A Filha da Escuridão
16 Capítulo XVI
Notas iniciais
P.O.V. Alice
— Ahhh!!! – gritei, soube na hora em que ele deu a ideia, que era uma a ideia horrorosa.
Me agarrei com mais força ainda a Aslan, fazendo de tudo para não cair.
Senti as sombras me envolvendo, já não era mais tão aterrorizante quanto da primeira vez, o treinamento com o Nico me ajudara muito.
As vozes não eram mais tão aterradoras, se me esforçasse um pouquinho já conseguia fazer com que elas desaparecem. Uma das vantagens de ser filha de Nix, Nico me contou que as dele nunca sumiram.
As sombras se desfizeram e senti que Aslan havia pousado.
Não sei o que me deu para que eu aceitasse aquela proposta absurda! Sério, que tipo de pessoa em sã consciência pula de um abismo que vai dar no Tártaro?
Ok, Aslan havia me dito que era a única forma de chegarmos até lá, mas mesmo assim não deixa de ser loucura!
“Chegamos!” ele disse alegremente “Bem vinda ao Tártaro!”
E o pior é que ele disse isso com um entusiasmo, como se dissesse “Bem vindo a Disneylândia!” e não “Bem vindo ao Tártaro, o lugar para onde somente os monstros e os piores imortais são mandados!”
Mas Se bem que para ele ambos devem ser bastante semelhantes.
Abri os olhos vagarosamente, e no mesmo instante desejei não ter aberto.
Meus ouvidos já captavam os murmúrios de dor e sofrimento desde que entramos no Mundo Inferior, o que não era um som nem um pouco agradável, mas naquele lugar era como se tudo fosse multiplicado por mil.
Perante ao Tártaro, os Campos de punição pareciam o paraíso.
O chão parecia ser feito de cacos de vidro escuro, eu conseguia enxergar perfeitamente tudo no local, mas de alguma forma eu sabia que na verdade estava bastante escuro.
A Única fonte de luz vinha de um rio de fogo, o Rio Flegetonte se não me engano.
— Uau. – foi a única coisa que consegui dizer, e não era por estar impressionada. Quer dizer, em parte era, mas não era um impressionada bom.
“Impressionante, não?” ele perguntou
— Com certeza.
Caminhamos por alguns segundos sem nenhum rumo aparente e então eu perguntei:
— Você sabe o caminho para a casa da mamãe?
Ele me olhou como se aquela fosse a pergunta mais idiota que alguém já tinha feito em toda a história.
“É claro que sei, Alice, não seja idiota.”
Bufei, odiava ser chamada de idiota, principalmente por um certo Leão negro.
“agora me conte, o que aconteceu? Você me disse que algo estranho tinha acontecido antes de eu chegar.”
— Ah, isso...
FLASHBACK ON
Eu e Nico estávamos quase no estúdio, ainda não conseguia acreditar que a entrada para o Mundo dos mortos fosse um estúdio de cinema, e tudo estava indo muito bem.
Quando de repente me senti ser arremessada para longe de Nico.
Felizmente não me machuquei muito pois uma lata de lixo amortece a minha queda.
Olhei para o que tinha me lançado e vi três bruxas com enormes asas de morcego. As Fúrias.
Ainda estava meio zonza por causa da queda que quase não reparei que Nico havia se posto entre mim e os monstros.
Me levantei o mais rápido quer pude e saquei minha espada.
Sabia que Nico conversava com elas, mas não consegui distinguir muito bem as palavras, acho que bati a cabeça na hora da queda.
Nico avançou na Benevolente mais próxima e eu cuidei das outras duas. Uma luta injusta já que eu tinha bem menos experiência, mas na hora não deu pra pensar nisso.
Assim que comecei a lutar meus sentidos se aguçaram, podia prever seus movimentos muito antes que elas pudessem executa-los. Meu corpo reagia sem que eu pensasse, quando uma saia de meu campo de visão não era um problema, pois sabia exatamente onde ela estava pela minha audição.
Uma delas consegui tomar minha espada, achei que estaria perdida, mas uma parte de mim sabia que não era o fim.
Olhei para minhas mãos e vi que nelas haviam garras, um tanto curvas e mortalmente afiadas.
Não tive tempo para ficar surpresa ou assustada, tinha que lutar.
Pulei na Fúria mais próxima.
As Benevolentes ficaram tão surpresas que nem reagiram.
Pelo canto do olhos vi Nico matar a outra e tratei de fazer o mesmo.
Enfiei minhas garras em seu peito e com um grito horrendo de dor ela se desfez em pó dourado.
FLASHBACK OFF
— E foi isso.
“Caramba não achei que fosse despertar seu lado felino tão rápido.”
— Lado felino? – ele sabia que isso poderia acontecer comigo? – Explique.
“O fato de sua mãe ter o fato como o animal sagrado dela lhe confere algumas habilidades especiais, como por exemplo, enxergar no escuro e os seus reflexos incríveis” ele deu uma pausa para que assimilasse “ Isso que aconteceu com você foi o Modo Sobrevivência, é um tipo de mecanismo que se ativa quando você está em perigo, estou surpreso de ter conseguido controla-lo”
— Como assim surpreso? — perguntei
“Bom, há ouvi historias de filhos de Nix que entraram no Modo Sobrevivência e não conseguiram desligar até que tivessem matado várias pessoas. E você não se deixou dominar, mesmo sendo sua primeira vez.” Tinha um tom de orgulho em sua voz.
— E se ele ativa sempre que estou em perigo, por que não estou no Modo Sobrevivência agora? Acho que o tártaro é um lugar bem perigoso.
“ Não é um perigo eminente e além do mais eu estou aqui, não precisa se preocupar.”
Ri um pouco.
— Tem razão, me sinto muito mais segura com você aqui. Foi mesmo uma ótima ideia ter te chamado, mas sério, eu não fazia ideia de que você podia viajar mas sombras.
“Sou um Leão cheio de surpresas.”
Durante o percurso tudo foi relativamente bem, afinal estávamos no Tártaro. Tivemos que parar acho que uma dezena de vezes para enfrentar monstros. Na maioria das vezes, Aslan cuidava de tudo sozinho, acho que ele estava com medo de eu entrar no Modo Sobrevivência.
Tivemos também que falar com a deusa da Miséria, que assim que soube quem eu era nos deu passagem.
E por fim, conseguimos chegar ao Castelo da minha mãe.
“Seja bem vinda ao Castelo de Nix, a casa de sua mãe e meu antigo lar.”
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