A Flapper E A Princesa
2 uma flapper
Uma vez em conheci uma flapper. Caso você não saiba o que é uma flapper, lhe explicarei, mas não considere tal explicação uma coisa muito boa: eram jovens moças ousadas que se arriscavam a usar saias curtas, deixar os cabelos curtos e cacheados, ouvir jazz e, de uma maneira geral, não serem consideradas um exemplo de perfeição no quesito boas maneiras. Eram, como disse, ousadas, afinal, para os anos de 1920, uma saia quase acima do joelho era um escândalo... Mas elas não se importavam. Tudo o que queriam fazer era aproveitar os anos de ouro da melhor maneira possível: com muita dança, música e bebida.
A flapper que conheci não usava saias curtas, nem cabelos curtos e cacheados e muito menos os famosos chapéus de Cloche ou boinas... Mas, caso aparecesse na minha frente, usando todos esses acessórios, com certeza não pareceria estranha. O que a tornava uma garota de 1920 já que a aparência não o fazia? A elegância e a ousadia.
A ousadia era a marca registrada dessas moças, como já disse, e era isso o que ela tinha. A falta de medo de tocar em assuntos polêmicos, a maturidade mesmo sendo tão jovem, a falta de inibição ao não ser tão delicada ao falar com os outros, mas, ainda assim, carregava a elegância típica das flappers... Ora, não importava o quão rude fosse um comentário, o sarcasmo bem utilizado sempre o disfarçava, dando à ele um ar bonito. E assim era ela. A flapper moderna, sem cachos e sem vestidos, mas, ainda assim, uma flapper.
Pergunto-me, e espero, que tal criatura, um dia, possa mostrar aos outros que sim, a elegância e a ousadia podem ser combinadas. Alguém não precisa ser rude ao extremo e sempre demonstrar isso apenas para não ser considerada “acomodada”, pode-se disfarçar-se a natureza revolucionaria com um toque de beleza, assim como faziam aquelas moças e como faz a tal flapper.
Quisera eu vê-la, um dia, dentro de um antigo speakeasy, animando-se ao som do jazz e encantando todos os rapazes ao redor com os seus cabelos cacheados, vestido bordado e pérolas ao redor do pescoço. Quisera eu ter a oportunidade de falar contigo sobre Fitzgerald e Dalí dentro de um animado café de 1920. Quisera eu conhecer-te cara a cara, querida flapper, mas, como esse mundo bizarro nos impede disto, faça-me um grande favor: não deixe o espírito dos anos de ouro esvair-se de ti, não deixe o jazz calar-se, não tire a maquiagem e nunca pare de dançar, pois você, minha querida, é uma das poucas peças raras dessa época que continuam vivas ao redor do mundo.
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