A Flor da Carnificina
36 Capítulo 35 - Desaparecida
Notas iniciais
Carolina acordou cedo, e encontrou com a moça bonita que esteve tomando sua conta dormindo no sofá, enquanto a TV estava ligada. A menina olhou para loira e viu que seu nariz era muito parecido com o dela, e teve a esperança de ser parecida com ela quando crescesse.
– Ei, Jaqueline. — Chamou Carolina, mexendo na mão da mulher. Jaqueline, por sua vez, acordou atordoada, sem saber onde estava, mas logo retomou a consciência.
– Oi princesa, bom dia. Não vai pra escola hoje? — Perguntou Jaqueline.
– Não... — Falou Carolina, sentando-se ao lado da mulher.
– Por quê não?
– Porque não vou conseguir me concentrar, eu tô muito triste sem a minha avó aqui. — Falou Carolina, apoiando o rosto na palma da mão.
Jaqueline acarenciou os fios castanhos da filha, e deu nela um beijo no topo da cabeça dela.
– Vamos tomar café? — Falou Jaqueline, ficando de pé, rumo à cozinha. Carolina continuou sentada, com um semblante triste. A loira sabia o básico da culinária, como: Cozinhar ovo, fazer café, fritar e esquentar coisas. Procurando com os olhos, encontrou saco de café em cima da estante, e pegou-o para fazer o ''café da manhã'' para a filha.
Ermina acordou atordoada em um lugar que ela não fazia ideia de onde era. Olhou para os lados e viu que estava em um quarto cheio de macas, fechado e abafado, pois suava muito. A ruiva tentou levantar, mas sua cólica não deixou, então permaneceu deitada. Ela queria saber onde estava, queria sair dali, e não iria desistir de tentar. Mesmo sentindo dor, usou todas as suas forças para levantar e conseguiu sair da maca, e ficar em pé.
Caminhou então, devagar até a porta. Mas, quando tentou abrir a mesma, viu que estava trancada. Ermina sentiu pânico, e medo. Esmurrou a porta, gritando.
– Ei, socorro! Alguém?! Por favor, me tira daqui! — Gritou Ermina. Suas cólicas doiam tanto que ela logo caiu no chão.
Daniel e Gilberto, que foram os únicos que não conseguiram dormir, fumavam e conversavam sobre o que pretendiam fazer com a garota.
– Se você souber onde ficam os pontos mais sensíveis, talvez ela não reaja com nenhum efeito colateral. — Sugeriu Daniel.
– E se ela for forte o suficiente para resistir? — Rebateu Gilberto, dando uma tragada em seu cigarro.
– Ninguém consegue. Acredito eu que todos nós temos traumas. — Ao ouvirem um barulho vindo do quarto onde a garota estava trancada, e os dois ficam de pé para ir até lá.
Erick e os outros dois dormiam de qualquer jeito no sofá. Haviam usado muitas drogas durante a noite, e os únicos que não a consumiram e que não tinham o hábito de se drogar eram Gilberto e Daniel.
Gilberto retirou a chave da porta do bolso, e abriu. Lá estava Ermina, caída no chão aos prantos.
– Me ajuda, por favor. Me tira daqui! — Pediu Ermina, desesperada. Gilberto pegou a garota pelas axilas e a carregou até a sala, colocando-a no sofá. Daniel apenas acompanhou o processo.
– Pronto, tá tudo bem agora. — Falou Gilberto, ficando de cócoras em frente a garota, que chorava incessantemente.
– Quem são vocês, e o que eu tô fazendo aqui?
– Calma, eu sou seu amigo. — Falou Gilberto. — Consegue andar?
– Não. Eu sinto cólicas horríveis.
– Cólicas? Sabe o motivo dessas cólicas?
– Suspeito. — Falou Ermina, dando um suspiro para aguentar a dor.
Na casa de Erick havia uma sacada, onde tinha duas cadeiras. Gilberto pegou Ermina do mesmo jeito e levou-a até a sacada, sentando-a em uma cadeira, enquanto ele sentava em outra.
– Então, qual é sua suspeita?
– Um aborto espontâneo. — Gilberto sorriu, aquilo era um estopim para ele fazer o que estava planejando.
– E você foi ao médico?
– Não... se está morto, uma hora sai. — Falou Ermina, ríspida, apertando a barriga.
– E o pai da criança? — Ermina bufou e deu um sorriso sarcástico.
– Um drogado que me estuprou um dia desses. — Gilberto sentia-se mais feliz cada vez que a ruiva falava de sua vida problemática.
– Você pode me falar da sua vida? Como ela foi?
– Por que quer saber? Eu vou pra casa caso te conte?
– Vai — Mentiu Gilberto. E como um rato que viu o queijo na ratoeira, Ermina contou tudo o que Gilberto queria saber, ajudando-o a por seu plano em prática.
Jaqueline assistia a filha comendo um biscoito que foi encontrado na geladeira e tomando um café com leite, quando sentiu seu celular vibrar no bolso de sua calça.
– Continua comendo, que eu já volto. — Falou Jaqueline, saindo da casa, para falar na escada Quando olhou no visor, viu o número de César, e já sabia do que se tratava.
– Jaque, vamos almoçar hoje com a Denise. Tô ligando pra te lembrar.–Falou César.
– Bom dia. Que horas, exatamente?– Falou Jaqueline. César deu um risinho e voltou a falar.
– Good morning, dear. It will be at 11 o'clock.– Jaqueline ficou calada por um tempo e César entendeu. Ela odiava que ele falasse inglês com ela - Tudo bem, 11 da manhã. É o horário que ela pôde.
– Posso levar a Carolina comigo?
– Eu acho melhor não.
– Tudo bem, vou levá-la. Daqui a pouco eu passo aí para irmos. Beijos. - Falou Jaqueline, desligando o telefone da cara do marido.
Jaqueline voltou para a cozinha, e viu a filha lavando o copo que usou. Ela iria levá-la para a casa de sua mãe. Azar de quem deixou a menina sozinha em casa.
– Carol, você aceita conhecer a minha casa? — Peguntou Jaqueline, encostando a cintura na pia.
– Não sei se eu posso. — Falou Carolina.
– Por quê não?
– Minha avó pode voltar não me encontrar aqui. — Falou a menina.
– Não vamos demorar. Vem, troca de roupa e vamos passear. Quando a gente voltar, sua avó já vai estar aqui, bem. — Carolina abaixou a cabeça, e foi trocar de roupa para sair com Jaqueline.
Fábio fumava do lado de fora do hospital onde estava sua mãe. Seu estado era grave, então ele não podia vê-la de perto para evitar contaminações, apenas por um vidro. Ele pensava em sua filha, e o que iria fazer em relação à ela dali em diante. Mas, que não saia de sua cabeça era Isaac, e como ele o que queria naquele momento, para sentir o calor de seu abraço, e de sua presença.
– Fábio, eu trouxe um documento para você assinar — Falou Paula, atrás de Fábio. O fumante deu uma tragada e jogou o cigarro no lixo depois.
– É sobre o quê?
– É de uma funerária que aceitou parcelar em 4 vezes o interro da sua mãe. — Fábio riu sarcástico. Eram eles quem estavam matando sua mãe.
– Qual é o nome da funerária?
– Bom descanso. — Fábio começou a rir. Ria descontroladamente, fazendo Paula perder a paciência. — O que foi engraçado?
– Os nomes de funerárias são sempre engraçados. Bom descanso. Mas que merda de nome é esse.
– Você vai assinar aqui. — Falou Paula, estendendo a prancheta para Fábio.
– 4 vezes de quantos reais?
– 4 vezes 200 reais.
– É o mais barato né? É o que minha valia... o plano funerário mais barato.
– Vamos, assine logo. Tenho que levar isso pra lá antes de meio dia. — Fábio bufou e pegou a prancheta das mãos de Paula com agressividade. Era um enterro, não precisava de fogos de artifício ou danças coreografadas.
– Eu vou pra casa ver como está a minha filha. Por favor, se a minha mãe morrer nesse tempo, me avise tá? Meu número está na recepção. — O rapaz saiu de perto de Paula e foi para a casa de sua mãe. Agora precisava saber como a pequena estava, mas não previu o susto que levaria ao chegar em casa.
Jaqueline levou Carolina para sua casa e assim que chegou, encontrou sua mãe preparando o almoço, e sua irmã Maria estudando na mesa da cozinha. Quando viram a menina, as reações foram antagônicas. Maria sorriu e foi recepcionar a sobrinha e Cristina não esboçou nenhuma reação. Houve um erro, ela tentou apagar, mas sua filha fez questão de relembra-lo.
– Gente, essa é a Carolina. Pai, vem cá conhecer a Carol. — Gritou Jaqueline, quando viu seu pai nos fundos alimentando seus pássaros. — Bernardo veio eufórico conhecer sua neta, e quando ia falar alguma coisa sobre a menina, Jaqueline fez sinal de silêncio com o dedo indicador.
– Seja bem-vinda, Carolina. — Falou Maria. A garota balançou a cabeça agradecendo. Ela era realmente igual à Jaqueline.
– Você está com fome? — Perguntou Bernardo. Carolina balançou a cabeça, negativando.
– Carol, essa é a minha mãe — Falou Jaqueline, apontando — Minha irmã, Maria e meu pai Bernardo.
– Você quer ver desenho, Carolina? — Perguntou Maria.
– Quero. — Falou Carolina. Maria pegou a mão da menina e levou-a para a sala.
– Por quê a trouxe? — Perguntou Cristina.
– Ela é muito parecidinha com você quando era pequena, Jaque. — Falou Bernardo. — Ela já sabe quem somos?
– Não! Pra ela eu sou uma professora da escola onde a avó trabalhava. Cadê o César? — Falou Jaqueline, ignorando a pergunta da mãe.
– Ele está no quarto, te esperando. — Respondeu Bernardo. — Seria bom se ela pudesse ficar definitivamente aqui.
– Ela vai, pai. Vai dar tudo certo — Falou Jaqueline, indo em direção ao quarto para mostrar a filha para o marido.
Fábio chorou durante todo o percurso, e fumou um maço inteiro de cigarro. Ao chegar na casa de sua mãe, viu a porta fechada, então olhou as horas e viu que Carolina estava na escola. Dane-se, ela precisa sair de lá agora, pensou Fábio. O fumante deu meia volta e foi até a escola onde Carolina estudava.
Ao chegar no lugar, chamou a diretora e pediu para que a filha saísse, mas ele não esperava que ela não estava lá, e que não havia ido para a escola desde o dia anterior. Ótimo, onde estaria Carolina?
Fábio foi para a casa de sua vizinha, que costumava tomar conta de Carolina, mas ao chegar lá viu que ela não estava lá. Porém, a mãe de Sara anunciou a Fábio que viu Carolina saindo de lá com uma moça loira, e ele sabia muito bem quem era. Não bastava sua mãe estar morrendo, sua filha havia sido raptada. Ele deu meia volta e foi até a delegacia onde foi detido uma vez, mas desta queria falar com Denise, e pedir que ela o ajudasse a encontrar a garota, e nem pensou no que já havia feito a mulher, apenas queria a garota em um lugar onde ele soubesse.
Denise trabalhava normalmente, quando viu um homem suado e desesperado chegar em sua sala. Ela sabia quem era, e logo sentiu seu estômago revirar.
– Preciso de você Denise. — Falou Fábio. Denise ergueu uma sombrancelha.
– Sério? Quem quer te prender agora? — Falou Denise, irônica.
– É minha filha...
– Filha? Desde quando você tem filha?
– Eu tenho uma filha. Ela sumiu, e eu preciso encontrá-la. Minha mãe está morrendo de câncer e eu não posso perder a menina agora. — Denise percebeu o desespero de Fábio e cogitou ajudá-lo, mas tinha um compromisso inadiável.
– Escuta, procure pelo Diego e peça à ele que faça o retrato falado da menina.
– E depois?
– Depois eu resolvo. Amanhã você passa aqui e me encontra, porque agora eu vou sair. — Denise desligou o computador e saiu, deixando Fábio em sua sala, sem saber o que fazer. Assim que saiu, Denise encontrou o rapaz que fazia retratos falados e pediu a ele que atendesse Fábio, pois ela iria se encontrar com César e Jaqueline.
– Posso ajudá-lo? — Perguntou Diego.
– Pode, eu preciso encontrar minha filha.
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