A Força D'um Amor (+18)
19 Capítulo XVIII "O Jantar"
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Em casa de Lisa, esta desliza até à cozinha e prepara o jantar. Quando Sónia e Pipa chegam, ela está a jantar batatas fritas e hambúrguer. Levanta-se e caminha para fora da cozinha e passa pela sala:
- Boa noite! – Cumprimenta.
Sobe até ao seu quarto e deita-se na sua cama, um nome vem-lhe à cabeça, Pedro, Pedro Silva Lobo. O que significa esse nome? Lisa dá voltas na cama e, cansada, acaba por adormecer.
Sónia, preocupada com a filha, passa pelo seu quarto, abre a porta, e ouve a respiração dela, que dorme profundamente.
Num Reino distante, Lisa caminha por uma ponte construída na época romana, que data de 445* . Ela traja um vestido cor de vinho, o céu azul por cima e um rio passava por baixo da ponte. Lisa olha para todos os lados e vê uma imensa selva.
Passa por um caminho uma carruagem puxada a dois cavalos quando as rodas de madeira desmontam-se e os cavalos são puxados pelo cocheiro. Um jovem galã sai fora do coche, Lisa vê-o, ele é alto, bonito, tinha porte atlético. Ele sobe para cima da ponte e caminha para ela com um sorriso nos lábios que mostra (sorriso) os dentes brancos que a fascinam. Ele aproxima-se dela.
- Boas tardes, minha senhora – Faz uma elegante vénia – quem sois? – Pergunta o jovem.
- Boas tardes! – Cumprimenta ela, fazendo uma delicada vénia – Lisa Scott. E vós?
- Pedro Silva Lobo.
Lisa acorda. Que coisa mais esquisita sonhar com o nome de Pedro outra vez, pergunta para si mesma quem era Pedro. Agora estava intrigada, quem seria Pedro? O que significaria Pedro para ela? Lisa agarra a almofada, e senta-se na cama, sente uma indisposição espontânea. Já agora o que significa os peitos aumentarem assim de volume? Eram perguntas para as quais Lisa ainda não sabia a resposta.
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Sérgio entra numa abertura, desce as escadas, aproxima-se da cama, e desamarra o rapaz. Pega nele ao colo, sobe as escadas, entra na biblioteca, senta o jovem, que dorme profundamente, na cadeira, abre a porta, pega nele e sai do escritório. Em seguida, sobe as escadas e entra no quarto de Pedro, deita-o no leito e algema-o à cama.
- Pronto, agora está bem melhor… – e sai do quarto deixando Pedro dormir, fechando a porta por fora.
Sérgio desce para a sala de visitas e prepara o seu whisky com duas pedras de gelo. Dora chega e senta-se num sofá a ler uma revista, não se falam desde que ele chegara a casa.
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Um rapaz chega à sala e aproxima-se de uma senhora bastante gorda e muito idosa, que via a novela da noite.
- Como é que estou?
- Ai tens, ens, ens a, a, a gravata, ta, ta torta, ta, ta – anuncia a avó levantando-se do sofá.
- Eu nunca vou acertar com o raio da gravata. – Declara o neto enquanto a avó lhe ajeita o nó que tinha na gravata.
- Prontos, tos, tos assim, im, im está, tá, tá melhor, or, or – diz a avó enquanto dá uma chapinha na cara do neto – lembra-te, te, te que, ue, ue, tens, ens, ens que ue, ue parecer, er, er bem, em, em, há, há, há Carla, la, la…
- Sim vóvó, eu sei. – Fala o neto com um largo sorriso – Avó sabe que aquilo que nutro pela Carla é sincero.
- Sim, im, im eu, eu, eu, sei, ei, ei, Edgar, gar, gar! Bem em, em é, é, é melhor or, or, irmos, os, os andando, do, do.
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Eulipia prepara o jantar enquanto Carla põe a mesa.
- Ai! Filha vai-te vestir, por amor de Deus! – Ordena Eulipia – só atrapalhas…
Carla não deixava de pensar em Tó. Sem abrir a boca, vai para o quarto e veste-se. Olha para a Lua que brilha aquela noite no alto do céu. Esta lança-lhe um olhar catito que unia, naquele momento, dois corações solitários. De repente, tocam a campainha e Eulipia abre a porta:
- Olá, boa noite, D. Olga. – Cumprimenta a amiga – Boa noite, Edgar.
Edgar puxa a mão de Eulipia, curvando-se sobre a mesma e encosta os seus lábios, depositando aí um beijo.
- Ah, que delicadeza. – Constata Eulipia.
- Boa noite, minha senhora.
Carla sai do quarto. Vinha trajada com um vestido preto elegantemente vestido, e com umas luvas nas mãos, os cabelos apertados para cima da cabeça e duas mexas de cabelo de oiro encaracolados que lhe caiem pelos lados da testa. Edgar fica embasbacado a olhar para aquela beleza.
- Boa noite. – Cumprimenta Carla.
Debaixo de um alpendre Tó olha para a Lua, e suspira.
- Ui! Temos amor na costa? – Indaga Quimbé, sorrindo.
- O quê? – Questiona Tó assustando-se – Não é nada disso.
- Então? És bicha – troça Quimbé.
Quimbé é um rapaz branco que trabalha para Alex, tem vinte e um anos, vive no bairro, já esteve preso por uma coisa estúpida, e faz de tudo para voltar para a prisão. Vive no bairro Cabeço da Fonte, é um subúrbio social construído após o 25 de Abril de 1974. Os retornados construíram aquele lugar para aí sobreviver mas, há três anos para cá, a câmara municipal de Lisboa tem feito muitas modificações não só a nível do saneamento básico mas também a nível de infra-estruturas como a construção de uma casa com as condições mínimas de habitabilidade que, pelo menos ofereça as condições necessárias para que possam trabalhar, para assim poderem pagar quarenta e oito euros por mês à câmara de renda. Ora uma parte vive em casas, mas a maioria, que não tem trabalho e agora com a crise ainda seria pior, vive em casas improvisadas sem saneamento básico.
*
Desta vez o padre Bernardo dá uma volta sozinho pela sua paróquia e passa por Quimbé, este esbarra-se nele.
- Desculpa – pede Quimbé
- Estás desculpado – responde o padre Bernardo – És de cá?
- Sim sou, mas porquê queres saber? Tu não és de cá.
- Como sabes?
- Porque nunca te vi em antes.
- Tens razão, não sou de cá, vim para aqui.
- Vieste? Da onde…
- De África, eu sou padre e estive em África missionário…
Quimbé estava abismado.
- Não acredito… – Vocifra Quimbé
- Não acreditas em quê?
Quimbé vai-se embora, e padre Bernardo regressa pensativo. A Lua no céu acompanhava os seus humildes passos enquanto sobe as escadas de pedra. Entra pela porta dentro e caminha dentro de casa, vai para o seu quarto e ajoelha-se diante de uma cruz pendurada na parede perto da janela e põe as mãos em oração.
- Senhor, tende piedade, peço-vos perdão por aquele vosso filho que hoje encontrei e parece que não sabe quem sois.
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* época Romana ocidental, a nossa, é até ao século V, 476.
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