A Força D'um Amor (+18)

6 "Capítulo V - A Outra Realidade"


Notas iniciais
Ora, Boa Tarde!
Hoje trago aqui mais um capitulo desta Crossover, como no mundo dos contos de fada, só existe algo muito cor-de-rosa apresento-vos a outra realidade. Por que, tenho uma mente estragada, e porque a vida não é sempre cor-de-rosa, tem momentos pretos bem pretos.

Beijinhos.
Anne & Walk

O dia amanhece, o Sol levanta-se cor de laranja, os pássaros voam nos Céus, em cima de uma árvore um deles abre as suas enormes asas e voa, deixa um ninho cheio de passarinhos novos a chilrearem, talvez estranhando um pouco a atitude do progenitor, que voa de repente. Pobres criaturas, deixam-nos sozinhos em tão tenra idade. Uma cadela vadia está grávida e há um rebentamento das águas, chegou a hora de ter as suas crias, pobre animal que uiva de dores.

Uma rua de terra batida vai levar a uma fileira de casas de ambos os lados, casas construídas com tijolos e uma chapa de zinco, da cor do alumínio, por cima, a servir de telhas. As habitações rudimentares não tinham condições no seu interior não existia uma casa de banho ou uma cozinha, por vezes era apenas uma divisão ampla, com tudo no seu interior, cama e um mísero fogão, sem uma tiragem. Não tinham sequer uma placa que separasse a terra do chão de casa e estas eram iguais umas às outras e, naquela localidade, a maioria não tinha porta. A pobreza era asfixiante, habitavam, na sua maioria, africanos e pescadores que viviam do mar, maioritariamente desempregados. No extremo oeste desta realidade começa a ver-se uma zona que aparenta ser mais rica, começam a visualizar prédios amontoados uns atrás dos outros, já com condições mínimas cada apartamento tinham três assoalhadas, uma casa de banho, electricidade e água canalizada.

Um grupo de africanos, lábios grossos e cabeças rapadas, trajava umas calças largas em que a cintura lhes chegava até aos joelhos, com umas t-shirts, e com bonés na cabeça postos com a pala para trás, reúne-se debaixo de um telhado de um prédio e prepara o próximo assalto. Conversam enquanto esperam pelo líder, limpando as suas armas, armas brancas e de fogo de calibres ilegais. O líder está atrasado e teima em não chegar.

– Brother, o Alex nunca mais chega, e se foi preso? – Pergunta um dos que espera, ansiosos pela chegada do chefe.

– Mano, não me parece, aliás ele é muito esperto. A bófia não o apanha. – Afirma outro. – Vais ver que está com uma dama. E atrasou-se. Daqui a nada ele aparece.

– Mas, mas, mas… não é dele. – Diz o primeiro.

– Sim mas há damas que são muito exigentes – justifica.


Um quarto de luxo, com cortinas brancas, a tábua e os pendentes amarelos com pequenos motivos, o chão alcatifado a rigor e uma cómoda encostada a uma parede, uma secretária com um aparelho musical uma cama ao meio um guarda-fatos as duas mesas-de-cabeceira uma a cada lado da cama.

Havia a roupa pelo chão espalhada e um barulho estranho, as molas de um colchão chiavam, numa cama, os lençóis cobriram dois corpos, já desnudados que se beijavam e se apertavam, um corpo de homem musculado, esmagava e apertava, com força o corpo de uma mulher, as respirações ofegantes, uma coisa dura incha e pesa nas coxas da mulher, esta abre as pernas e ele introduz-lhe o instrumento dentro da sua vagina, mais uma vez, em seguida um liquido espesso e gelado entra nela, e começa o movimento do “vai e vem”, os testículos batem á entrada da vagina e ouvem-se gritos de prazer. Trocam de posição, ela está por cima dele, e tenta fazer com que o seu cliente fique satisfeito. E ele retira o pénis dentro da sua vagina e põem-na na posição mais favorável para o sexo anal, onde ejacula, com um dedo introduzido na vagina, ao fim de ele atingir o auge da sua relação sexual retira o pénis e ela, com as suas mãos delicadas, massaja no meio dos peitos. A seguir mete-o na boca, chupando-o, onde ele ejacula e ela engole o líquido. A seguir ele introduz-lhe a língua na vagina e chupa.

Ele levanta-se, ela ainda deitada olha-o, tirando-lhe as medidas:

– Que foi, Rita? – Pergunta – Não gostaste?

– Não, eu não gostei, Alex. – Responde Rita. – Eu amei.

– Foda-se, já estou atrasado. – Constata Alex ao reparar no relógio.

Em seguida saiu deixando uma nota em cima da mesa ao lado da cama, fechou a porta atrás de si. E corre até à porta do prédio ainda pondo o boné na cabeça, como os seus amigos.

Alex era o único miúdo branco que tinha vinte anos e agilidade necessária para não se deixar apanhar. É ele o chefe de quadrilha. Fora do prédio começa a andar a um passo rápido. Atravessa a rua e entra naquela zona mais pobre do bairro, caminha por entre barracas degradas e chega ao local de encontro, um alpendre velho, resultante de um vão entre duas barracas cobertas pela mesma folha de zinco.

– Desculpem o atraso, pessoal. – Diz o branco, chegando perto do grupo. – Tenho o salto perfeito para esta noite… – declara o mesmo.

– E se a bófia aparecer entretanto, como é que é? – Responde o black, intimidado.

– Fónix, não vai aparecer… – diz o branco com toda a confiança. – Então é assim, se por acaso aparecer alguém, vós só lhes tendes que limpar o sebo.

– Mano, eu não vou matar ninguém. – Declara outro interlocutor

– Fosgasse pah, tu queres ficar rico, ou não? – Pergunta Alex, francamente irritado

O black engole em seco e começa a ficar tímido e muito nervoso. O black trajava umas calças pretas largas uma camisola branca com o cabelo apanhado dentro do boné escuro. Era conhecido por Tó.

Tó completou apenas o nono ano de escolaridade e saiu da escola, é de descendência africana. O pai desempregado e a mãe só trabalha em casa, vendo-se obrigada a procurar emprego. Tó é explorado por Alex. Tó quer emigrar para Angola sendo esse o seu principal objectivo, pois ainda não conhece África e acha que lá consegue emprego.

Quando deixa a escola, depara-se com a miséria do seu bairro, e vê que tem de ajudar os seus pais logo após o pai, que trabalhava num supermercado e foi despedido sem justa causa porque alguém roubou e depois atirou com as culpas para cima do Aníbal, vir para casa e não querer saber de mais nada a não ser passar os dias inteiros sentado em frente à televisão. E é Marta, a esposa, que tem de trabalhar. Ela que estava só habituada a cuidar da casa.

– Deixa-o, Alex desde que ele anda com a dama que vem todo estranho…

– Eu sei Caijô que desde que ele come a dama dele…

Caijô é da confiança de Alex, é um negro que não olha a limites para cumprir com os objectivos a que Alex lhe obriga, para assim provar a sua fidelidade, para com ele.

– Chega… Só não acho justo, que seja assim, porque é que temos de abater alguém? – Pergunta Tó. – Já pensaram que esse branco ou branca que vão matar pode ter filhos, filhas, alguém a cargo e vocês não matam só essa pessoa mas sim uma família inteira?

– Tu ainda não me obedeces, não sabes que sou quem mando, caralho? Ou queres que eu te foda os cornos… – Vocifera Caijô que se revolta, já com a faca encostada ao pescoço de Tó.

– Ei meu acalma-te, aqui ninguém mata ninguém – Declara Alex que vê a cena e não lhe agrada. – Parece que estamos entendidos! – Exclama ele.

Acabada a reunião Alex vai embora e Caijô vai atrás dele, chamando-o:

– Alex! – Ele espera por Caijô – Estás chateado?

– Como é que queres que eu esteja? – Olha para ele por baixo da testa – já viste os teus comportamentos, achas que agiste bem? Vê tu próprio e diz-me se o Tó tem culpa… De alguma coisa.

– Desculpa – pede o outro.

Ambos vagueiam pelo bairro, vêem as mulheres que passam para os seus empregos, mandam piropos. As mulheres olham para eles, e riem.

Tó, por sua vez dirige-se para a parte mais rica do bairro. Anda por entre casas, e jardins até à paragem, ele quer ir ao centro comercial ver as novidades e os preços, enfim mentir que é rico. Enganar assim a pobreza e a miséria em que vive.


Na zona mais rica do Bairro vive a Carla. A Carla é branca, frequenta o décimo ano da escola, sonha em ser médica e ir para Angola quem sabe um dia, talvez. É filha de uma florista e de um marchante desempregado. Custodia, a mãe, é branca e racista. Não quer que a sua filha se dê com negros, vê-os com fracos olhos, devido à onda de assaltos que se vive no bairro.

A melhor amiga de Carla, Ana Maria, vem chamá-la. Carla despede-se de sua mãe e desce:

– Logo quero-te lá na loja, ouviste? – Pergunta Custodia.

– Não te preocupes, a partir das três lá estarei. – Promete Carla pegando nas torradas e saindo de casa.

Ambas dirigem-se para a paragem do autocarro. Descendo a rua e sentando-se no banco de madeira debaixo do coberto, as duas amigas conversam.

– Temos que combinar para irmos ver as notas. – Afirma Ana Maria.

– Sim, senão tu vais e depois envias-me as minhas, pois a minha mãe quer que eu a vá ajudar lá na loja. – Declara Carla.

– O Verão inteiro? – Questiona Ana Maria.

– Não sei, mas penso que sim. – Afirma Carla – Porquê?

– Porque assim, não dá para sairmos. – Responde Ana Maria, tristemente.

– Penso que sim, que dá até porque o trabalho só deve ser umas horas.

Tó, que está encostado ao pilar da paragem, olha para as duas raparigas. Ana Maria repara que ele está a olhar para a Carla, e aproxima-se da amiga, as duas cochicham. Carla olha para Tó e volta a olhar para Ana Maria.

Pela cabeça de Tó só lhe passa uma coisa. “Que linda ela é. A amiga também mas ela é a mais linda.” O autocarro chega finalmente, Tó aproxima-se, mostra o passe e entra, assim como Carla e Ana Maria também entram as duas amigas conversam e riem muito, sob o olhar atento de Tó.



*

O sol sobe no horizonte, sendo cada vez mais tarde. Um amontoado de casas junto à Ribeirinha do Porto recebe uma faixa do astro Rei que aquece as paredes das casas e dá bom ambiente às ruas da cidade nortenha.

As faixas de Sol entram dentro das janelas dos prédios altos da faixa frontal perto da freguesia de São Nicolau, junto ao Rio Douro, recentemente faz parte do Centro Histórico do Porto, que recebeu destaque graças à nomeação de Património Mundial da UNESCO. O som de um rabelo que dava à costa é acompanhado por um bando de gaivotas que começa a voar.

Num quarto iluminado pela luz do sol existia roupa espalhada pelo chão, umas calças que se encontravam perto da janela e uma camisa preta que se localizava junto à cama e também havia um vestido que anunciava que a presença feminina em casa. Uma cama estava no meio com duas pessoas completamente nuas. Só o lençol as tapa. À cabeceira da cama de casal, encostada à parede, em cima do colchão, localiza-se um revólver preto de calibre 6.5. O estridente barulho do velho despertador dançava em cima da mesa-de-cabeceira, fazendo com que Tiago acorde.

– Ai, já? – Tiago dá um murro pouco amistoso ao relógio, fazendo com que este caia, com o barulho abre os olhos e vê a doce Raquel ao seu lado – Olá querida Raquel! – Beija-lhe os lábios fazendo com que esta acorde.

– Bom dia, Tiago. – Cumprimenta ela, com um sorriso de orelha a orelha.

– Dormiste bem? – Pergunta o judiciário.

– Contigo é impossível que dormisse mal, não achas, Silva Lobo. – Responde ela, fazendo com que ele fique logo bem-disposto pela manhã.

– Ok! Quero-te levantada dentro de cinco minutos, vestida e essas coisas – diz Tiago dando um pulo fora da cama pegando na sua arma que a põe em cima da mesa-de-cabeceira.

Em seguida, apanha o despertador e devolve-lhe o olhar de destaque em cima da mesa ao lado da cama. Circunda-a e Raquel, que ainda está deitada, olha para um corpo musculado e bem feito que tinha o Tiago. Este sorri.

– Que foi?

– Nada. A não ser que… – Raquel pensa melhor – não é nada – diz por último.

– Hum, hum. Vou tomar banho – informa-a Tiago. De seguida entra na espaçosa casa de banho do seu apartamento de luxo.

Posteriormente, entra na banheira de hidromassagens e sorri ao pensar que parte o coração a todas as mulheres há sua volta, mas no fundo é triste e sofre porque ainda não encontrou o seu amor.

Raquel, por fim levantasse e cheira uma camisa de Tiago, esfrega-a na cara é macia vestindo-a posteriormente


*

O Sol está elevado no horizonte, o dia começa a aquecer. São nove horas da manhã junto Praça Nova, que resulta do cruzamento com as Ruas da nova Alfândega, Ferreira Borges e Mouzinho da Silveira que leva a um novo eixo rectilíneo desde a rua do Infante D. Henrique ao Convento de São Bento de Ave – Maria. Subindo mais um pouco, localiza-se a Praça do Infante, onde se situam vários edifícios importantes do Porto como Tribunais e companhias de Seguro, e também o DEC (Esquadra da Policia Judiciaria). Em frente à esquadra situa-se uma rotunda que dá acesso a um pequeno jardim que separa a esquadra de uma igreja. Ao lado da polícia localiza-se um hospital.

Na esquadra da Policia Judiciaria todos os agentes e inspectores começavam a chegar e passam pela secretaria picando o ponto.

– A Raquel? – Pergunta um homem que vem do interior de um escritório.

– Ainda não chegou, Castro – responde a mulher que está sentada junto ao balcão abrindo o computador.

– E o Tiago Silva Lobo?

– Esse também não.

– Ok! Quando chegar diga-lhe, Anna, para vir ao meu Gabinete.

– Está bem meu comandante.


Tiago Silva Lobo tem vinte e cinco anos formou-se em Direito há um ano, não sabe o que é o amor ainda, ainda não encontrou a mulher da sua vida e dá-se ao luxo de ir experimentando varias mulheres até encontrar a tal. É inspector da Policia Judiciaria, sempre foi inteligente no seu curso e por isso foi destacado para o Porto sabe que não se quer casar, detesta o casamento e nem foi feito para tal, dando desgostos há mãe que nunca lhe apresentou as suas namoradas. É muito parecido com Pedro, é “um puto no corpo de um homem”. Vive num prédio de luxo. Tem tudo quanto quer, e consegue dar a volta à cabeça de qualquer mulher. É o único filho preferido de Sérgio, Tiago nunca lhe deu trabalhos, sempre frequentou o Prestigie e tirava notas altas, nunca Sérgio teve que ser chamado para repreender Tiago. Quando o pai queria falar com ele, ele lá aparecia. Sem nunca ser preciso pô-lo de castigo.

Raquel Santos trabalha na secretaria da Policia Judiciaria, pensa que é amada por Tiago, tem vinte e quatro anos. Gosta da companhia do Tiago e esta é a primeira noite que passa com ele. Ela sabe que é de ocasião, até pelo comportamento de Tiago, mas gostava que fosse para sempre. No entanto, e como não se pode ter tudo, contenta-se com o pouco que tem. Sabe que Tiago nunca iria desobedecer a Sérgio e ela não seria a indicada para sua nora.


Raquel é alta loira e magra, tem todas as qualidades que um homem pode crer, no entanto é apaixonada por Tiago. Desde que ele entrou para chefe do departamento que ela se tem disponibilizado muito para o ajudar em tudo que ele quisesse.

Anna Segurado é quem manda no terreno. Nas missões, quando alguém vai fazer uma ronda, a Anna é quem indica por onde há-de ir. Tem vinte e oito anos, mas é estudante, ainda. Tiago ainda não a conseguiu conquistar, é para ele como um troféu. E logo ele, que quer fazer uma colecção de namoradas.

António Castro é o chefe da esquadra e “manda no pessoal”. Tem cinquenta e sete primaveras já feitas, é robusto e abastado tem celulite na barriga.

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O Sol continua a subir no horizonte. Os galos cantam, os pássaros chilreiam, as casas de comércio abrem as suas portas e as grades de ferro sobem. As persianas das janelas começam a levantar-se e incomodam Pedro, que acaba por acordar perto das dez horas. Por fim, com uma bruta dor de cabeça, olhou à sua volta e viu que estava em casa. Reconheceu o seu quarto e a sua cama mas não se lembrava do que acontecera na noite anterior, só se lembrava de uma discussão que tinha tido com o seu pai e de o Tomás chegar. Nada mais, apenas aquela terrível e enfática dor de cabeça o denunciava. Pedro olha de repente para o chão e vê Tomás a dormir. Pega numa garrafa de água, que está em cima da mesinha de cabeceira, e deita a água por cima de Tomás com o intuito de o acordar, o que produz um grande susto no rapaz, que acorda logo.

– Então, meu, passaste-te? – Pergunta Tomás, todo encharcado.

– Chiu, dói-me a cabeça – diz Pedro. Estava bastante enjoado, tanto que parecia uma mulher grávida, levanta-se e vai a correr para a casa de banho. De seguida ajoelha-se no chão, perto da sanita, levanta o tampo e vomita. Tomás levanta-se muito calmamente e vai ter com Pedro à casa de banho. Encosta-se à ombreira da porta e assiste à queda do seu amigo. Por fim, resolve…

– Então, estás melhor? – Pergunta Tomás preocupado.

– Tomás, eu sou o grande Silva Lobo, nada me destrói… Isto não me vai destruir… – Tomás fica parvo com a arrogância de Pedro.

Começa a abrir os estores de uma varanda virada para a rua dos Amores, a rua principal do bairro de Portugal.

– Pipa, fecha isso, por favor – pede a Lisa.

– Vá são horas de te levantares. – Informa-a Pipa.

– Mas eu não tenho aulas – protesta Lisa.

– Eu sei. Mas não podes ficar na cama o dia todo. – Explica a assistente.


Pipa sai do quarto e, em seguida, desce as escadas passa pela sala e entra na cozinha.

– Bom dia, Sónia – cumprimenta-a dando-lhe um beijo na cara.

– Ai, oh Pipa, bom dia – responde Sónia ainda com sono e apoiando o cotovelo em cima da mesa. – A Lisa?

– Essa ainda está no quarto.

– Já a foste chamar?

– Sim – Pipa põe a mesa para o café da manhã. – Tira o braço, colabora lá.

Notas finais
Vejam se lêem e comentam.