A Florzinha do Canteiro
4 A Florzinha do Canteiro (parte 4)
Era uma bela manhã de terça. Era outono, e as folhas douradas caíam das árvores, embaladas pela brisa fria do pólo. Jum estava no banheiro pegando o remédio de Ren, que estava morrendo no quarto.
- AAA... ATCHIM! Izo voi borque du dão be dezde garona do guarda-juva! — acusou Ren de sua cama.
- Não reclama! Trouxe xarope pra ti!
- DÃÃÃÃÃOOO! Izo dem gozto de berda! Eu dão vô tobá izo!
- Ah, vai sim! — e Jum entra no quarto de Ren com um vidro de xarope com gosto pior do que merda numa mão e uma colher na outra.
Ren, ao vê-la, se esconde debaixo das cobertas.
- Eu dô bem! — falou ele suplicante.
- Não está não! — e ela despejou um pouco de xarope ruim na colher. — Se não tomar, vai levar outra injeção.
Nesse momento Ren toma o vidro das mãos da irmã e bebe quase tudo.
- Aeeeeg, que ruim! — resmungou ele fazendo careta. — Acho gue vou vobidar! — e correu para o banheiro.
- Ai, que maricas! Vomitar por causa do xarope!
- Vaz idéia do guão ruim zer izo?
- Não, mas não deve ser tão ruim... — e Jum tomou uma gota. — Argh! — e foi para o banheiro vomitar com seu irmão.
Tocou o telefone.
- Vai atender, Ren! — pediu Jum.
- Hunf! — Adô?
- Ren?
- Zô eu!
- Tua voz tá estranha!
- Hao? O gue du gueres?
- Que tu venhas aqui abrir o meu armário!
- Dão vai dar... eu dô doende...
- Mas eu preciso! O Manta tá lá dentro...
- Gon lizenza, eu vou voldar bra caba! — e Ren desligou o telefone.
- Hunf, cara chato! Só se importa com ele...
No apartamento de Ioh e Hao.
- São nove horas... vou acordar o Ioh! — falou Hao com seus botões e foi para o seu quarto onde Ioh dormitava.
- Ioh? — disse Hao puxando Ioh pelos pés, derrubando o mesmo da cama. — Acorda!!
- Mas eu tô com sono... me deixa dormi... — e ele voltou para a cama de Hao.
- NÃO! — e Hao puxou os pés do seu amado e querido irmão com mais força.
- Ai, isso dói! — disse Ioh, que batera a cabeça no chão. — O que tu qué cum euzinho???
- O Ren está doente! Precisamos ir visitá-lo e, sem que a Jum perceba, trazê-lo para cá para libertar Manta! — revelou Hao.
- Não pode ser daqui a cinco minutinhos? — perguntou Ioh se encolhendo e dormindo no chão mesmo.
- NÃO! — e Hao jogou uma tigela de sucrilhos na cabeça do amado e querido irmão.
- Ui! Não podia ser o de chocolate?
- Terminou!
- O QUÊ? COMESTE TODO ELE??? — berrou Ioh pondo-se de pé.
- Sim! Comi! E daí?
- Quem vai comprar mais? O Manta está preso... — choramingou Ioh.
- Não te preocupes... a gente pega o que tiver lá no Ren. — e Hao voltou para o quarto de Ioh.
Os dois se arrumaram rapidamente e, duas horas depois, saíram em direção à casa de Ren e Jum.
Enquanto isso, na casa de Ren e Jum...
- Eu quero comidaaaaa... — falou Ren choroso. — Preciso comer pra me restabelecer... Quero sorvete!
- NÃO!!! — gritou Jum. — Vais comer esta sopinha instantânea. Como tô com preguiça de esquentar água, come o pozinho mesmo.
- NÃO!!! VÁ ESQUENTAR A MINHA SOPA, SUA VESGA E BANGUELA! — gritou Ren revoltadamente.
- Se tu não estivesses morrendo, eu não faria isso para ti! — e Jum foi em direção à cozinha com o pacotinho de sopa em suas mãos.
A guria pegou várias tigelas, abriu a geladeira e tirou alguns quitutes de lá, entre eles um potão de sorvete de chocolate, iogurte de morango e suflê de maracujá — as comidas preferidas do Ren. Em seguida, ela colocou uma xícara de água no microondas para esquentar. 15 segundos depois, a sopa de Ren estava pronta e já colocada numa canequinha dos Teletubbies. Ela pegou uma bandeja, colocou os potes cheios das iguarias em cima e a canequinha de sopa e voltou para o quarto de Ren.
- Toma a tua sopa! — e Jum alcança a caneca para Ren.
- E o resto?
- Isso aqui é tudo pra mim!
- Mas são minhas comidas preferidas! — choramingou Ren.
- Só que são geladas! E tu não podes tomar nada gelado! — explica Jum avançando-se no sorvete.
DINGUE DONGUE
- AAAAAAH! Vai atender a porta!!! — pediu Ren.
- Então tá! — falou Jum. — Mas isso vai comigo! — e ela leva a bandeja, deixando apenas a canequinha.
- Argh, não tinha caneca melhor?
- Tu gostavas dela quando a ganhou!
- Mas isso faz anos! — mas Jum tinha ido atender a porta.
- Siiiiim? — e ela escancarou a porta. — Ah, oi, o que vocês querer aqui?
- Sucri... — mas Ioh levou um peteleco. — Viemos visitar o enfermo!
- Ah, ele tá no quarto...
Quando eles chegaram, encontraram Ren no telefone.
- Então tá, tchau! — e ele desliga.
- Quem era? — perguntou Jum curiosamente.
- Segredo! — e Ren olhou feio para a irmã.
- Ah, é? — e ela começou a comer iogurte de morango na frente dele.
- Blé! O que vocês vieram fazer aqui? Não estão vendo que estou doente?
- É, ele tá morrendo! — completa Jum com a boca cheia.
- Nós viemos te visitar, querido amigo! — e cada um senta de um lado de Ren na cama, com um enorme sorriso, enquanto Ren pegava sua caneca de sopa.
- Vocês estão me assustando! — falou Ren arregalando os olhos.
- Estamos te vendo tomar sopa! — disse Ioh.
- Toma tudinho! — completou Hao, empinando a caneca de Ren.
- Gaf, quase morro afogado! — reclama Ren.
DINGUE DONGUE
- Vá atender, Jum! Gasp, gasp! — pediu Ren.
Depois de alguns segundos, Jum, Tamao e Anna entram no quarto.
- O que vocês estão fazendo aqui? — pergunta Ioh.
- O Ren nos ligou e disse que o último desejo dele antes de morrer era nos ver! — falou Tamao.
- Ele fez isso mesmo? — perguntou Jum.
- Ahan! — afirmou Tamao; Ren encolheu-se em sua cama, levemente enrubescido.
- Estou com fome! — falou Anna.
- Tem sucrilho de chocolate na mesa da cozinha. — falou Jum.
- Ei, são meus! — falou Ren, mas Anna já tinha ido pegar.
Ioh e Hao se entreolharam.
- No três! — falou Hao baixinho. Ioh consentiu. — Um... dois... três!!!
Nesse momento, Hao pegou Ren, Ioh o sucrilhos que Anna trazia e saíram correndo em direção a seu prédio.
- Ei, volta aqui com o meu sucrilhos de chocolate!! — berrou Jum e foi atrás dos meninos.
- Me larguem!! A Jum não vai gostar disso, ela vai bater em vocês! — falou Ren.
- Isso se ela nos alcançar! — falou Hao.
- Ela vem de bicicleta... — revela Ren.
Os dois apressaram o passo. Chegaram no prédio, subiram correndo as escadas, entraram no apartamento e bateram a porta com força. Dois segundos depois, Jum começou a esmurrar a porta.
- Devolvam meu sucrilhos, é a última caixa que eu tenho! E devolvam meu irmão, também!!!
- Espere só um pouquinho! — falou Ioh.
- Vo... vocês me... seqüestraram! — indigna-se Ren ao ser posto no chão.
- Não! Tu tens que abrir o armário, nós perdemos a chave... — pede Hao.
- Nhéf! — e Ren abriu a porta do armário; Manta caiu lá de dentro. — Quero voltar agora! E devolvam meu sucrilhos! — e Ren saiu. — Mana, recuperei o sucrilhos!
Jum e Ren subiram na bicicleta e voltaram para casa.
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