A Fonte

11 Capítulo 11-A despedida


Precisávamos nos despedir de Maggie, entramos na caminhonete e fomos para o velório. Nem eu e nem Carl dissemos qualquer coisa durante o trajeto.

Ao chegarmos, havia muita gente. Maggie era muito querida, vieram pessoas de outras cidades também.

Deixei as crianças no playground juntamente com outras crianças e fui procurar a Anne.

Eu a vi, estava caminhando em minha direção. Parecia diferente, mais elegante.

— Oi, Anne.

— Ju, que cara de enterro. Ops... desculpe.

— Anne.

— CARL! Nossa, como você está bonito! Quem diria!

De repente, um choro:

— Mãe, o Kon caiu!

Saí correndo e verifiquei que foi só um susto. Ele voltou correndo para continuar brincando com os outros.

Anne nem se mexera. Carl olhava para mim e depois para ela, para mim e para ela.

Pedi a uma das assistentes do clube para olhar as crianças um pouco pois eu voltaria logo.

— Ok, vamos resolver isso logo – eu disse.

Carl veio atrás de nós.

— Espera aí, ele vem também?

— Sim.

— Por que?

— Ele também estava lá e fez um pedido.

— É? Qual?

— Que nós duas trocássemos de lugar.

— Ah... eu já desconfiava. Por algumas vezes, ele dizia o seu nome quando fazíamos amor. Então neste tempo vocês aproveitaram bastante não é?

— Ele nunca me tocou.

— NUNCA? Mas é um frouxo mesmo...

— PÁRA COM ISSO! Preciso contar o que mudou, precisamos decidir se lembraremos ou não do que aconteceu durante este tempo.

— Ok, ok, July. Você é quem manda.

Carl não abrira a boca, apenas nos seguia.

— Primeiro, a Kim é uma menina, nada de vesti-la com roupas do irmão. O Ken é muito inteligente tem que estimulá-lo e tirá-lo da frente da televisão. O Kon não é mais um bebezinho, precisa aprender a ser mais independente.

— Ok, ok...

— Reformamos a casa, você tem geladeira nova e uma maquina de lavar.

— Oba, Oba e o que mais?

— Esvaziei a garagem.

— O QUE? As minhas coisas, o que você fez com as minhas coisas?

— Eu vendi, de onde você acha que veio o dinheiro para comprar a geladeira e a maquina de lavar?

Desta vez, Carl deu um sorriso.

— E o que mais você fez?

— Eu tinha falado com a Maggie e você deve arrumar um emprego de meio período e vai ser bom para você freqüentar a associação para fazer serviços voluntários.

— Nem morta!

— Você precisa até Carl conseguir a sua tutela definitiva. E você, o que fez com a minha vida?

— Ah, você sabe, eu e o Robert. Aliás, ele é um amante maravilhoso, você passava bem.

Olhei para o Carl e disse:

— Saí com ele duas vezes, mas nunca aconteceu nada.

— Céus – disse Anne. Vocês se apaixonaram!

— Chegamos – eu disse. Acho que a melhor solução é não nos lembrarmos de nada.

— Concordo – disse Anne.

— Sim, vai ser muito doloroso ter certas lembranças – disse Carl.

Carl entregou uma moeda para Anne e quando entregou a minha, ele me olhou intensamente no fundo dos meus olhos, eu queria tanto que ele me beijasse, afinal não iríamos lembrar de nada. Mas ele não fez, era decente demais para fazer isso na frente da esposa.

— Desejo que tudo volte ao que era antes da sexta feira dia XX

— Eu também.

— Eu também.

— PLOC

— PLOC

— PLOC

Carl disse que dormiria na casa de Tobias, ele não estava bem ainda. Eu voltaria para casa com as crianças e Anne iria para o hotel. Amanhã, seria um novo dia.