Na cidade de Lisboa, a mais antiga de Portugal estão localizados os pontos históricos mais importantes, com principal destaque para a baixa lisboeta, o famoso Terreiro do Paço, construído por obra do Marques do Pombal, logo após o terramoto de 1755. Ergue-se aí a maior sala de visitas de Lisboa, voltada para o Rio Tejo, local que fica localizado a Praça do Comércio, na qual está levantada a estátua de D. José I, rei de Portugal, imponente em cima do seu cavalo. Aí foi o local em que, durante séculos, se localizavam os palácios de vários reis do nosso país. No Arco do Triunfo, situado na zona Norte, na Praça do Comercio sobre a Rua Augusta, podemos ver as esculturas de Calmels, na parte superior, e as de Vítor Bastos, na parte inferior. As de Calmels representam a Glória coroando o génio e o valor, ao passo que as obras de Vítor Bastos representam Nuno Alves Pereira, Viriato, Vasco da Gama e o Marques do Pombal.

O texto inscrito na parte superior do arco, VIRTVTIBVS MAIORVM VT SIT OMNIBVS DOCVMENTO. PPD, e que significa “Às Virtudes dos Maiores, para que sirva a todos de ensinamento. Dedicado a expensas públicas.”, é de facto a maior herança dos descobrimentos.

Passando o arco, entra-se numa rua calcetada, a Rua Augusta, na qual estão localizadas as maiores zonas de comércio de Lisboa. São restaurantes com esplanadas na rua, são lojas de pronto-a-vestir, são centro comerciais, são até elevadores como o da Santa Justa, e inúmeros artistas de rua, que mostram as suas habilidades, bem como o museu de Designer, agora com múltiplos postits com ideias para melhorar Lisboa.

No topo da rua Augusta está a monumental Praça de D. Pedro IV, com a sua estátua equestre. Em frente, existe uma fonte que jorra água e, depois, o Teatro D. Maria II.

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O Sol esconde-se no horizonte e a Lua aparece; os indicadores de que se aproxima o fim de mais um dia. Começa a habitual correria e ouve-se as persianas de ferro dos estabelecimentos comerciais a bater no chão, as luzes da cidade de Lisboa a acenderem, as pessoas que, atarefadamente, vão para os seus carros e se põem nas enormes filas de trânsito. Pelo ar ouvem-se as buzinas insistentes dos que se dirigem apressados, para o Teatro D. Maria II, para verem o espetáculo “Auto da Índia” de Gil Vicente.

Dentro da casa de espetáculos, ouviam-se aplausos e varias vozes a apoiar a atriz Sónia Valentino:

- Sónia! Sónia! – Gritavam os seus fãs entusiasmados por a verem representar tão bem.


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Lisa e John chegam a casa e encontram-na com as luzes apagadas. É uma casa fria, escura, onde não há o habitual calor humano.

- Cheguei! – Anuncia John há entrada. A sua voz volta para ele de ricochete. – Não está ninguém, – afirma tristemente – mais uma vez!

Lisa entristece e sobe as escadas de mochila às costas, acedendo ao segundo andar de uma moradia amarelada situada no luxuoso bairro de Portugal, em Lisboa. John clica no interruptor e ilumina quase todo o primeiro andar da casa, antes de se sentar à mesa da Sala de Jantar. Leva a mão ao bolso e retira um aparelho, marca uma sequência de nove dígitos e ouve pelo emissor da engenhoca. Ninguém atende e John começa a ficar preocupado. Prime a tecla vermelha e pousa o instrumento em cima da mesa. Em seguida, pega numa pasta que tinha poisado à entrada e corre o fecho, retirando de lá um mecanismo e poisando-o em cima da mesa junto ao aparelho. Levanta o tampo do computador preto e liga-o, introduz-lhe uma pen que dava acesso à Internet.

Lisa abre a porta do seu quarto e poisa a mala junto à escrivaninha de madeira, põe o seu CD predileto na aparelhagem e entra na casa de banho com a intenção de tomar banho. Descalça os ténis e desaperta as calças de ganga, regressa ao quarto e abre a porta.

- Pai! – Chama da varanda interna do piso de cima. John para de trabalhar, levanta-se e dirige-se à base da varanda – Pode ligar o esquentador, por favor? – Pede – lhe a filha.

- Posso. – E afasta-se, indo cumprir a tarefa pedida.

- A mãe ainda não chegou, pai? – Pergunta a Lisa, muito preocupada. Eram já quase dez horas da noite e, como parecia estar a tornar-se costume nos últimos tempos, eles continuavam sem saber de Sónia.

- Não, mas não tarda em chegar! – Responde John, convencido de que sua esposa deve estar já a caminho de casa, não atendendo o telemóvel por estar a conduzir. – Vai tomar banho, e depois anda jantar. – Ordena à filha.

— Ok – acede Lisa.

Ela regressa ao quarto e atravessa-o, alcança a porta que dá acesso à casa de banho, roda a maçaneta e entra na divisão, vedando a entrada atrás de si. Na casa de banho luxuosa, Lisa despe as calças e tira a blusa de alças preta, abre a água quente tapando o fundo da banheira, deixando-a encher. Ela acaba de se despir, retira as cuecas e o sutiã.

Lisa Maria Valentino Scott, filha de John Scott e Sónia Valentino, pesa cinquenta quilos e tem um metro e sessenta, o cabelo curto e escalado. Sendo uma rebelde na fase da adolescência, é a maior imagem de marca da mãe, que a procura levar consigo para todo o lado.

John Scott é natural de Los Angeles, no estado de Califórnia, nos Estados Unidos da América, onde ainda mantém domicílio, embora viva em Portugal há algum tempo. Com sessenta e alguns anos, trabalha como realizador, embora pareça que o seu emprego lhe ocupa mais tempo do que normalmente deveria… A sua família ainda parece não se ter adaptado aos hábitos estranhos de John, que ninguém parece compreender. No entanto, ele é-lhe extremamente dedicado, tal como o é ao seu emprego; é audaz e corajoso e, acima de tudo, um bom chefe de família. John está casado há três anos, depois ter vivido doze em união de facto. John tem muitos ciúmes da Sónia devido aos seus fãs e em especial de Afonso Rossi, embora ele tente controlar bastante a esposa.

Sónia Valentino é uma mulher muito conceituada em Lisboa, não só pela profissão que desempenha, mas também pelo marido que tem. Com quarenta e cinco anos, acha Scott um tolo: já não o ama, e está com o sujeito por obrigação, o que chega até ser patético. Sónia interpreta presentemente o papel D. Constança, na peça em cena Auto da Índia da autoria de Gil Vicente. É uma mulher adulta e madura, com o seu estilo diletante, mas no Mundo do Espetáculo não tem sucesso, assim como no casamento. Enfim, tudo uma consequência da crise económica e social que assombra Portugal!

Ultimamente Sónia arranja todos os pretextos para andar mais tempo na rua e eram cada vez mais frequentes as chegadas tardíssimas a casa Lisa tinha acabado de tomar banho, e já vestida com o pijama e o roupão, encontrava-se a jantar com o seu pai.

— Pai, onde está a mãe? — Pergunta a rapariga muito preocupada.

- Não sei. Mas deve de estar no teatro. — Responde Scott ainda mais preocupado. — Ou presa no trânsito – acrescenta, ainda acreditando mais nesta hipótese. — Vá, come.

- Se eu me despachar depois posso esperar pela mãe? — Pergunta Lisa