A Filha Proibida
4 Descobertas confusas
Notas iniciais
~Beth
Dias se tornaram semanas e semanas se tornaram meses e aqueles meses se tornaram anos, três anos para ser exata, e não houve nem um dia em que eu não estivesse acompanhada de Nate, ele acabou virando meu melhor amigo, eu finalmente percebi que nunca havia tido um amigo, afinal ser expulsa de milhares de escolas não me dá uma ficha bonitinha. Nate também não possuía amigos, e isso só ajudou a nos aproximarmos mais, depois de todos esses anos, aprendemos a despistar os problemas e acidentes, juntos nos tornamos quase adolescentes normais, eu disse quase. Nunca mais ouvimos falar daquele garoto que havia batido em Nate e depois apanhado, nunca mais nos preocupamos com ele. As coisas não poderiam estar melhores, um finalmente tinha um amigo, pode não parecer muito coisa, mas para mim era extremante animador ter alguém para conversar, além do meu pai.
-Animada? – perguntou Nate enquanto dirigia para minha casa. Ele havia feito 16 há algumas semanas e já havia tirado a carteira de motorista e como presente seu pai tinha dado um carro novo, Nate passou dias zoando com a minha cara por isso, já que eu não ainda não tinha 16.
-Com o que? – perguntei, tirando os olhos do livro que estava lendo.
Nate não tirou os olhos da estrada, mas pude o ver revirando os olhos.
-Kate... – ele bufou, anos depois, ele ainda me chamava de Kate, acho que mais por costume do que por que gostava mesmo deste nome. – sua mãe vem lhe visitar, isso não é ótimo?
-Nate, ela vem me visitar de dois em dois anos, para mim ela parece mais uma tia que uma mãe. – resmunguei.
-Pelo menos, ela vem te visitar. – comentou Nate.
Olhei para ele, qualquer um que ouvisse Nate falando isso pensaria que ele sentia a falta da mãe e estava com inveja por que a minha mãe – tia, ou sei lá – vinha me visitar, pelo pouco que fosse, mas eu não. Conhecia Nate, ele não sentia falta da mãe, talvez por ela nunca ter voltado para casa ou por que ele, na verdade, não dava mesmo a mínima para esse fato.
- Chegamos. – falou ele parando em frente ao prédio, seu olhos se fixaram em mim e outro suspiro saiu pelo seus lábios. Eu estava nervosa, minha mãe não me vinha visitar a dois anos, e mesmo sem querer eu ficava ansiosa, quer dizer mesmo distante ela é a minha mãe, minhas mãos estavam tremendo e meu rosto mais pálido que o normal, e Nate, claro, havia reparado.
- Kate. – Nate pegou a minha mãe e acariciou ela com o polegar, um arrepio percorreu meu corpo e eu olhei para ele. – Vai dar tudo certo, sua mãe só vai conversar com você, mais nada. Eu não vou deixar nada acontecer com você, entendeu? Você estar com você, não o que importa o que venha. – ele sorriu, e beijou minha bochecha antes de sair do carro e dar a voltar para abrir minha porta para mim. Com o rosto muito corado, sai do carro e o acompanhei até o segundo andar. Minhas mãos tremiam tanto que a chave insistia em não entrar na fechadura, então Nate as tirou delicadamente das minhas mãos e ele próprio abriu a porta. Ao entrar em casa, vi uma cena muito estranha. Meus pais conversavam na enorme varanda, tomando chá. Eu nunca imaginaria isso, nem no meu sonho mais louco. Vendo que eu estava ali, minha mãe levantou e caminhou na minha direção. Minha mãe é uma das mulheres mais lindas que eu já vi, seus cabelos castanhos cor de chocolates sempre estavam muito bem penteados e presos em uma linda e perfeita trança que caia pelo seu ombro direito, olhos grandes de uma cor estranha, pareciam mudar dependendo do ângulo que você vir, e mesmo usando roupas normais, era bonita. Tinha feições imponentes e delicadas como em uma pintura, um sorriso bonito invadiu seu rosto quando me viu.
-April! – falou enquanto me abraçava.
Correspondi ao abraço, senti uma sensação diferente de qualquer outra, eu me senti completa, como se ali, com meus pais e Nate, eu pudesse congelar o tempo e ficar ali para sempre, feliz, como nunca havia me sentido.
-Senti tanto a sua falta, querida. – minha mãe falou, olhando para mim, foi quando viu Nate, uma de suas sobrancelhas se ergueu. – Ora, quem é você?
Nate sorriu e estendeu a mão.
-Sou Nathaniel, amigo da Kat... April. – ele sacudiu a cabeça, lembrando que deveria me chamar de April.
Minha mãe sorriu.
-Fico feliz que minha filha tenha alguém com quem conversar, Nathaniel. – ela apertou sua mão e nos puxou para a mesa. – venham, vamos tomar um chá.
Conversamos por muito tempo, rimos, e nos divertimos, nunca havia visto minha mãe tão solta, havia gostado daquela nova mãe, mas aquilo não poderia durar mais, minha mãe iria embora e só voltaria dois anos depois, como se lesse meus pensamentos, minha mãe pigarreou.
-Rapazes, a diversão está ótima, no entanto tenho que conversar com minha filha... – ela olhou para meu pai e Nate e sorriu fracamente. – A sós.
Meu pai ficou de pé e Nate também.
-Claro, vamos Nate? – perguntou meu pai.
Nate olhou para mim, hesitante, parecendo lembrar-se do que havia me dito mais cedo, mas eu assenti e ele sorriu, seguindo meu pai para a sala.
-Bem, April o que eu quero falar com você é muito sério. Eu e seu pai conversamos muito sobre isso, e achamos que você já está na idade de saber o que você é... Isso vai ser uma enorme mudança na sua vida, no entanto, é para o melhor...
-Mãe...
-April, me deixe terminar. Sinto muito despejar tudo isso encima de você assim, mas nosso tempo está correndo. Eu sou uma deusa, e tudo que você imagina que é, vai mudar, querida... Você é uma meio-sangue.
-Meio-sangue? Isso é algum tipo de brincadeira? – perguntei sem achar graça.
-Não, é toda a verdade, e preciso que você acredite em mim, também preciso que você saia daqui, você nem seu amigo estão seguros.
Abri a boca, mas a fechei rapidamente, sem saber o que dizer. Meio-sangue? Não estão seguros? Senti a mão de alguém no meu ombro, e pensei que fosse de Nate, mas quando me virei, vi um garoto familiar, com cabelos escuros e encaracolados e olhos castanhos, ele usava um boné estranho e tinha uma barba rala.
-Esse é Nick, ele vai ajudar você e seu amigo a saírem daqui. – contou minha mãe. – Boa sorte, querida.
Nick me puxou e a Nate, que pareceu tão surpreso quanto eu para fora do apartamento. Nos levou até o carro de Nate, nos jogou no banco de trás e entrou no campo do motorista, e saiu dirigindo. Nada daquilo parecia real, ou ao menos normal, mas Nick e minha mãe faziam tudo aquilo parecer comum, como se fizessem isso todo santo dia. Mais rápido do que eu poderia imaginar, Nick parou o carro e desceu. Nate olhava para mim, assustado e confuso.
-Você sabe o que está acontecendo? – perguntou ele exasperado.
Uma voz desconhecida vinha de fora do carro, era uma voz masculina e conversava com Nick.
-São esses dois? – perguntou a voz.
-Sim, mas eles ainda não sabem o que são. – disse Nick.
A outra voz bufou, em seguida pude ouvir passos e um minuto depois, um garoto com lindos cabelos loiros e enormes olhos azuis que pareciam faíscas de eletricidade, colocou o rosto na janela. Ele sorriu, ao ver nossos rostos assustados.
-Saiam do carro. – falou ele com uma voz autoritária.
Eu e Nate estávamos tão confusos, que obedecemos o garoto sem pensar. Ele usava uma camisa laranja com alguns dizeres, mas ela estava tão velha que algumas letras já haviam se apagado – havia ficado CAMTO ME-GUE, uma calça jeans escura e um all star preto, um sorriso confiante e torto invadiu seu lindo rosto.
-Vocês devem ser Nathaniel Fletcher e – ele olhou para mim e piscou. – April Fields.
-Como sabe nossos nomes? – perguntou Nate, ele pegou minha mão e se colocou na minha frente, como se fosse me proteger do garoto, que revirou os olhos e ignorou sua pergunta.
-Sou Matt, vamos. Você tem muito o que ver!
Depois girou os calcanhares e foi na direção de uma colina, havia uma placa rodeada de altas arvores, mas ainda era possível ler o que ela dizia: ACAMPAMENTO MEIO- SANGUE.
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