A Filha dos Raios
7 I love you
Notas iniciais
Acordei com cada músculo meu doendo insistentemente, mais nada comparado à dor enlouquecedora de ontem, ou hoje, eu sei lá.
Passei lentamente as mãos pelos ombros e era a única parte do meu corpo que não doía e que eu imaginava que não estaria roxa. Percy.
Imagens de ontem à noite, do carinho dele e daquela frase mágica e que eu senti que era verdadeira saíram de seus olhos cor de mar. Não! Aquilo era uma alucinação, uma mentira da minha dor, eu não poderia machucar meu coração, eu achar que ele me ama de verdade seria me enganar completamente, seria destruir o que restava de meu coração ferido, então eu fingiria que nada tinha acontecido, por que nada aconteceu não é?Não é?!
Levantei cambaleante e cheia de dores indo em direção ao banheiro, eu precisava de um bom banho quente pra me situar. Não, eu precisava de um banho e de uma bebida muito, mais muito forte mesmo pra me sentir bem.
Cambaleei e me apoiei na cômoda, ali tinha um copo com algo verde dentro, na frente um cartãozinho escrito: “beba, vai ajudar com a dor”.
Entornei o copo sem pensar nas conseqüências, e se aquilo fosse um veneno?Marshmallows, aquilo tinha gosto de marshmallows!
Aquilo poderia ser parte verdade, mais aquela última frase que escutei com certeza não era. Abri as torneiras e pulei na banheira jogando o sabonete pra todo lado a essa altura eu estava imersa em bolhas.
Fiquei só com o nariz pra fora, o resto do corpo, incluindo os olhos estava coberto por água, bolhas e lágrimas. Doía mais aquilo não doía fisicamente, era pior. Minha dor era interna e destruía tudo o que via pela frente.
“Reaja,vamos,reaja!”- alguém me pedia parecendo nervoso.
“Deixe-me em paz!”- eu mandei de volta.
Queria me afogar, queria desaparecer, queria qualquer coisa que não me fizesse ter Percy por perto, e, conseqüentemente sofrer ainda mais com sua zombaria.
Comecei a sentir o ar faltar e as coisas ficarem meio turvas e por fim, eu não tinha forças pra imergir, e naquele momento eu queria que fosse assim. Mãos, Mãos frias me puxaram com toda a força até que eu tossi água com sabão descontroladamente.
-Hey, o que está tentado fazer?Senti alguém na agua aqui dentro, mais nunca pensei que fosse você há essa hora e nem que você estivesse tentando se matar- ele falou divertido.
Lágrimas escorriam por meu rosto enquanto eu encarava aqueles olhos cor de mar, doía tanto que agora aquela tempestade estava transbordando por meus olhos.
-Posso saber por que o amor da minha vida está chorando?- ele perguntou segurando meu rosto.
E aí o mundo girou. Minha cabeça processava exclusiva e unicamente aquela frase e seu sorriso sincero, sem zombaria, sem escárnio, somente... Amor.
Não controlei meus movimentos, quando dei por mim estávamos os dois na água. Nossas línguas explorando, descobrindo e deixando tudo em um maravilhoso frenesi incontrolável nossas mãos dançavam por nossos corpos, nossas línguas numa dança muito intrincada pra que eu fosse capaz de relatar. Tudo, qualquer parte de meu corpo estava extremamente sensível, cada toque dele, cada olhar mandava eletricidade por cada mínima parte de meu corpo, aquilo era maravilhoso, era simples e complicadamente intrincado.
Percebi que a água estava límpida, cristalina, sem nenhuma gota de sabão, sem absolutamente nenhuma espuma. Olhei mais atentamente e percebi que Percy me encarava, Lembrei que eu não estava vestida.
-Tão linda, tão minha, não precisa ter vergonha de mim meu amor- ele disse tirando minhas mãos de cima de tudo o que eu tentava tapar.
Involuntariamente eu me sentei em seu colo sem nem me dar conta, minhas mãos exploravam cada pedaço de seu maravilhoso rosto parando em seus olhos. Minha mão explorava seu abdômen delicadamente definido, perfeito. Minha mão desceu mais um pouco e eu o senti pronto pra mim, olhei pra cima e ele murmurava palavras desconexas com a cabeça jogada pra trás. Corei e tentei me afastar, ele me segurou ali, prendendo-me em seus olhos.
-Não quero te forçar a nada, quando você estiver pronta eu estarei pronto também- ele sussurrou- te amo bem mais do que o suficiente pra ser capaz de esperar por você,por mais que seja difícil, muito difícil.
Meu corpo juntou-se ao dele, estávamos tão próximos que podíamos nos fundir ali. Ele pediu passagem e eu permiti sem nenhuma resistência, a mistura entre dor e prazer era perfeita, inebriante. Depois de um tempo a dor passou, e por nenhum momento eu deixei de olhar em seus olhos e ele nos meus, tão sublime momento, tão simples e por isso tão perfeito.
A sensação, ah a sensação!Eu imaginava mil anjos tocando o mais doce dos violinos, cada toque traçava uma linha de fogo por sobre meu corpo, cada palavra desconexa que dissemos até que aquele fogo selvagem tomou conta de nós dois. Um caindo derrotado e gritando pelo outro. Os amantes mais perfeitos e mais errados de toda a história.
-Percy, se isso for um sonho não me acorde- eu sussurrei em seu colo, ainda unida a ele.
-Por quanto tempo eu sonhei com isso, em te fazer minha e ser seu.
-Meu totalmente meu- eu sussurrei beijando-o.
Senti que tudo se encaixava que meu lugar estava ali. Como pude ser tão cega e não ver que meu lugar era com Percy?Como pude lutar tanto tempo contra, eu era dele, e ele era irrevogável e incontrolavelmente meu.
-Te amo Perseu Jackson – eu sussurrei.
-Te amo Annice- ele sussurrou em meio a um beijo cálido.
Fechei meus olhos e passei as mãos por seu rosto rezando pra que eu não tivesse me afogado e aquilo simplesmente fosse uma alucinação ou coisa do tipo. Senti mãos frias passarem por meu rosto, abri os olhos e ele estava ali.
-Isso não é um sonho meu amor, eu estou mesmo aqui- ele disse devorando meu pescoço me fazendo arfar-Tenho que de dar uma coisa.
Ele virou-se e pegou alguma coisa em seu bolso, era um tipo de caixinha.
-Meu pai deu pra minha mãe, recebi isso hoje de manhã depois que fui tomar um banho no meu dormitório, espero que goste e aceite meu pedido. — ele disse passando-me a caixinha.
“αγαπώ περισσότερο από τη δική μου ζωή, με παντρευτείς;”
-Oh Percy!Sim!- eu disse abraçando-o.
Não percebi quando chegou à noite, por mim ficaríamos os dois ali pra sempre, depois daquela mensagem e daquele presente nada me faria mais completa e mais feliz, mas meu corpo não era como o de Percy, então comecei a tremer e a ficar enrugada.
-Acho melhor sairmos da água meu amor, vai acabar ficando doente- ele disse me levantando.
Levantamos os dois e percebemos que era noite, estava na hora do jantar.
-Está com fome?- perguntei colocando minhas mãos em sua barriga que roncava baixinho.
-Você me deixou faminto- ele disse me puxando pra mais um beijo.
-Eu perguntei quanto à comida Percy- eu expliquei me soltando- e, além disso, eu preciso de uma roupa.
-Não me importo de você ficar assim — ele disse me fitando de cima a baixo.
-Claro, vou fazer o maior sucesso com seus amigos quando formos jantar- eu respondi e ele quase rosnou.
-Coloque algo que cubra suas pernas, seus braços e seus olhos- ele brincou.
-Que tal colocar alguma coisa que mostre minhas pernas e meu rosto hein?Eles são seus Percy, só seu- eu disse puxando-o pra mais um beijo-agora vá se trocar; vai ficar gripado se vestir essas roupas molhadas por tanto tempo assim.
-Não preciso me trocar, lembra que eu controlo a água?- ele disse brincalhão me puxando pra um abraço- olhe de novo.
Olhei pra ele e ele estava totalmente seco, num dia de chuva isso seria muito útil.
-Percy!Percy cadê você?- Annabeth gritava, só faltei rosnar, Percy era meu e de mais ninguém, e na ligava de arrebentar Annabeth pra fazê-la entender.
-O que ela quer?- Percy murmurou parecendo irritado.
-Percy, você e ela nunca...
-Ela é minha amiga, amor, é você que eu amo, e o que confirma isso é a mensagem no bilhete, você gostou do anel?- ele disse beijando minha mão.
O anel era delicado e feito em prata, pareciam que vários galhos de uma planta muito delicada tinham se intrincado ali, no centro de cada minúscula volta jaziam várias pedrinhas minúsculas mais brilhantes do que diamante, e eram exatamente da mesma cor dos olhos de Percy. Uma lágrima rolou de meus olhos.
-Meu pai fez pra minha mãe, e agora ele é seu. Achei legal de dar uma coisa que simbolizava tanto amor, ele queria abdicar da sua divindade pra ficar com ela mais nunca pode entregar a ela. Hoje ele é seu meu amor- ele disse mais uma vez beijando minha mão.
-É perfeito meu amor, é maravilhoso- eu sussurrei.
Desci as escadas vestindo a camisa de Percy, seu cheiro maravilhoso na roupa e em mim. Olhei em volta e nenhuma daquelas doidas estava ali, era bom, mas mesmo assim saber o porquê era bom.
-Eu pedi pra elas nos deixarem a sós por hoje meu amor- ele disse me abraçando pelas costas.
-Certo, agora eu preciso me vestir, estou com fome você não?- eu perguntei me soltando e procurando por alguma coisa. Nada.
Olhei em todos os lugares e até minha mochila estava vazia, nada estava ali, nenhuma roupa.
-Onde estão minhas roupas?- eu perguntei retoricamente.
-Suas criadas lavaram, está tudo secando ali fora- Percy disse apontando pro deck- tem algumas coisas naquelas roupas, e elas me pediram pra não secá-las, mais disseram que dentro do guarda roupa tinham roupas suas.
Olhei confusa e abri o guarda roupa, ali tinha de tudo. Vestidos, saias, blusas e muito mais. Mas nada ali era conhecido.
-Só vou vestir por que não tenho outra opção- eu disse pegando um belo vestido preto e uma meia calça rendada, achei uma bela sapatilha de cetim preta e calcei. Tudo tinha ficado perfeito- Como elas sabiam meu número?
-Damas de companhia têm que saber dessas coisas, e você ficou linda demais vestida assim, adorei o decote nas costas, ele é... Sexy-ele disse passando as mãos por minhas costas descobertas.
-Perseu Jackson, você não era assim!- eu acusei ruborizando.
-Eu sei, mais quando estou aqui com você parece que eu faço o que nunca faria você me faz sentir que tudo é possível Annice, que tudo é... Mágico, desculpe se te ofendi- ele disse corando.
-Não me ofendeu meu amor, agora vamos?- eu perguntei puxando sua mão.
Todos nos encaravam abertamente enquanto chegávamos ao refeitório, olhei pro meu lado não querendo sair de perto de Percy mais o que vi me deixou de queixo caído.
Nossas mesas tinham certa distância antes, mais agora não tinha nenhuma, a bandeira era uma só ostentando o raio e o tridente, o símbolo dos dois grandes unido pela primeira vez.
-Acho que não preciso perguntar o porquê disso tudo não é?
Olhei pra trás e Deidara me fitava de cima de suas imensas patas de cavalo encarando minha mão junta com a de Percy.
-Er... Acho que não precisamos disso não é?- Percy disse sem jeito.
-Você não estava nem um pouco nervoso no meu dormitório – eu sussurrei no ouvido dele fazendo com que ele corasse mais ainda.
Quíron nos olhos e ergueu uma taça imensa de suas mãos derrubando o que quer que ele estivesse bebendo pra todos os lados.
-A união dos reinos!Mar e céu num só!- ele berrava enquanto todos gritavam e pareciam comemorar. Corei violentamente.
-Parabéns Percy.
Olhei pra trás e Annabeth nos olhava com um imenso sorriso e lágrimas querendo cair de seus olhos- Percy o cabeça de alga está amando!
Ela veio e abraçou os dois desajeitadamente, olhei surpresa enquanto eu sentia sua sinceridade, e havia verdade em cada gesto dela, ela estava feliz por nós dois estarmos juntos.
-Meu chapa agora está encoleirado!- Grover berrou abraçando a nós dois, eu não pude deixar de estremecer.
-Pra você ver o que o amor não faz com a gente não é?Ela é minha e de ninguém mis entenderam molecada?Qualquer um que olhar estranho pra ela vai se vir comigo depois!- Percy gritou enquanto eu o beliscava.
-Isso vale pras garotas daqui também, ele é meu!- eu gritei de volta.
Sentamos e começamos a comer naquela agitação sem nem cogitar soltarmos as mãos um do outro.
-Minha mãe vai adorar te conhecer!- ele disse animado.
Olhei pra ele e Deidara, Quíron, Grover e Annabeth se encararam e nos encararam.
-É, e o pai dela vai adorar quando você der a notícia- Annabeth disse-bem, é bom começarmos a planejar a viagem então. Pra onde você vai durante as férias?
-Não pretendia ir a lugar algum Annabeth – eu respondi. Não tinha lugar nenhum pra ir fora daqui.
-Ela vai passar as férias comigo e com a minha mãe- Percy disse sorrindo pra mim- não a deixaria ficar aqui sem mim.
Bem, em teoria eu estava animada pra conhecer a mãe de Percy, mas com certeza a voz agourenta de Annabeth quanto a Percy contar ao meu pai que estávamos juntos não me agradou em nada. Será que realmente havia tanto problema nisso?
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