A Filha da Escuridão
1 Capítulo I
Notas iniciais
P.O.V. Alice
Acordei com o som irritante do despertador.
É isso ai, Alice, suas férias terminaram. Agora trate de levantar e ir enfrentar mais um dia naquele inferno que chamam de escola.
Me levantei fui para o banheiro tomei um banho gelado para me ajudar a acordar, escovei os dentes e me vesti.
Peguei minha mochila e desci para tomar café.
Assim que entrei na sala minha irmã Ema, que estava assistindo um desenho qualquer correu e veio me abraçar.
– Bom dia, Lice!!! – ela disse me abraçando
– Bom dia, Ema! – retribui o abraço e sorri pra ela
Ema só tinha 5 anos, mas era um amor. Ela tinha lindos olhos verdes e cabelos castanhos, ela era basicamente uma versão em miniatura da mãe.
– Já tomou café? – perguntei depois que ela me soltou
– Ainda não, estava esperando por você! – ela pegou minha mão e me guiou até a cozinha onde sua mãe preparava o café – Mamãe, a Lice já chegou para tomar café!
– Que bom, meu amor! – ela respondeu sorrindo – Bom dia, Alice.
– Bom dia. – falei me sentando
Ema se sentou ao meu lado e sua mãe pôs uma tigela de cereal para ela comer.
– Quer cereal, Alice? – Melissa me ofereceu
– Não, obrigada. – recusei enquanto pegava uma torrada e passava geleia.
Já sei o que vocês estão se perguntando: “Ué quando é que a madrasta dela vai começar a maltrata-la?” ou “Quando ela vai começar a brigar com a madrasta dela?”.
Se estão esperando por isso podem esperar sentados, porque isso não vai rolar.
Eu e a Melissa temos uma boa relação, eu não a odeio.
A Melissa é uma boa pessoa, faz bem ao meu pai e me trata muito bem! Eu não tenho motivo nenhum para odiá-la.
– Melissa, meu pai já saiu? – perguntei só pra não ficar aquele silencio chato, afinal eu sabia que ele já tinha saído, pois tinha que resolver algumas coisas no museu
– Já sim! mas se quiser eu posso te levar na escola, afinal, é seu primeiro dia de aula. – ela respondeu
– Não precisa não, mas obrigada. – disse me levantando
Caminhei até o armário da cozinha e peguei um sache de comida de gato e pus na mochila junto com dois coxinhos, um para água e outro para comida.
– Isso é para o Aslan? – perguntou Ema
– É sim, Ema. – respondi
Aslan é um gato de rua que eu alimento todos os dias na hora do intervalo na escola.
Ema o conhece porque ele sempre me acompanha de casa até a escola e da escola até a minha casa.
Todos os dias, sem falta.
– Diz que eu mandei um beijo pra ele! – ela falou
– Pode deixar, Ema. – respondi
Pus minha mochila nas costas e me despedi.
– Tchau!
– Tchau! – responderam mãe e filha juntas
Saio do meu apartamento e fui até o elevador.
Assim que entrei no elevador apertei o botão do térreo, pequei meu MP3 pus os fones e comecei a ouvir música.
Saio do elevador e cumprimento o porteiro com um aceno de cabeça.
Logo que saio do prédio avisto Aslan.
Aslan era um gato grande, pelo menos maior que a maioria dos outros gatos, seu pelo era inteiramente preto e ele possuía olhos amarelos quase no mesmo tom dos meus.
– Bom dia, Aslan! – cumprimento
Ele mia em resposta, as vezes eu tenho certeza que consigo ouvi-lo falar.
Balanço a cabeça para afastar esse pensamento.
Abaixo e o acaricio.
– Tudo bem com você? – pergunto – A Ema mandou um beijo pra você, sabia?
E de novo ele mia.
Caminhamos em silencio até a escola, que não era muito longe da minha casa.
Quando chegamos, infelizmente, tive que me despedir de Aslan.
– Tchau, querido, eu tenho que ir. – disse – Te amo.
Ele miou.
Fiquei o acariciando por um tempo e depois tive que entrar.
Pequei meu novo horário na secretaria e vi que minha primeira aula era a de filosofia, o que não era ruim.
Filosofia não era minha matéria predileta, mas chegava perto, eu gostava muito tanto da professora quanto da matéria.
Entrei na minha sala e me sentei no meu lugar habitual, no fundo e no canto.
Como sabia que a aula ainda ia demorar um pouco a começar pequei meu caderno e comecei a desenhar Aslan.
A sala aos poucos a sala começou a se encher e no final só sobraram três cadeiras vazias.
E adivinhem?
Eram perto de mim.
Uma na minha frente, outra ao meu lado e a última em frente da que ficava ao meu lado.
Era sempre assim, a maioria das pessoas procurava ficar o mais longe de mim possível. Eu não faço ideia do porquê, mas já me acostumei com isso.
A Professora de filosofia, Sra. Clark, entrou na sala e junto com ela três alunos novos.
A Sra. Clark já tinha seus 50 e poucos anos, mas era muito divertida.
– Muito bem, turma, todos sentados por favor. – pediu a Sra. Clark – Como podem ver nós temos alunos novos esse ano. – ela mostrou os novatos – Por favor, rapazes, se apresentem.
Eram três garotos: um que parecia um elfo latino, um de muletas e um todo de preto.
O elfo latino foi o primeiro a se apresentar:
– Prazer eu me chamo Leo Valdez e tenho 17 anos, e infelizmente para vocês, garotas, eu tenho namorada! – ele disse sorrindo
Não pude deixar de rir com o Leo, ele era realmente engraçado.
Mas diferente de mim algumas garotas realmente ficaram chateadas com a notícia.
– Meu nome é Grover e eu tenho 17 anos. – falou o cara com as muletas
O último a se apresentar foi o carinha de preto.
– Eu me chamo Nico Di Ângelo. – ele falou com uma expressão indiferente no rosto – É só isso que eu tenho pra falar.
– Muito bem agora que já se apresentaram podem se sentar ali, perto da senhorita Von Schwarz, qualquer dúvida na minha matéria podem perguntar para ela, a senhorita Von Schwarz é ótima na minha matéria. – ela apontou para mim
Ela sempre tentava fazer com que os alunos novos se enturmassem comigo no começo até dava certo, mas ai eles ouviam o que os outros alunos falavam de mim e se afastavam.
O Grover sentou na cadeira a minha frente, Nico ao meu lado e Leo ao lado de Grover.
Não se passou muito tempo e Grover passou um bilhetinho para Leo.
Leo leu, olhou para mim, sorriu e passou o bilhete para Nico que leu e olhou para mim só que bem mais discretamente que Leo.
Acho que nunca quis tanto saber o conteúdo de um bilhete antes.
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O restante da aula correu normalmente, exceto é claro pelas olhadas discretas, e as vezes não tão discretas assim, que Nico, Leo e Grover lançavam para mim. Eu simplesmente fingia que não via nada.
Depois da aula de filosofia teve aula de história e álgebra.
Quando finalmente chegou o intervalo eu peguei minha mochila e fui para o pátio.
A maioria da pessoas deixa suas mochilas na sala quando vai para o intervalo, mas ,desde a quinta série quando mexeram nas minhas coisas, eu carrego minha mochila comigo.
Cheguei ao pátio e me sentei em um banco debaixo de uma arvore, pouco tempo depois Aslan aparece.
– Olá, meu amor! – disse enquanto lhe fazia carinho.
Ele ronronava feliz.
– Você deve estar com fome – falei sorrindo
Peguei minha mochila e de lá eu tirei os dois cochos e a ração.
Em um cocho eu pus a ração e o outro eu enchi com água.
Pus ambos os cochos no chão perto de mim, e me sentei no banco para terminar meu desenho de Aslan enquanto o próprio comia sua comida.
Estava tudo bem até que o zelador da minha escola passou perto de nós, Aslan parou de comer olhou para o zelador e soltou um chiado, como se fosse um aviso, o zelador olhou feio para nós e rapidamente se afastou.
Assim que ele terminou de comer eu peguei os cochinhos os limpei e os guardei.
Quando voltei a me sentar no banco Aslan pulou no meu colo, como sempre fazia depois de comer, eu fiquei fazendo carrinho até que ele dormisse.
Pequei um livro de astronomia e comecei a ler.
Eu amo astronomia e tenho intenções de me tornar uma astrônoma assim como meu pai e também de assumir o museu.
Acordei dos meus pensamentos com uma grande explosão e vários gritos.
O antigo zelador da minha escola tinha ficado enorme, tipo com mais de dois metros de altura e muito, mas muito musculoso. Ah, eu já me ia esquecendo, ele só tinha um único olho no meio da cara feio!
Um ciclope!!!
Ele estava tão diferente que eu só o reconheci pelos trajes de zelador que ele usava, que milagrosamente não rasgara,
Eu estava paralisada de medo, mas fui desperta quando vi que Aslan em meu colo se preparava para pular no ciclope que estava correndo em minha direção.
Segurei Aslan junto ao peito com força, ele tentava fugir de meus braços, porém não me arranhava.
– Quieto! – falei e no mesmo instante ele parou.
Eu ainda estava paralisada de medo, não conseguia correr, não conseguia nem sequer me levantar.
Então eu vi Leo Grover e Nico lutando contra o meu antigo zelador.
Leo lançava rajadas de fogo nos olhos do ciclope, acho que para distrai-lo, porque até onde eu sei ciclopes são a prova de fogo. Nico usava uma espada. Grover tocava flauta e por algum motivo ele não usava mais muletas, mas isso era a coisa menos estranha no momento.
Nico de alguma forma conseguiu cravar sua espada no peito do ciclope e esse se desfez em uma pilha de poeira dourada.
Eles olharam na minha direção pareciam surpresos por eu ainda estar lá.
Eles se aproximaram de mim e Nico perguntou:
– Você está bem?
Balancei a cabeça para me recuperar do susto.
– Sim eu estou bem, mas o que aconteceu aqui? – perguntei
Vamos explicar tudo, mas você tem que nos levar até a sua casa. – disse Nico – Agora.
Olha se um estranho te mandar levá-lo até a sua casa: grite, peça socorro, fuja, faça qualquer coisa desse tipo.
Mas agora se essa pessoa for da sua escola, tiver matado um ciclope que queria te matar, enquanto um garoto de 17 anos solta fogo pelas mãos, ao mesmo tempo que um garoto que antes usava muletas deixa de usa-las e fica tocando flauta, e esse estranho ainda por cima estiver portando uma espada... Bom nesse caso você faz o que ele manda!
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