A Filha da Magia

20 Sombras, Uvas, Periquitos e Walk-mans


Notas iniciais
Mais um cap...espero q gostem XD

Sombras, Uvas, Periquitos e Walk-mans

Fiquei mais um dia na cama, não por causa da luta, mas sim por que eu sabia o que aconteceria caso eu saísse do chalé. Mas Lou disse que eu teria que sair por que aquilo não tinha sentido algum. Me levantei e enrolei o máximo o possível para não sair do chalé, mas fui literalmente puxada para fora e tudo que eu menos queria, porém já estava acostumada, começou. Olhares tortos, cochichos, caretas e risinhos. Resumindo, voltei à quarta série.

No café, me senti como um leão de circo, onde todos me encaravam, esperando eu fazer alguém começar a chorar ou a gritar. Se continuasse assim, eu que iria chorar.

As coisas continuaram desse jeito, até a aula de esgrima. Percy que estava dando a aula não parava de olhar para Tenebris, assim como todo mundo. Mas ao invés de ficarem só olhando, uma menina, que reconheci sendo uma filha de Afrodite (Aff!) veio tirar satisfação.

– Então a bruxa deu as caras!- disse ela e suas irmãs riram. Não respondi- O que foi? Não vai falar nada?- continuei muda- Humpf! Você quase mata a Drew e depois não vai dar satisfação a ninguém?

– Eu não devo satisfação ninguém, só- disse bem baixinho

– Não deve? Sei. Você é uma idiota. Uma ridícula. Uma assassina!- gelei, sei que foi exagero e eu não devia ter me irritado com isso, mas ser chamada de assassina quando você não é, ser culpada por alguma coisa que você não fez é horrível.

– Cala a boca sua galinha despenada!

– Ah é? Vem cal....- ela não terminou. Quando dei conta de mim, eu estava em cima dela, com Tenebris apontada para seu pescoço e névoa prateada de me envolvendo.

Todos foram olhar a confusão e eu fiquei paralisada, eu fiz de novo. Me levantei e olhei para todo o acampamento (sim! Quase todo o CHB estava lá) e sem o meu consentimento, lágrimas começaram a descer. Sai correndo e quando entrei no chalé, deixei elas caírem o quanto quisessem. Eu não conseguiria agüentar uma coisa dessas de novo e de novo e de novo. Mas eu não poderia ficar no chalé o dia inteiro. Eu precisava ir para casa. Casa.

– É isso!- exclamei e já peguei minha mochila, coloquei o famoso feitiço de extensão e comecei a tacar todas as minhas coisas lá dentro. Uma vez, Roonie brigou com sua mãe e disse que iria fugir por que não conseguiria viver com a mãe contra ela. Eu a chamei de louca na época, mas eu entendo agora. Assim como ela, eu não vou conseguir agüentar. O porém é que ela desistiu. Eu não.

Olhei para a clareira onde briguei com o di Angelo e vi que o céu estava escuro. Chuva. Depois da minha decisão, deixei tudo arrumado e voltei para a aula. As irritações continuaram, só que em menor número. Depois do almoço, vi que não havia ninguém no chalé e peguei minha mochila e Tenebris. O plano era simples: eu sairia do acampamento, pegaria um táxi, voltaria para NY e esqueceria tudo que aconteceu nessas semanas para sempre.

Me sentei numa pedra e remexi na mochila, até achar o mapa mágico do acampamento que Cat tinha me dado no primeiro dia. Vi que estava muito longe da fronteira. Suspirei, eu tinha chegar pelo menos num posto de gasolina antes do anoitecer. Continuei estudando o mapa, mas fui interrompida por sombras.

– Di Angelo, se você acha que vai me....- quando me virei não vi Nico e sim ele. Seus olhos vermelhos faiscaram.

– Minha querida irmãzinha!- Robert abriu os braços- Como é bom te ver! Mas me diga, para onde vai com essas mala?

– O que você quer, Robert?- perguntei, ríspida

– Isso é jeito de falar com seu irmão querido? Eu só lhe fiz uma perguntinha- sorriu cínico; revirei os olhos

– Vou fugir

– Fugir? Você? Kkkk- ele gargalhou- Conta outra irmãzinha, você fugindo é ridículo!- ele se virou um pouco e vi algo em suas costas- Você não sabe que é proibido?- perguntou com voz de bebê

– Eu digo o mesmo- me aproximei de seu fedor de gambá- Você também está de saída. Vai para onde?

– Te interessa?

– Se eu perguntei

– Atitude. Tudo bem. Eu irei para a cidade das bruxas

– Cidade das Bruxas? Onde fica isso?

– Oras, e ainda se diz filha daquela ali! Bem, você só precisa saber que é bem longe daqui e eu preciso chegar lá logo, portanto não tenho tempo para ficar de conversa

– Foi você que começou! Mas se a cidade das bruxas é tão longe e você precisa chagar lá logo, como vai fazer isso?- ele me olhou entediado

– Viagem nas sombras- parei. Nico di Angelo ficou de me ensinar a fazer isso

– Você vai me ensinar então!

– O que? Por que eu faria isso?

– Por que se você fizer isso, eu não contarei para Lou que você está fugindo

– E você acha que eu tenho medo de Lou Ellen? Você acha que eu tenho medo dessa sua ameaça rídicul....- ele olhou para algo que estava atrás de mim e empalideceu-Tenebris- sussurrou

– É, Tenebris. Minha espada.- seus olhos arregalaram e ficaram ainda mais vermelhos

– Tudo bem- ele parecia confuso- eu te ensinarei. Mas apenas uma vez- assenti- Escute. Respire fundo e sinta todas as sombras a seu redor. Tente condensá-las. Um portal se formará nas primeiras tentativas, mas depois você irá direto para o lugar que deseja. Quando você entrar dentro do portal vai sentir o frio da escuridão.- fiz o que ele mandou e o portal se formou ao meu lado. Era um círculo negro com uns 50 cm de diâmetro e umas sombras se soltando. Coloquei o meu braço lá dentro e senti um friozinho. Funcionou.

– Olha, Robert, nem pense que e....- me virei e ele não estava em lugar nenhum. Estremeci. Eu não devia ter aceitado sua ajuda, mas assim chegarei mais rápido em casa. Respirei fundo e fiz minha primeira viagem nas sombras.

Robert iria me pagar! Eu vou estrangular aquele idiota!!!!

Depois de me ensinar a viajar nas sombras, ele poderia ter me dito que a) eu não chegaria em NY, apenas na fronteira do acampamento e b) que eu ficaria tão cansada e teria enjôo. Me sentei um pouco antes da fronteira e comi minha última uva. A hora é essa. Eu sairia daquele mundo e voltaria para a realidade!

Logo que coloquei o pé para fora da fronteira, me senti exposta. Senti que estava sendo observada. Eu estava pronta para desistir, mas quero ver minha família. Me endireitei e segui andando. Não sei por quanto tempo andei, mas quando olhei para o céu, já estava escurecendo e minha barriga roncava. Eu devia ter trazido mais uvas...

Fiquei sentada numa pedra que achei e fui retomando fôlego. Então percebi os olhos. Vários olhos vermelhos me encarando. Vi um brilho metálico. De repente um pássaro pousou ao meu lado. Ele era imenso, preto como grafite e parecia ser feito de ferro com um bico meio curvado e... Não! Conheço esses pássaros! Annabeth me falara sobre eles! Pássaros de Estinfália!

Me levantei devagar e fui indo para longe. Eles comem carne humana. Tenho que ser bem...crack! As centenas de olhos se fixaram em mim. Fiz a única coisa que me veio à cabeça: saí correndo feito uma louca e óbvio, os periquitos vieram atrás de mim. Enquanto uma nuvem negra me seguia, eu tentava pegar Tenebris. Quando consegui, parei e me virei para os pássaros; comecei a atacá-los mas eles sempre desviavam. Eram pássaros, podiam voar! Dã! E mesmo lutando com Tenebris ao invés de Astéri, eu continuava meio desengonçada. Eles começaram a vir de monte e senti seus bicos frios contra a minha pele. Logo a ardência começou e senti um líquido quente escorrendo pelo meu braço esquerdo. Decidi que era melhor não olhar. A luta estava complicada. Me sentia cada vez mais fraca. Não me lembrava como esses malditos periquitos foram derrotados. Eu estava quase desistindo quando ouvi um barulho horrível. Era ensurdecedor, mas tinha um toque de classe; a música não me era estranha e então percebi o som de violinos. Música italiana! Vi que os pássaros rodopiavam confusos ou irritados. É isso! Os periquitos foram o sexto trabalho de Hércules e ele os afugentou com o barulho de duas castanholas de bronze depois atirou neles com uma flecha envenenada. O barulho eu já tinha, apesar de não saber de onde vinha, agora só falta a flecha envenenada.....Fui correndo em direção a mochila e peguei um pequeno livro de feitiços e fui desdobrando-o até ficar do tamanho de uma enciclopédia. Procurei o mais rápido o possível o feitiço. Quando o achei, estiquei a mão em direção dos pássaros, respirei fundo e murmurei o feitiço. Em menos de um segundo, raios de luz azuis saíram da minha mão em direção aos pássaros e eles foram totalmente desintegrados. Cai morta de cansaço no chão e uma figura se aproximou de mim. Seus olhos negros de grafite são inconfundíveis

– Sua louca! Por que você fugiu?- perguntou Nico me ajudando a sentar com um Walk-man na mão

– Porque sim!

– Você é ridícula! É a segunda vez que eu venho te salvar!

– E você um idiota! Nunca pedi para ser salva!

– Então por que você fugiu?

– Eu já disse! Porque sim!- eu estava tentando ficar em pé quando senti uma tontura e Nico me segurou

– Moore. Moore. Ta tudo bem?- e só para dar uma variada, eu desmaiei.

Mais claridade. Me sentei na cama e olhei para os lados. Enfermaria. De novo. Vi Nico chegando com um prato na mão, ele se sentou numa cadeira que estava do lado da cama e vi dois hamburgers no prato

– Oi- disse ele sem olhar nos meus olhos

– Oi

– Você está melhor?- disse ele agora me encarando

– Sim... Mas, o que aconteceu? Quer dizer, depois dos pássaros?

– Hã, você desmaiou- balancei a cabeça, isso já está virando rotina- De novo?- perguntei

– É- disse ele rindo um pouco e vi suas covinhas. Ele até ficava bonitinho rindo

– E depois?- perguntei, afastando o pensamento

– Eu te trouxe para cá- respirei fundo

– Como descobriu que eu havia fugido?

– Na hora da fogueira todos estavam te procurando, então Lou inventou que você estava meio doente e não iria participar. Quíron ficou desconfiado e foi ao seu chalé. Quando viu que você não estava lá, ele me pediu para te procurar. E eu fui.

– Só? E alguém já me visitou, além de você?- ele corou

– Bem, seus irmãos, Thaís, os Stolls- ele pareceu meio irritado com eles- e Quíron- suspirei

– Ele pode me deixar de castigo?

– Não- ele riu- Mas pode te dar uma punição

– Como?

– Tipo, obrigando você a lavar os pratos com magma derretido- ele fez uma careta e eu ri. De repente ele ficou sério- Maria- me assustei, acho que ele nunca me chamou de Maria- Eu queria pedir desculpas pelo beijo. Eu sei que foi errado e...

– Nico, esquece, eu fiquei meio irritada com você mas agora já passou. Eu queria te agradecer, na verdade, se não fosse você, eu teria virado comida de passarinho- ele riu- Okay, não há de que

– Agora- comecei, me lembrando de uma coisa- Qual era a do Walk-man?- ele riu e começou a me explicar uma história muito doida que me fez rir muito.

Conversamos a tarde toda sobre várias coisas. O hamburger estava delicioso e eu ri da cara dele quando seu rosto ficou cheio de maionese. Algumas pessoas vieram me visitar, elas chegavam e depois de uns dez minutos iam embora. Quíron disse que ficou muito preocupado comigo, mas que ficou feliz ao saber que estou bem. Amanhã terei de conversar com ele. Quando estava anoitecendo, Nico disse que precisava ir. Então, ele chegou perto de mim e começou a se aproximar, eu já estava preparada para dar um tapa nele, mas ele apenas me deu um beijo na testa e depois foi embora, me deixando com a sensação de mais um beijo do filho de Hades.

Notas finais
Gostaram??? Amanhã posto mais :3 É isso, bjs de cupcakes ^^