Notas iniciais
Desculpe a demora. Espero que estejam gostado! E para mais em formação da fanfic! Instagram: @sarahfanfic

— O quê?

A pergunta escapou como um sopro, uma nota de confusão perdida no vento. Por um milagre, recuperei o domínio sobre meus sentidos. Percebi minhas mãos espalmadas contra o peito dele, sentindo o calor que emanava de sua pele através da camisa. Empurrei-o. O espaço entre nós se abriu, mas o ar continuava carregado.

Nathan tinha aquele olhar... divertido. Bufei, irritada com a facilidade com que ele me desarmava. Afastei-me, caminhando até a beira do penhasco e cobrindo o rosto com as mãos. Eu não conseguia acreditar. Eu realmente ia deixar que ele me beijasse? A resposta, silenciosa e dolorosa, era um sim absoluto. Mas não era certo. Não para ele, a quem eu não queria dar esperanças vazias, e nem para mim, que temia o que esse laço significava.

Abracei meu próprio corpo. Não era o frio da tempestade; era um gelo que vinha de dentro. Ouvi o riso baixo dele e seus passos sobre o cascalho.

— Nem pense nisso — avisei, sentindo que ele pretendia me abraçar por trás. Ele parou, mas posicionou-se ao meu lado, ombro a ombro.

— Engraçado... agora há pouco você não parecia tão incomodada. Parecia até que estava gostando — ele provocou, com aquele tom debochado que era sua marca registrada.

— Idiota! — rebati, sentindo minhas bochechas queimarem. Eu odiava o quanto ficava vulnerável perto dele.

Nathan gargalhou, um som limpo que cortou a névoa. — Um idiota que te ama — respondeu ele, e o sorriso não abandonou seus lábios. Ele já tinha dito aquilo tantas vezes que a confissão parecia natural, quase como respirar.

Suspirei e o encarei. Diferente dele, eu estava séria. Os olhos de Nathan, de um castanho profundo e quente, brilhavam com uma honestidade que me machucava. Ele era tudo o que alguém poderia desejar: alto, forte, com músculos esculpidos por uma natureza que ia além da genética humana. O lobo dentro dele apenas acentuara sua presença física, tornando-o uma força da natureza. E lembrar que ele era um lobo era como tocar em uma ferida aberta.

Senti o toque quente de suas mãos em meu rosto. Ele deu um passo, invadindo meu espaço pessoal. Eu podia ouvir as batidas do seu coração, aceleradas, em um ritmo que o meu insistia em acompanhar. Eu queria ceder, queria sentir seus lábios nos meus, mas a memória amarga do imprinting me atingiu como um tapa. A ideia de que esse amor era apenas um instinto animal, uma programação biológica da qual ele não tinha escolha.

— Por causa do imprinting, claro! — As palavras saltaram da minha boca antes que eu pudesse contê-las.

O impacto foi imediato. O olhar de Nathan, antes brilhante, nublou-se com uma dor aguda. Ele não se moveu, mas senti suas mãos tremerem levemente antes de soltarem meu rosto. O silêncio que se seguiu foi devastador. Ele desviou o olhar, suspirou pesadamente e sentou-se no chão, de frente para o abismo.

— Sabe que não é por causa disso, Sarah — disse ele, a voz agora rouca e desprovida de qualquer humor. — Eu gosto de você desde que tinha doze anos. O imprinting... ele só veio confirmar o que eu já sabia no meu coração.

Eu sabia que ele estava falando a verdade. Ele já tinha me mostrado suas memórias; o modo como o mundo dele mudou quando o lobo despertou. O imprinting era como a gravidade: de repente, você não é mais o centro do seu próprio universo. Você se torna o que a pessoa precisa — amigo, irmão, protetor. E, se ela permitir, amante.

Nós nos conhecemos há dezessete anos. Ele tinha apenas dois quando eu nasci. Nossas famílias eram o alicerce uma da outra. Mas tudo mudou quando meu pai foi embora. Eu me fechei em uma concha de silêncio. Aos quinze anos, no dia em que completava uma década sem minha mãe, fugi para a floresta para chorar sozinha. Ele me encontrou. Não disse nada, apenas sentou-se ao meu lado. Naquele dia, o primeiro beijo aconteceu, e o medo me fez correr.

Eu o evitava, mas o destino — e a minha melhor amiga, Claire — tinha outros planos.

FLASHBACK

Eu estava na casa de Claire, tentando desesperadamente focar em um trabalho de química. Ela era prima do Nathan, e a chance de encontrá-lo ali era enorme. — Relaxa, ele está na ronda — Claire disse, fingindo desinteresse enquanto escrevia.

Mas o destino é irônico. A porta se abriu e Nathan entrou, sem camisa, suado e exalando uma vitalidade que me deixou sem ar. Tentei focar na tela do notebook, sentindo o sorriso de soslaio de Claire.

— Olá, meninas — ele disse, a voz vibrando perto de nós. Minutos depois, Claire inventou uma desculpa esfarrapada sobre uma ligação para o Quil e desapareceu escada acima, deixando-me sozinha com o perigo.

— O gato comeu sua língua? — A voz dele soou bem no meu ouvido, arrepiando cada pelo do meu pescoço. Ele puxou uma cadeira e sentou-se ao meu lado. — Eu devia pedir desculpas pelo beijo... mas não vou.

Tentei me levantar, fugir novamente, mas ele segurou meu braço. Seus olhos tinham um brilho de desejo e algo mais — algo profundo que eu ainda não entendia. Ele me puxou para perto e me beijou. Não foi como o primeiro. Foi intenso, faminto, possessivo. Eu me perdi no toque de suas mãos e na mordida leve em meu lábio inferior. Naquele momento, sob o teto daquela casa, eu sorri de volta para ele.

FIM DO FLASHBACK

A lembrança me trouxe um sorriso involuntário aos lábios, um contraste com a melancolia do agora.

— O que é tão engraçado? — A voz de Nathan me trouxe de volta. Ele estava de pé agora, limpando a terra da calça e me olhando com uma expressão de raiva contida. — Eu estava falando aqui e você simplesmente começou a rir do nada.

— Me desculpe — murmurei, passando a mão pelo rosto, sentindo-me culpada por ter me perdido no passado enquanto ele sofria no presente. — Eu me distraí... pensando demais. O que você disse?

Ele bufou, visivelmente magoado por ter sido ignorado em um momento de vulnerabilidade. — Esquece, Sarah. Não era nada importante.

Ele deu as costas, caminhando em direção à densa floresta, deixando-me sozinha com o som das ondas e o peso das palavras que eu não tive coragem de dizer.

Notas finais
O que estão achando? Comentem. Der suas opiniões. Espero vocês nos comentários