A Filha dos Raios
5 Pegasus-parte dois
Notas iniciais
Aquilo havia sido um sonho?Teria eu sonhado tudo aquilo desde minhas dores até o cavalo alado?Eu já não sei se quero que aquilo seja verdade ou não.
Abri lentamente os olhos e me vi deitada em meu quarto, as das estranhas mulheres estavam ali, e, ao lado deles Percy e Annabeth não parecia nada felizes, bem, pelo menos a parte de nossa pequena discussão não foi um sonho. Antes fosse.
Levantei pondo as mãos na cabeça e me espantando quando não vi nada girando por ali, as paredes estavam no lugar. Minha barriga roncava audivelmente em protesto por ter ficado tanto tempo vazia, minha boca estava muito seca, como se eu tivesse tomado um beijo de fogo enquanto dormia. Olhei pela janela vendo um pavoroso dia ensolarado quase rezando pra que chovesse e assim eu me sentisse melhor.
-Parece que já acordou não é?Podemos então sair daqui pelo menos até a porta- Annabeth esbravejou.
-Não vejo problema em saírem daqui, ela terá de repousar e muito antes deste desafio- as duas mulheres disseram em uníssono.
Levantei-me fraquejando e dando passos pouco seguros, o chão estável parecia ter vários desníveis.
-Senhorita, nós achamos que precisamos ter uma conversa séria convosco- as mulheres disseram- mas antes a senhorita tem que comer.
Não tive tempo de dizer que não queria, quando reparei já estava sendo conduzida para uma mesa imensa e repleta de coisas que eu nem sabia o nome.
Não arrisquei comer nada que eu não soubesse o nome sem ser informada, portanto só comi alguns morangos percebendo que a fome que eu sentia não era tanta, as duas mulheres me encaravam sérias. Parei de comer o fitei cada uma delas, ali havia decepção, dor, e talvez medo e raiva.
-Me desculpem por ter saído daquele jeito- eu murmurei encarando meus dedos.
-Você tem a altivez de seu pai e a doçura de sua mãe Annice, essa combinação pode ser maravilhosa; e ao mesmo tempo destrutiva- uma delas murmurou.
Continuei com os olhos baixos, eu não sabia o que dizer, não queria ter que dizer. Levantei-me lentamente dando passos ainda vacilantes em direção a porta. Passos curtos e rápidos vinham atrás de mim.
-A senhorita não saíra daqui, pelo menos não sem mim.
Olhei pra trás e Jennifer me encarava decidida, eu por minha vez começava a me irritar com aquela criaturinha e ao mesmo tempo divertir-me com ela.
-Eu juro pela primeira tempestade de verão que não partirei, pelo menos não agora, então me deixe em paz- eu disse fitando-a de soslaio enquanto saía.
Meus passos eram lentos e silenciosos, mas dois novos pares de pés juntaram-se aos meus, Percy e Annabeth seguiam-me de perto. Movi minhas mãos lentamente pra frente, se eu precisasse lutar pra ser livre eu o faria sem remorso futuro.
-Não vamos te atacar, só estamos nos assegurando de que...
-De que não fugirei?Vocês devem ter escutado a conversa que tive com Jennifer- eu murmurei.
-É, escutamos sim, mas o que nos garante que isso não foi um juramento vazio?- Annabeth perguntou seca.
Virei em meus calcanhares até encarar diretamente seus olhos acinzentados, ela podia ser perspicaz, mas era totalmente ignorante quanto a minha ligação especial com as chuvas, e primeira tempestade de verão era o que mais importava pra mim, era quando eu estava mais forte, quando me sentia e usufruía de todo o meu poder.
-Pobre filha de Atena, pensa que detém todo o poder e conhecimento em suas pequenas mãos, devia fechá-las melhor Annabeth, detalhes importantes estão lhe escapando por pura ignorância.
Olhei pra trás e Deidara me fitava de cima, sob sua imensa forma original, seus cabelos auri brancos caíam em ondas desajeitadas até sua cintura humana, e dessa vez não tive medo, aquilo me pareceu... Natural.
-Hey!Você sumiu- eu disse num tom de questão, ela tinha sumido, eu esperava ouvir o porquê.
-Sumi por causa da senhorita, não imagina o quanto você consegui deixar seu pai de mau humor, foi difícil fazê-lo escutar e se acalmar. – ela rebateu numa reprimenda.
-Fogueira; hoje temos fogueira!- um sátiro que passava gritou mais do que animado.
Olhei para Deidara em tom de interrogação, ela estava igualmente confusa com aquilo tudo.
-Contamos histórias e comemos em volta da fogueira, você vai gostar- Percy disse.
Hum, pessoas, interação, histórias e conversas desnecessárias, isso era tudo o que eu menos precisava agora. Dei a volta resignada enquanto retornava ao dormitório, passei por todos eles em direção ao deck e me joguei como estava vestida sem nem ao menos tirar os sapatos.
A água escura do lago era boa, me acalmava como se fosse uma velha amiga que me recebia e tranqüilizava, ali nem problemas e nem preocupações podiam me alcançar.
-Então você gosta dos meus domínios?
Afundei como uma pedra depois do susto que levei, subi para a superfície e Percy me encarava divertido sentado sob uma placa e água parecendo um tipo bizarro de esquimó.
-Nem aqui eu tenho paz?- murmurei nadando de volta.
-Como eu disse: esses são meus domínios Annice,não pode entrar na água sem que eu saiba,veja ou sinta, ainda mais com a carga elétrica que você libera cada vez que pula aqui dentro.
Fulminei-o e nadei batendo os braços e pernas o mais forte que podia, eu o sentia atrás de mim. Subi no deck e ele me acompanhou seco como se tivesse vestido outra roupa, fui entrando no dormitório e bati a porta trancando-a, abri a janela e ele me encarava indignado.
-Esses são meus domínios- eu sussurrei enquanto batia a janela.
Subi sentindo um misto de raiva e diversão até o solário, meu dormitório era suficientemente alto pra mim, meu solário era espaçoso e repleto das mais variadas curiosidades, ali havia lanças de diferentes os estilos, espadas, tapeçaria e cristais de todos os estilos antigos imagináveis, os cristais ali eram tão brilhantes que parecia que ali eu tinha meu próprio por do sol.
-Acho que se minha mãe visse isso ia gostar e muito daqui- eu sussurrei.
Uma lágrima traiçoeira rolou por meu rosto denunciando minha fraqueza, era agora, quando eu estava sozinha que eu podia entregar-me a dor,a agonia que eu sentia em me sentir tão sozinha, eu tinha tantas pessoas ali, mas me sentia irrevogavelmente sozinha, sem ninguém que realmente se importasse comigo de verdade, sem ordens, mitos ou coisas do tipo, nunca tive alguém que realmente gostasse de mim, não da Annice corajosa, simplesmente da Annice, uma garota esquisita e deslocada que mais do que nunca queria um colo de mãe.
Respirei fundo tentando me recuperar pra que ninguém visse minha fraqueza e assim soubesse o que provavelmente me derrubaria, somente eu tinha consciência plena de que aquilo me afetava tanto.
Comecei a devanear, a imaginar como minha mãe seria, se eu me parecia com ela, se tinha suas feições, seus cabelos ou alguma coisa do tipo, alguma coisa que me identificasse como dela. Acho que não.
Desci as escadas e entrei no banheiro trancando as portas,enchi a banheira e fiquei somente com o nariz e os olhos fora das bolhas que me envolviam,passei as mãos pelo corpo com ênfase no rosto, tentei imaginar como minha mãe seria, e não sei por que, comecei a imaginar o que eu tinha herdado de meu pai.
Aquilo tudo podia ser muito bom, mas como eu disse antes, não era pra mim, eu não merecia aquilo, aquela felicidade, eu não podia, não queria merecer.
Lavei o corpo todo sentindo cada ponto dolorido, e das causas dessas dores, do leviatã, mas não ele em si; lembrei-me de Percy e de quando ele me encontrou. Parecia que eu estava sendo direcionada pra lá, direcionada para ele.
Aqueles olhos cor de mar vieram a minha mente e meu corpo espasmou como se uma corrente elétrica delicada tivesse passado lentamente por ele traçando uma trilha de calor e sensibilidade. Imagens indevidas de nós dois começaram a passar por minha mente correndo indistintas, mas após certo tempo imagens delineavam-se, tornavam forma e deixam-me num misto de vergonha e excitação.
Saí corando do banho, as pernas bambas e o coração pulsando indomável. Troquei-me colocando um vestido de inverno e botas, meus cabelos pendiam soltos enquanto eu me olhava no espelho. Estava diferente, meu corpo estava mais bonito, mais forte e delineado em curvas sedutoras e traiçoeiras.
Saí do dormitório caminhando lentamente em direção a floresta de onde tinha chego até aqui, onde tudo começou e onde aquele velho pinheiro parecia me chamar como se quisesse minha companhia.
Encarei o velho pinheiro e sentei-me a uns poucos metros de distância, seu aroma envolveu-me deixando-me mais tranqüila, quase que de guarda baixa, mais eu não ficava tranqüila assim, pelo menos não tão fácil.
Ouvi murmúrios e levantei-me indo em direção aos sons de conversa e crepitar do fogo, a fogueira estava acesa. Pessoas dali juntavam-se de costas a bandeira que demonstrava a que deus eles pertenciam, de quem eram filhos, dei de ombros enquanto descia a colina em direção ao dormitório. Eu não fazia parte daquilo.
Dei poucos passos até sentir olhos em minhas costas, pus-me em guarda esperando qualquer ataque.
-Calma, sou eu, Percy- ele disse erguendo as mãos.
-O que quer aqui Percy, não deveria estar na fogueira sendo assado talvez?- eu perguntei avançando.
-Deixe de ser antissocial Annice, vem comigo pra fogueira, se você não gostar eu não vou te forçar a ficar- ele disse estendendo-me sua mão.
Suspirei enquanto me virava e ia em direção a fogueira e desviava-me da mão de Percy, não adiantou. Sua mão envolveu-se na minha.
-Quero garantir que você não fuja- ele sussurrou divertido.
Bem,aquela seria uma longa noite então.
O calor da fogueira banhava meu rosto e aquecia minhas pernas descobertas, Quíron aproximava-se de nós indo em direção ao centro da roda, Percy ficava ao meu lado frente à bandeira de Posseidon, do outro lado não havia ninguém lá já que não havia nenhum filho de Hades por aqui, exceto em meus pesadelos é claro.
-Heróis!Bem vindos à noite da fogueira, aqui conheceremos mais sobre seus pais e sobre suas obras, conheceremos mais de vocês e suas obras, então, que comecem as festividades!- ele anunciou com sua voz de trovão.
Senti alguém aproximar-se, estava perto de mais pro meu gosto. Olhei pra trás e Jennifer me encarava, fiz sinal para que ela e aproximasse.
-Algum problema?- perguntei sem encará-la.
-Até agora não senhorita- ela respondeu baixo.
-Então por que está aqui?- perguntei.
-Queria sua permissão pra poder assistir as festividades, eu gosto de histórias- ela murmurou quase que suplicante.
-E por que teria que ter minha permissão, eu não sou sua dona- rebati encarando-a num misto de raiva e confusão, Percy parecia tentar entender o que acontecia.
-Na verdade eu preciso sim senhorita, estou ao seu serviço, a sua disposição, então se não me quiser aqui eu entenderei- ela disse dando um passo.
-Sente-se aqui e escute as histórias então- eu murmurei a contragosto.
Jennifer sentou-se perto de mim quase quicando de excitação.
-Então que comecemos as histórias!Por que não começamos por alguém novo e misterioso, que tal a filha de Zeus?- Dionísio disse encarando-me- conte-nos algo de goste de se lembrar.
Olhei confusa para a roda, ali todos me encaravam com curiosidade, e Dionísio com certa petulância, ele parecia querer me provocar, no mínimo não gostava de mim, mas onde brinca um, brincam dois.
-Bem, vamos lá então, cresci num lugar não tão distante daqui, e onde cresci, as freiras com quem eu dividia espaço fabricavam bebidas, as melhores que o mundo já provou- eu disse enquanto Dionísio me encarava perturbando-o cheiro dos licores, do conhaque e de tudo mais era inebriante, o gosto doce e a bebida espessa faziam qualquer um querer cada vez mais, chegava a ser perturbador. Mas o que era o melhor, que quase não víamos, mas não existia igual era o vinho, desde o tinto em que colhíamos as uvas na primavera e dançávamos sobre elas até o vinho com especiarias, esse era incomparável, o doce das uvas acrescido do acre e exótico sabor das ervas e especiarias, e o cheiro, ah, o cheiro, não tinha nada que nos alegrasse mais dói que quando podíamos entrar na adega, e, o vinho pré-preparado estava ali, o cheiro era quente e doloroso de tão bom, nunca ninguém no mundo provou melhor.
Dionísio parecia profundamente perturbado, eu por minha vez o encarava divertindo-me com cada segundo daquilo, ele tinha sido proibido por meu pai de produzir uvas, e, mais doloroso do que isso, proibido de fabricar e aproveitar-se de tão esplêndida bebida.
-Que bela história, eu fico feliz que você nos tenha contado um pouco dela, mas que tal nos contar sua verdadeira história, a verdadeira lenda sobre a filha de Zeus, que tal nos contar o que acontecia antes de você vir pra cá- ele rebateu em tom de escárnio.
-Minha vida não é extraordinária, pode ser divergente em muitos pontos das de outras pessoas, mas com certeza isso não é algo que eu irei dividir- eu rebati sentindo que era isso que ele queria; desestabilizar-me- bem, mas posso mostrar-lhes o que recentemente aprendi a fazer.
Descobri recentemente que posso fazer certas coisas com a mente, comunicar-me é uma delas, mas não a usava já que não costumo falar muito com outras pessoas, mas isso seria útil numa emboscada por exemplo. Mas o que eu podia fazer e com certeza estava se tornando algo útil era a confusão, colocar imagens desconexas ou assustadoras na mente de alguém fazendo-o ficar desnorteado,isso numa fuga poderia ser útil,mas eu usaria para confundir Dionísio.
Olhei malignamente para Dionísio e imaginei o maravilhoso cheiro do vinho com especiarias, de sua fumaça e do cheiro que com certeza o perturbaria, somente ele iria sentir, e isso pra mim era o suficiente. Ele encarou-me atordoado e quase em surto, liberei-o de minha ilusão sorrindo delicadamente, Jennifer encarou-me parecendo assustada, todos pareciam assim. Levantei-me em cólera.
-Deuses são folgados, acham-se poderosos demais, inatingíveis demais, mas não são. E quanto a cada um de vocês, minha vida não interessa a ninguém senão eu- eu esbravejei encarando cada um deles, Percy estava impassível- e, além disso, vocês são somente armas, não tem valor nenhum pra eles, estão treinando pra servi-los, batalhar e morrer por vontade deles, por um problema deles, depois não digam que não foram avisados, mas acho que cada um de vocês sabe disso, sabem que são pequenas marionetes, e diferença entre mim e todos vocês é que tenho vontade própria, e principalmente, não ligo e não abaixo a cabeça pra ninguém independente de quem seja, boa noite.
Chega!Eu estava farta daquele lugar. De ser isolada, de que a cada movimento meu tinham trinta atrás de mim, observando-me, forçando-me a ficar aqui, e eu já tinha cansado disso. Desci a colina e irrompi em meu dormitório, peguei minhas coisas e saí dali a passos largos decidida a sair o mais rápido que podia e nunca mais voltar pra cá.
Em passos largos eu adentrei a floresta de modo a não ser vista, queria sair dali sem que ninguém me visse ou ouvisse, não queria ter que lutar pra sair dali. Passando quase pelo meio da floresta eu ouvi ruídos, quase como se cascos batessem contra o chão violentamente,fui mais pra perto, e o som parecia furioso, o que quer que fosse não estava de bom humor.
Alguns minutos depois eu cheguei mais perto e quase caí pra trás, o cavalo que eu defendera da ira de Quíron estava acorrentado pelas patas e lutava violentamente pra sair dali, suas asas batiam gloriosamente em busca de liberdade, correntes de ouro o mantinham preso ali, mais o animal era forte e parecia decidido a sair dali. Silêncio. Não ouvi mais cascos e asas batendo, nenhum relincho, nada.
Olhei atentamente a percebi que o corcel auri branco me encarava com seus lindos e furiosos olhos cor de céu. Meus pés pareciam mover-se involuntariamente pra frente, sem meu controle ou consentimento,quando dei por mim eu tinha em minha mão as correntes douradas que o encarceravam,e na outra jazia minha lança. Cortei as correntes e o corcel parecia mortificado ali, imóvel como uma pedra.
“Domine-o,vamos,faça!”-uma voz de trovão ecoava em minha mente.
-Não gosto muito de cavalos, eu prefiro um belo carro- eu murmurei.
O animal avultou-se sobre mim, imponente e parecendo decidido a acabar comigo. Suas patas subiam e desciam, suas asas batiam tão forte que eu quase perdia o equilíbrio, aquele era um cavalo selvagem, um corcel que se achava indomável.
-Tá certo então, eu te salvei e isso é o máximo que farei, não tenho medo de você, e tenho mais o que fazer!- eu gritei irritada-agora me deixe passar se não quer sentir o fio de minha lança.
Passei rápido pelo corcel voltando à trilha a passos largos, ouvi um bater de asas e quando dei por mim o corcel estava parado à minha frente, convicto.
-Qual o seu problema, me deixe passar- eu disse.
O cavalo aproximou-se decido e parecia querer que eu fizesse alguma coisa, seu focinho me empurrava. ”Monte-o, ele é seu, domine-o!”- a voz gritava em minha cabeça.
Tentei sair dali sem muito sucesso, já começava a cogitar matá-lo, mas acho que não teria coragem, ele era belo demais, forte demais.
-Você que pediu-eu disse irritada.
Virei-me e me joguei no tronco do imenso animal que rodopiava violentamente comigo em cima. Aquele vai e vem começava a e dar nos nervos. Soltei minha pulseira dourada desfazendo suas voltas, eu faria um cabresto improvisado pra domá-lo, tal como Belerofonte fez.
Puxei minha pulseira e joguei-a em seu pescoço e puxei até ela subir ao focinho, num último relincho o corcel abriu a boca dando passagem a meu cabresto improvisado, puxei de novo e ele parou de sacolejar, suas asas aquietaram-se e ele respirava resignado. Aquilo não tinha graça, eu queria domá-lo, mas não assim, a força.
Desmontei e puxei minha pulseira de sua boca, o corcel encarou-me parecendo confuso.
-Se você é meu, não quero dominá-lo a força, seria legal ser sua amiga, mas sem te forçar a nada, se não quer ficar aqui, e nem comigo não tem importância, a escolha é sua- eu disse contornando-o.
O belo animal abaixou sua imensa cabeça como se estivesse se curvando pra mim, aquilo era respeito, eu sabia reconhecer isso quando via, ele queria ser meu, só queria que eu provasse que o merecia, e acho que ele pensava que eu merecia montá-lo.
-Você tem certeza?- eu perguntei desconfiada.
O corcel virou-se de lado e eu subi lentamente sem nenhuma dificuldade, parecia que montava há anos com perfeição, seu dorso parecia ter sido moldado pra mim. Era perfeito, eu nuca tinha sentido nada ser realmente meu, mas este corcel com toda a certeza era.
“Você o mereceu, Pégaso é seu”- a voz disse parecendo orgulhosa.
Segurei em sua crina auri branca e macia e o incentivei a caminhar, ele andava bem, mais parecia que não estava confortável fazendo isso.
-Espero não me arrepender depois.
Puxei sua crina e aos meus pés as imensas asas abriam-se, eu estava voando no céu noturno, flutuando naturalmente, a lua redonda parecia me receber com uma velha amiga. Sorri olhando pra baixo, aquele ali com certeza era meu lugar.
Notas finais
See you on the next chap! O/
Fale com o autor