A Filha da Magia
33 Verdades e Mentiras
Notas iniciais
Verdades e Mentiras
Sinceramente, achei que a situação seria pior. OK, vou explicar.
Comecei a contar a história bem antes do real começo dela, quando eu estava no parque de diversões e minha irmã descobriu a verdade. Continuei com a descoberta de que o meu irmão que deveria estar morto, esta, na verdade, vivo e quer me matar, digamos assim. Continuei contando e contando; a parte mais engraçada (e a única) foi ver as expressões dos rostos deles mudando.
Raiva, frustração, confusão (sim, deixei eles bem confusos) e finalmente, tristeza. Contei tudo até o meu último sonho, poucos minutos antes. Mas eu deveria saber, deveria saber que certa pessoa não ia se sentir satisfeita.
– Então- começou Thaís, que tinha o rosto vermelho de raiva- você sabia de tudo desde o princípio?- ela perguntou de uma forma muito amigável (amigável até demais)
– Não, Thaís, é.....-ela se levantou abruptamente
– Quer dizer então que durante esse tempo todo, você sabia sobre o que iríamos enfrentar no final de tudo?!- perguntou Thaís, muito irritada
– Thaís, eu juro que não sabia...no início...- ela me interrompeu bruscamente- No início do que? Quando você descobriu que estava nos enviando para uma missão suicida ou quando seu irmãozinho querido te encontrou quando foi para o acampamento?!
– Thaís, pelo amor de todos os Deuses, eu juro que não sabia que Medeia era o que iríamos enfrentar! Eu só descobri hoje, mais precisamente, há dez minutos atrás!
– Mas você sempre soube que Robert estava por trás disso, não? Ou foi só intuição?!
– Thaís, por favor, me deixa explicar!
– Eu não quero ouvir mais porra nenhuma do que você tem a dizer!!! Você já falou demais!- olhei para ela com os olhos cheios de lágrimas- Você é uma mentirosa, e eu ODEIO mentirosos!!!
– Mas Thaís, eu sei que deveria ter contado tudo antes- ela se virou de costas para mim e senti uma lágrima teimosa escorrer pelo meu rosto- Mas eu....-ela se voltou para mim com o rosto tão vermelho quanto o meu.
– Eu já disse, você é uma mentirosa!- lágrimas escorriam pelo meu rosto como uma cachoeira, mas eu estava pouco me fudendo.
– Eu, uma mentirosa?!- ela olhou para mim confusa e vermelha- Quer dizer que você pode mentir e eu não?!- gritei de forma irritada
– Do que você está falando?
– Do que.... Você mentiu para mim durante quatro anos seguidos e aposto que teria mentido por mais quatro, se aquele maldito Minotauro não tivesse vindo atrás de mim!!!
– Isso só foi para te proteger!!
– Mas eu nunca pedi sua proteção!!- ela olhou para mim fixamente com lágrimas descendo rapidamente pelo seu rosto.
Thaís virou o rosto para o lado e depois se voltou para os meninos, que eu até tinha esquecido que estavam ali.
– E vocês? Vão aceitar tudo isso de boa?- Jake se levantou e lhe olhei de forma suplicante.
– Thaís, eu sei que você está irritada....
– Irritada?! Eu irritada?!- ela se virou para mim- Eu me sinto traída!! Mas vocês....
– Eu não acho que precisa tanto- olhei para Jake- Mas a Maria não deveria ter mentido- ele veio mais para perto de mim e sussurrou- Eu passei noites em claro pensando se eu voltaria vivo...você...- ele parou de falar
– Jake....Jake, eu não quis...- fui interrompida
– Bem, eu não acho que foi tão mal.
Olhei para trás. Nico havia se levantado e estava atrás de mim, quieto até aquele instante.
– Nico...
– Acredite- ele sussurrou para mim- eu já fiz coisas muito piores
Olhei para ele confusa, mas decidi não perguntar nada.
– Ah, claro. Era óbvio que ele iria ficar do seu lado- me virei para Thaís, mais calma
– Thaís- respirei fundo- me perdoa, por favor.
Seus joelhos fraquejaram uma pouco e seu lábio tremeu, do mesmo jeito que fazia quando estava arrependida de algo, mas ela se manteve firme.
– Não
Dei um passo para trás, com Nico a menos de cinco centímetros de mim, e segurei o choro. Olhei para Jake, ele suspirou.
– Jake, por favor...- ele me deu um sorriso.
– Bem, pelo que você contou, parece que tinha um motivo muito bom para não contar tudo- suspirei um pouco aliviada
– Ainda bem que você percebeu, Firmin, porque se continuasse com esse “cu doce”, eu iria resolver isso com a minha espada- Nico deu um sorriso tipo “bad boy”
– Nooooossa, que medinho do Niquito!- Nico sorriu ainda mais- Mas eu ainda te amo, LINDJO!!!- gritou Jake, pulando em cima de Nico, para um abraço logo rejeitado.
Eu ri. Thaís também.
As lágrimas tinham cessado. Dei um sorriso fraco. Ela hesitou, mas retribuiu.
– Mas voltando a vaca fria...- olhei para Jake- eu queria entender uma coisa
– O que?
– A nossa missão
– Hã?
– É, a parte que seu irmão psicopata ficou com ciúmes de você e acabou ajudando Medeia, mas ela o acha um merda de um imprestável (Jake- Mals aí, Maria, não quis ofender/Maria- Não ofendeu não)eu entendi, mas e os seus sonhos?
– Ué, são sonhos!
– Mas todos os sonhos tem um propósito
– Isso é verdade- Thaís se pronunciou
– E isso quer dizer que...?- perguntei ainda sem entender
– Alguém anda enviando esses sonhos para você, desde antes da missão.
– Mas quem?!- perguntei alarmada
– É isso que eu quero saber- ele começou a andar em círculos com a mão no queixo; Thaís se aproximou um pouco de mim- Pensa assim, você disse que logo que chegou no CHB começou a ter uns sonhos com uma mulher, que agora sabemos que é Medeia, depois vieram os sonhos com a Witch House, certo?
Assenti e Jake continuou.
– No sonho, você disse que alguém te escreveu uma carta, não foi?- me pus a pensar.... uma carta... lembrei do sonho que tinha me levado aquela missão e depois da carta.
– É, mas será que é a mesma pessoa?
– É óbvio! Só pode ser ele!
– Ou ela- Thaís o lembrou e ele assentiu
– Mas o que isso tem de importante agora?- todos voltaram os olhares para mim- Primeiro precisamos chegar a Cidade das Bruxas e deter Medeia e Robert e depois veremos isso- todos assentiram, mas Nico tinha uma cara de preocupação.
– O que foi di Angelo?- ele levantou o olhar e nos encaramos; virei o rosto para esconder o rubor que tinha se formado em minhas bochechas.
– Sei lá, to com uma sensação estranha...
– O que foi meu Lindjo?- perguntou Jake, os olhos de chocolate piscando como uma donzela
– Eu tenho quase 100% de certeza que ele é gay- sussurrou Thaís no meu ouvido e assenti, parecia que já estávamos de bem.
– Sai pra lá, seu merda!- Nico
– Oh, eu achei que você gostasse de mim- disse Jake fazendo drama
– Deixa ele terminar de falar!- exclamei e vi Thaís brincar com um relógio de madeira todo decorado com ursos de carvalho; a velha senhora continuava a dormir.
– Continuando- disse Nico me lançando um sorriso- a profecia me incomoda
– Por que?- já tinha até me esquecido dessa profecia
– Pensa, em um dos versos dizia que memória antigas seriam reviradas- assentimos todos- mas até agora, só a Maria reviveu alguma coisa
– Funnyland
– É, mas e daí?- Thaís disse e olhei para Jake; ele estava de olhos fechados
– Jake- chamei-o e ela abriu os olhos; seu cabelo parecia mais bagunçado do que quando eu tinha o conhecido
– Tá, tenho que contar algumas coisas também- Thaís respirou fundo
– Eu também, se quisermos que essa missão tenha sucesso, vamos ter que ser sinceros- vi Nico engolir em seco e me perguntei o porquê.
– Eu começo- disse Jake- tá tudo começou quando- ele foi interrompido
– Mas que coisa amável, quatro semideuses reunidos compartilhando seus segredos- logo todos nós estávamos com espadas na mão; Tenebris tinha um brilho sombrio.
– Quem é você? Apareça!- gritou Jake de forma autoritária
– Quem você acha?!- senti meus olhos se fecharem e depois não consegui mais abri-los, eu estava cega.
Ouvi Jake gritar e em seguida Thaís. Parecia haver uma luta de espadas em algum canto do casebre; eu fui indo para trás até bater no balcão. Um riso agudo. Alguma coisa pontuda e gelada na minha clavícula. Abri os olhos. A espada a poucos milímetros de me cortar no pescoço.
A sua berruga na ponta do nariz estava a poucos centímetros do meu rosto; na cadeira de balanço, Jake permanecia amarrado e Thaís estava presa em uma estátua de urso de madeira; ela apontava uma outra espada para Nico.
– É melhor não se mexer, semideusa- olhei bem para ela; seus olhos passearam por cada um de nós- Bem-vindos ao Empório da Urca- disse com um sorriso cínico no rosto a maldita senhora que fingia dormir.
Fale com o autor