A Filha do meu chefe
3 Capítulo 3: O Estágio do Inferno
Três dias haviam se passado desde o jantar desastroso. Lucas estava em sua mesa, cercado por três monitores e pilhas de relatórios de auditoria, quando o Dr. Otávio entrou em sua sala sem anunciar. Ele não estava sozinho.
— Lucas, meu caro! — Otávio exclamou, com aquele entusiasmo de quem está prestes a descarregar uma bomba. — Estava conversando com a Eleonora e decidimos que a Beatriz precisa de um banho de realidade. Ela está muito focada apenas no colégio e nas redes sociais. Precisa entender como o dinheiro é feito.
Lucas sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele levantou os olhos lentamente e viu Beatriz parada logo atrás do pai. Ela usava um blazer preto estruturado sobre uma blusa branca, um visual que tentava ser profissional, mas os lábios pintados de um vermelho provocante e o olhar gélido diziam outra coisa.
— Ela vai fazer um estágio de meio período aqui. — Otávio continuou, ignorando o silêncio mortal de Lucas. — Quero que ela fique sob sua supervisão direta. Ensine a ela o que é disciplina, logística e, principalmente, como funciona o mundo corporativo.
— Dr. Otávio... com todo o respeito — Lucas começou, a voz falhando por um segundo. — Minha agenda está lotada. Talvez o departamento de RH ou o Financeiro fosse mais adequado para...
— Bobagem! — Otávio cortou, dando um tapinha no ombro da filha. — Ela precisa aprender com o melhor. Beatriz, o Lucas agora é seu mentor. O que ele disser, é lei. Estamos entendidos?
— Perfeitamente, papai — ela respondeu, a voz carregada de um sarcasmo que só Lucas conseguia detectar. Ela deu um passo à frente, estendendo a mão para Lucas. — Espero que não seja um mentor muito... rigoroso, Sr. Lucas.
Lucas apertou a mão dela por apenas um segundo. A pele dela estava quente, contrastando com o ar condicionado gelado da sala. Assim que Otávio saiu da sala, fechando a porta de vidro, a máscara de Beatriz caiu.
A Revanche de Beatriz
Ela não se sentou na cadeira de visitante. Em vez disso, caminhou lentamente até a janela, observando a vista da cidade, e depois voltou-se para a mesa de Lucas, sentando-se na borda dela e cruzando as pernas de forma deliberada.
— Saia da minha mesa, Beatriz — Lucas disse, sem tirar os olhos do computador. — Agora.
— O que foi? O "grande executivo" está com medo de uma garota de dezessete anos? — Ela se inclinou para frente, invadindo o espaço pessoal dele. — Você me empurrou naquela sacada, Lucas. Ninguém nunca me empurrou.
— Eu salvei a sua vida e a minha carreira — ele rebateu, finalmente olhando para ela com fogo nos olhos. — Se você quer mesmo estagiar aqui, vai trabalhar. Pegue aqueles arquivos de importação na prateleira de baixo. Quero todos digitalizados e organizados por data até o fim do dia.
Beatriz olhou para a pilha enorme de papéis e soltou uma risada seca.
— Você acha que eu vou ser sua secretária?
— Não. Você vai ser minha estagiária. E se não gostar, pode contar para o seu pai que não aguenta a pressão. Ele adoraria saber que a "joia" dele desistiu no primeiro dia.
Ela cerrou os dentes. A provocação de Lucas havia atingido o orgulho dela. Beatriz desceu da mesa e pegou os arquivos com força, mas antes de se afastar, ela se inclinou no ouvido dele, sussurrando:
— Eu vou fazer o trabalho. Mas não pense que isso acabou. Se eu tenho que ficar trancada nesta sala com você por quatro horas todos os dias... eu vou fazer cada um desses minutos ser um inferno para você, Lucas.
O resto da tarde foi uma guerra de nervos. Lucas tentava se concentrar, mas o som das folhas de papel sendo viradas com raiva por Beatriz e o barulho rítmico do sapato dela batendo no chão o desconcentravam.
Por volta das cinco da tarde, quando a equipe de apoio já havia saído para o café, Beatriz se levantou. Ela caminhou até a cafeteira da sala de Lucas e, ao passar por trás da cadeira dele, deixou "acidentalmente" uma caneta cair. Ao se abaixar para pegar, ela roçou o braço propositalmente na perna de Lucas, demorando-se mais do que o necessário.
— Ops... — ela murmurou, olhando para ele de baixo, com um sorriso desafiador.
Lucas fechou o notebook com um estrondo.
— Vá para casa, Beatriz. O dia acabou.
— Só está começando, mentor — ela respondeu, pegando a bolsa e saindo da sala com um andar confiante, deixando para trás apenas o rastro do seu perfume cítrico e um Lucas completamente desestabilizado.
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