Notas iniciais
Oláaaaaaaaaaaaaaaaaa! Boa leitura!! Espero que gostem, e se não gostarem dessa continuação, por favor, me deixe uma mensagem dizendo no que eu devo melhorar.
Bjssssssss

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. — O padre que fazia o sermão deu uma tossida rápida, e logo voltou a falar — Não devemos temer mal algum, pois o senhor é nosso pastor, o bom pastor que leva suas ovelhas em segurança. Hoje faz 10 anos da morte de Isaac Mendes, e ele, caríssimos, nunca será abandonado pelo senhor, ainda que ande pelo vale da sombra da morte.
Aline encostou a cabeça no ombro do pai, e deixou as lágrimas escorrerem por seu rosto moreno. Bernardo apenas acenava a cabeça para cada palavra que o padre falava. Ele odiava rituais religiosos, mas uma vez por ano assistia a missa de falecimento de seu filho como uma tentativa de manter contato, um contato que ele nunca chegou a estreitar.
Jaqueline, Aline, Maria e Bernardo estavam sentados no banco da frente da enorme igreja católica que ficava no bairro onde Bernardo morava. Jaqueline, que outrora morou nos Estados Unidos, voltou para o Brasil assim que engravidou de seu filho, Heitor, para poder criá-lo perto de seus pais e de sua nova irmã. Carolina também voltou com a mãe, e as duas, mais César e Heitor moravam em um apartamento no bairro nobre da cidade. César ainda era empresário, e expandiu seu monopólio no Brasil, lucrando duplamente.
Denise e Jaqueline ficaram muito amigas e depois que a loira retornou ao Brasil, as duas sempre estavam no mesmo lugar. A ex-delegada também assistia aquela missa, segurando a neta pequena no braço.
Depois de morar 5 anos no Japão, Inácio retornou e se casou com Yasmim. O rapaz ainda estudou belas artes, e se tornou cartunista de um jornal famoso. Mesmo que Denise não gostasse da nora, sua neta era preciossíma para si, e por ela, matava e morria.
Falando em matar, durante 10 anos o nome de Fábio Malta não foi mencionado por eles nenhuma vez. Após ter sofrido uma tentativa de violência sexual, Jaqueline se tratou com psicólogos e evitou falar de seu violentador, para forçar um esquecimento da parte de Carolina, que depois de alguns anos parou de perguntar pelo paradeiro do pai. Mas, em um almoço de família, Joana confessou para a menina, que tinha 10 anos na época, que seu pai estava preso por tentar estuprar sua mãe, por tráfico de drogas, assassinato. Desde então, Carolina sentia asco pelo pai.
Entretanto
não falar de Fábio, não anulou sua existência como ser, e depois de ficar 10 anos trancafiado na cadeia, teve sua pena reduzida por bom comportamento, e saiu ileso e ansioso. Sim, ansioso, pois ele tinha contas para acertar com Jaqueline, especialmente. E depois de se arrumar, pentear seus cabelos que eram completamente negros, e agora já possuíam alguns fios grisalhos, mas nada que o deixasse feio. Ele estava ainda mais bonito, e foi Denise quem notou ao olhar de relance para atrás e ver o homem sentado no último banco da enorme igreja.
— Jaque, você pode segurar a Clara pra mim? Vou ao banheiro.
— Tudo bem, vai lá. — Jaqueline pegou a menininha no colo, enquanto a ex-delegada ficou de pé, alisou o vestido vermelho de seda e caminhou séria até o final da igreja. Fábio nem sequer notou que Denise se aproximava, pois desde o momento em que chegou, só chorava e chorava.
— O que você tá fazendo aqui? — Sussurrou Denise, sentando-se ao lado de Fábio, que se assustou ao ver aquela mulher ao seu lado.
— O mesmo que você. — Respondeu ele, sem tirar atenção das palavras do padre.
— Venha, vamos sair daqui. Ninguém dali da frente pode sonhar te ver aqui. Anda, levanta. — O atual grisalho olhou cético para Denise, mas levantou, saindo do local junto a ela.
Os dois foram até a esquina da rua onde ficava a igreja, e Denise não perdeu tempo em começar a falar.
— Posso te dar um conselho? Se afaste da gente, se afaste da Jaque e principalmente da Carol. Estão todos bem sem você. — Fábio sorriu de lado e pegou um cigarro no bolso da calça. Depois, um isqueiro no outro bolso e acendeu seu entorpecente, antes de responder Denise.
— Você me tirou da missa do Isaac pra falar isso? A rua é pública, a igreja permite a entrada de qualquer um. Ou seja, eu fico onde eu quiser. E por favor, não me fale pra ficar longe da minha filha, são 10 anos sem vê-la. Imagine-se 10 anos sem ver seu filho. Terrível? Também acho. — Fábio deu mais uma tragada e deixou Denise surpresa ao vê-lo tão sensível.
— Tudo bem, você tocou no meu ponto fraco. Mas não sei se a Carol vai querer vê-lo. Ela se parece bastante com você, Fábio. Muito. — A mulher sorriu dizer isso. Era incrível a semelhança dos dois, e isso deixava Jaqueline irada. Fábio também acompanhou o sorriso.
— Eu sinto tanta falta dela... Sinto falta do Isaac... Caralho! Pensar que eu poderia ter salvado ele disso. — O homem bufou e tragou mais uma vez seu hollywood.
— Você parece mudado... Eu vou ter que voltar pra lá, mas vê se aparece no Café Doçura hoje lá pras 17 horas. Sabe onde fica? Fica a 10 minutos daqui. Eu e você precisamos conversar, tá? Se você quiser saber sobre sua filha, estarei lá. — Denise deu as costas e voltou caminhando em direção a igreja.


— Você demorou! — Falou Jaqueline, segurando a neta de Denise na porta da Igreja. A missa já havia acabado e eles estavam indo para casa.
— É que me ligaram do fórum, aí não tive como recusar a ligação. Vem pra vovó, vem! — Denise pegou a neta e caminhou junto com a amiga.
Aline caminhava de cabeça baixa e de braços enrolados com seu pai. Mesmo morando com sua nova família há 10 anos, a morena não se acostumava com sua vida sem Isaac, era como uma ferida que nunca cicatrizava. Ela sentia-se culpada por desfrutar da boa vida que seu irmão nunca pôde ter.
— Você quer ir comigo pra casa da Jaque? Hoje é o aniversário do Heitor, e iremos almoçar juntos. — Falou Bernardo, ainda caminhando.
— Eu vou pra casa, não tô me sentindo bem. — Disse Aline, soltando-se do braço do pai, para ir em direção à sua fixa e confortável casa.
— Eu vou te levar em casa então. Quer que eu compre alguma coisa pra você comer? — Perguntou Bernardo, super preocupado com a filha. Ele mimava demais Aline, mas nada que afetasse as irmãs. E por incrível que parecesse, ela e Joana eram melhores amigas.
— Não precisa, pai. Vai com a Jaqueline e eu vou pra casa. — Bernando sorriu e deu um beijo na testa da filha.
— Liga no meu celular se precisar. — Aline balançou a cabeça e deu as costas, indo em direção à casa de seu pai. Não fazia nexo pra ela comemorar qualquer coisa no dia em que seu irmão morreu.

— Muitos anos de vida!! Aeeee! Heitor, Heitor, Heitor! — Falou Jaqueline, segurando Heitor no colo. — Sopra as velinhas — O garotinho branco de cabelos castanhos lisos e bochechas rosadas soprou o fogo que pairava sobre o número 4, e todos gritaram depois que eu fez isso.
Denise, que estava sentada no sofá de pano Chenile branco da sala de Jaqueline, olhou para o relógio ansiosa. Ela sabia que estaria apunhalando a amiga pelas costas ao se encontrar com Fábio, mas Denise pretendia fazer tudo discretamente.
— Denise, venha pegar seu bolo. — Chamou César. Denise deu um sorriso amarelo e levantou.
Todos ali estavam empolgados com aquele aniversário, pois Heitor era o pupilo da família.
— Por quê o Inácio e a Yasmim não vieram? — Perguntou Bernardo, dando um gole em seu refrigerante.
— Parece que eles tiveram um compromisso. — Mentiu Denise, ela não apreciava ficar no mesmo lugar que sua nora. — Mas falando em compromisso, eu vou ter que ir. Marquei com um cliente e tenho que conversar com ele. — Denise havia renunciado seu cargo de Delegada antes que descobrissem o que ela havia feito, e atualmente, só trabalhava como advogada.
— Termina de comer seu bolo primeiro, amiga. — Falou Jaqueline, aparecendo ao lado de Denise, com uma torta em mãos.
— Eu vou comendo no carro. — Denise abraçou Jaqueline — Tava tudo muito lindo, Jaque.
— Obrigada. Eu vou levar um pedaço de bolo pra Carol, porque ela não faz nada além de estudar pra esse vestibular. — As duas riram.


Fábio, que voltou pra sua ''casa'' antiga, saiu da mesma arrumado. Como ele conhecia o dono daquelas casas, foi fácil pra ele poder voltar para seu antigo cafofo, que atualmente não possuía mais energia elétrica.
O homem caminhou pensativo. Muitas coisas se passam na cabeça de quem ficou 10 anos longe de tudo. Ele esperava esbarrar com Isaac em qualquer esquina, mas seria impossível de acontecer. Quando pegou o ônibus que deixava no bairro de ''bacana'', maquinou uma ideia para se vingar de Jaqueline. Mas primeiro, ele precisava manter-se perto, muito perto.
Depois de 20 minutos no transporte, Fábio desceu em frente ao tal Café Doçura, e entrou, sentando na última mesa do lado esquerdo. Assim que pegou seu maço de cigarro no bolso da calça, viu uma enorme placa dizendo: Proibido fumar.
— Posso deixar o cardápio com você? — Pediu uma menina alta de cabelos cacheados.
— Por que não posso fumar aqui? — Perguntou Fábio, sacudindo o pacote de cigarro.
— Regras da casa, senhor. Vou deixar o cardápio aqui e quando escolher alguma coisa é só me chamar. — A menina deixou um cartão com seu nome sob a mesa e saiu. Assim que a garota deixou a mesa, Denise entrou pela porta e andou rápido até Fábio, sentando-se à sua frente.
— Tá aqui há muito tempo? — Perguntou Denise.
— Cheguei agora. Por que me trouxe a um lugar que não é receptivo com fumantes? — Questionou Fábio, nervoso.
— Ué, você não consegue ficar nem 20 minutos sem fumar nada? Pelo amor de Deus, daqui a pouco você morre de câncer. — Disse Denise, dando uma risadinha.
— Tá, me fala sobre a Carolina. Como ela tá?
— Eu acabei de vir da casa da mãe dela. Ela é muito estudiosa e esforçada. Sabe falar três línguas e quer ser historiadora. — Fábio sorriu ao ouvir isso da filha. Pelo menos ela se tornou algo melhor do que teria ser tornado se estivesse com ele.
— Você pode me fazer encontrar com ela? Onde ela estuda? — Perguntou o homem, animado.
— Fábio, eu não sei se ela vai querer manter contato com você. Ela sabe o que você fez com a mãe dela, então... — O rosto de Fábio, que antes esteve iluminado, fechou-se. — Olha, você pode até tentar se aproximar, mas vai ter trabalho.
— Eu sei o que vou fazer. Por que a Jaqueline voltou pra cá?
— Ela teve um filho, que está fazendo aniversário hoje. Ela não queria criar dois filhos longe da família, então voltou. Além do mais, isso foi ótimo pros negócios do marido dela.
Então Jaqueline teve um filho? Pensou Fábio. Aquilo pareceu interessante demais para ele.
— Um filho? Que felicidade pra ela, não? — Disse o homem, pegando um guardanapo para fazer um barquinho.
— Ela mais do que ninguém merece isso. — Falou Denise, pegando o cardápio — Pode deixar que hoje eu te pago um café. Eu vou pedir um expresso e você?
— Tem sabor cinzeiro? — Ironizou Fábio, e Denise deu uma risadinha.
— Vou pedir um expresso pra você também!


Aline assistia televisão, quando sua madrasta apareceu na sala e sentou-se a seu lado.
— Pensei que tivesse ido pra casa da Jaqueline. — Disse Aline, tirando os olhos da tv para fitar Cristina.
— Não... Eu estou me sentindo muito aflita. — Inicialmente, Cristina odiava Aline, mas depois de saber de toda sua história, era impossível sentir raiva de uma pessoa inocente. Então as duas conviviam bem, mas cada uma no seu canto.
— Aflita como assim? — Perguntou Aline, desligando a Tv para ouvir melhor a madrasta.
— Eu tive uns sonhos, onde a Jaque chorava muito porque o Heitor tinha se afogado na piscina do prédio dela. — Cristina levou a mão ao peito arfado e expirou o ar de seus pulmões — Fiquei nervosa demais pra ir lá.
— Calma dona Cristina, vai ficar tudo bem e nada vai acontecer. — Falou Aline, passando a mão no ombro enrugado da mulher.
— Foi tão real...


Denise e Fábio engataram uma conversa que ultrapassou a cafeteria, e acabou na sala de estar de Denise, onde os dois tomavam vinho sentados no chão. A mulher não conseguia mais sentir raiva daquele homem como já sentiu, viu que ele havia mudado e que eles poderiam ser melhores amigos. Já no outro lado da história, Fábio apenas coletava informações e informações entre as conversas.
— E aí... — Denise deu mais uma gargalhada — Ele disse pra mim que eu podia ficar com todos os bens dele, já que ele ia morrer.
— E quando ele morreu? — Perguntou Fábio, dando um gole em seu vinho.
— Faz uns... — Denise jogou os cabelos tingidos de preto que iam até o ombro para trás e cerrou os olhos — 3 anos, acredito eu. Aquelazinha tava grávida de 7 meses da Clara, e olha que ela já vai fazer 2 anos.
— Quanta gente morreu. Mas seu ex marido falou alguma coisa pra você antes de morrer. Além de deixar os bens pra você.
— Ele fez uma lobotomia em uma moça. O nome dela era Ermina, e ele mais um amigo chamado Daniel fizeram essa coisa na menina — Fábio arregalou os olhos, aquela informação era muitíssima importante, já que ele nem teria trabalho para localizar a antiga e futura parceira — E depois que descobriu que ia morrer, o Gilberto me fez ir até na favela onde ela morava e deixar uma contia generosa pra ela. Acredito eu que ela virou evangélica, pastora — Denise gargalhou ainda mais, e Fábio deu um sorriso de satisfação.
— Sabe ela está morando atualmente? Ou onde você encontraria ela?
— Ela saiu da favela, agora tá morando em um conjunto habitacional na zona oeste da cidade. O nome do conjunto e Anita Garibalde.
— Denise, eu vou pra casa, porque tô bem cansado e com saudades de uma cama. — Os dois riram. Fábio ficava impressionado com a ingenuidade de Denise, mas isso era muito bom pra ele, excelente até.
— Se você quiser ficar... Minha empregada só vem na segunda, e eu tô sozinha aqui mesmo...
— Não precisa, Denise. Muito obrigada, mas eu vou cursar meu caminho. Tenta falar com a Carol sobre mim, tá? — O homem ficou de pé e a ex-delegada o acompanhou no ato, seguindo-o até a porta. Ela ainda morava na mesma casa.
— Você pode aparecer aqui quando quiser. Eu posso aparecer na sua casa quando quiser? — Fábio leu a palavra solidão nos olhos esverdeados de Denise, e acenou com a cabeça.
— Claro que pode, Denise.


Ermina havia se casado com um homem muito bom e temente a Deus. O nome do marido de Ermina era Edmar, e pra ele ela cozinhava, passava e lavava. Após sua lobotomia, que conseguiu ser revertida em 70%, a mulher procurou algo além da droga e do sexo para aliviar seu vazio sentimental, e encontrou na religião, onde se casou com alguém temente a Deus e completamente intolerante como marido, o oposto do que Jonhy já foi um dia.
— Eu não admito esse resultado do jogo. — Disse Edmar, mastigando de boca aberta enquanto assistia a Tv.
— Você pode apostar na loteria semana que vem, amor. — Falou Ermina, amarrando seu cabelo ainda avermelhado em um coque.
— Você acha que o nosso dinheiro vai durar pra sempre, Ermina? — Edmar levantou do sofá e foi para a cozinha, colocar o copo de vidro onde bebeu seu café em cima da pia. — Não aguento mais ficar sem trabalhar.
— Fé em Deus, as coisas vão se resolver rápido. Eu vou no mercado antes de ir limpar a igreja. — Disse Ermina, indo até a cozinha onde o marido estava.
— E eu vou ter que ir atrás de emprego, mais um dia. Vou lá antes que as filas fiquem maiores. — Edmar passou por Ermina e saiu, batendo a porta com força. Ela não reclamava mais da indiferença do marido, havia se acostumado com ela.
Depois de lavar o copo sujo do esposo, a ruiva ouviu alguém bater a porta, e pensou ser seu marido que esqueceu alguma coisa, mas ao abrir o objeto de metal e vidro, deu um gritinho.
— Como você me achou? — Perguntou Ermina, assustada ao ver Fábio escorado em sua porta.
— Vim te fazer uma visita. Posso entrar? — A mulher abriu espaço para Fábio passar e fechou a porta depressa.
— Se algum vizinho te ver aqui dentro o meu marido me mata. — Fábio riu.
— Me perdoe por vir tão cedo, mas é que eu fiquei tão ansioso pra te ver que vim cedinho. Então você virou evangélica?
— Sim. — Ermina sorriu triste. Que opção ela teria além disso?
— E seu marido, onde está? — Questionou Fábio, sentando no sofá surrado da sala.
— Foi procurar emprego. As coisas estão apertando pra nós.
— Então foi excelente eu ter aparecido aqui. — Ermina franziu o cenho.
— Por quê?
— Tenho uma proposta que vai te ajudar a melhorar sua situação financeira, mas vai ser segredo nosso.
— Você não vai me matar como fez com o Jonhy? — Fábiu riu irônico.
— Não senhora, nós só vamos sequestrar uma criança rica desta vez. Você aceita trabalhar comigo? Te garanto que vou pagar muito bem. Que tal?

Notas finais
Reviews?