A Floresta de Areia
22 Uma vida
Notas iniciais
Dois dias depois.
Os dois dias de efeito do comprimido passaram mais rápidos do que Sting gostaria, mas ele não pretendia piorar ainda mais a situação. Por isso apenas agiu normalmente, como se nada tivesse acontecido, felizmente Lector não percebeu nada de diferente o que facilitou um pouco.
Lucy acordou normalmente, o comprimido não causou nenhum efeito colateral. Tomou seu café da manhã e continuou treinando sua magia, criou uma mini chave para cada espírito que ela tinha contrato e aprendeu a usar a magia “Estrela Cadente”. Diferente do que ela imaginava, a magia não requeria nenhuma palavra para ser feita, apenas precisava que a pessoa se concentrasse em criar uma esfera de magia. Essa esfera deveria ser do tamanho de uma cabeça.
A loira criou a esfera com muita dificuldade e vários erros, o jeito de usar era a parte mais simples, tudo o que ela precisava fazer era jogar a esfera para cima e esperar ela cair, igual uma estrela cadente.
Sua primeira tentativa foi na cidade, nada mudou. A segunda foi além, Lucy aproximou-se de onde tinham visto um portal e jogou a esfera para cima, o efeito foi instantâneo e toda a magia negra dos arredores sumiu.
Quando Lucy afastou-se alegre minutos depois, o portal ativou-se sem motivo aparente, puxando tudo o que tinha à sua volta, inclusive Lucy. Logo em seguida a casa onde estavam morando também foi sugada, levando Sting e Lector que estavam dormindo.
O outro lado do portal parecia uma extensão da floresta, com duas diferenças: tudo era feito de areia tinha algumas ruínas no meio de um deserto mais à frente. Sting levantou-se e tirou a areia das roupas com algumas batidinhas, ao olhar para frente ele reconheceu as ruínas, eram as mesmas do templo que ele tinha destruído anos atrás. Curioso, pegou Lector no colo e se aproximou.
As ruínas não passavam de paredes quebradas, não tinha nem o que explorar já que tudo encontrava-se exposto, pelo menos era o que achavam. Um pouco mais para o lado, uma portinha de alçapão chamou a atenção de Lucy, nela quatro símbolos brilhavam em cores diferentes: floco de neve branco, sol laranja, folha marrom e uma flor rosa.
— Sting, olha. São as estações do ano, assim como fala a profecia — Lucy pulou no lugar, sorrindo abertamente.
— Agora aquela profecia faz sentido... Como abrimos isso aqui?
— Não sei — respondeu envergonhada.
— Fada-san, olha. Tem um monte de buraquinhos naquela parede, parecem aquelas mini chavinhas que você estava criando — Lector apontou para o local.
— Lector, é isso. Eu preciso colocar os doze pingentes ali, talvez a porta abra!
— Qual a lógica disso? — perguntou Sting estranhando.
— Não faço ideia, mas se isso funcionar e o alçapão abrir eu acho bem válido.
— Onde arrumou as doze chaves?
— Yukino, ela insistiu tanto que não consegui mais reusar.
— Entendi.
Lucy pegou os doze pingentes e colocou parede, a mesma brilhou levemente e derrubou tudo no chão. No mesmo instante o alçapão abriu.
O trio desceu a pequena escada de cordas e deram de cara com um corredor imenso. As paredes beges, um tapete vermelho em toda a extensão e quatro quadros da mesma árvore, só que em estações diferentes.
— Não tem nada aqui no fundo do corredor — Lector tocou a parede com as patas em busca de algo.
— Hum, acho que cada quadro é uma passagem para algum lugar diferente — Lucy observava cada uma com atenção.
— Tipo portais? — perguntou Sting tocando em um dos quadros.
— Sim, só não sei como ativá-los...
— E nem vai descobrir — Kaile sorriu, enquanto o cenário mudava.
Os quadros sumiram e um novo corredor surgiu, o trio olhou ao redor. As paredes agora tinham a aparência envelhecida, algumas caídas, além de ter areia para todos os lados.
— Uma ilusão — Lector voou até Lucy.
— Na verdade, não. Aquela sala é real, ela estava escondida e vocês deveriam achá-la, porém eu achei que seria uma boa armadilha para depois teletransportar vocês para cá. Aliás, obrigada por destravarem a entrada com aquelas mini chaves.
— Então você está mesmo ao lado dele — Sting apontou para John no topo de uma escada.
— Fico feliz que tenha me visto. Como se sente estando novamente dentro do lugar o qual você mesmo destruiu? — John o olhava sem expressão.
— O que vocês realmente querem? — rebateu a pergunta
— Você já sabe o que quero, agora sobre o que Kaile quer não é do meu interesse — deu de ombros.
— Maldito!
— Eu não esperava uma reunião assim tão cedo — sorriu Kaile, subindo a escada, tomando cuidado com a fita que ele mesmo colocou. — Por que demoraram tanto?
— Não devemos explicações à vocês. Como chegaram aqui?
— Hum... Não sei se respondo, o que você acha, July?
— Acho que estamos enrolando demais...
Sting perdeu a paciência com aquela conversa, passou na frente e tentou subir, mas começou a afundar e só então descobriu que pisou em algo efeito de areia movediça. Lector tentou tirá-lo de lá, mas suas asas sumiram antes que ele alcançasse o loiro, por isso Lucy pegou seu chicote puxar os dois.
Lector foi salvo com sucesso, mas Sting ficou cada vez mais enterrado, não importava o quanto a loira puxasse.
— Foi mais fácil do que eu imaginava — o mesmo cara da capa apareceu na ponta da escada.
— Você... Quem é você? — perguntou Lector.
— Eu me chamo John, sou aquele que vai destruir um de vocês e bem, eu já consegui.
— Você não cai encostar um dedo nele, não deixarei — Lucy aproximou-se o máximo da escada.
— Não preciso da sua permissão e ele já está preso. Sabe, ele mesmo fez a escolha quando ignorou meu aviso e destruiu esse lugar. Vou levá-lo comigo.
— O quê? Sting, o que você fez? — perguntou perdida, afinal não se lembrava da conversa que tiveram.
— Eu não podia deixar que vocês se machucassem, fui eu quem destruí aquele templo então vou me sacrificar por ele.
— Não...
— Sting-kun... Fada-san, o que está acontecendo?
— Hum, então gatinho não sabe... Tarde de mais — John sorriu macabro, esticando suas mãos para frente e falando frases em outra língua.
— Lucy, cuida do Lector — pediu Sting sumindo aos poucos e se tornando areia.
— Sting, você não pode...
— Lector, seja um bom garoto e não deixe essa loira maluca se meter em problemas — sorriu melancólico. — Eu amo vocês — falou enquanto desaparecia.
— STING! — Lucy correu com lágrimas nos olhos, mas a escada tinha se tornado sólida.
— Cada escolha tem sua consequência, não há nada que possam fazer para reverter — John olhava com frieza para os dois. — Apenas aceitem que não o verão novamente, isso se vocês não quiserem me desafiar, claro — sorriu debochado e desapareceu.
— Fada-san, o Sting-kun...? — perguntou Lector choroso.
— Não, Lector. Não vou permitir que algo assim aconteça, vamos encontrá-los e depois sairemos daqui com o Sting junto — sorriu determinada em meio as lágrimas.
— Sim...
— Não se preocupe, o Sting não se rende facilmente. Nós vamos dar um jeito, por ele!
— Certo, pelo Sting-kun!
Os dois não sabiam o que os esperava pela frente, mas alguém sabia e os observava do escuro, esperando o momento certo de aparecer.
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