Notas iniciais
Oi queridos,demorei mais to aqui,finalmente as coisa na faculdade estão se acalmando e eu posso voltar apostar mais regularmente.Espero que não me odeiem pela demora.

E voltaram. Aqueles mesmos sonhos que me perturbavam noite após noite.

Aquele garoto parecia mais maléfico ainda, sua aura exalava maldade enquanto um pentagrama cor de sangue negro rodopiava por cima de sua cabeça coberta com uma coroa de ossos secos e retorcidos e uma capa negra esfarrapada roçava o chão por onde ele passava segurando um cajado com a cabeça ensangüentada de um cordeiro espetada na ponta.

Ele vinha em minha direção e eu ainda tentava segurar a mesma criança e correr, porém eu não podia me mover, não conseguia sair do lugar enquanto ele se aproximava maléfico de nós.

E então aconteceu. Percy vinha glorioso com seu tridente na mão e a marca de Poseidon por sobre sua cabeça imponente enquanto ele controlava uma onda gigante montado num imenso dragão marinho azul que parecia furioso.

O garoto encarava Percy furioso enquanto ele gritava pra mim coisas desconexas, algo como “você me verá”, e outras coisas sem sentido. Os dois começaram a batalhar furiosamente, a água se chocava com línguas de fogo que cortavam a noite e me faziam gritar junto com o bebê que se segurava desesperado em meus braços.

Lanças subiam e desciam perto demais do peito de Percy e quase nunca perto do garoto que se esquivava e lutava sujo. Minha lança parecia ter vida própria em minha mão, mais aquela impotência continuava me incapacitando e a única coisa que eu podia fazer era observar. E num lance tudo acabou.

Enquanto Percy dominava o garoto que parecia em atônito por ser derrotado uma sombra se avultou por trás de Percy cravando-lhe uma imensa lança pelas costas. Gritei desesperada enquanto ele caía das ondas e sentia algo me segurar firmemente. A criança já não estava em meus braços.

Abri os olhos e encarei Percy me contendo parecendo nervoso e assustado, não consegui controlar as lágrimas que rolavam por meu rosto e nem os gritos de puro medo que eu soltava enquanto o abraçava desesperadamente.

-Calma meu amor, tá tudo bem, eu to aqui, nada vai te acontecer, tá tudo bem, foi só um pesadelo – Percy repetia enquanto eu ainda gritava.

Não sei precisar quanto tempo depois eu voltei a mim e parei de gritar daquele jeito. Beijei as costas de Percy onde no pesadelo ele tinha sido transpassado e me acalmei olhando em seus olhos.

-Quer me contar o que aconteceu?Você me assustou quando começou a gritar desse jeito. — ele perguntou me abraçando protetoramente.

-Eu estava paralisada com um bebê nos braços enquanto ele vinha pra perto de mim, tão negro... Tão ruim mais você veio me salvar. Você tinha sido atacado por ele, e tinha vencido, mas alguém tinha te traído, alguém ruim, uma sombra que te machucou. Oh Percy, foi tão horrível te ver... Ver-te daquele jeito!- eu sussurrei voltando a chorar.

-Está tudo bem, ninguém vai me machucar meu amor, nada vai te acontecer e nem me acontecer. Estamos bem e é assim que vamos ficar- ele sussurrava em meus cabelos.

Troquei-me ainda trêmula enquanto Percy me observava como se eu estivesse prestes a desabar. Olhei-me no espelho e entendi o por que.

Eu tinha os olhos inchados e escurecidos, eu parecia fraca e frágil depois de tudo aquilo, mais quem não estaria se o amor de sua vida morresse traído diante de seus olhos, ainda mais traído pela pessoa que ele visivelmente confia; a quem eu só posso pensar como sendo uma sombra negra e terrível.

Ouvi o som de patas se aproximarem e Percy me olhou cauteloso.

-Tudo bem se Grover entrar?-Percy perguntou beijando meu ombro.

Assenti de leve e me sentei numa velha cadeira de palha penteando meus cabelos com os dedos.

-Bom dia mano!- Grover entrou saltitante no quarto.

O sátiro corou violentamente quando me viu no quarto de Percy tão cedo. Percy por sua vez se aproximou de mim e sentou-se em meu colo.

-Então o negócio tá sério não é?Cara, você tá seriamente enrolado nisso, deve ser uma loucura vocês dois aqui, os dois poderosos do pedaço.

Olhei pra Grover e sorri encabulada enquanto envolvia minhas mãos na cintura de Percy e ele passava as dele por cima das minhas.

Grover parou por um instante e me avaliou parecendo preocupado vindo pra perto devagar e crispando de leve a testa.

-Você não parece ter tido uma noite boa, não sinto alegria em você, sinto medo, sinto dor, sinto a morte- ele murmurava parecendo fora do corpo. -Gente, que estranho, senti como se tudo tivesse ficado escuro derrepente.

Fiz com que Percy se levantasse e saí dali atordoada em direção a cabana de Dionísio. O velho deus em forma de garoto me olhava parecendo desconfiado.

-Filha do velho barbudo, o que não farei por você?- ele disse sarcástico.

-Preciso falar com o oráculo- eu murmurei.

-Bem,isso não sou eu quem faz,é pela vontade dele te revelar alguma coisa ou não. Pode ir, ele está no sótão.

Subi as escadas que ele me apontou e entrei num sótão empoeirado cheio de artigos empoeirados de guerra e revistas em quadrinhos rasgadas. Parei observando cada detalhe perguntando-me o que podia ser um oráculo.

-Quem vem a minha procura?

Escutei uma voz agourenta sair de um globo que espiralava envolto em uma fumaça arroxeada e fúnebre que rastejava lentamente até o que achei ser um tipo de armadura velha e deteriorada por batalhas sangrentas e pelo tempo. Uma luz negra emanava dos buracos feitos no capacete onde deveriam ficar os olhos do guerreiro que a vestia.

-O que você vê em meu futuro?-eu perguntei me aproximando.

-Não me respondeu quem tu és- ele disse firme.

-Sou Annice- eu respondi.

-A quem pertence teu sangue, a que deus tu responde?- ele perguntou.

Crispei os dedos e respirei fundo antes de responder.

-Zeus- eu disse firme.

-Por que teu coração sofre?Teu pai a deixou viva- ele disse olhando em meus olhos.

Não quis contestar, não estava ali pra isso.

-O que vê em meu futuro?- perguntei mais firme me aproximando.

-A mesma arrogância de teu pai, os mesmos olhos também.

A armadura encarou a bola e a luz se concentrou nela, as mãos passando delicadamente por cima durante incontáveis minutos até que parou.

-Vejo seu medo, vejo seu amor e vejo que o que terá que passar para ser livre dependerá da decisão de vocês, sua e de seu coração. Deve procurar no medo e enfrentar sua coragem pra salvá-los, pra salvar o fruto de seu sangue e aquele por quem seu coração bate. Haverá uma traição pelo traidor de coração sujo, haverá a procura nos confins do inferno, e no fim, se não conseguir fazer as trevas tornarem-se luz no sangue do inimigo só tu sobrarás em solidão e medo no vale da morte. Pra que viva, tu terás que sacrificar sua primeira esperança de família, deve deixá-la voltar, deve mandá-la para luz.

Uma luz invadiu o sótão iluminando tudo até que só restassem meus pensamentos embaralhados e a bagunça poeirenta guardada ali.

Desci as escadas pensando em tudo o que ouvi, e como esperava que aquilo tudo estivesse errado ou que fizesse algum sentido. Dionísio me olhava parecendo interessado no que tinha se passado.

-Vai acontecer alguma coisa muito interessante pra que o oráculo tenha te falado tantas coisas assim, agora você deve ir, vá pra que seu destino comece a se cumprir filha de Zeus- ele disse enquanto abria a porta.

Percy me esperava na porta junto com Grover, Jennifer e algumas bagagens. Ele parecia chateado com alguma coisa.

-Annabeth não vem só nós vamos sair desta vez- Grover murmurou cabisbaixo.

-As suas malas estão prontas, não há nada com que se preocupar senhorita- Jennifer disse.

-Bem acho que já é hora de irmos não é?- eu murmurei encarando os céus.

Percy veio pra perto e me puxou num beijo delicado entrelaçando nossos dedos.

-Vai dar tudo certo, estamos juntos nessa.

Demos a volta pelo campo até chegarmos ao velho pinheiro e passarmos pela divisão entre o acampamento meio sangue e o mundo humano. Olhei em volta com um arrepio vindo do peito enquanto começávamos nossa jornada.

Notas finais
E aí,o que acharam?