A Filha do Mar
2 Minha vida não tem sentido!
Notas iniciais
Nunca fiquei tão confusa quanto aquele momento! O que a diretora estava falando? Por que uma névoa verde saía da boca de Rachel? O que é esse tal acampamento?
Devo ter ficado uns 10 minutos com cara de idiota olhando para a diretora e para Rachel, pois já tinha batido o sinal da saída e minha mãe estava me ligando para irmos embora.
– Zoey, chame sua mãe aqui e chame Greg também. Tem alguma coisa muito séria acontecendo. — disse a diretora.
Fiz que sim com a cabeça, ainda com cara de idiota e chamei os dois.
(...)
Depois que estávamos todos na sala da diretora, dois adolescentes esfarrapados entraram pela porta correndo desesperados! Provavelmente meu dia começaria a ficar mais estranho do que já estava á uma hora atrás.
Olhei bem para eles e eram as mesmas pessoas do meu sonho. Percy Jackson, como Rachel havia falado e uma outra garota, que achava ser muito amiga dele.
– Olá Sra. Smith! Oi Rachel! — Disse o tal Percy, sorrindo, mas muito cansado. A garota conseguiu apenas sorrir antes de se jogar no sofá da sala. E eu fiquei surpresa de saber o nome da diretora. Estava naquela escola havia seis meses, e não sabia o nome de muita gente.
– Percy! Annabeth! É bom vê-los! Tudo bem com vocês? O que aconteceu no caminho? — Perguntou a Sra. Smith.
– Bom, nós pegamos um táxi até uma ruazinha deserta, onde o carro quebrou, pagamos o taxista e continuamos o resto do caminho á pé. — disse Percy sentando ao lado de Annabeth e acariciando seus cabelos, (N/Autora: Mina! Teus cabelo é da hora! Teu corpão violão! Lembrei disso! kkkk) enquanto ela se encostava em seu ombro. — Até achamos que estava tudo normal até aquela chata da Kelli, a empousa me atacou por trás.
– AQUELA RECALCADA BREGA DE NOVO?!? — disse/gritou Rachel com raiva.
– Pois é... ela mesma! — continuou Percy — Eu levei um susto. Saquei Contracorrente e...
– Contra-o-quê?? — interrompi
– Contracorrente. Anaklusmos em grego antigo. É minha espada, feita de bronze celestial. — Ele tirou a tampa de uma caneta esferográfica e ela se transformou em uma lâmina de 50 centímetros com empunhadura de couro.
– A... tá.... entendi! Que máximo!!
– Obrigado! Mas enfim... eu saquei Contracorrente e Annabeth a espada de ossos dela e Kelli se transformou naquela coisa maravilhosa de empousa. Ela desviou de praticamente todos os golpes que demos nela. — Annabeth se levantou e continuou:
– Nós corremos até ela nos encurralar num beco, por um fio Percy não conseguiu distrair ela para eu dar o golpe final.
– Espera! — falei — Foi exatamente o que eu vi em meu sonho essa noite! Vi vocês dois correndo e quando estavam em um beco uma coisa de cabelos de fogo chegou voando e atacou. Mas aí a imagem se desfez e eu acordei.
Todos se entreolharam e só eu não entendi do que se tratava. Greg viu minha “nova cara de idiota que não estava entendendo nada” e disse:
– Zoey, eu sei que é muita coisa para absorver, mas vamos explicar tudo para você. — ele olhou para minha mãe — Sra. Walker, pode, por favor, começar?
– Claro Greg! Será um prazer! — ela olhou para baixo — apesar de que eu esperava nunca ter essa conversa...
Ela disse para eu me sentar ao lado dela para eu conseguir entender melhor.
– Bom, minha filha, você já aprendeu sobre mitos gregos, romanos e tal. Não é?
– Sim, faz tempo na verdade.
– Então... tudo aquilo é real! Todos os mitos, monstros, deuses, histórias, heróis... tudo! E você e todos que estão nessa sala fazem parte disso! — explicou ela — Seu melhor amigo Greg, é um sátiro. Eles estão espalhados pelo país protegendo semideuses. Como você!
– Peraí... O QUÊ? — falei totalmente confusa.
– Benzinho... — era assim que ela me chamava — como você já sabe, nós te adotamos um mês depois que você nasceu, certo?
– Sim... e daí?
– Quando te adotamos a Sra. Smith explicou tudo sobre você. Ela sabia que na verdade você é... uma... uma... semideusa. Filha de um deus grego com uma mortal. Só não sabemos qual deus é seu pai.
– Sei de tudo isso, pois também sou um deles. Sou filha de Deméter, deusa da agricultura — falou a Sra. Smith. Ela pegou uma plantinha murcha plantada em um vaso. E com um toque ela ficou mais linda do que nunca. — Viu só? É um dos poderes passados para mim de minha mãe.
– N-n-nossa! I-isso é muito legal! Então eu sou... uma heroína? Como Hércules e Aquiles?
– Sim! — respondeu Percy — E nós também! Eu sou filho de Poseidon, deus dos Mares e Terremotos.
– E eu, filha de Atena, deusa da Sabedoria e da Estratégia em Batalha. — completou Annabeth.
Minha mãe me explicou tudo. Falou sobre a tal névoa, que ela conseguia ver através dela, assim como minha irmã mais nova, que era mortal. Apenas meu pai não conseguia. Também falou sobre os monstros, alguns mitos, etc. E Annabeth falou sobre o Acampamento Meio-Sangue, Quíron, os chalés, os deuses, a batalha contra Cronos, depois contra Gaia... e como venceram cada uma!
– Uau! Nunca pensei que isso fosse real! Principalmente aqui nos Estados Unidos! — disse eu olhando para Greg, que parecia meio intrigago. — Hum... Greg? Alguma coisa errada?
– Não sei... mas é que eu acho que.. — ele interrompeu a frase antes de acabá-la. Talvez fosse algo importante, mas ele não quis falar.
Ficou um silêncio sinistro de repente. Até que a Sra. Smith quebrou ele.
– Bom, já que Zoey sabe de tudo, está na hora de levá-la até o Acampamento! Annabeth, pode providenciar tudo?
– Sim senhora! Quíron já foi avisado sobre voltarmos com mais um meio-sangue.
– Ótimo! — ela olhou para a minha mãe — Annabeth vai te falar tudo o que é preciso levar para lá, ok?
– Claro. Mas... é o verão todo? — falou ela.
– A maioria fica. É mais seguro ficar lá. Principalmente em New York.
(...)
Depois de mais algumas dúvidas explicadas — e algumas nem tanto -, eu, minha mãe, Greg, Annabeth e Percy fomos para minha casa preparar tudo para o Acampamento.
Arrumávamos a mala enquanto papai e Percy conversavam sobre nosso mundo e Greg mastigava latas de refrigerante na cozinha.
– Pra onde você vai? — perguntou minha irmãzinha de 6 anos, Olívia, olhando para minhas tralhas. Me abaixei do seu lado e respondi:
– Eu vou passar o verão num Acampamento muito legal. E quando eu voltar, nós vamos brincar muito antes das aulas começarem. — ela sorriu daquele jeito fofo, que me fazia derreter de amor por ela.
– Ebaaa! Vamos esperar você para a Festa do Chá!
– “Vamos”? Você e quem mais?
– Eu, o Pingo, o Perry e a Lily. — Pingo era um pinguim roxo de pelúcia. Perry, um ornitorrinco verde de um desenho da Disney. E Lily, uma boneca de pano que minha avó fez para ela de tricô.
– Ah, sim! Claro! Lembre-se que Perry vai sentar do meu lado tá?
– Tá bom! — disse ela ainda sorrindo e abraçando o Pingo.
Dormi tranquilamente aquela noite, apesar de ter ficado até as duas horas da manhã imaginando como seria o tal Acampamento.
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