A Flor de Cerejeira do Mar

3 Capítulo 3 – Nunca Será o Suficiente


Notas iniciais
Olá pessoas! Como estão? Segue o novo capítulo! Agradeço a aquelas que me alertaram pelo grupo no face sobre as diretrizes do Spirit sobre coletâneas, portanto, já fiz as devidas alterações e vou postá-las separadamente para seguir com o projeto tanto lá quanto aqui no Nyah!. A partir daqui, a história que conhecemos vai tomar um rumo bem diferente. Espero que gostem e não deixem de dizer o que estão achando! ~Bellatrix ♥

Capítulo 3 – Nunca Será o Suficiente

Conto de Hans Christian Andersen, Den lille havfrue, 1837
A Pequena Sereia

Seu pequeno e delicado corpo cortava as águas impetuosamente.

Um doloroso aperto sufocava seu coração.

E mesmo estando no seu habitat natural, ela sentia-se afogar.

O peso de uma decisão como aquela era de mais para uma sereia tão jovem e inexperiente como Sakura. Largar toda a sua vida, sua família, seu lar... Por um homem que poderia não a amar de volta... Aterrorizava o seu coração.

Ela queria respirar. Era a única coisa que ansiava naquele momento.

Respirar.

Depois de um longo tempo nadando sem realmente ter algum destino, enfim tomou coragem e quebrou as barreiras das águas, irrompendo-as e alcançando a superfície. Sakura puxou profundamente o ar para dentro de seus pulmões, inchando sua caixa torácica até sentir o alivio prazeroso dentro do peito a regozijar. Repetiu o mesmo processo mais algumas vezes até sentir que toda a ansiedade que a inundava diluir-se em seu ser.

A primeira vez que pode inspirar profundamente o ar da terra, sentiu estranheza e uma sensação levemente desconfortável, afinal, por toda a sua vida, ela apenas conhecera a água. Porém, depois de mais algumas visitas a superfície, a garota se viu deleitar-se cada vez mais com a sensação de se encher com o ar que era tão importante para os seres da superfície.

Agora com o seu coração mais calmo, permitiu-se analisar onde estava, e mesmo que não quisesse admitir, não estava surpresa por se encontrar de frente com o castelo de seu amado príncipe. Encarando as escadarias de mármore, desejou sentar-se sobre elas para esperar que, por sorte, talvez tivesse alguma chance de se encontrar com o jovem homem de seus pensamentos.

Mas, era arriscado. Ela o sabia.

Balançando levemente a cabeça, retornando aos seus sentidos, olhou ao redor até enfim pousar seus olhos em uma deslumbrante árvore de flores que pareciam-se com suas longas madeixas rosas, a brisa balançava seus galhos, a lua transpassava seus reflexos de luz por cada fresta que encontrava, criando um lindo desenho sobre as calmas ondas, a cerejeira estava enraizada nas rochas que sustentavam os arredores do castelo e sua beleza enchia os olhos esmeraldinos da garota.

Sentindo-se profundamente ligada a aquela árvore, talvez por lembra-la de seu amado jardim nas profundezas do mar, nadou até ela, sem em nenhum momento deixar de contempla-la. Algumas de suas raízes rebelavam-se ao sair das frestas das rochas, descendo até quase alcançar as águas, mas não as tocando. O motivo de uma árvore como aquela crescer justamente ali, quase que banhada pelas águas salgadas do oceano, era um mistério.

Ainda encantada pela beleza que aquela árvore esbanjava, Sakura permitiu-se esticar o corpo até tocar a ponta daquela raiz rebelde que tanto parecia desejar o mar, talvez o mesmo tanto que Sakura ansiava pela terra.

Ali, banhada pela luz do luar e pelas pétalas que despencavam suavemente sobre sua cabeça, Sakura desejou cantar.

E assim o fez.

“Não quero perder minha fé

Quero seguir de pé

Não há tempo a perder

Despertaste um sonho em mim

Que se fez em realidade

Posso ouvi-lo ecoar”

Num salto, ela sentou-se sobre as pedras, estendendo sua mão, esperou pacientemente até que uma das pétalas cor-de-rosa pousasse sobre sua palma.

“Me dê sua mão, e me ajude a sair dessa escuridão.”

Carinhosamente ela acariciou aquela pétala tão efêmera e frágil. Como eram semelhantes.

Ou melhor, como poderiam ser.

“Nem o brilho de mil estrelas

Ou as luzes que iluminam o cosmos

Nunca será o bastante

Nunca será o bastante

Nem diamantes ou riquezas

Nada se compara ao que és para mim!

Nunca será o bastante

Nunca será o bastante

Pra mim!”

Trouxe a pétala para junto do peito desnudo, encarando profundamente a imensidão do céu acima de sua cabeça. As estrelas eram sua plateia, seus focos de luz, sua companhia.

Suas cordas vocais tilintavam, era tão prazeroso cantar fora da água, onde o som se propagava e onde podia ouvir a si mesma.

Onde podia lembrar-se da voz da sua querida mãe.

“Nunca Nunca

Nunca será

Nunca Nunca

Nunca será

Pra mim!”

Findou, elevando ao máximo o tom no último verso, externando todos os sentimentos conflituosos que habitavam dentro de si. Buscando um pouco de alivio do pesar.... Em abandonar a única coisa que lhe restava de Mebuki ... por aquele príncipe sem nome.

Queria chorar, mas não pôde.

— Quem está ai? — Sobressaltou-se a garota com o repentino intrometimento, lançando-se para a água imediatamente — Responda! Quem está ai?

Sakura encostou-se nas rochas buscando se esconder, apenas uma parte de sua cabeça estava para fora da água, os grandes olhos verdes curiosos atentavam fixamente para o lugar onde outrora estava em busca do dono daquela voz.

Uma sombra aproximou-se da borda, e curiosa como era, a pequena sereia esticou-se um pouco mais para longe do paredão de pedra a fim de descobrir quem a havia interrompido.

Mas tamanha foi a sua surpresa ao perceber que seu desejo havia sido atendido.

Ali, de pé, ao lado da grande árvore, seu amado príncipe a procurava.

— Eu... Eu podia jurar que... — Falava para si mesmo.

Desde aquela vez, em que havia sido salvo do naufrágio no dia de seu aniversário, o garoto sonhava com uma voz. E com uma sombra de uma garota, que docemente o beijava enquanto eram conduzidos pelo balanço do mar. Os sonhos não eram tão precisos, em algumas vezes pôde ver alguns detalhes da sua face, em outras, a sombra do que deveriam ser os fios dos seus cabelos. Mas, os olhos, estes eram impossíveis de esquecer.

Verdes como a mais vivida grama do campo. E mais brilhantes que a mais bela esmeralda.

“Viva” ela lhe dizia.

“Viva”.

— Jovem príncipe! — Uma outra voz se manifestou, sendo seguida por sons de passos apressados. Quem quer que o estivesse procurando tinha uma respiração pesada, como se estivesse correndo já a algum tempo — Sabes — tentava falar ao mesmo tempo que buscava recuperar o folego perdido — que não pode sair do palácio a essa hora! Vosso pai me punirá caso descubra!

Ainda escondida, Sakura observou o novo visitante. Este parecia alto, sua estrutura física era muito semelhante a do príncipe, mas os cabelos eram loiros e bagunçados, e suas roupas também pareciam mais simples. Sakura também notou que a sua forma de se expressar e usar o seu corpo humano era muito menos contida daquele que estava ao seu lado. Exagerada e energética, ela escolheu adjetivar.

— Quantas vezes terei de dizer que não precisa usar títulos comigo? — o moreno revirou os olhos irritadiço — Sasuke, Naruto. Apenas Sasuke.

— Sasuke! — Sakura exclamou para si mesma, porém rapidamente cobriu a boca, mergulhando a cabeça por completo nas águas afim de conter sua emoção.

Finalmente ela tinha um nome! Oh! A Alegria inundava seu coração. Repetiu-o mais algumas vezes, sussurrando para si mesma, apenas para apreciar o quão melodioso o som lhe parecia. Sasuke ... O sorriso que se pintou em sua face de porcelana não abandonaria seus lábios tão cedo. Sua recém descoberta garantiria isso.

— Sasuke, príncipe, que seja! — exaltou-se o outro — Você vai voltar para dentro agora! Eu não vou arcar com suas atitudes rebeldes. Sabes o quanto seu pai sofreu com o acidente do ano passado e o porquê ele se tornou tão protetor.

— Mas, isso não irá me impedir, e você bem sabe — retrucou o outro serenamente.

Suspirou pesaroso o garoto loiro — “Um príncipe tão jovem e tão sábio” — Fez uma imitação zombeteira dos comentários dos cidadãos — Deveria lhes mostrar também o quanto é irresponsável.

Sasuke permitiu-se sorrir de canto, enquanto encarava Naruto irritadiço a sua frente. Porém, não queria perder o foco, hoje ele havia chegado mais próximo do que jamais havia conseguido e ele ansiava encontrar uma pista. Qualquer que fosse.

— Eu acho que a ouvi, Naruto.

— Espere — O loiro imediatamente suavizou sua expressão — A voz? Aquela voz?

— Sim, tenho certeza que sim.

— Jovem... Quero dizer, Sasuke — Corrigiu-se — Já faz muito tempo. Entendo você ainda sonhar com ela, mas como poderia ter certeza que foi real e não uma invenção da sua mente num momento de quase morte? Não faz sentido uma garota tê-lo salvado em alto mar.

— Sei que não. Mas, seu eu ouvi-la... Não, apenas vê-la seria o suficiente! Eu saberei que é ela se a olhar diretamente nos olhos. Tenho certeza que sim.

— Sasuke ... — Não conseguia evitar sentir pena do amigo, muitos o julgavam louco depois de ter retornado do acidente, nunca lhe davam crédito quando contava o que aconteceu, os conselheiros de seu pai temiam que a “insanidade do jovem príncipe” arruinasse sua boa reputação, e claro, o Imperador não sabia o que fazer.

Apenas lhe restava Naruto, e até mesmo este não sabia mais o que fazer para desiludi-lo desta ideia.

— Eu a quero, Naruto. Quero conhece-la... Quero agradece-la.

Ainda escondida em seu esconderijo, Sakura sentia seu coração palpitar-lhe no peito.

Ele também deseja a encontrar.

E aquilo foi o suficiente para faze-la tomar sua decisão.

~*~

— Eu aceito.

— Voltou antes do esperado, querida. — O sorriso diabólico de Karui pintou-se agradavelmente em seu rosto por ter sido surpreendida por aquela pequena coisinha cor-de-rosa invadindo seus domínios antes do esperado — Admito que achei que tinha se acovardado...

— Eu tenho uma esperança – disse Sakura.

— Ora ora... poderia saber qual é? — a garota se manteve em silencio, encarando corajosamente os afiados olhos amarelos da mulher polvo. Ao ver que não teria uma resposta a feiticeira assentiu desgostosa — Muito bem, que assim seja! — A mulher pôs seu caldeirão no fogo para destilar a poção mágica.

Em seguida, deu um talho no próprio seio e deixou gotejar o negro sangue no caldeirão. O vapor que subiu criava formas estranhas, assustadoras de se ver. Magia negra, certamente. A feiticeira continuava a juntar coisas novas dentro do caldeirão e quando o elixir começou a ferver, parecia uma mistura de todos os tipos de choros de animais aquáticos.

Finalmente, a poção mágica ficou pronta e era exatamente cristalina como água.

— Aí está! — disse a feiticeira — Agora, é a sua vez.

Fechando fortemente os olhos, Sakura abriu sua delicada boca e esperou o próximo movimento da bruxa. Karui, entoando uma canção antiga, começou a arrancar a voz de Sakura, puxando-a de sua garganta, o processo era doloroso e sufocante, mas quando acabou o silencio perturbador atormentou a alma da garota.

— Está feito. — Findou a mulher — Agora vá.

Mas, não foi necessário que a bruxa abrisse o caminho como da outra vez. Os pólipos se encolheram aterrorizados quando avistaram a luzente poção na mão delicada da sereia de cabelos rosas.

Estava enfim feito.

~*~

Os olhos esmeraldinos contemplavam o grande palácio de seu pai. As luzes do salão de baile estavam apagadas. Certamente, todos estavam dormindo a essa altura. Mas não se atreveu ir vê-los, não suportaria o olhar de suas irmãs, de Tsunade ou de Kisashi... O desapontamento estaria ali. Ela sabia que sim.

Ela havia vendido sua própria voz, a voz de sua mãe...

Era como se seu coração fosse partir de tanta dor.

Queria gritar, mas não podia mais gritar.

Não havia mais tempo para arrependimentos.

O sol ainda não despontara no horizonte quando ela submergiu das águas escuras, mas fez questão de o fazer diante do palácio do príncipe. Pensou em tomar a poção sentada nas escadarias de mármore, mas refletindo uma segunda vez, teve outra ideia. A sereia nadou até a encosta de pedras que sustentava a bela árvore de flores rosas e ergueu-se até estar sentada exatamente de baixo dela, como havia feito algumas horas atrás. A lua ainda esplendia límpida e vívida no céu, mas não faltava muito para o dia começar a amanhecer.

Então, ali, debaixo daquela esplendorosa árvore, com suas pétalas caindo sobre si, Sakura bebeu a acre poção. Parecia-lhe que uma faca de dois gumes trespassava seu corpo delicado. A dor foi tão excruciante que ela acabou desmaiando, encostada no grosso tronco da cerejeira.

O sol se levantou e, radiante através do mar, acordou-a. Ela sentia seu corpo inteiro doer, como se tivesse sido atropelada por uma baleia.

Aos poucos suas pálpebras começaram a se abrir e a luz do dia a cegou momentaneamente levando-a a colocar suas delicadas mãos sobre os olhos, porém, assim que suas íris se abriram, assustou-se, pois ali, bem diante de si, olhos negros a observavam.

Olhos negros como carvão.

Era tão intensa a maneira como o jovem dirigia-lhe o olhar que Sakura sentiu as bochechas corarem. Ali estava Sasuke, tão próximo, ela podia sentir a respiração quente dele soprar sobre o seu rosto, envergonhada, ela baixou os seus olhos, e percebeu que sua cauda de peixe desaparecera e que tinha um bonito par de pernas brancas como as que qualquer jovem poderia desejar. A poção havia funcionado.

Entretanto, apenas depois de mais alguns segundo percebeu que estava completamente nua, olhou surpresa para o príncipe e num movimento impensado, colocou as mãos sobre os olhos dele, para que não a visse daquela forma. Seu inconsciente lhe dizia que era errado, mesmo que sempre tenha se sentido a vontade no mar.

— Acalme-se, está tudo bem — o garoto retrucou, colocando gentilmente a sua própria mão sobre a dela — Não estava a observando a muito tempo, na verdade acabei de chegar. Deixe-me lhe dar minha Yukata.

Com cuidado, afastou as mãos de Sakura de seu rosto, porém manteve seus olhos fechados. Agilmente tirou a parte de cima de sua roupa e estendeu para a garota, esta a vestiu como o tinha visto acabar de fazer, sentindo-se muito mais confortável.

— Pronto?

Como não podia falar, com suas próprias mãos tocou sobre as pálpebras de Sasuke e assim ele os abriu, proporcionando a bela visão do céu sem estrelas que eram os olhos do rapaz.

— Quem... É você? — questionou cuidadoso. Sasuke não havia conseguido descansar naquela noite, a bela canção que ele ouviu durante a madrugada e que o fez ir até aquela mesma cerejeira horas atrás em busca da dona da voz, ainda circundava sua mente, então esperou o sol nascer para ir até lá mais uma vez.

Ele... tinha esperanças de encontrá-la, encontrar a moça que jamais abandonava seus pensamentos, mas tamanha foi sua surpresa ao se deparar com uma jovem completamente nua e de extravagantes cabelos rosas adormecida encostada no tronco da árvore — Qual o seu nome?

Sakura, porém, só conseguia fitá-lo com um olhar doce e triste com seus olhos verdes. Levemente balançou a cabeça de forma negativa enquanto levava os delicados dedos na direção de seus lábios rosados e ele entendeu que ela não podia falar.

— Você precisa de um nome... — Falou mais para si mesmo do que para ela. Num rompente, direcionou seu olhar para as flores rosas que adornavam a frondosa arvore que erguia-se acima deles. E não pode evitar que um sorriso escapasse de seus lábios — O que acha de Sakura?

Instantaneamente os olhos da ex-sereia arregalaram-se. Acenou positivamente de maneira rápida e ansiosa, desejando que ele entendesse que este era o seu nome.

— Está árvore — apontou ele — se chama Sakura. Ela me lembra os seus cabelos. Este é o seu nome?

Mais uma vez ela acenou, e ambos sorriram.

— É um prazer, Sakura, meu nome é Sasuke, Sasuke Uchiha — Estendeu-lhe a mão, e com alegria a garota a segurou.

Juntos se dirigiram na direção do palácio.

Porém, no instante em que Sakura deu o primeiro passo ela sentiu, como prenunciara a feiticeira, as dores atrozes espalharem-se, como se estivesse pisando em facas e agulhas afiadas, mas, com um sorriso, suportou de bom grado. Caminhou com a leveza de uma bolha de sabão ao lado do príncipe. Este e todos que a viram ficaram maravilhados com a beleza de seus movimentos graciosos.

Dentro do suntuoso palácio, deram-lhe vestidos belos de seda e musselina. Ela era a criatura mais bela naquele lugar, mas o fato de ser muda ainda causava estranheza, os olhares de piedade assombravam até a sua sombra, ela se sentia incompleta.

Os dias passaram, e mesmo com desconforto inicial ela foi aceita dentro do palácio. O príncipe Uchiha exigiu especialmente para que ela ficasse acomodada ao lado de seu próprio quarto, que todas a tratassem como alguém da realeza e a respeitassem como tal. O Imperador não pareceu muito feliz com as atitudes do filho, mas somente pelo fato dele ter deixado de mencionar os sonhos eloquentes decidiu deixar passar e ver até onde tudo aquilo iria.

Sakura se senti intimidada diante da figura imponente do Imperador. Estando ali, pode aprender mais sobre a história dos antecedentes de seu amado, uma longa linhagem real o seguia, homens poderosos, vencedores de guerras e desbravadores dos mares eram algumas das características mais citadas. Inúmeras pinturas estendiam-se pelas paredes do palácio para contar essa história, homens de faces duras, exigentes e inexpressivos eram o grande destaque, talvez fosse uma exigência daquele povo, a garota pensava. Afinal, seu pai nada se assemelhava a eles, mesmo depois da perda de Mebuki, Kizashi sempre se manteve bondoso, sua áurea externava amabilidade e compaixão.

Mas ali era diferente, era nítido.

É claro, com exceção de Sasuke.

Sakura via claramente que, mesmo que ele se esforçasse muito para se parecer como seu pai, ele não tinha nada a se comparar com ele. Talvez tenha puxado mais o lado de sua mãe, mas ela sabia da amabilidade escondida atrás das feições sérias do Jovem príncipe. Tudo nele a fascinava e a fazia desejar cada vez mais a sua atenção.

A respeito do castelo, seu interior não perdia em nada para o seu exterior, adornos de ouro puro enfeitavam lindamente as paredes, estátuas e tudo mais que achassem necessário. Os móveis eram feitos das mais puras madeiras e os tecidos da mais fina ceda.

Lindas escravas, muito bem vestidas, apareciam vezes e outras no salão principal e dançavam diante do príncipe, de seus parentes reais e do Imperador.

E aquele, curiosamente, era um desses dias, depois que todas haviam se apresentado, uma cantou mais lindamente que todas as outras, e todos ali presentes a aplaudiram, inclusive Sasuke, mesmo que na sua maneira contida e moderada de demonstrar seu contentamento. Isso, claramente, entristeceu o coração de Sakura, pois sabia que ela própria podia cantar ainda mais lindamente que todas aquelas jovens juntas.

“— Se ao menos soubesse que dei minha voz por você...”

Em seguida, as escravas voltaram a dançar, deslizando ao som da mais encantadora música. E a garota, determinada a chamar a atenção do príncipe de alguma forma, posicionou-se junto a elas. Ela ergueu seus belos braços brancos, ficou na ponta dos dedos dos pés e fluiu pelo piso, dançando como ninguém dançara antes. A cada passo, parecia mais e mais formosa e seus olhos atraiam mais profundamente que o canto das moças escravas. Todas as moças pararam para admira-la, tornando-a a atração principal daquele espetáculo.

Os outros convidados presentes igualmente ficaram encantados, especialmente Sasuke, que quanto mais vivia com aquela misteriosa garota, mais sentia a necessidade de conhece-la melhor. Ela continuou dançando, apesar da sensação de estar pisando em facas afiadas cada vez que seu pé tocava o solo. Era doloroso, mas o que ela não passaria para chegar ao coração de seu amado?

Assim que findou seus graciosos movimentos, seus olhos esmeraldinos encontraram-se com os negros de Sasuke. Era como se estivem presos um ao outro, profundamente conectados dentro de sua bolha pessoal. O coração do jovem descompassava-se dentro de seu peito sem que ele fosse capaz de ter controle algum sobre aquilo, aqueles olhos... Ele conhecia aqueles olhos. Sabia que sim. Mas, não conseguia lembrar-se de onde.

Por um breve momento, que mais pareceu para ambos uma eternidade, permitiram permanecer desta forma, até que Sakura, despertada de seu sonho, curva-se em reverencia ao Imperador e em seguida, é ovacionada com os aplausos de todos presentes.

Suas bochechas estavam graciosamente coradas, Sasuke pensava no quanto ela parecia fofa naquela forma, ele, que sempre fora um garoto sério e de poucas expressões diante da nobreza do palácio real, permitiu-se abrir um singelo sorriso, era um reflexo perfeito dos sentimentos que borbulhavam dentro de si.

Como era possível? Ele mesmo não tinha a resposta, mas havia algo em volta da estranha garota de cabelos rosas que o atraia para mais e mais perto.

E, para ele mesmo, não haveriam objeções quanto a isso.

~*~

Os dias iam passando, e quanto mais conviviam mais cúmplices um do outro se tornavam. Juntamente com Naruto, que mais praguejava do que realmente aproveitava, eles davam pequena fugidas do palácio real. Sasuke sentia uma necessidade inexplicável de mostrar o mundo para Sakura, a necessidade de ver os seus olhos verdes cintilarem com todas as novas descobertas que encontravam a cada nova aventura. O príncipe ordenou que produzissem para ela um traje de amazona para que pudessem andar a cavalo. Cavalgaram juntos por florestas perfumadas, onde ramos verdes roçavam seus ombros e passarinhos cantavam em meio às folhas frescas. Juntos, subiram ao topo das altas montanhas e, embora seus delicados pés doessem tanto que ela quase não podia suportar, a ex-sereia apenas sorria e acompanhava seu amado até onde podiam ver as nuvens abaixo deles, seu prazer estava em poder abraça-lo enquanto cavalgavam, sentir seu corpo próximo do dela, sentir o calor dele, a vida dele junto de si.

Todos esses momentos faziam sua dor valer a pena.

No palácio, quando todos dormiam, ela descia a escadaria de mármore e ia refrescar os pés ardentes na água fria do mar. E então, ela pensava nos que estavam lá embaixo nas profundezas. Uma noite, suas irmãs subiram de braços dados, cantando melancolicamente enquanto flutuavam sobre a água. Feliz por enfim ver as irmãs depois de tanto tempo, acenou alegremente até que elas a reconheceram.

— Sakura? — Karin disse — É você mesma?

— Por que nos deixou? — Questionou Ino — Foi por causa dele? Daquele príncipe?

— Sabe quanta infelicidade você nos trouxe? — Interviu Temari — Vovó Tsunade se culpa todos os dias por ter lhe contado aquela história sobre a alma imortal.

As outras irmãs também ralharam com ela, contando-lhe todas as coisas que sua partida havia causado no reino submerso e o quanto vosso pai estava sofrendo. O coração da garota doía em saber das consequências de seus atos impensados, mas, a sua maneira, ela explicou para as irmãs o que a levou por essa decisão. Mesmo que tenha perdido sua calda, ela ainda mantinha uma parte da sereia que ela um dia foi assim podendo dizer, a sua maneira, o que queria que elas soubessem.

Depois desse encontro, passaram a visitá-la quase todas as noites, e uma vez ela viu ao longe sua velha avó, que não vinha à superfície do mar havia muitos anos, e também o velho rei do mar com sua coroa na cabeça. Ambos estenderam as mãos para ela, mas não se aventuraram tão perto da costa como as suas irmãs. Eles compreendiam melhor a sua escolha, mas ainda não conseguiam aceita-la por completo.

Era doloroso, a saudade e a dúvida batiam constantemente a porta do seu coração.

Mas, a esperança nas palavras do garoto de olhos negros continuava a guia-la firmemente neste caminho.

Neste doloroso caminho até o seu coração.

~*~

Notas finais
Ai está! , A música mencionada no capítulo se chama Never Enougth - do filme O Rei do Show, a tradução foi feita por mim mesma, então pode divergir um pouco do original. Enfim, nos veremos novamente sexta que vem! ~Bellatrix ♥