A Floresta Negra
17 Capítulo 16 -Ao som das trombetas
Notas iniciais
Selen caminhava pela Floresta Negra, mas havia algo diferente nele:
–Senhor Selen, farejamos algo mais a frente e desconfiamos que seja um humano. –um soldado lobo fala –o que devemos fazer?
–Terminem de patrulhar e depois retornem ao castelo, eu cuido desse humano –ele cospe a palavra. O soldado se vira e assume a forma lupina –espero que os preparativos estejam prontos amanhã para a guerra.
Selen assume sua forma lupina e fareja o humano que o soldado comentou. Ele segue o rastro até uma estranha casa de madeira.
Uma casa no meio da floresta? Que estranho... E ao mesmo tempo sinto que já estive aqui... Ele balança o focinho com tal pensamento e vai até a varanda da casa. Definitivamente o humano estava dentro da casa. Ele assume a forma humana e abre a porta, adentrando o local que parecia abandonado há muitos anos:
–Mas que cheiro... –ele cobre o nariz com a manga pelo cheiro de sangue que estava impregnado nas madeiras. Um barulho chama a sua atenção:
–VOCÊ! –um homem musculoso aparece, segurando um machado –SEU LOBO IMUNDO!
–Já nos conhecemos? –Selen debocha:
–VOCÊ VAI ME PAGAR PELO QUE FEZ EM MIM!! –e o homem ataca violentamente com o machado, porém Selen se desvia facilmente dos golpes:
–O que um humano sujo como você tem a ver comigo? –ele olha bem para o homem –sujo é eufemismo para se usar no seu caso.
–Você arruinou tudo! Por causa de você e daquela garota idiota eu estou falido! –ele grita:
–Certo, você deve estar louco. Por acaso uma árvore bateu na sua cabeça quando a cortava? –Selen se divertia ao provocar o Lenhador:
–Você vai morrer!
Selen se desvia de outro golpe e agarra o machado, e com movimentos rápidos gira o pulso do homem e o faz cravar o machado no próprio peito, fazendo-o cair ao chão:
–Como os humanos morrem tão rápido... –Selen ri, mas a mão do Lenhador agarra o pé dele:
–O que... Aconteceu com você...? –ele sussurra:
–Como?
–Você... Não era... Tão frio... –ele tosse sangue –o que aconteceu... com Kurayami...? –e seus olhos perdem o brilho.
Selen fica parado olhando o cadáver. O que ele queria dizer com aquilo? Eles já haviam se visto antes? E porque aquele nome soa tão familiar para ele? Tantas perguntas, nenhuma resposta.
Ele finalmente se mexe e vira, se deparando com uma parede cheia de sangue, por algum motivo um sentimento surgiu em seu peito: tristeza, raiva e de que algo estava tremendamente errado:
–Sentimentos tolos que não me servem para nada! –ele trinca os dentes e sai da casa.
–---
Aos poucos, Kurayami acordava. Uma dor começa a surgir em seus braços e peito:
–Parece que ela está acordando. –a voz de Darten soa:
–O que foi que eu perdi? –ela murmura, abrindo devagar os olhos, se deparando com o teto de uma caverna:
–Você dormiu por dois dias e cuidamos de seus ferimentos –Darten fala:
–Me diga, você é estúpida ou apenas suicida? –Rendel aparece na sua frente:
–Hein?
–Você simplesmente resolveu pegar o colar com um feitiço de proteção. O que queria provar fazendo isso? –ele explode:
–Vocês estavam em perigo! Não tinha tempo de procurar um jeito de desativar o feitiço! –ela se senta:
–Nos não estávamos em perigo! Não precisamos de alguém com síndrome de herói!
–Não estou querendo ser uma heroína! –ela grita:
–Mas é o que parece! –ele grita de volta:
–Ele tem razão em se preocupar Kurayami. –alguém fala. Kurayami se vira na direção da voz e arregala os olhos:
–Que cara de idiota é essa agora?!
–T-tem um cara ali... –ela aponta para trás de Rendel, que olha:
–Não tem nada ali sua idiota suicida! –ele bufa –chega, preciso caminhar antes que faça uma besteira! –e se levanta, saindo da caverna:
–Não me reconhece? –a estranha presença pergunta:
–Darten... –ela olha o ex-prisioneiro, que comia um pedaço de carne:
–Não estou vendo nada. –ele fala:
–Você não tem jeito mesmo... –ele suspira e levanta, ficando cara a cara com ela –sou eu, Althair.
–C-como?!
–Agora que o colar esta com você, é capaz de ver minha forma espiritual.
–Mas porque antes eu não o via?
–Porque nunca foi preciso que eu despertasse, mas como a guerra que os anciões previram finalmente está perto de acontecer, é necessário que eu esteja do lado de meu escolhido. –ele explica:
–Caramba... –ela fica boquiaberta:
–Não sei se notou, mas eu ainda estou aqui e acho que você bateu forte demais com a cabeça... –Darten se pronuncia:
–É-é que o Althair estava falando comigo, o homem que ninguém mais vê é ele. –ela explica.
Um som estranho surge, fazendo os dois se entreolharem:
–Kurayami! Darten! –Rendel entra correndo na caverna –temos que sair daqui, rápido!
–O-o que houve? E que som é esse? –ela pergunta, mas Darten já a estava pegando no colo e saindo daquele local:
–Droga, eles estão perto... Para aquelas moitas! –os três se jogam atrás de algumas moitas no momento em que surge ao longe uma fileira de soldados e som ficava cada vez mais alto:
–Aquilo é o que eu estou pensando? –Darten pergunta:
–Sim.
–O que? O que está havendo afinal? –Kurayami olhava para os dois:
–O som que eles estão fazendo... São as trombetas de guerra. –Rendel explica, olhando-a –ou seja, o Rei acabou de fazer seu movimento. A guerra começou...
–---
–Quantas vezes eu tenho que repetir? –o cara que havia salvado Kurayami na floresta quando Rendel a cortou estava na frente da mãe da mesma e de Den –eu não fiz nada!
–Você é um assassino! Pode muito bem ter pego minha filha! –a mãe o acusa:
–E porque eu faria isso? Você nem tem dinheiro para me oferecer em troca! –o assassino rebate e recebe um tapa:
–Calma ai senhora Lins! –Den segura a mão dela –ele está falando a verdade, não tem porque terem raptado a Kurayami!
–Então o que? Ela simplesmente se levantou e fugiu?! –ela grita. E por mais irônico que seja, foi isso mesmo que aconteceu:
–Devemos nos preocupar mesmo em acha-la. –Den tenta achar uma solução:
–E eu posso ajudar. –o assassino fala –é mais rápido se for três pessoas.
–Concordo com ele...
–Certo! –ela trinca os dentes e suspira –vamos achar minha filha primeiro, depois eu vejo o que faço com você... –ela fita o assassino:
–Como queira. –ele dá de ombros. Os três começam a ouvir gritos fora da casa e saem:
–Os lobos estão vindo! Os lobos se transformam em gente! O apocalipse chegou!!!! –um dos vigias corria pelas ruas gritando:
–Mas que mer-... –o som de trombetas começa a ser ouvido:
–Isso são... –Den olha na direção que o som vinha:
–Trombetas de guerra. –o assassino conclui –quem diria que eles tinham uma carta na manga... –ele sorri:
–Garoto, qual é o seu nome? –Den se vira para o assassino:
–Pode me chamar de Zendal –ele sorri:
–Tenho a impressão que você ira entrar nessa guerra Zendal. –Den estende a mão para ele:
–Já que não tenho escolha. –ele aceita a mão –já que o próprio general esta me convocando.
Fale com o autor