A Filha do Leto

1 Capítulo Único - A Filha do Leto


Notas iniciais
Espero que goste.
Esta "fic" saiu do nada, porque não tinha para fazer.
~Deve estar muito secante... Desculpem eu não ser lá muito boa escritora.

Quem sou seu? O meu nome é Jamie Believer Leto. Um nome para mim bizarro e infelizmente explicado pelo facto de ser filha de uma mulher viciada em 30 Seconds To Mars, e bem, der ser filha do próprio vocalista da banda. Por ser o resultado de uma noite inconsciente.

Para quem ainda não se apercebeu, não me agrada muito a ideia. Aliás, não me agrada em nada. Ser filha de uma estrela rock seria bom se eu me sentisse como uma. Mas não sinto. Ser filha de uma fã viciada seria bom se eu ainda tivesse mãe.
Estes são os grandes dilemas da minha vida.

A minha mãe morreu à pouco mais de três meses, vítima de um acidente automóvel.
Na altura vivia no Michigan e levava uma vida quase normal de uma adolescente de catorze anos. Apesar de todo o alarido de ter um pai que é estrela rock, conseguia tirar boas notas e ter verdadeiros amigos.
Agora tudo mudou.
Após o acidente, não tinha ninguém com quem ficar. Por uns tempos estabeleci-me na casa de uma velha amiga da minha mãe, Margot. Mas a assistente social foi bem clara quando disse que era preciso ter uma autorização legal e para isso acontecer era também precisa a autorização do meu único encarregado legal, o meu pai.
Até à data ele não esteve presente para me abraçar, para me consolar nem para me dizer um simples “Vai ficar tudo bem”. Odeio-o por isso. Por nunca querer ter sabido de mim, ou da minha mãe. Por apenas estar interessado na sua brilhante carreira e estado saudável da sua fama!
Houve um dia em que a assistente social me chamara à parte. Tinha sido durante uma aula de matemática e fiquei agradecida pela Menina Price, a assistente, ter pedido a minha comparência a meio da aula. Saí e dirigi-me com ela até uma pequena sala. Lembro-me de ela estar um pouco que eufórica e, que antes de me fazer entrar me dissera “Agora vais poder ser feliz”.
Feliz o tanas!
Dentro da sala estava uma figura masculina. Trazia consigo todo o charme e todo o brilho que as câmaras estavam habituadas a apanhar. Sempre estranhei não ver esse brilho… Então Menina Price deixou-nos a sós e saiu.
- Olá Jamie – Disse ele entre um sorriso que sinceramente me deu vontade de esganá-lo – Como estás?
- Óptima – murmurei sarcasticamente. O meu elevado estado de irritação levou-me a sentar numa cadeira ali perto. Evitei contudo olhar para o homem, sabendo que se o fizesse me desmancharia em lágrimas – O que estás a fazer aqui? – Perguntei friamente, controlando a emoção.
- Ora essa… Estou aqui para te levar para casa, filha. – as mãos fortes deles seguraram as minhas. Estremeci com o toque dele. Sabia bem, mas a raiva que continha dentro de mim fazia-me repugnar o toque.
- Ainda bem que vais assinar a autorização.
- Autorização? – Perguntou ele confuso e então olhei para ele. Fixei as íris azuis do homem, que me fizera herdar esse detalhe. – Não Jamie, não vais ficar na casa daquela mulher. Vens comigo, para a Califórnia.
Os minutos seguintes foram passados num silêncio de reclamação. Queria gritar e protestar em como ele não tinha o direito de me levar daqui. No entanto sabia no meu âmago que seria inútil. Não tinha mais poder que ele.
Na noite seguinte parti do Michigan. O dia tinha sido feito de longas despedidas que partiram em pequenos pedaços o resto do coração que ainda sobrara. Odiava ainda mais o meu pai por isto. Quem era ele para agora tirar a última coisa que tinha de bom na minha vida?
Durante toda a minha vida manteve-se invisível, mandado ocasionalmente um postal no Natal ou nos anos. Visitara-me também poucas vezes, desculpando-se que tinha muito trabalho com a tour e que raros eram os momentos que tinha para me visitar. Até aos meus dez anos continuei a sonhar que um dia ele ia mudar e que finalmente ia ter um pai. Desisti desse sonho por aí.
- Porquê que estás assim filha? Não devias estar feliz. Estou a oferecer-te um novo começo. Só quero que sejas feliz.
Estávamos no avião. Decidira atribuir o tratamento do silêncio a Jared. E assim me mantive até chegarmos a L.A.
Esta por sua vez era drasticamente diferente do Michigan. As pessoas, os hábitos, as casas… Tudo era diferente. Parecia exactamente saído de um filme de Hollywood. E o meu pai era perfeito para encaixar neste filme.
Fomos recebidos por dezenas de paparazzis. Os media eram desconcentrantes e assustadores. Senti-me subitamente estúpida por não ter aceitado os óculos que Jared me quisera dar no desembarque.
A chegada a casa foi bem mais silenciosa e calma. A casa do meu pai era bastante maior e luxuosa do que o pequeno apartamento onde residia com a minha mãe. Era muito mais espaçoso fazendo a sensação de solidão embrenhar-se ainda mais no meu coração. Era um facto: estava sozinha.
Mantive-me calada durante a apresentação de cada divisão da casa, dos empregados e das regras. Jared não me pedia muito. Apenas queria que me portasse bem e respeitasse as pessoas à minhas volta.
Devia pensar que eu estava com um trauma qualquer em que só me apetece partir tudo à minha volta.
Nesse dia fechei-me no quarto e não saí. Limitei-me a reprimir as lágrimas. Não podia ser fraca, não agora. A minha mão ensinara-me a ser forte e não ia falhar-lhe agora.
- Sinto a tua falta mamã – Murmurei momentos antes de adormecer.
O dia seguinte fora a mesma coisa, e o a seguir. Evitava Jared acima de tudo, e odiava-o silenciosamente por aceitar o meu silêncio.
Na semana seguinte comecei a ir à escola. Não fazia amigos e todos os que se aproximavam de mim era pelo facto de ser filha do Leto. Filha do Leto, sabem quanto odeio isso?
Margot ligava frequentemente para saber noticias minhas. Era agradável saber que ainda havia alguém que se preocupava comigo. Ou que se preocupou. Depois de passado um mês longe do Michigan deixou de me ligar. Choraminguei por isso.
Um mês depois a viver com Jared ainda não compreendera porque razão estava ele a fazer isto. Porquê ligar-me quando nunca o fez?
Uma noite fiquei acordada até mais tarde e fiquei de plantão na sala da casa. Jared estava fora à já uma semana. Continuou com a tour, fazendo agora alguns espectáculos na costa dos EUA. Não esperava dar-me com ele tão cedo. Fiquei surpreendida quando a horas tardias entrou pela porta, agarrado a uma loira oxigenada. Não era assim tão inocente para não perceber o que eles iam fazer.
Podia ter saído dali e dizer a mim própria que ele não importava.
Mas o meu coração dizia o contrário.
Por isso continuei ali, parada até que os nossos frios olhos azuis se cruzassem. Ele logo ficou constrangido e meteu a loira fora da casa. Eu permaneci ali, sem nada a dizer.
- Jamie… O que estás a fazer acordada até tão tarde? – perguntou-me como que se preocupasse.
- Importo-te assim tanto para que te preocupes? – Reclamei friamente levantando-me depois e dirigi-me ao meu quarto, onde mais ma vez reprimi as minhas lágrimas.
Esse mês passou rápido. Jared partira novamente com a banda e só voltaria dali a umas semanas. Ocasionalmente ligava a Lucinda, a empregada, para perguntar se estava tudo bem.
Ela respondia que sim mas era mentira. Estava tudo mal. Tudo.
Agora faz três meses que saí do Michigan. Jared chega hoje.
A porta do meu quarto abriu-se e eu, pensando tratar-se de Lucinda, não me importei.
- Hey Jamie.
Não era Lucinda. Era o meu lindo…pai. Repeli um sorriso e novamente pus a minha faceta fria e zangada.
- Porque fazes isso comigo Jamie? Só quero o teu bem. Sou teu pai.
- És meu pai desde quando? – Dirigi-me a ele, não aguentando a fúria calada no meu coração. – Foi preciso a única pessoa que me amava morrer, para perceberes isso.
- Não digas isso. Eu sempre te amei filha. Posso não demonstrá-lo muito bem mas eu adoro-te. – Ele aproxima-se de mim e parece realmente abatido.
Queria acreditar que assim se tratava. Que o problema era meu, que não dava o braço a torcer. Mas não, não ia aceitar! Não sinto que Jared seja o meu pai. Só me lembro disso quando as pessoas na rua me relembram “Hey, é a filha do Leto”.
Afasto-me dele. Decido quebrar o silêncio. Fazê-lo reconhecer a dor que tenho presa no meu coração. A dor que me apoquenta todas as noites em que quero chorar para apenas pedir um pouco de carinho por parte de alguém. Principalmente da parte dele.
- Não Jared. Se me adorasses terias estado ao pé de mim quando a pessoa mais importante da minha vida morreu. Terias estado lá, apoiando-me, protegido de todos aqueles que me lançaram olhares misericordiosos. Mas não, como em toda a minha vida, não estavas lá. Falhaste-me. E odeio-te por isso! Causaste mais dor para além do que aquela que eu já sentia.
As lágrimas que fizeram questão de reprimir todo este tempo caiam desalmadamente pela minha face. As minhas palavras misturam toda a emoção que sinto causando-me sentir arrepios.
- Tudo o que eu sempre quis foi ter-te perto de mim, ter um pai. Em troca de todas as minas orações tudo o que eu recebia eram revistas com a tua fama, com os teus sorrisos, e por vezes com os teus escândalos. Pensava para mim própria para não me continuar a iludir. O pai que eu tinha, conhecia-o pelas revistas.
Jared ficara imóvel. Chocado e ferido pelas minhas palavras. Admitia que tinha culpa em todo este meu sofrimento.
- Só quero um pai, alguém que me ame e o demonstre como a minha mamã fazia.
Foi o ponto máximo. As lágrimas rebentaram com toda a força. Sentia a minha força abandonar-me e ser substituída pela fraqueza. Mas era libertador. Tudo o que reprimira estes anos todos… poder libertá-lo era bom.
Olhei para ele com os meus olhos marejados. Ele aproximou-se de mim e rodeou-me com os seus braços. Não o afastei. A sensação até era bastante…reconfortante. Todo o ódio que queria ter por ele continuava a não existir, apenas o amor que tinha pelo meu pai.
- Peço imenso desculpa Jamie. Não sabes quantas noites não dormi a pensar em como te queria ver, abraçar. Apenas sonhava ver-te crescer e estar lá para ti. Falhei miseravelmente. Eu sei. Culpo-me todos os dias. Todos. – Abraçou-me ainda mais e afagou-me o cabelo com cuidado — Esperava quando te trouxe para cá puder recomeçar e fazer finalmente parte da tua vida. Mas nem isso consegui pequenina. És mais forte do que eu. Aguentas-te tudo isto dentro de ti. És uma lutadora, Jamie.
Ele estava a dizer tudo aquilo que quis ouvir. Reconfortava saber que ele reconhecia que eu existia. O tempo não ia voltar atrás. Por isso agora eu só queria um futuro, e só me restava o meu pai.
- Peço imensas, imensas desculpas Jamie. Desculpas-me filha?
Fitei-o. Oh sim, eu desculpo-te papá.
- Só quero que me ames pai.
- Eu amo pequenina. Com todo o meu ser.
- Eu também te adoro papá.

Nem eu nem ele podíamos eliminar as memórias do passado. Apenas tornar as memórias do presente em algo bom.
Aprendi a viver como sendo a filha do Leto. Estava imensamente feliz por finalmente poder dizer com orgulho “Sim, sou a filha do Leto”

Notas finais
Gostou? ou Odiou?
Deixe review, e me fará feliz na mesma :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!