O Cogumelo despertou, na manhã seguinte, junto com o nascer do sol. Ele espreguiçou-se e sacudiu gotículas de orvalho que se acumularam em seu chapéu. Na noite anterior, chovera muito, e o vento estava forte, fazendo com que o Cogumelo Andarilho se agarrasse as pedras perto da Flor Branca para não ser arrastado pela ventania ou pela água. Vestígios da tempestade ainda eram visíveis na floresta a sua volta, caíam gotas das árvores próximas, o chão estava cheio de folhas verdes ou secas e o clima estava fresco, com cheiro de terra molhada. Uma brisa suave ainda soprava, carregando gotículas de água e molhando a pele amarronzada do pequenino cogumelo.

Demorou um pouco para o Cogumelo despertar completamente. Foi necessário um gafanhoto verde pular na frente de seu rosto para ele lembrar-se do motivo de estar ali. Ficou um tempo em silêncio esperando qualquer sinal de que a Flor estivesse desperta. Era um cogumelo ansioso, mas muito tímido e educado. Não queria assustar a Flor novamente.

O tempo foi passando e a Flor não dava sinal de que ia despertar. Angustiado, o Cogumelo resolveu começar, ele mesmo, a cantar. Talvez a Flor Branca fosse tímida e estivesse com vergonha, esperando que ele começasse com a primeira nota.

Como com o passar do tempo a Flor não o acompanhou, o Cogumelo concluiu que ela devia estar esperando que ele encontrasse novamente o tom que descobrira para cantar com ela no dia anterior. Foi um pouco difícil encontrá-lo, mas ao fim de um longo tempo, ele já havia estabilizado seu chiado.

No entanto, Flor Branca não cantou com ele.

Curioso, o Cogumelo Andarilho subiu em uma pedra para vê-la. Por causa da água, o lodo que se acumulara na superfície cinzenta da pedra estava liso e, uma tarefa que seria fácil para um Cogumelo Andarilho normalmente, se tornara penosa para ele. Ao chegar lá em cima, observou que a Flor Branca estava curvada. Ele chiou, chamando-a, mas não obteve resposta, aflito aproximou-se.

As sementes que antes se prendiam teimosamente na cabeça da Flor, haviam se soltado por causa da tempestade da noite anterior e restava apenas uma. Seu corpo estava rígido e amarronzado. Suas folhas se encontravam murchas e encolhidas. Nem ao vento a flor balançava mais. Ela havia cantado no seu ultimo dia antes de suas sementes se soltarem.

Cogumelo Andarilho acompanhou com o olhar a ultima semente se soltar e se perder no meio da floresta, antes de sair correndo atrás dela. Aquele Cogumelo Andarilho tinha, agora, um propósito para correr pela floresta. Ele ia perseguir as sementes da Flor Branca que poderiam cantar com ele como ela fizera. Ele ia atrás de todos os vestígios dela espalhados pelo mundo, onde quer que estivessem.

Ele ia atrás deles, porque gostara dela.

Ele perseguiria sua marca pelo resto de sua vida.

Notas finais
Fim da História! Espero que tenham gostado!!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!