A Filha da Escuridão
4 Capitulo IV
Notas iniciais
Eu adoraria dizer que acordei tranquilamente no meu primeiro dia no acampamento.
Mas isso seria uma mentira.
Na verdade eu fui acordada por um rugido de Aslan que me fez cair da cama, felizmente em cima do próprio, já que eu estava na cama de cima.
“Bom dia!” ele disse animado.
— Bom dia. – disse saindo de cima dele – Não tinha uma maneira pior de me acordar, não?
Ao longe eu podia ouvir os gritos de campistas que, como eu, tinham sido acordados pelo rugido de Aslan.
“Pra falar a verdade não! Se não eu teria usado!”
— É bom saber que você me ama. – disse afagando sua juba
Ele ronronou.
Eu tirei e meu pijama e vesti uma roupa decente, uma calça jeans e uma blusa que já estava na minha cômoda.
Estava arrumando meu chalé quando ele foi invadido, literalmente, por Nico.
Ele estava vestido com uma calça jeans preta, uma blusa da mesma cor e estava com a espada em punho.
— Você está bem? – ele perguntou serio
— Eu estou, por que? – perguntei confusa
— Quer dizer que você não ouviu o rugido? – ele arqueou a sobrancelha
— Ah! Isso. – respondi – Sim eu ouvi, por que?
Nosso dialogo só de perguntas estava ficando interessante.
— Bom, todo o acampamento está tentando encontrar o dono do rugido. – ele tinha guardado a espada e agora estava de braços cruzados.
Só eu que percebi que ele nunca responde as minhas perguntas corretamente? Ou ele responde forma vaga ou com outra pergunta.
— Ah, não se preocupe com isso. – falei enquanto terminava de arrumar a minha cama
— E eu posso saber porque eu não devo me preocupar com isso? – ele disse sarcástico
— Porque eu sei que o dono do rugido não faria nada contra o acampamento. – disse de forma indiferente
— E quem seria o dono? – ele perguntou ironicamente
Eu apontei para Aslan que estava deitado perto da estátua de minha mãe.
— Uau! Quem é esse? – ele perguntou surpreso
— Nico, esse é Aslan. Aslan esse é Nico. – eu os apresentei
Ele arqueou um sobrancelha, ele realmente gosta de usar essa expressão.
— Aslan não era um gato?
— Você acertou quando disse que ele podia ser um protetor enviado pela minha mãe, bem, ele é. – falei pondo a espada no meu cinto.
— Legal. – ele disse indiferente – Onde conseguiu essa espada?
— Presente da minha mãe. – respondi
— Posso ver?
— Claro. – entreguei a espada pra ele
Ele examinou a lamina por um tempo e depois disse:
— É de ferro Estígio, como a minha. – ele notou a minha cara de desentendida e suspirou – Armas de semideuses podem ser feitas de bronze celestial, ouro imperial ou de ferro Estígio. Os dois primeiros são os mais usados.
— Legal. – eu disse e ele me devolveu
Ficamos um tempo em silencio.
— Então você já está indo para o Pavilhão de jantar?
— Sim e não! — Nico arqueou um sobrancelha, ele tinha algum problema com aquela expressão, só pode! – Eu não sei onde fica nada, então eu ainda ia ter que procura-lo.
— Eles não te mostraram nada ontem?
— Não.
— Então acho que vou ter que fazer isso eu mesmo. – ele suspirou – Venha.
Eu segui Nico até o lado de fora do chalé, mas antes de fechar a porta eu olhei para Aslan e perguntei:
— Você vem?
“Não, obrigado. Eu vou ficar aqui dormido! Qualquer coisa me chame.”
— Tudo bem. – respondi e fechei a porta
— Você pode falar com o seu leão? – ele perguntei
— Sim, com ele e com todos os felinos. – ele tinha uma expressão confusa no rosto — O gato é o animal sagrado da minha mãe.
— Eu tenho um amigo que fala com os cavalos. – ele disse
— Que massa.
Antes de irmos para o refeitório Nico me mostrou alguns lugares do acampamento como: o lago de canoagem, o campo de morangos, o arsenal, a forja, a arena, a enfermaria, os estábulos, a parede de escalada, a casa grande e por último o Pavilhão de jantar.
— Cada chalé tem a sua mesa, — ele explicou – antes de comer você tem que queimar na fogueira parte da sua comida para os deuses e os copos são mágicos, basta dizer o que quer e ele se enche sozinho.
Ele já ia embora.
— Obrigada, Nico, por me mostrar o acampamento e por se preocupar comigo quando ouviu o rugido de Aslan. – falei
— Não foi nada. – ele disse indiferente, mas pude ver que ele estava um pouco corado – Até mais.
— Ate. – e foi ai que eu me lembrei – Ei, Nico, você sabe qual é a minha mesa?
Ele analisou as mesas por um tempo e depois falou:
— É aquela ali. – ele apontou para uma mesa feita de madeira negra com uma toalha preta que tinha no centro o símbolo da minha mão em prata.
— Obrigada de novo. – agradeci
— De nada. – e ele foi embora
Sentei na minha mesa e me servi.
Pequei três panquecas, morangos e algumas torradas com geleia de uva.
Andei até a fogueira e lancei: uma panqueca, os melhores morangos e duas torradas.
"Para a minha mãe", eu pensei.
Voltei para a minha mesa e comecei a comer o meu café da manhã.
Até que vi Quíron vindo na minha direção, fingi que não vi e continuei comendo.
— Bom dia, senhorita Alice! – disse ele animadamente – Vejo que a senhorita consegui se encontrar sozinha, não é mesmo?
— Bom dia, Quíron. E bem não foi exatamente sozinha, o Nico me ajudou. – respondi
— Que bom que o senhor Di Ângelo a ajudou. – ele falou – Bem eu só vim lhe entregar o seu horário e o livro de regras. Qualquer coisa você pode vir falar comigo na casa grande.
— Tudo bem.
— Tenha um bom dia, Alice. – despediu-se
— Você também.
Terminei meu café enquanto lia o livro de regras. Olhei o meu horário e vi que a minha primeira aula daquele dia e vi que era grego antigo.
Depois de terminar meu café eu fui para a aula da grego antigo.
Quando eu cheguei não tinha muita gente na sala e me sentei, no fundo e no canto.
Alguns eram grupinhos eram formados de primeira, alguns olhavam para mim, mas sem muito interesse.
Eu estava perdida em meus pensamentos quando vi uma garota loira se sentar ao meu lado e falar:
— Oi! Meu nome é Claire Miller, qual é o seu?
— Oi, eu me chamo Alice Von Schwarz.
Ela tinha cabelos loiros presos em um rabo de cavalo, pele clara e olhos castanhos. Ela usava basicamente a mesma roupa que eu, blusa do acampamento, calça jeans e tênis.
— Você é a nova campista, né? – ela perguntou animadamente – A filha de Nix?
— Sou eu mesma, é um prazer te conhecer.
— O prazer é todo meu! – ela sorriu – Deve ser muito legal ser filha de Nix.
— Eu ainda não vi nenhum ponto negativo. – falei – Mas quem é a sua mãe ou pai?
— Ah, eu sou filha de Hécate. – ela disse ainda sorrindo – deusa da magia.
— Deve ser legal ser filha dela. – a imitei
— Eu ainda não vi nenhum ponto negativo. – disse ela imitando a minha voz
Ambas rimos.
Ai Quíron entrou e começou a aula, eu não sabia que ele era o professor de Grego antigo.
No início eu achei que seria muito difícil, por conta da minha dislexia, mas de alguma forma ela me ajudava a entender o grego antigo.
Depois da aula eu falei sobre isso com Quíron e ele me disse que isso era por causa que o nosso cérebro estava conectado com o grego antigo.
— Ei qual é a sua próxima aula? – perguntou Claire ao meu lado
— Esgrima, e a sua? – respondi
— Poxa a minha é arco e flecha, seria legal se tivéssemos aulas juntas agora. – ela disse desanimada – Mas não tem problema, a gente se vê por ai! Tchau Alice!
— Tchau! – falei
E foi então que eu notei.
Só no meu primeiro dia no acampamento eu já fizera mais amigos do que em todos os anos que passei no meu colégio.
Talvez eu realmente fosse me encaixar muito bem nesse lugar.
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