A Filha dos Raios
12 Dádiva
Notas iniciais
Fechei os olhos e me senti tremer, senti meu coração acelerar como uma locomotiva enquanto aquele homem se aproximava e apontava pra que entrássemos na cabine.
Vi todos ali dentro enquanto Percy sorria de lado me encorajando a entrar, porém eu hesitei antes de dar os passos que me separavam do Olimpo e de tudo o que iríamos passar. Aninhei-me em Percy ouvindo as batidas aceleradas de seu coração e guardando seu cheiro, seu calor e aqueles momentos pra mim.
A sensação que eu tinha era que o estava perdendo pra mim mesma a partir daquele momento.
Em menos tempo do que eu gostaria estávamos parados nos entreolhando e a porta se abria.
Tudo ali tinha cheiro de pedra e um ar pesado e mórbido que nos circundava enquanto cada passo se tornava pesado pra mim. Deixei minha mão cair soltando-me de Percy.
Nos poucos passos que nos separavam eu senti o peso de tudo aquilo recaindo sobre ele, e cada momento que vivi com ele me parecia errado, cada sorriso parecia um crime agora, porque por minha causa ele poderia morrer.
Eu já sabia o que fazer.
Acelerei meus passos e passei como um raio por entre eles até chegar aos pés da cadeira gigantesca que deveria estar ocupada por Zeus.
–Sei que está por aqui chefe dos babacas com super poderes. Não me faça perder tempo procurando por alguém que não desejo encontrar.
Ouvi uma risada pesarosa, mas ainda não tinha visto ninguém. Fechei os olhos e senti a carga elétrica ficando mais intensa ao meu redor, quase sufocante. Então era essa a sensação de me sentir próxima a um Deus.
–Deveria tomar mais cuidado com suas palavras criança.
Olhei pro lado e o vi. Barba longa, olhos azuis, forte e num terno caro. Zeus estava ali em forma humana.
–Vou dispensar seu conselho- rebati
O velho passou por mim pensativo enquanto chegava até Percy. Estava tão furiosa que eu podia sentir um rosnado nascendo em minha garganta.
–Está aqui finalmente, o filho de meu irmão. Diga-me, acha que está pronto pro que lhe pedirei?
Percy acertou a postura e abriu a boca formando sua frase.
–Não
Todos se viraram pra mim boquiabertos. Eu olhava aquele homem com desprezo enquanto cruzava os braços.
–O que pensa que vai ganhar fazendo isso?Tentar destruir o filho do seu próprio irmão, e ainda mais, trazendo infelicidade a filha que você ironicamente manteve na forma humana. O que você ganha nesse seu joguinho sádico?
–Você me desafia assim como sua mãe. -ele sussurrou
–E por isso você a matou?Por isso me deixou naquele lugar?Não sei qual seu joguinho de merda, não sei quais seus desejos, mas isso acaba por aqui.
Aquilo tudo tremeu. O Olimpo era um lugar perigoso, mas eu precisava acabar com aquilo.
Mãos quentes como fogo envolveram meu pescoço; e eu apenas sorri.
–Vá em frente, me mate e acabe com tudo isso. Não me importo com o que vá fazer comigo
Minhas palavras mais baixas do que a respiração que eu não tinha pareceram gritos naquele lugar. As mãos me soltaram.
–Não te matarei já te permiti à vida. — ele sussurrou furioso
Meu peito doía, minha alma se despedaçava enquanto eu preparava aquelas palavras.
Encarei aqueles olhos e me permiti morrer por dentro.
Minha expressão mudou de dor pra indiferença enquanto eu me colocava em pé.
–Seu joguinho de merda acabou porque não ficarei ao lado de Perseu, isso acaba aqui, tem a minha palavra.
Percy caiu de joelhos e todos olharam petrificados pra ele. Dei passos duros até o elevador enquanto eu ouvia seus gritos desesperados chamando meu nome.
Cheguei ao Empire e meu Pégaso me aguardava inquieto, sentindo o ar pesar tanto quanto eu. Subi em seu dorso e me permiti gritar enquanto voávamos por Nova Iorque.
Abandoná-lo é a melhor dádiva que posso dar a ele.
Sua salvação, e meu inferno particular.
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