A Flor de Cerejeira do Mar

5 Capítulo 5 – Uma História de Amor


Notas iniciais
Hello hello pessoas! Como estão? Peço desculpas pelo sumiço na semana passada, mas acabei viajando por causa do feriado, então minha rotina de escrita bagunçou completamente. But, estou de volta com mais um capitulo! E não, ainda não é o último! Escrevi muito desde que cheguei de viagem, e percebi que o negocio estava ficando mais longo do que eu esperava, então decidi reparti-lo em dois! Em resumo teremos ainda mais um capítulo, sem contar o epilogo! Enfim, não vou ficar atrasando ainda mais a leitura de vocês! Nos vemos nas notas finais ♥ ~Bellatrix ♥ P.s E na musica introdutório tudo o que estiver em NEGRITO são as partes do Sasuke, as outras são as da Sakura.

Capítulo 5 – Uma História de Amor

Conto de Hans Christian Andersen, Den lille havfrue, 1837

“Toda vez no mesmo sonho

Com um rosto estranho

Em um momento congelado

Nossos olhos se encontram

~*~

Estou um pouco assustada

Será que é um sonho eterno?

Agora, até quando eu abro os olhos, é sempre você

~*~

Esta é uma história de amor

Que não consigo ocultar

Não consigo fechar meus olhos

Que só veem você

~*~

É algo maravilhoso

Podem me dar o mundo inteiro

Mas eu jamais

Trocaria ele por você, meu amor

~*~

Que algum dia você venha para mim

Pelo menos uma vez

Que este amor que eu acabei de encontrar

Seja você está pessoa

~*~

Será muito doloroso

Mas mesmo que me pergunte de novo

É realmente amor

~*~

Isso é amor

Isso é felicidade

Tenho medo deste sonho ser um engano

Não posso abrir meus olhos

~*~

Esta é a minha história de amor

[Lyn — Love Story — The Legend of The Blue Sea]

Todos os sinos dos templos tilintavam enquanto os arautos percorriam as ruas para proclamar o noivado. Óleo perfumado queimava em preciosas lâmpadas de prata em cada altar. A pequena cidade portuária continuava com as festividades, mesmo já sendo tão tarde da noite. Muitas servas se prontificavam em não deixar que os copos de Sakes dos convidados esvaziassem. A música tocava alto, e os noivos assistiam tudo com sorrisos alegres estampados em suas faces.

Nunca antes viram o jovem príncipe sorrir tanto em público, o próprio Naruto o estranhava. Ele estava presente em cada fuga que seu amigo orquestrou para mostrar o mundo a garota de cabelos rosas, ele estava lá quando o viu sorrir para Sakura, muito mais docemente do que o já viu fazer em toda a vida. Mas, agora, depois que essa estranha mulher surgiu, parece que toda a história que construíram juntos no último ano havia sido completamente apagada da memória do Uchiha e isso estava angustiando Naruto.

Suspirando, afastou-se sorrateiramente a fim de fugir de toda aquela festa, negava-se a beber uma gota se quer do álcool que estavam servindo, bastava os questionamentos que sua própria cabeça o atormentando, ainda mais toda aquela alegria que lhe parecia tão igualmente desconfortável e errada.

Seus pés o levaram na direção do cais, mais precisamente, para o porão do navio.

Oh, como lhe doía vê-la daquela forma.

A pobre menina tinha suas delicadas e brancas mãos presas a algemas que a sustentavam de pé mesmo que seu corpo não tivesse mais forças para tal. Os pulsos já estavam arroxeados, pequenos filetes de sangue escorriam pelas pontas dos seus dedos e seus cabelos, ah seus cabelos, estavam presos em um gancho, logo acima de sua cabeça, enrolados no objeto de ferro. Seus sempre tão brilhantes olhos estavam opacos e sem vida, não fazia mais que três horas que ela estava confinada ali dentro, mas já parecia que a aprisionaram por anos.

Sakura sentia os próprios olhos secos, uma estranha sensação de coceira a incomodava. Nunca havia chorado, achou que era impossível chegar o dia que derramaria sua primeira lágrima, mas chegou, e nunca pensou também que seriam tantas lágrimas de uma vez e que aquilo lhe causaria tanta dor. Os rastros do caminho que elas percorreram ainda estavam marcados pela sua face pálida, e aos pés da menina, encontrava-se aquilo que deixou seus belos e, outrora, brilhantes olhos esverdeados.

Pérolas.

Belas e polidas.

Estava rodeada por elas.

Naruto também havia as notado, mas tinha prioridades naquele momento. Tirando um cantil do próprio cinto, levou até próximo dos lábios rachados da menina, afim de mantê-la ao menos desperta e minimamente hidratada. Ali embaixo era apertado, sufocante e claustrofóbico, a umidade inebriava a madeira, tornando o cheiro forte e insuportável para qualquer um ficar ali pelo mínimo de tempo necessário.

Ela bebeu o liquido cristalino de bom grado, não se importando com todas as normas de etiqueta que fora obrigada a aprender nesse um ano que esteve no castelo. Quando a última gota desceu por sua garganta, o desejo de mais a abateve, seu corpo pareceu ficar ainda mais pesado e cansado, suas pálpebras lutavam para permanecer abertas.

— Eu gostaria que fosse diferente, Sakura — ele se pronunciou, não conseguindo encara-la diretamente.

A menina balançou a cabeça em afirmação, sabia que a culpa não era do garoto. A culpa era dela, inteiramente dela, por ter acreditado que uma feiticeira lhe traria a alegria que ela sempre almejou encontrar.

— Sei... Que há algo errado — Ele voltou a dizer, encarando as pérolas manchadas pelo sangue que gotejava dos machucados em seus tornozelos — Mas, não tenho como provar. Sei que parece impossível, mas não há nenhuma forma de você me dizer o que está acontecendo?

Sentiu mais uma vez a ânsia do desespero se revelar em suas tão recente adquiridas lágrimas, rolando pelo seu rosto abatido, solidificando no instante que deixavam a última linha do seu maxilar e então, despencando, fazendo um som oco ao encontrar o assoalho de madeira perante os seus pés.

Não havia nada que pudesse ser feito.

Com tristeza, acenou negativamente com a cabeça.

O outro suspirou. Seus olhos azuis adquiriram um brilho diferente na percepção de Sakura, mas se ela pudesse olhar-se no espelho veria que era muito semelhante ao seu próprio. O loiro virou o rosto apressadamente e se dirigiu até as escadas que o levariam para fora do porão. Pelo caminho permitiu que uma lágrima de raiva, mesclada com tristeza, saísse dos seus olhos.

A dor de se sentir incapaz diante de uma situação era corrosiva.

Enquanto isso, a menina aceitou que aquela seria a última coisa que ela veria antes de desmaiar.

Mais uma vez.

~*~

Seus olhos cor esmeralda abriram-se lentamente. As pálpebras recuando enquanto piscava atônita, ajustando suas írises à falta de iluminação. Manchas escuras recaíram sobre elas, bloqueando sua visão e desencadeando uma forte vertigem que se alastrou por todo seu corpo.

A obscuridade ao derredor era capaz de tornar o presente cenário ainda mais desconhecido e nebuloso. Não importava para qual direção, de norte a sul ou de leste a oeste, ela não era capaz de enxergar nem ao menos um palmo diante dos seus olhos.

Não existia nada.

Simplesmente nada.

Sakura pôs-se de pé com dificuldade, sua cabeça latejava de modo colossal enquanto que o peito, por outro lado, parecia estar estranhamente vazio. Ela movia seus pés em um ritmo lento enquanto seu cérebro os obrigava a se arrastarem para mais e mais dentro das trevas, nunca a permitindo continuar no mesmo lugar por mais de alguns segundos. Ela caminhava sempre seguindo em frente, olhos estreitos, respiração acelerada e batimentos alterados. Suas mãos estavam estendidas a fim de evitar que se colidisse com qualquer coisa que existisse no meio de todo aquele breu.

Mas, então, ela parou.

Uma melodiosa voz começou a preencher aquele estranho lugar.

Mas não estamos falando de qualquer voz, e sim uma muito conhecida e familiar a si mesma.

Era sua própria voz.

— Tolinha — uma risada estridente ecoou pelo negro vazio, interrompendo a doce canção — O quão ingênua pode ser, querida?

Do meio das sombras a figura de Karui surgiu, ela estava exatamente como Sakura a havia visto horas atrás, durante a festa. Porém, no lugar do sorriso doce e olhos meigos, encontrou a verdadeira face da feiticeira. Seus dentes pontudos estavam a mostra, enfeitando o sorriso diabólico que esbanjava pelos lábios cor de carmesim, seus olhos amarelos cintilavam e seus cabelos vermelhos parecia grandes labaredas de fogo, que aumentavam a cada passo que a mulher dava em direção a menina.

— Não esperava que você fosse agir assim, admito. Não sabes o quanto pensei comigo mesma que havia ganhado uma sorte gigantesca! Afinal, quem poderia imaginar que a filha de Kisashi, viria até mim em busca do mesmo que seu pai um dia já veio me pedir.

Aquela informação era nova para ela, seus grandes olhos encaravam a figura diante de si com medo e confusão mesclando-se e embaralhando-se dentro de seu interior.

A cada passo que a feiticeira dava, a menina recuava outros dois.

— Eu e seu pai somos conhecidos de anos. Muito antes de você nascer. Éramos bons amigos. Eu não possuía meus tão belos tentáculos, nem mesmo está aparência que você vê em mim agora. Minha linda cauda era dourada, tão dourada como o sol dos humanos, minha voz era a mais bela de todo o reino e meus talentos para a magia estavam acima da média — Sakura havia parado de se distanciar, enquanto que Karui aproximou-se ainda mais — Tsunade ensinou-me bem. Realmente bem... Então certo dia, seu pai veio até mim em desespero, ele carregava em seus braços uma jovem e bela mulher, completamente desfalecida, prestes a ser tragada pela morte. Uma humana — era notório o nojo em sua voz — Mas, eu, tolamente, lhe prometi que salvaria a vida da terrestre. Há! Achei que isso o faria me ver com outros olhos... Mas, veja o que aconteceu. Eu a transformei em uma sereia, pois era a única maneira de traze-la de volta, mas a magia foi cara demais... Tive que dar a minha própria cauda... minha preciosa e bela cauda... A TROCO DE QUE? Ingratidão. Ser isolada naquele fim de mundo infernal!

— Agora, veja como a justiça sorriu para mim! Não bastou a morte da sua mãe! Mas, é claro, não posso dizer que não foi satisfatório vê-la morrer por arpões dos humanos que um dia foram seu povo. — A pequena sereia podia sentir o hálito flamejante da mulher contra as suas pestanas — E justamente você veio a mim! A tão preciosa sereiazinha de Kisashi me buscou para me pedir por um amor impossível. Que coincidência não?

Agarrando firmemente o rosto da menina, a feiticeira fez com que suas unhas fincassem a carne das suas bochechas, encarando-a num lupim infinito de loucura e ódio — Você me verá casar com o homem que ama, e seu pai a verá morrer, a sua filinha mais preciosa e amada! Só vejo a vitória a minha frente!

“E quanto a Sasuke?!”

— Oh! Seu precioso principezinho? Não acho que será de toda mal me aproveitar, mesmo que seja por pouco tempo, das regalias da vida de princesa. Minhas servas estão se prontificando de entreter meus convidados. Os dias passaram e eles não faram ideia de quem são, onde estão e para que estão. Depois? Bem... Minha magia precisa de alimento, de qualquer forma — Sakura perguntava-se como era possível ela parecer ainda mais medonha do que antes — Será que Sasuke-san é apetitoso?

E mais uma vez sua risada preencheu o vazio.

— Tente me impedir, se for capaz, humaninha!

E a escuridão a engoliu, mais uma vez.

~*~

Toc.

Toc.

Aos poucos as pálpebras da menina começaram a piscar, insinuando o seu enfim despertar daquele infame pesadelo. O som oco das pérolas se encontrado com o assoalho de madeira lhe trouxeram a realidade, mas constatar isso não tornou sua dor menor. Todos dizem que as sereias sofrem muito mais que os humanos, por não poderem externar seus sentimentos através das lágrimas como nós, mas Sakura não concordava com isso, na verdade, ela fielmente acreditava que nunca antes sentira-se tão mal quanto estava agora. A dor tórrida que alastrava-se por seu peito parecia querer despedaçar lhe, e talvez não estivesse muito longe de o conseguir a aquela altura das circunstâncias.

Não havia mais nada a fazer.

As palavras de Karui continuavam zanzando pela sua mente, atormentando-a e enchendo-a de ainda mais dolo.

Foi por sua causa que aquela infame mulher alcançaria a vingança que sempre procurou, por sua causa traria ainda mais dor ao pobre coração de seu pai e aos corações de suas irmãs, por sua causa o homem que amava serviria de brinquedo nas mãos da feiticeira até que ela enfim se cansasse e depois...

Oh céus, ela não queria si quer pensar no depois.

“Não há mais nenhuma esperança... “

Entretanto, subitamente, foi surpreendida ao ver o assoalho de madeira do navio rachar. Pensou por um momento que poderia estar delirando, mas logo que as perolas que encontravam-se ao redor de seus pés puseram-se a se mover, ela compreendeu que não se tratava de mais uma peça cruel plantada por sua mente desesperançosa.

Novamente, outra fissura rasgou o chão.

Enfim o estrondo da superfície sendo quebrada arrebatou seus ouvidos.

Do buraco recém feito, pode ver suas queridas irmãs surgirem.

Queria sorrir, mas logo o sentimento foi substituído pelo espanto, estavam tão pálidas como ela própria, mas seus longos e belos cabelos não mais ondulavam ao vento – haviam sido cortados, severamente cortados.

— Foi necessário — Karin foi a primeira a se pronunciar — Os demos para que vovó Tsunade pudesse de alguma forma lhe salvar.

—Ela pressentiu que algo estava errado — Ino continuou — Mesmo logo quando você nos deixou, ela podia sentir a magia negra quase palpável no fundo do mar.

— Mas seu sacrifício para lhe dar alguma esperança... Nos custou de mais.

Foi então que sua amada avó surgiu do buraco, seus longos cabelos loiros estavam tão curtos quanto os de suas irmãs, os olhos mostravam o quanto lhe parecia que seus trezentos anos enfim haviam chegado, seu sorriso sempre tão acolhedor e gentil, se fora junto com toda a sua jovialidade... E assim, diante dessa visão, Sakura não foi capaz de controlar –se.

As lágrimas voltaram a inundar os olhos esmeraldinos da ex-sereia.

Não deixou de notar o espanto desenhado nas feições de suas irmãs ao verem-na chorar, mas não era o momento propicio para questionamentos.

— Querida, não temos muito tempo — Enfim Tsunade se pronunciou — Precisamos salvá-la da morte que a espera no raiar do dia de hoje — erguendo da espuma do mar mostrou-lhe um longo e brilhante punhal, afiado como nenhum outro, e o estendeu em sua direção — Antes do nascer do sol você tem de cravá-lo no coração da feiticeira. Somente magia de luz pode contra magia das trevas. Então, quando o sangue morno dela tocar seus pés, eles se unirão e se transformarão numa cauda de peixe, e você será sereia de novo. Sua voz será sua mais uma vez, e não terá de encarar a morte antes do seu tempo determinado. Poderá voltar conosco para a água e viver seus trezentos anos ao lado daqueles que a amam de verdade.

Encarava todas com um olhar triste, e ao mesmo tempo, pensativo. Não haveria alegria para ela se assim não pudesse envelhecer ao lado do homem que detinha o seu coração... Mas jamais permitiria que aquela mulher passasse impune pelo que estava prestes a fazer.

Mesmo que não pudesse tê-lo, o salvaria.

Custe o que custar.

Com um único aceno de cabeça, a mensagem foi passada.

Num pulo, Tsunade entregou o punhal na delicada mão da menina, esta o agarrou com firmeza, posicionando certeiramente próximo de sua nuca. Com um único movimento libertou seus longos cabelos do gancho que os aprisionava. Porém, eles não pertenciam mais a ela, e sim as profundezas do mar. Viu mexa por mexa despencar, mas não permitiu que mais nenhuma lágrima fosse derramada pela sua profunda tristeza, estava na hora de ser forte.

Mais uma vez, usou o punhal magico para libertar-se dos aguilhões, a sensação de liberdade inebriava seus sentidos, trazendo-lhe de volta toda força que tinha se esvaído até então.

— Pegue, ela continua sendo sua — Foi a vez de Hinata se pronunciar, estendendo-lhe a mão aberta, e para a surpresa da rosada, viu ali algo que não esperava que veria novamente algum dia.

A ostra de sua falecida mãe lhe estava sendo oferecida mais uma vez.

E aquilo a enchia de determinação.

Encarando as irmãs, e avó, confiante, agarrou firme a ostra por entre os seus dedos.

Mesmo que nada um dia pudesse ser o suficiente para o seu próprio coração, está era sua história de amor, e cabia ela decidir como termina-la.

~*~

Notas finais
Bem, nos veremos em breve com a conclusão da história! Então, por favor, aguardem tão ansiosos quanto eu mesma estou! Até loguinho! ~Bellatrix ♥