A Filha da Morte
9 Capítulo IX - “Preparativos” para o Casamento
Notas iniciais
Bella e Edward foram separados um do outro, uma vez que as caçadoras de Ártemis pretendiam prepará-los para o grande evento da noite.
O filho de Zeus acompanhou um grupo de garotas para longe enquanto que sua suposta noiva ficou sob a guarda de apenas uma. Seu nome era Ritah. Ela possuía uma aparência um tanto incomum devido ao cabelo ruivo com os fios longos e a pele branca – quase albina -, assim como os olhos de uma coloração bastante semelhante ao cinza.
— O que vamos fazer? – Bella não conseguiu manter silêncio por muito tempo. Elas caminhavam a passos rápidos pelo acampamento.
— Primeiro, vamos arrumar uma arma para você e depois treiná-la. – Ritah respondeu calmamente como uma perfeita professora.
Bella segurou o riso, o que acabou resultando num som estranho saindo de seus lábios.
— Bem, então vai ser um dia muito longo! – Afirmou, em tom de puro deboche.
— Com toda a certeza.
Ritah tinha as pernas longas e foi muito difícil para que Swan a acompanhasse, uma vez que precisava praticamente correr para tal.
— Você não é a filha de Ártemis, certo? – Bella perguntou mais uma vez. – Por que é caçadora?
Ritah poderia ter feito uma piada diante de tamanha ignorância, mas apenas respondeu com a maior naturalidade possível:
— Ártemis jurou virgindade eterna perante Zeus, por isso, não possui filhos. Dessa forma, reúne garotas que tenham disposição para segui-la em suas caçadas, desde que concordem com algumas exigências.
— No caso, nunca engravidar e nem constituir matrimônio?
— Exatamente.
— Mas, então, o que você era antes de se tornar uma caçadora? – A curiosidade de Bella era maior do que a sua vontade de manter-se calada.
— Filha de Poseidon. – Respondeu, franzindo o cenho em sinal de reprovação. – Mas abri mãos dos meus poderes enquanto Semideusa para me juntar ao grupo das garotas de Ártemis. Não foram todos, é claro. Afinal, posso escolher um com o qual ficar. Digamos que seja um poder passivo e outro ativo.
A cabeça de Bella começou a fazer voltas. Era tudo muito novo.
— Qual poder ativo você optou?
— O poder de falar com os animais marinhos. – Ritah sorriu pelo canto dos lábios. – Mas também tive que abdicar mão de um dos poderes das caçadoras de Ártemis. É como se fosse uma troca.
Bella imaginou as possíveis razões causadoras de tal decisão para uma Semideusa: Tornar-se uma caçadora de Ártemis. Entretanto, não encontrou muitas. Aquele era um estilo de vida um tanto solitário, julgou.
— Por que você fez isso? – Bella não se conteve. Instantaneamente, deu um passo errado e estava pronta para cair de rosto no chão, se não fosse pelas mãos fortes de Ritah que a levantaram rapidamente.
Os olhos cinza da caçadora não demonstravam qualquer traço de emoção ao fitar os de Swan.
— Eu perdi alguém que amava muito e isso destroçou o meu coração. Precisava arranjar um modo de mantê-lo intacto novamente.
Bella engoliu em seco enquanto assimilava o amontoado de informações recebidas. Inutilmente, tentou ligar os pontos, mas pouca coisa pareceu racional o bastante para compreensão.
— Não faz sentido vocês prezarem a independência e estarem arrumando um casamento. – Constatou.
— Não somos nós que vamos fazer. – Ritah permaneceu com a expressão intacta. – São as Ninfas. Além do mais, Jane é a tenente de Ártemis... Devemos obedecê-la.
— Jane está me testando, não é?
— Não posso falar sobre.
Diante da resposta negativa, Bella soltou-se abruptamente das mãos de Ritah, sentindo-se irritada. Então, deu alguns passos para trás e cruzou os braços em puro sinal de teimosia. Ela ignorou o vento frio que atingiu todo o seu corpo, fazendo com que ficasse arrepiada. Os fios de cabelo tapavam boa parte de sua visão periférica. Ao olhar para os lados, notou várias montanhas ao longe e um rio correndo mais para baixo. Estava no alto de uma colina. O cenário lhe recordou do momento que teve com Edward nas nuvens. Bem, ele realmente sabia como tirar os pés de uma garota do chão.
Ritah endireitou-se, posicionando-se feito uma militar. Avisou:
— Bem, você escolhe a sua arma agora.
Bella varreu mais uma vez os olhos pelo lugar e só encontrou árvores, um chão de terra e o céu vasto, livre de nuvens.
— Tipo, uma pedra? – Ironizou.
A caçadora de Ártemis soltou um riso baixo.
— Você é engraçada, mas também um pouco inútil. Desculpe se te ofendi! – Apressou-se em dizer ao perceber o olhar zangado da outra. – Apenas, limpe a sua mente e caminhe um pouco. Tente sentir as vibrações do lugar.
Suspirando, Bella jogou os cabelos para trás e fechou os olhos. Ignorando a sensação de frio, procurou em sua mente as imagens de sua mãe sendo vigiada pelo período de vinte e quatro horas por dia dos monstros que estavam a sua espreita; de Edward protegendo-a; de Jane e seu olhar ameaçador; da preocupação de Jacob, assim como da falta que ele fazia; e então, despejou todos os acontecimentos para um canto da sua mente, limpando-a. Concentrou-se em seus batimentos cardíacos, assim como em sua respiração.
Em seguida, voltou sua atenção para o exterior: Sentiu o cheiro da terra que os seus pés tocavam e até mesmo foi capaz de distinguir as rajadas de vento que advinham das folhas das árvores. E então, uma vibração que se manifestou ao longe chamou sua atenção e ela seguiu naquela direção a passos vagarosos. Até que, por fim, seus pés tocaram em um pedaço de terra que fez todo o seu corpo formigar e arrepiar-se.
Lentamente, abriu os olhos e foi como se nada mais existisse, além dela e daquele pequeno pedaço de chão. Momentaneamente, agachou-se e pousou a palma da mão ali. Para seu espanto, a terra tremeu violentamente onde seus dedos tocaram, até que em um piscar de olhos, algo prateado surgiu do chão, praticamente brotando dali. Em um gesto instintivo, Bella passou os dedos pelo objeto e o puxou completamente para a superfície, o suficiente para que cobrisse seu campo de visão.
Para seu espanto, ela estava segurando o que lhe parecia uma faca prateada. Entretanto, muito mais bem detalhada e perigosa: Era revestida de dois gumes, cuja ponta parecia ser extremamente letal. Sua lâmina prateada reluzia, como se nunca tivesse sido enterrada. No pomo, estava colocada uma pedra ametista, sendo que a sua cor violeta brilhava, cheia de vida. Instantaneamente, Bella sentiu uma paz interior, o que até então não havia acontecido desde que saiu de casa. No mais, a arma não era grande e os dedos finos da garota encaixaram-se perfeitamente no cabo.
Ritah aproximou-se lentamente do local, com uma expressão divertida no rosto ao se deparar com o espanto da garota ajoelhada em sua frente.
— É uma adaga. – Informou. – E antes que você se espante, não é nada de mais. Aqui foi um local muito importante de uma guerra que ocorreu entre os Titãs e os Deuses há muitos séculos. Muitos objetos foram perdido durante a batalha. Nossa primeira arma sempre é escolhida nesse solo, como aconteceu com você. – E acrescentou: — Isso prova que tem a alma de uma guerreira e serviria muito bem como uma filha de Ártemis.
Bella não conseguia desviar os olhos da pedra: Era como se estivesse hipnotizada pelo poder que emanava dessa.
— Essa pedra ajuda bastante as pessoas com o temperamento forte. Afinal, é como se ela os amenizasse. Além do mais, auxilia que o seu usuário fique menos dispersivo e tenha mais controle sobre as próprias faculdades, também ajuda a confiar mais na intuição. – Ao ver que a garota a sua frente continuava em estado de estupor, deu-lhe um empurrão com o pé.
Bella caiu de costas e gemeu de dor. A adaga quicou ao seu lado.
— Agora, é hora de treinar! – A caçadora avisou, avançando em direção da garota.
Foi uma tarde bastante longa. Bella percebeu que estava bastante enferrujada, tanto fisicamente como mentalmente. Afinal, não foi rápida para desviar dos golpes de Ritah, muito menos forte o bastante para aplicar qualquer um com a adaga. A respeito da arma, essa encaixou-se perfeitamente nos dedos dela. Com bastante prática, a garota poderia ser capaz de lutar. Talvez, combater uma Harpia sem usar os poderes paranormais. Bem, se não fosse pelo desastre que era em termos de coordenação motora.
— Você é baixa e isso lhe atribui uma vantagem muito boa em relação ao seu oponente. – Ritah não cansava de avisar, em posição de ataque. – A adaga te escolheu por uma razão, então a respeite e use estratégias para aplicá-la em seu oponente.
E então, com um chute, tirou a arma da mão de Bella, a qual voou para longe. Rapidamente, aplicou uma rasteira na adversária, derrubando-a.
Ritah avisou, vitoriosa:
— Uma dica muito preciosa: Nunca se distraia com conversas, pois são usadas para ganhar vantagem. Ah, sempre mantenha uma distancia segura do adversário.
Após longas horas de tortura para Swan, das quais o seu corpo ficou dolorido e cheio de hematomas, a batalha foi encerrada com a chegada de várias ninfas que se materializaram diante das árvores. Uma delas se aproximou e estendeu a mão para a garota que segurava uma adaga.
Bella ficou impressionada com a ninfa em sua frente: Ela era de estatura baixa, tinha as orelhas pontudas e seu rosto, bem como o seu corpo, encontravam-se revestidos de várias pinturas. O detalhe mais importante localizava-se nos olhos, pois se assemelhavam com safiras azuis.
— Meu nome é Azul. Vamos cuidar de você para que esteja pronta de noite. – Azul avisou carinhosamente.
Um barulho ao longe fez a atenção da garota voltar-se em sua direção, um tanto quanto assustada. Afinal, ela estava pronta para que algo ruim acontecesse. No entanto, acabou se deparando com o filho de Zéus, sentado em um tronco de árvore, encarando-a com certa seriedade que não havia feito desde então.
Há quanto tempo ele estava a observando?
— Boa tarde. – Ele disse.
Bella olhou para os lados, a fim de encontrar as outras olhando na direção de Edward. Mas não foi isso que aconteceu.
— Estou controlando o vento para que ele leve minha voz somente em sua direção. É como se eu estivesse sussurrando e só você pudesse escutar. – Ele apressou-se em dizer.
Bella tentou sorrir, mas teve a impressão que acabou contorcendo o rosto, em uma careta. Seu mundo havia virado de cabeça para baixo e ela não sabia se deveria se sentir aflita, temerosa, esperançosa. Era um misto de emoção que não conseguia distinguir.
— Jane está tramando alguma coisa. – Avisou rapidamente, com medo que as ninfas ou a caçadora pudessem ouvi-la. – E eu não sei se sou forte o bastante para isso.
Pela primeira vez, Bella sentiu que estava sendo racional e bastante verdadeira. Não importava o quanto a sua pose de durona fosse visível para os outros. No fundo, sempre se sentiu insegura, atrapalhada e nunca boa o bastante.
— Eu sei. – Ele respondeu. – Não tenha medo, eu vou te proteger. — E sorrindo, acrescentou: — E eu não acredito que você não seja capaz disso.
Bella mordeu os lábios. Suspirando, ela lhe devolveu uma expressão séria.
— É bom mesmo. – Ameaçou. — Caso contrário, vou cortar seu órgão genital com a minha adaga.
E então, lhe virou o rosto e estendeu a mão para a ninfa em sua frente.
O riso de Edward foi a última coisa que ouviu antes de adentrar pela floresta.
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