noite – Lino ia-se embora quando pára em frente a uma foto que mostrava uma jovem loira e sorridente, voltasse de novo para a secretária onde Rossi lê
– Doutor desculpe o incomodo mas quando a menina vem? – Interroga o empregado.
– Espero que amanha, porquê?
– Não é por nada é que a casa sem ela é morta, nem parece a mesma.
– Gostas muito dela, não é verdade?
– Sim senhor, só quero que a menina seja muito, mas muito feliz.
Lino Nery tem cerca de sessenta anos, é o mordomo da mansão Rossi, é solteiro entregou-se àquela família que a vê como sendo sua, faz parte dela. Sai do escritório sobe a escada para o segundo andar entra no seu quarto e despe o uniforme em seguida, veste o seu pijama e deitasse na sua cama estoirado após um dia de trabalho aproveita as poucas horas de sono que ainda lhe restam.
*
Tomás pensa em Pedro, nas tristes condições em que o encontrou, uma lágrima corre-lhe ao longo das suas faces, estranha o facto de estar feliz ao pé de Pedro de só querer saber dele, de andar só preocupado com ele. Auto-reprime-se interiormente, Ah! Nossa Senhora do fogo aflito! Ele era belo, aos olhos de Tomás.
Tomás nunca namorou com ninguém, conhecia Pedro desde cedo sempre o acompanhou nos estudos, sentia-se inferiorizado quando ele lhe dizia que tinha uma namorada. Na cama vira-se de barriga para baixo, agarra a almofada e pensa naquele dia em que encontrou Pedro a dormir na praia nú, a imagem daquele dia escoltava-o teimava em segui-lo, para onde quer que vá.
Quando fecha os olhos, ele está dentro da sua cabeça, quando os abre só é a ele que o vê. Acaba por adormecer, sonha que beija Pedro. Era um sonho cor-de-rosa como há poucos, em que Tomás esperava por Pedro sentado num banco de jardim perto da casa deste, e recebe uma mensagem.
“Já vou a caminho.” Era o que a mensagem dizia Tomás por sua vez olha para um livro que tem nas mãos e começa a ler, quando levanta os olhos vê Pedro a vir na sua direcção.
“Então o que me queres, Tomi.”
“ Pedro, eu amo-te, não posso nem consigo mais viver assim a ter que te mentir a toda a hora” declara ele “chiu! Sei o que vais dizer, mas eu preciso de ficar contigo”
Perante tal revelação Pedro aproxima-se de Tomás agarrando-o para si e beija-o. Era um beijo magnífico. Tomás agarra a almofada e beija-a.
– Pedro! – Chama Tomás ao mesmo tempo que acorda e se senta na cama em seguida agarra as pernas e pensa naquilo que Sérgio lhe disse. Agarra a cabeça – não, não, não pode ser… Tu não vais morrer, nem que eu me mate, mas tu não vais, não vais – e chora. Levantasse e caminha em direcção à janela de seu quarto. O Sol levantasse, com os seus raios brilhantes. As filas aumentam, nas auto-estradas para Lisboa, as pessoas amontoam-se nas estradas e aquedutos, os transportes públicos das cidade vêm cheios para Lisboa as pessoas correm em direcção aos metros e aos autocarros, barcos para chegarem aos seus trabalhos os autocarros à pinha fecham portas e arrancam em alta velocidade pelas ruas da cidade, alguns turistas tiram fotografias em Lisboa; compram souviners de Portugal para levar para as suas terras, outros compram pastéis de nata para saciarem a fome, e ainda outros pedem nas ruas.
*
O sino da torre da igreja badala anuncia a missa do dia, Padre Bernardo já está na sacristia a revestir-se para celebrar a missa. À hora, sai e dirige-se para o altar. Já com uma toalha de linho branca com as beiras em croché, as velas acessas, em cima dos altos castiçais de ouro, o púlpito dourado, com um micro preto que ampliava a voz fina e suave do padre Bernardo. O chão construído a madeira envernizada, atrás do altar havia um altar-mor com imagens de santos que cobria a parede Sul. Ele olha de relance para a igreja e vê-a com poucas pessoas, grupo de jovens não havia, não há ninguém quem toque naquela paróquia . E pisa a alcatifa verde posionando-se atrás do altar de frente para a porta principal da igreja, seguia três escadas perto do púlpito e começa logo bancos castanhos. Com escassas pessoas sentadas que rezam a Gloria a Deus nas alturas. Seguidamente, vem a primeira leitura, o Salmo, a Segunda Leitura, a prática.
– Meus amigos irmãos – Começa por dizer padre Bernardo – como Jesus diz na primeira leitura nós não devemos ter ódios ou rancores devemos perdoar se queremos ser perdoados, amar se queremos ser amados. Devemos ter fé que o amor do próximo é igual ao nosso, se um dos nossos irmãos mesmo que não conhecemos nos pedir alguma esmola devemos dar sempre mais alguma coisa a pensar que assim como tu me pedes hoje a mim, também eu te pedirei a ti um dia quando necessitar. E é esta troca esta inter ajuda que nos deixa mais confiantes que a nossa voz dentro de nós se exalta e nos diz, tu Maria, Francisco, Bernardo fizeste bem em confiar naquele irmão ou irmã porque na verdade eu vos digo que aquilo que fizéreis ao mais pequenino é a mim que me fazeis. Mas cuidado se alguma coisa de mal fizéreis essa voz interior não sossega, não descansa até desfazermos aquilo que foi feito. E depois a segunda leitura é uma enumeração de obras boas, as chamadas bem aventuranças.
Padre Bernardo consagra o cálice e reparte o pão, e serve a sagrada comunhão ao povo.
– É o corpo de Cristo! – Exclama elevando a hóstia já consagra.
– Ámen.
As velas do altar ardem atrás dele está uma cruz com um corpo de um homem de braços abertos. Padre Bernardo volta para o altar. Limpa o cálice e a patena mistura tudo, e bebe.Dobra o pano põe no sobre a patena e arruma. Ergue as mãos e faz as orações finais, o pouco povo responde, ele ergue a mão direita e faz a cruz dando assim a bênção final.
– Ide em paz e Deus vos acompanhe.
– Graças a Deus.
O Sol está cada vez mais alto, os raios do astro rei ilumina as casas degradadas, e os altos prédios construídos na parte mais rica daquele subúrbio, a sua luz esplendorosa entra dentro das janelas meias abertas.
Carla estava num lugar todo branco, caminha sentindo a areia nos seus pés areia molhada um individuo de raça africana aproxima-se dela, e beija-a ela sorri para ele e retribui-lhe o beijo, ela agarra a almofada enquanto dorme, e apalpa o branco e o fofo dela, sentindo-a macia. O jantar na noite anterior não teria surtido o efeito esperado Edgar não era o tal, contudo teriam ficado amigo só isso, para grande desgosto das famílias.
Eulipia entra no quarto da filha de repente, em seguida dirige-se à janela abrindo-a, fazendo um barulho estridente ao bater na padieira superior junto à parede do prédio, deixando o Sol entrar e bater na cara de Carla.
– Mãe. – Protesta a filha ao mesmo tempo que tapa os ouvidos.
– Vamos embora. – Bate as palmas para acordar Carla.
Eulipia sai do quarto, Carla muda de posição e deixasse adormecer, de novo, vê uma praia, Carla está de joelhos a ver-o-mar, chega Tó e sentasse a seu lado.
– Olá meu amor. – Beijam-se.
Era contudo perfeito, Carla e Tó poderem namorar, de livre e espontânea vontade, sem ter que dar satisfações a ninguém. Todavia, era uma utopia, porque os sonhos nunca se concretizam.
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