Notas iniciais
Esse capítulo ficou um pouco grande do que os outros. Desculpe os erros ,estou escrevendo no celular e é difícil para escrever. Espero que gostem! Amanhã tentarei posta imagens relacionadas ao capítulo na minha página no Instagram, e também falando mais sobre os personagens. Terá spoiler sobre os personagens. @sarahfanfic

— Nat, espera! — Falei, seguindo-o após perceber o que acabara de acontecer. — Olha, me desculpa? — Pedi novamente, segurando seu braço para forçá-lo a parar.

Ele não se virou. Apenas suspirou, olhou para o chão e, finalmente, encarou-me. Ficamos nos olhando por um tempo em silêncio, até que uma voz rompeu o momento:

— Até que enfim achei você!

Viramos na direção da voz e vimos meu primo, Daniel, saindo da floresta. O que ele faz aqui?, pensei.

— Desculpe atrapalhar o casal, mas... — Ele falou em tom malicioso, fazendo uma pausa com um sorriso divertido no rosto. — Vovô me mandou atrás de você, Sarah!

Ele falou sério agora. Suspirei, olhando ao redor e percebendo o quanto estava tarde; o céu estava escuro, iluminado por trovões e relâmpagos que cortavam a noite.

— Hey, Sarah! Tá perdida no mundo da lua de novo? Vamos embora.

Olhei para ele com a sobrancelha erguida, pronta para retrucar, mas ele me cortou:

— Nem comece. Vovô disse para eu não voltar sem você, então vamos!

Ele falou em um tom que misturava seriedade e irritação. Eu o olhava mortalmente. Desviei meu olhar para Nathan no momento em que ele puxou o braço da minha mão, que eu ainda segurava. Soltei-o. Sem dizer nada ou me olhar, Nathan caminhou em direção à floresta, passando por Daniel apenas com um aceno de cabeça.

— Nathan, espera! — Tentei ir atrás dele para me desculpar novamente, mas o idiota do meu primo segurou meu braço. Olhei para Daniel com raiva. — O que você está fazendo? Me solta! Quem você pensa que é?

— Olha, não sei o que aconteceu entre vocês dois, mas deixa ele ir. Amanhã você fala com ele. Parece que ele estava com raiva, então deixa o Nathan se acalmar, ok? — Daniel falou calmamente. Olhei para a trilha onde Nathan desaparecera na escuridão da floresta. — Vamos para casa!

Assenti, suspirando.

— Está começando a chover, o vovô está preocupado — ele continuou, olhando ao redor. — Você sumiu o dia todo... Sei que gosta de fugir de casa, prima, e eu entendo que precise de um tempo para você, mas não fique tanto tempo sem dar notícias. Uma mensagem apenas dizendo que está bem já bastaria!

O olhar dele estava cansado, como se tivéssemos essa conversa pela milésima vez, embora fosse a primeira vez que ele realmente falava aquilo.

— E da última vez que vocês discutiram... — Ele suspirou, sério. — Você disse que iria embora. Ele ficou com medo de você realmente fazer isso.

Abaixei a cabeça. Eu tinha dito aquilo, mas a voz na minha cabeça me impediu de agir.

— Todos nós ficaríamos com medo. Qual é, priminha? Isso aqui não seria nada sem você! Quem iria aprontar comigo? — Ele sorriu.

Daniel não era de expressar sentimentos, então ouvi-lo falar assim era estranho. Ele era o primo mais velho, o engraçado que vivia fazendo pegadinhas, nas quais eu frequentemente o ajudava quando o alvo era alguém de quem eu não gostava. Sorri para ele.

— Ótimo, aí está o sorriso mais lindo do mundo! — Ele brincou, passando a mão na minha bochecha. Tínhamos as mesmas covinhas, herdadas da nossa avó Sarah. — Agora vamos, a chuva está ficando forte e Billy Black deve estar surtando, deixando todo mundo doido! Além do mais, você é a neta favorita dele.

Balancei a cabeça negativamente enquanto ele gargalhava. Começamos a correr pela floresta. Quando a chuva apertou, Daniel, sendo superprotetor, me abraçou de lado para continuarmos o trajeto. Confesso que gostei de me sentir protegida. Saímos da floresta direto na rua principal, e não nos fundos da casa do vovô.

A chuva caía pesada. Por causa da água acumulada, não vi um buraco e pisei direto na lama, que espirrou até nos meus cabelos. Daniel caiu na gargalhada. Soltei um rosnado de raiva, o que o distraiu a ponto de ele também pisar em um buraco. Ele soltou alguns palavrões e eu comecei a rir. Ele ameaçou chutar lama em mim, eu gritei e saí correndo. Ele veio atrás de mim, gargalhando.

— Te peguei! — Ele me abraçou por trás, girando-me no ar enquanto eu gritava e ria ao mesmo tempo.

ENQUANTO ISSO...

As pessoas, refugiadas em suas casas por causa da tempestade, ouviam os gritos e gargalhadas lá fora. Curiosos, abriam as janelas e viam os dois brincando. Pela primeira vez em sete anos, os moradores mais antigos viram Sarah Black sendo a garota que conheceram na infância, rindo abertamente. Os novos moradores ficaram surpresos; para eles, Sarah era apenas a garota calada e séria que nunca se envolvia em brincadeiras.

Na "casa vermelha", Billy Black olhava pela janela, preocupado com a demora dos netos. Rachel tentava acalmá-lo, mas ele só sossegaria quando visse os dois entrarem. Billy temia que Sarah tivesse ido embora, como ameaçara dias atrás. Carol, que chegava da ronda correndo da chuva, parou na varanda ao ouvir as gargalhadas. Ao ver o irmão e a prima brincando na lama, ela sorriu e entrou em casa abruptamente.

— Vocês precisam ver isso! — Ela chamou.

Rachel ajudou o pai a empurrar a cadeira de rodas até a varanda. Eles não conseguiam acreditar. Carol apontou para onde Daniel e Sarah jogavam lama um no outro. Billy e Rachel observavam espantados. Eles não viam Sarah assim desde que Jacob partira, há sete anos. Rachel deixou algumas lágrimas de felicidade escaparem.

Daniel jogou um punhado de lama que acertou o rosto de Sarah. Ele esperou um ataque de fúria, mas Sarah apenas se abaixou, encheu as mãos de barro e revidou com tudo. Ele arregalou os olhos enquanto ela se curvava, rindo tanto que a barriga doía. Daniel olhou ao redor, viu as pessoas observando e, ao longe, viu sua família na varanda. Ele sorriu; ver Sarah feliz, mesmo que fosse rindo dele, valia a pena.

DE VOLTA AO PONTO DE VISTA DE SARAH

Deus, o que acabou de acontecer?, questionei mentalmente. “Você se deixou sentir”, a voz sussurrou novamente. Será Deus?, pensei. “Não”, a voz respondeu, parecendo sorrir. Balancei a cabeça. Eu devo estar ficando louca.

Olhei para Daniel, que estava coberto de lama, assim como eu. Fiz uma careta ao olhar para meu cabelo. Aproximei-me dele e o abracei.

— Obrigada! — Senti que precisava dizer aquilo. — Não fiz nada — ele respondeu, confuso. — Fez sim — reafirmei.

— Daniel! Sarah! — Tia Rachel chamou. — Já para dentro, vão acabar pegando um resfriado! — Ela tentava parecer severa, mas sorria.

— As pessoas já nos acham estranhos, agora vão achar mais — Daniel murmurou para mim. — Olhe nossas roupas... só estamos de short e camiseta. Vamos logo, antes que fiquemos de cama amanhã.

Corremos para os fundos da casa conforme as instruções de Rachel. Carol nos esperava com toalhas. Tiramos as roupas sujas, ficando apenas de roupas íntimas, e nos enrolamos nas toalhas para entrar.

Fui direto para o banho. Demorei minutos tentando tirar a lama do cabelo. Saí enrolada na toalha, vesti um short preto e uma regata da mesma cor e deitei na cama. Ouvi vozes na sala, mas não prestei atenção. Olhei para o teto, repassando o dia enquanto a chuva lá fora aumentava.

Será que eu deveria dar uma chance a ele?, perguntei-me ao pensar em Nathan. “Claro que sim!”, a voz sussurrou. Eu a ignorava, mas ela continuava serena. “Você sabe que é o certo”. Eu o amo, mas não consigo aceitar o maldito imprinting. Tenho medo da intensidade, medo de me machucar. E então lembro do meu pai, e a raiva pelo imprinting volta com força, matando qualquer chance de eu dizer "sim" para Nathan.

Uma batida na porta me despertou. — Sarah? — Carol chamou, colocando apenas a cabeça para dentro. — Tia Rachel quer saber se você vai dormir aqui ou ir embora com ela.

Olhei para a janela. A chuva tinha diminuído. Se eu dormisse aqui, o vovô ficaria mais tranquilo. — Vou dormir aqui! — Respondi. Carol sorriu e me chamou para jantar. Eu estava sem fome, mas aceitei para não preocupar Billy.

Vocês devem estar confusos, certo? Deixem-me explicar. Quando meu "pai" foi embora, morei com Billy por dois anos. Aos 13, Billy e Rachel acharam melhor eu morar com ela e Paul, seu marido. Mas mantive meu quarto na casa do vovô. Tenho duas casas, o que é motivo de piada na escola.

Olhei para o porta-retrato na mesinha de cabeceira: eu, meus primos e os Uley. Fixei o rosto de Nathan. Ele deve estar me odiando agora. “Maldito imprinting! Por que não esqueço essa droga?”, gritei em pensamento. “Esqueça o motivo pelo qual seu pai foi embora e seja feliz!”, a voz retrucou. Saia da minha cabeça! Por que não me deixa em paz? “Seja feliz”, ela repetiu.

Meu pai... ele foi embora há sete anos, deixando-me com Billy para seguir seu imprinting, uma Cullen. Desde pequena, ele me deixava para ficar com ela. Ele sempre a escolhia. Odeio o fato de Nathan ter tido um imprinting comigo, porque aceitar isso parece aceitar que Jacob estava certo em preferir uma meia-vampira à própria filha.

“Pare de sentir raiva e vá ser feliz”, a voz sussurrou angustiada. Lágrimas escorreram e eu as limpei com raiva. Não aceito que o homem que amo esteja preso a mim por esse instinto que destruiu minha família. É horrível ver a dor da rejeição nos olhos de Nathan. Sinto-me um monstro.

Ouvi a cadeira de rodas de Billy no corredor. Fechei os olhos e prendi os soluços quando ele abriu a porta. Fingi dormir. Ele ficou parado me olhando por alguns minutos, suspirou e fechou a porta.

Abri os olhos. Ouvi Carol comentar com alguém: — Ela está chorando. A chuva aumentou novamente. Meus pensamentos voltaram ao dia da minha transformação, quando descobri que era o imprinting de Nathan. O dia em que deixei todos os lobos confusos.

FLASHBACK

Eu estava há quase um dia na floresta queimando em febre. Sam, Paul, Embry, Quil e Nathan estavam ao meu redor. Nathan se recusava a sair, apesar das ordens de Sam. Eu gritava de dor, encolhida como uma bola.

— Sarah, você tem que deixá-la sair! — Sam insistia. Eu não queria ser uma loba, não queria minha mente ligada a eles. — Se não deixar, a dor será pior! Chamem o Seth ou a Leah! — Mas eles estavam em Seattle com a filha de Seth.

Meus ossos pareciam querer se partir. Gritei quando o osso do meu braço esquerdo quebrou. — Sarah, pelo amor de Deus, pare de resistir! — Ouvi a voz desesperada de Nathan. Olhei para ele e vi minha dor refletida em seus olhos. — Por favor...

Nathan parecia tomar uma decisão difícil. — Você queria que ele estivesse aqui, não é? Jacob... queria que ele estivesse aqui agora? — Ele perguntou, ignorando os avisos de Embry. — Ele não vai vir, Sarah! Ele não vai chegar!

Encarei-o com ódio. Como ele ousava? Meu corpo tremeu, aqueceu e tudo aconteceu rápido. Fiquei pesada, a visão clareou. Eu era uma loba. Vi os lobos gigantes me olhando confusos. Ouvi a mente de Nathan pedindo desculpas, dizendo que foi o único jeito de forçar minha transformação. Olhei para Sam, o lobo preto.

— Sarah, está me ouvindo? — Sam perguntou mentalmente. — Sim — respondi, mas percebi que eles não ouviam meus pensamentos.

“Ela parece calma demais” — Collin. “Não consigo ouvir os pensamentos dela!” — Paul. Eles estavam confusos. Eu ouvia todos, mas eles não me ouviam. De repente, a mente de Nathan me inundou com imagens: eu criança, eu crescendo... Ele tentou desviar o pensamento e saiu correndo. Antes de sua mente sumir, vi a imagem de uma loba de pelos castanhos claros. Olhei para os outros e, pela mente de Collin, vi a verdade: eu era o imprinting de Nathan. Arfei e caí deitada no chão.

FIM DO FLASHBACK

Um trovão me assustou. Levantei, fechei a cortina, lavei o rosto no banheiro e tranquei a porta. Enfiei-me sob o lençol. “Ele só estava com medo de te perder”, a voz disse. Lágrimas quiseram sair, mas eu as contive. Nathan tentou de tudo depois daquele dia. Até que, em uma ronda, ele me bombardeou com suas memórias. Com esse pensamento, tomei uma decisão sobre ele.

O que eu não esperava era que as duas semanas seguintes seriam uma loucura em La Push.