A Filha Roubada dos Weasley
3 O Convite
Quando Aurora finalmente chegou à cozinha, seus pais e seu irmão já estavam sentados á mesa. Nenhum deles ergueu a cabeça quando a garota entrou ou se sentou. A cara de seu pai estava escondida atrás do Profeta Diário, o jornal dos bruxos, onde as fotos se mexiam, e sua mãe comia lentamente, olhando para o prato.
Simon parecia furioso e carrancudo, e por alguma razão, dava a impressão de querer estrangular alguém. Quando a mãe olhou para o filho, o garoto lançou-lhe um olhar raivoso. A vida de Simon tomara um rumo muito desagradável desde que ele ganhara uma irmãzinha mais nova de “presente” de três anos.
— Posso saber o que aconteceu aqui? — Aurora perguntou, arrumando-se na cadeira. — Por que estão todos emburrados e quietos?
— Ou porquê ninguém olhou para a princesa da casa quando ela entrou na cozinha, quem sabe? — Simon perguntou, encarando a irmã com raiva.
— Você sabe que não é nada disso, Simon. — Aurora falou, também encarando o irmão com raiva. — Estão todos com cara de poucos amigos logo de manhã. Parece que levantaram da cama com o pé esquerdo.
— Eu levantei da cama com o pé esquerdo no dia do meu aniversário de três anos e você apareceu aqui e desde lá minha vida tornou-se um inferno, sua bastarda.
— O que você quer dizer com isso?
— JÁ CHEGA! — A Sra. Jones gritou e os dois filhos calaram-se imediatamente.
O Sr. Jones pôs de lado o jornal com um profundo suspiro de reprovação e olhou para o seu prato, onde tinha bacon, torradas e ovos mexidos, então ele apanhou a colher ao lado do prato.
A pequena família ouviu uma batidinha na janela da cozinha e quando viraram-se para olhar, Afrodite estava ali, esperando que alguém abrisse a janela para que ela entrasse. O Sr. Jones levantou-se da cadeira e foi na direção da janela. Rápido como um raio, enquanto a mãe se ocupava com a chaleira, Simon olhou com raiva para a irmã e lhe atirou um pedaço de bacon.
Afrodite sobrevoou a cozinha e em seguida aterrissou na mesa diante de Aurora, que lhe fez um carinho na cabeça antes de pegar a carta que a coruja lhe estava trazendo, mas a carta estava endereçada ao Sr. e Sra. Jones, então a menina entregou a carta para o pai, que a leu em voz alta:
Prezados Sr. e Sra. Jones,
Nunca fomos apresentados, mas tenho certeza de que já ouviram Aurora e Simon falarem muito de meu filho Cedrico.
Como obviamente vocês devem saber, a final da Copa Mundial de Quadribol vai se realizar na próxima segunda-feira à noite, e eu, Amos Diggory, consegui arranjar ótimos lugares para o jogo por intermédio de conhecidos do Departamento de Jogos e Esportes Mágicos.
Espero que o senhor e sua mulher nos permitam levar Aurora e Simon ao jogo, pois é realmente uma oportunidade única na vida. A Grã-Bretanha não sedia a Copa há trinta anos e as entradas são muito difíceis de se obter. Ficaríamos muito felizes se Aurora e Simon pudessem passar o resto das férias de verão conosco, e de acompanhá-los em segurança até o embarque da escola.
Seria preferível que algum dos dois nos mandasse a resposta o mais depressa possível, para que possamos arrumar seus aposentos.
Atenciosamente,
Amos Diggory.
— Pai nos deixe ir, por favor, por favor! — os dois adolescentes gritaram, pulando de excitação. — É uma oportunidade única na vida.
— Tudo bem, vocês podem ir, desde que se comportem até o dia da partida. — O Sr. Jones falou, sorrindo calmamente para os filhos. — Mas Amos Diggory esqueceu de nos dizer que dia vocês podem ir.
— Eu escrevo ao Ced e lhes aviso quando ele me responder. — Aurora levantou-se sorridente.
— Eu que vou escrever ao Cedrico. — Simon levantou-se também. — Ele é meu melhor amigo.
— Mas a coruja é minha e o Ced já foi apaixonado por mim. — Aurora disse rindo. — Toma essa!
A garota subiu correndo para o quarto e escreveu uma carta apressada, perguntando que dia eles poderiam ir para a casa de Cedrico, então prendeu a carta na perna de Afrodite e mandou-a entregar na casa do rapaz. A noite finalmente chegou e com ela, a carta de Cedrico escrita caprichosamente, como sempre, o que não era de se surpreender.
Ariel,
Iremos buscar você e Simon no domingo, às cinco horas. Estou muito ansioso para revê-los. Espero que estejam todos bem.
Sinto muito a sua falta. Ah, e falta do Simon também, é claro.
Até logo,
Aurora sorriu. Cedrico a chamava de Ariel por causa de seus longos cabelos ruivos e por dizer que ela era linda, assim como uma sereia de um filme de desenho dos trouxas. Mas todos sabiam que as verdadeiras sereias não eram lindas, mas nesse aspecto Aurora não se importava muito.
A menina desceu correndo rapidamente com a carta de Cedrico apertada contra o peito. Assim que entrou na cozinha, viu Simon parado ao lado da mãe conversando baixinho, seu pai sentado lendo mais uma vez o Profeta Diário e a pequena elfo doméstica, Think, da família preparando o jantar.
— Ced respondeu. — A garota gritou, sacudindo a carta no ar.
— O que ele respondeu? — Simon perguntou, correndo para perto da irmã, mas a mesma se afastou.
— Fique ai, eu vou ler.
Aurora leu a carta em voz alta e assim que terminou, Simon começou a caminhar de um lado para o outro torcendo as mãos e falando:
— Domingo é daqui dois dias. Eu ainda tenho que arrumar minhas coisas. Mas são tantas coisas. O que farei?
Aurora revirou os olhos e subiu rapidamente para o seu quarto. Assim que entrou, virou-se para a gaiola de Afrodite.
— Está com disposição para fazer uma longa viagem? — perguntou.
A coruja piou com uma certa dignidade.
— Pode levar isto ao Lúcio para mim? — disse ela apanhando a carta. — Espera aí... quero terminar.
Ela tornou a desenrolar o pergaminho e apressadamente acrescentou um postscriptum.
Se quiser entrar em contrato comigo, estarei na casa do meu amigo Cedrico Diggory até o fim do verão. O pai dele arranjou entradas para a gente assistir à Copa Mundial de Quadribol!
Terminara a carta, ela a amarrou à perna de Afrodite; ela ficou anormalmente quieta, como se estivesse decidida a mostrar a dona como é que uma verdadeira coruja-correio devia se comportar.
— Vou estar na casa de Cedrico quando você voltar, está bem? — Aurora a informou.
A coruja deu uma bicadinha carinhosa no dedo da garota, depois, com um ruído farfalhante, abriu as enormes asas e saiu voando pela janela aberta.
Aurora observou-a desaparecer ao longe, depois correu até a sua estante de livros e pegou o livro Voando com os Cannons e deitou-se em sua cama.
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