— Alice, tente entender... – Pede Valary, observando a raiva tomar conta da filha.

— Não quero entender, mãe! – Grita dando uns passos pra trás. – Não é justo que aquela ridícula queira atrapalhar a minha amizade com o Zacky. E você deveria estar do meu lado.

— Mas vocês realmente vivem juntos, você não está dando espaço pros dois. – Explica. – A Gena gosta de você, ela apenas pediu pra que eu conversasse e te pedisse pra se afastar um pouco dele.

— Já chega. – Alice encara a mãe, e sem dizer mais nada, pega a bolsa em cima do sofá e sai batendo a porta atrás de si.

Alguns passos depois, estava de pé em frente a casa do Zacky, esperando ele sair. Qual era o problema deles saírem juntos, dormirem juntos, comerem juntos, viverem juntos? Eram amigos, eram importantes um pro outro. Gena não iria conseguir impedir a amizade dos dois, disso Alice tinha certeza. Suspirou e olhou pro celular, já era tarde, e ele estava demorando. Mandou uma mensagem pro whatsapp dele, e nada. Misturando irritação com impaciência, tocou na campainha, e como o esperado Gena apareceu.

— O que você quer? – Pergunta a loira de forma grosseira.

— Avisa ao Zacky que eu to esperando aqui fora. – Diz Alice, evitando papo.

— O Zacky não vai sair hoje. – Diz ela, se preparando pra fechar a porta.

Rapidamente, Alice empurra a porta e se aproxima da mulher.

— Eu quero falar com ele. – Diz pausadamente, em tom ameaçador. Gena, porém, não se sentiu intimidada.

— Garota sai logo daqui, antes que eu te arrume mais uma confusão.

— Ei, o que é isso aqui? – Zacky chega entrando no meio das duas.

— Você não vai sair! – Rosna a mulher.

— Gena, eu almocei fora com você hoje, fui pra praia e pro shopping. – Explica ZV, despreocupado. Em seguida ele se aproxima e a beija, Alice olha pro outro lado, odiando presenciar aquilo. – Eu volto cedo. – Diz por fim, sorrindo pra namorada e saindo dali cautelosamente.

— Como ela consegue ser tão insuportável? – Pergunta Alice, entrando no carro.

— Pra onde nós vamos mesmo? – Pergunta Vengeance, mudando de assunto. Não podia deixar as mulheres acabarem com a sua tranquilidade.

— Pra aquele pub bem legal que vimos naquele dia.

Alguns minutos depois, já estavam lá. O ambiente era tranquilo, porém bem movimentado, quase lotado. Sentaram em uma mesa afastada, todo cuidado era pouco, não era fácil pra ZV ser famoso, nem pra Alice ser filha do Shadows, se bem que só quem notava a existência dela, eram os fãs mais curiosos. ZV fez sinal para o garçom que não demorou a chegar.

— O que vão querer? – Pergunta ele, aparentemente apressado.

— Tequila. – Informa Alice. Zacky sorri, por não ter se surpreendido nem um pouco com o pedido dela.

— Eu também. – Diz vendo o garçom anotar e sair.

— Ele é lindo. – Alice suspira apoiando os cotovelos sobre a mesa.

— Ele quem?

— O garçom.

— Não. – ZV discorda, claramente. – Eu, por exemplo, sou mais bonito do que ele.

— O que? – Ela solta uma risada. – Ele é alto deve ter o pau grande.

Os dois se entreolham e silêncio, enquanto o garçom coloca as garrafas de bebida sobre a mesa. Depois ele, um pouco constrangido, volta ao seu trabalho.

— Essa história de relacionar a altura com o tamanho do documento, é mito. – Discorda Zacky.

— Documento? – Alice debocha. – Nem meu avô fala assim.

— Foda-se. – Ele se levanta, colocando um cigarro entre os lábios. – Vou fumar lá fora.

— E porque não fuma aqui? – Pergunta ela, que o vê apontar pra uma placa que informava que era proibido fumar ali, e depois sair.

A admiração dela pelo pub caiu em cerca de cinquenta por cento, ter que ir pra fora pra fumar, era sem dúvidas deprimente. Suspirou bebendo sua tequila, bebeu bastante, bebeu rapidamente. Não era correto beber tão desesperadamente uma bebida assim, mas a garota pouco se importava. Olhou a sua volta, o lugar era frequentado por uma maioria masculina, alguns já estavam olhando na sua direção, Alice se ajeitou na cadeira se sentindo desconfortável. “Não se deixa uma donzela sozinha na mesa, Zacky” pensou rindo por dentro por o termo donzela ter sido tão irônico. Voltou a beber sua tequila, até sentir alguém se aproximar, e se sentar ao seu lado.

— Eu me lembro de você. – Diz o rapaz, muito próximo.

— Legal hein. – Ela sorri. – Mas eu não me lembro de você.

— Você me deu um fora na boate, lembrou agora?

— Ah. – Alice engole em seco. “Puta merda” pensou. – Hoje você está cheirando duas vezes mais a bebida.

— Você é muito audaciosa garota. – Ele ironiza. – Eu gosto disso. – Diz abaixando o tom de voz. Alice sentiu a mão dele sobre sua coxa, e ficou de pé rapidamente.

— Dá o fora garoto, não te dei liberdade pra você vir tocar em mim não! – Afirma, alterada.

— Não pedi sua autorização. – Ele a segura pelo braço com força, a puxando pra mais perto, com raiva daquela, numa boa definição dele “vagabunda”.

Num piscar de olhos Alice viu o rapaz ser jogado brutalmente no chão, e foi necessário mais um piscar de olhos, pra ver que era Brian quem o havia empurrado e com outro piscar de olhos, ele estava tentando matar o garoto.

— Deixa Brian, deixa! – Pede Alice, o puxando e fazendo ele ficar de pé. O garoto se levantou um pouco amedrontado e saiu dali, rapidamente. As pessoas estavam todas olhando na direção dos dois que agora estavam de pé, um pouco perdidos.

Tentando recuperar o fôlego, e com um olhar que Alice nunca antes havia visto, Brian disse algumas poucas palavras:

— Você deveria tomar mais cuidado.

— Eu sei me cuidar. – Ela volta a se sentar, e ele a acompanha. – Não precisava da sua ajuda.

— Por nada. – Ironiza Gates, pegando a garrafa de tequila da mão dela e bebendo alguns goles.

— Me seguiu de novo?

— Dessa vez sim. – Responde o guitarrista, despreocupado.

Impressionada com a sinceridade/seriedade dele, Alice não tinha muitas provocações pra fazer, estava sem clima pra irritá-lo.

— Oi Brian, como nos achou? – Pergunta ZV, sentando á mesa.

— Ele não achou, na verdade...

— Vi seu carro no estacionamento e resolvi parar. – Explica ignorando Alice.

— Essa desculpa é velha...

— Cala a boca. – Gates não disse de forma audível, mas Alice era boa na leitura labial.

— Vai se ferrar. – Responde também de forma inaudível.

— Está rolando um ritual de acasalamento aqui? – Zacky arqueia as sobrancelhas, e no mesmo instante seu celular toca. Escutou sua namorada fazer algumas reclamações, parecia que o cano da cozinha tinha estourado e casa estava inundada. – Eu tenho que ir, gente! – Informa já saindo dali.

— Eu vou com você. – Alice quase que corre atrás do amigo, e Brian a acompanha.

— Fica. – Pediu, antes que ela entrasse no carro. Um pouco incrédula, ela se virou pra encará-lo.

— Eu não acho que seja ma boa idéia. – Diz ela, dessa vez, num tom calmo.

— Você vem Alice? – Pergunta ZV de dentro do carro, já pronto pra acelerar.

Ela encarou o amigo, depois voltou a olhar pro moreno parado a sua frente, que com o olhar fazia um pedido silencioso. Ela se voltou pra Zacky novamente e fez o gesto com a mão indicando que ele podia ir. Quando ele se distanciou, Alice voltou a encarar o guitarrista. O silêncio estava pirando no local, estavam fora do pub, no escuro e no frio, ela gostaria sinceramente de fugir dali.

— Você não foi embora, isso já é um primeiro passo. – Diz ele, sorrindo, quase que galanteador.

— Eu gostaria, acredite. – Seja forte, seja forte.

— Você fica ainda mais atraente, quando finge que não me quer.

— Talvez não seja fingimento. – Ela pisca, sentindo um prazer esmagador de fazer ele se sentir um idiota.

— Posso te levar pra casa? – Pergunta ele, em tom calmo. Desconfiada Alice anda na direção do carro dele.

Foram longos minutos de silêncio. Apenas uma música em volume muito baixo, que tocava no carro, tornava a situação menos tensa. Ele parou o carro, Alice olhou pela janela, e viu que não estavam em casa. Voltou a encará-lo, agora ainda mais desconfiada.

Notas finais
Me digam se estão gostando ♥