A Florzinha do Canteiro
2 A Florzinha do Canteiro (parte 2)
A chaleira começou a assoviar. Isso significava que a água do chá estava quente. Hao pegou-a, colocou um pouco em duas xícaras e deu uma para Manta.
- Que chá tu queres?
- Não quero chá! Quero comida! Tô há uma semana sem comer. Não tinha comida no armário!
- Então toma! — e Hao deu um pacote de salsinha para Manta.
- Oh, chá de salsinha... — e Manta colocou a salsinha em sua xícara e bebeu o líquido com gosto. — Cadê o Ioh?
- Caiu da janela!
- E tu não cataste ele?
- Não... ele não morreu e pôde se catar sozinho!
- Não era isso o que eu quis dizer! E agora chove... como estará o coitadinho?
- Não sei... tá chovendo e ele finalmente deve estar tomando um banho, já que a água é de grátis e está molhada hoje. Estou com sono. Tem salada de beterraba com catchup queimando no microondas caso tu estiveres com fome. Estou com sono e vou dormir no quarto do Ioh! — e Hao foi para seu quarto pegar as cobertas floridas de Ioh e voltou para o quarto de seu irmão, deitou-se na cama e adormeceu quase que instantaneamente.
Ioh, Ren, Horo Horo, Pirika, Fausto, Elisa, Jum, Tamao e Anna (que se juntara ao grupo) entraram no prédio. Fecharam os guarda-chuvas e rumaram para o elevador onde estava escrito “no máximo quatro”. Entrou Pirika, depois Horo Horo, depois Jum, depois Anna, depois Ioh.
- Primeiro as damas! — falou Fausto e Elisa entrou.
Depois entrou Fausto, depois Tamao e...
- Acho que passou de quatro! — revela Ren.
- Não dá nada não, o elevador é resistente! — explica Ioh que conhecia o elevador de seu prédio.
- Não vai quebrar? — perguntou Ren.
- Nãão! É forte! Agüenta uns cinqüenta! — falou Ioh.
- Tá bom... — e Ren entrou. O elevador fez “BRUM” e caiu no subsolo.
- Argh, foi por causa do Ren, que é pesado! — falou Fausto.
- Agora vamos de escada! Aproveita pra emagrecer, Ren! — sugeriu Horo Horo.
- EU NÃO SOU GORDO, SOU MAGRO! MAGROOO! — e Ren saltou em cima de Horo Horo e começou a bater nele.
- SOCORROOO!!!
Mas nisso o elevador balançou mais um pouco e caiu na garagem.
- Deixa que eu abro... — falou Fausto. — ELISAAA! EM GRANDE ESPÍRITO! — e Elisa arrombou a porta.
Os nove foram pela escada de incêndio.
- AAA... ATCHIM!! — espirrou Ren.
- Probrezinho... ele tá doente... — falou Jum. — Fausto! Dá uma injeção bem doída nele!
- INJEÇÃO!? — gelou Ren escondendo-se atrás de Tamao.
- É!
- NÃÃÃÃÃÃOOO ! — e Ren subiu 23 andares em 8,37872954 segundos.
- É o recorde! — falou um vizinho.
Os oito seguiram a marcha e chegaram na frente do apartamento de Ioh, onde Ren esperava na porta, arfando.
- Vamos entrar! — falou Pirika.
- Mas eu não tenho a chave! — revelou Ioh.
- A gente arromba! — e Ren abriu a porta, que estava trancada por dentro com cinco cadeados, sete fechaduras e três correntes.
- Nossa... — exclamou Tamao.
- Ninguém se mete com o gostosão aqui! — falou Ren se achando a bolachinha mais recheada do pacote.
Ioh, seguido de Ren, Horo Horo, Pirika, Jum, Fausto, Elisa, Tamao e Anna entrou e rumou em direção ao seu quarto.
- Sinto o cheiro dele... — falou Ioh, parando no corredor. — Faz dois dias que ele não toma banho.
- Também sinto o cheiro dele... sempre sinto cheiro dos shamões! — falou Anna. — Eles sempre usam o mesmo perfume característico.
Os nove seguiram em fila indiana para o quarto de Ioh.
- Nós temos que pegar uma arma antes! — falou Pirika indo para a cozinha pegar uma faca, sendo seguida pelos outros oito.
Eles passasaram pela sala onde Manta assistia à TV, mas este não os viu, pois estava olhando Cavaleiros do Zodíaco.
- Agora você vai morrer, Cisne! — falou Ren junto com o personagem.
- É fácil morrer, mas não vou me render! — falou Horo Horo junto com Hyoga. — Ele é o meu personagem preferido!
- Que tal esta? — e Pirika mostra um facão estilo cimitarra que encontrara na gaveta.
- É boa! — revelou Ioh.
- Então, vamos! — e Pirika, com o facão em punho, foi para o quarto de Ioh, sendo seguida pelos outros nove (porque Manta notara o movimento discreto que toda aquela gente fazia no apartamentico de Ioh e Hao e os seguiu).
Fazia-se silêncio, exceto por um grito de “Cólera do Dragão” que vinha da tevê. O barulho da chuva enchia o ambiente e, varagosamente, Pirika, Ioh, Jum, Ren, Horo Horo, Tamao, Anna, Fausto, Elisa e Manta entraram no pequeno quarto de Hao (de Ioh). Via-se claramente que ele ressonava em sua cama (do Ioh), pois havia um volume debaixo das cobertas floridas. Pirika fez um sinal de silêncio com o indicador e segurou o facão com mais força. Todos prenderam a respiração, tensos. Pirika pegou a ponta da coberta e puxou-a suavemente, revelando o rosto de Hao, suavizado pela expressão sonolenta de seu dormitar. A guria, sensibilizada com a visão, deixou cair o facão no chão, fazendo um sonoro PÉIM.
- Oh! — acordou Hao. — Gente! Todos aqui... não estou doente, só dormindo! O que tu inventaste pra eles, Manta?
- NÃO! — gritou Pirika. — Não posso matá-lo. Privá-lo da vida seria privar o mundo da mais rara beleza existente, da mais bela visão, do mais bonito rosto que passou por este planeta. Seria tirar o Sol do céu, tirar a luz da lua, silenciar os pássaros na manhã, retirar da rosa seu perfume, seria tirar o sal da batatinha frita e o refrigerante da pipoca... olhem pra ele, como é lindo seu semblante, brilhantes seus olhos, sedosos seus cabelos e macia sua pele... não, ele é simplesmente perfeito demais para ser brutalmente perfurado por esse facão!
- Terminou? — perguntou Ioh impaciente.
- Sim... — suspirou Pirika.
- Pois eu concordo com ela! — falou Tamao.
- Eu também! — disse Anna.
- Eu também! – disse Jum.
- Eu também! — disse Elisa, sendo fuzilada pelo olhar de Fausto.
- Eu também! — disse Manta.
- Eu também! — disse Ioh que era idêntico ao seu irmão gêmeo (a não ser pelos cabelos, que de Hao eram bem mais compridos).
- Do que vocês estão falando? — perguntou Hao.
- É óbvio que é de ti, seu patetão! — explicou Ioh.
- Eu não sou patetão! — revelou Hao sentando-se rapidamente na cama. — O que vocês fazem aqui?
- Esse é o MEU quarto e eu convido quem EU quiser! — explica Ioh.
- Mas eu tô ocupando ele e não quero esse monte de gente aqui! Vão pra sala, deve estar passando Cavaleiros do Zodíaco! — falou Hao.
- Legal! — e Ioh, Pirika, Horo Horo, Ren, Jum, Tamao, Anna, Fausto, Elisa e Manta foram para a sala.
- Bem a tempo da luta do Seiya! — falou Fausto.
Hao voltou a dormir na plena paz.
- Ei, fomos enganados por aquele tratante! — falou Horo Horo.
- É! Ele se safou dessa! Temos que matá-lo! — falou Ioh, e junto com Horo Horo foi para seu quarto, onde Hao repousava.
- NÃO! — berrou Pirika e Tamao juntas indo para frente da porta do quarto. — Não passarás por essa porta! Defenderei meu amado até a morte! — Falou Pirika.
- Seu amado? Tu tinhas que gostar só de mim, teu irmãozinho amado e querido! — falou Horo Horo.
- Ué, cadê ele? — perguntou Tamao olhando para dentro do quarto, agora vazio.
- Ele está no meu quarto, suas bestas! — falou Ioh e entrou em seu quarto, armado de um facão, seguido de um Horo Horo.
- Por que tu vais matá-lo, Ioh? — perguntou Pirika.
- Porque... ele... é... porque... ele é meu irmão. — revelou Ioh.
- Boa resposta, Ioh! — falou Ren que chegara ali.
- É que a minha história com Hao é trágica... hoje de manhã ele me jogou da janela! E vocês querem que um crápula desses continue vivo???
- Mas isso acontece com as melhores famílias, Ioh! A Pirika também já me jogou da janela uma vez... — lembra-se Horo Horo.
- E a Jum me derrubou do berço quando eu era pequeno, me empurrou da escada, me derrubou do muro, furou o pneu da minha bicicleta — relembra Ren — colocou veneno na minha mamadeira, desparafusou a rodinha do meu patinete, colocou uma aranha na minha cama, serrou a perna da cadeira que eu ia sentar, fechou a porta no meu nariz quebrando o mesmo, colocou caquinhos de vidro no meu sapato, me levou para o telhado e me jogou de lá, me prendeu de cabeça para baixo em uma árvore por três dias...
- Passei com a bicicleta em cima do teu pé, te amarrei nos trilhos do trem, te deixei trancado em um canil cheio de rotweillers furiosos, derrubei café quente em ti, tentei te trancar no microondas... — continua Jum que chegara ali. — Eu amo meu maninho!!! — e ela aperta Ren em seus braços com todas as forças que tinha, quase fazendo os olhos do guri saltarem das órbitas.
- Anhé? Não conhecia essas gentilezas entre irmãos! — falou Ioh.
- É que eu sou carinhosa! — falou Jum agora largando Ren.
- Esqueci do QUASE QUEBROU MINHA COLUNA!!!
- Por que não fazes as pazes com teu irmão? — pergunta Jum.
- Boa idéia... mas isso é um assunto de Asakura para Asakura... — e Ioh entra no quarto e fecha a porta. — Maninhooo...
- Quem ousa estragar o meu sono de beleza?? — falou Hao abrindo o olho esquerdo.
- Abre os dois olhos, seu fedorento! Olha aqui, tá todo mundo achando que eu quero te matar!
- E não é verdade? — e Hao fecha o olho esquerdo.
- Posso pensar um pouco?
- Pode! Mas larga o facão antes! — PÉIM.
- Hum... — dez minutos depois. — Era verdade, mas a Jum e o Ren me ensinaram o verdadeiro amor fraterno! Eu te amo, Hao!
- Sai pra lá, energúmeno! — e Hao fez cruzinha com os dedos indicadores.
- Eu te amo!
- Eu também te amo, irmão! — e os dois se abraçaram calorosamente. — Teus olhos, Ioh... são tão belos... até parecem os meus!
- Sai pra lá! Vamos, o Manta mandou todo mundo assistir à televisão, vamos dar uma lição nele, ele tá muito abusado! — disse Ioh.
- É mesmo! Vamos trancá-lo no armário por mais uma semana...
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