A Filha da Morte
11 Capítulo XI - Bella não esperava por essa
Notas iniciais
Bella se concentrou em correr para o mais longe possível do aglomerado de filhas de Ártemis, e, principalmente, da pessoa por detrás do manto negro que havia acertado uma flecha no peito de Jane, a líder do grupo.
Ela estava de mãos dadas com Edward, enquanto ambos desviavam das árvores e seguiam para dentro da floresta. O céu negro estava repleto de estrelas brilhantes, enquanto a lua minguante iluminava o anoitecer com sua luz prateada.
Os pulmões da semideusa pareciam que iam sair de dentro do peito de tanto que a corrida estava lhe exigindo esforço.
A garota pensou em sua família, pois estava preocupada com a sua segurança. E também em Jacob, seu melhor amigo. Eles provavelmente estavam a procurando, preocupados. E ela não teve tempo de avisá-los, já que estava sendo perseguida por uma Harpia.
Edward explicou para a garota que ele era um semideus, filho de Zeus. Isso significava que seu nascimento adveio da união de uma humana e um Deus. No entanto, ele só descobriu sua origem quando completou dezoito anos, pois foi o momento em que a marca de Zeus surgiu em seu peito.
Bella ainda não havia completado dezoito anos. Portanto, não sabia, ainda, de qual Deusa ou Deus era filha. Todavia, mesmo assim, ela conseguiu matar uma Harpia que a perseguiu há dias. A imagem da criatura se dissolvendo no fogo apareceu em sua mente, dissolvendo-se logo em seguida como grito furioso da criatura.
Perdida em pensamentos, Isabella não notou uma pedra demasiadamente grande no chão. Quando se deu por conta, tropeçou e caiu com um baque na grama, levando Edward consigo, já que eles estavam de mãos dadas.
— Ah, criança! – Ele resmungou, mal-humorado.
— N-N-Não me chame de cri-a-a-a-nça. – Bella retorquiu, ofegante. Não tinha mais forças para se levantar.
Edward a ignorou e rapidamente se levantou do chão, estendo a mão para Bella. A contragosto, ela retribuiu o gesto e entrelaçou seus dedos nos dele. Rapidamente, ele a puxou para perto, até demais. Ela arfou quando colidiu com o peito dele. Em um gesto instintivo, ergueu a cabeça a ponto de fitar os olhos do filho de Zeus.
— Isso parece loucura. É sério. – Ela disse. – Deuses, filhas de Artémis, aquela figura com o manto negro me perseguindo. Não parece real.
Edward permaneceu em silêncio, encarando a garota. Ela sentiu os dedos dele praticamente pegando fogo. Suas mãos estavam dadas.
Bella notou uma pequena mudança no ar em sua volta. Os galhos das árvores pareciam se movimentar propositalmente na direção deles. As folhas secas no chão faziam um redemoinho em seus pés. Os fios de cabelo da garota estavam balançando em um ritmo calculado, assim como os do garoto.
E então, seus pulmões foram preenchidos com uma rajada absurda de oxigênio, mas nada que pudesse machucar ou que fosse demais. Bella aproveitou aquele momento para se recuperar da corrida frenética, deixando que seu ritmo cardíaco se acalmasse. Sua mente se esvaziou por alguns instantes, restando apenas o barulho da respiração do garoto.
Edward está manipulando o ar. Ela concluiu, enquanto fitava os olhos cor de âmbar do garoto.
— Isso não parece real para você? – Ele perguntou inesperadamente. A voz rouca fez a pele da garota se arrepiar.
Ela engoliu em seco enquanto sentia o emaranhado de sentimentos atravessarem a suas veias. Por um momento, poderia jurar que era capaz de sentir o calor do corpo do garoto.
Inesperadamente, Bella ouviu um barulho de passos logo a sua frente. Sua atenção rapidamente se desviou em direção do som.
Parado a dois metros de distância, estava posicionada uma pessoa trajando um manto negro. Ela parecia apavorante, quase como se fosse capaz de se fundir com a noite e desaparecer. Sua mão direita segurava o arco e flecha.
O corpo inteiro de Bella foi tomado por uma onda de pânico. Ela simplesmente travou diante do sentimento de impotência. A figurava parecia terrivelmente ameaçadora.
— Você... – Edward murmurou, tomando a frente de Bella, como se estivesse formando um escudo para protege-la.
Ela estava com medo, mas não gostava de se sentir uma garota frágil. Por essa razão, Bella deu um passo à frente e ficou ao lado de Edward. Ela a encarou por esguelha.
Ela fitou a figura que se escondia em baixo do capuz.
— Não tenho medo de você. – Bella vociferou.
Lentamente, a pessoa que estava coberta pelo manto, deu um passo para a frente. E então, jogou o capuz para trás.
— Você deveria. – Disse.
Bella não acreditou no que viu.
Ela estava encarando uma pessoa idêntica a ela.
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