A Filha Proibida
5 Desavenças
Notas iniciais
~beckie
Tudo bem, ele era bonito. Muito bonito. E apesar do jeito autoritario e da idade avançada, devia ter uns 20 anos, eu admito que senti uma leve atração por Matt.
-Então, podemos ir agora April?
-Ahn... Claro... É... Vamos andando.
Sem perceber eu estava encarando aqueles olhos azuis magnifícos. Olho para o lado e percebo a careta de desgosto de Nathaniel. Certo, nesse momento eu estou completamente vermelha. Olho para a frente e sigo Matt.
-Então crianças, eu vou ser bem direto. Sabe aquelas histórias sobre deuses, monstros e titãs gregos? Zeus, Afrodite, Ares, Poseidon, Hera, Cronos, Morfeu, a hidra, a Medusa e tal?
-Bem, sim... O que tem essas historias? — respondeu Nate. Eu estava muito ocupada tentando não ficar vermelha.
Matt parou e girou em direção a Nate, com um sorriso leve no rosto imaculadamente barbeado
-Não são histórias, garoto. Você, assim como ela, é filho de um dos deuses gregos. Sim, eles existem e estão atronados no 600º andar do Empire State Building.
-O QUE?
-COMO É?
Certo. Eu já tinha ficado bastante confusa quando minha mãe disse que era uma deusa, agora eu fico sabendo que todas as históras sobre mitologia grega que eu ouvi na escola são verdadeiras. E ainda mais, minha mãe e a mãe do Nate são deusas. Agora eu entendo porque nós temos tanto em comum. Não somos adolescentes normais, somos... Semideuses.
-Olha, Matt... Se eu entendi direito, você tá dizendo que eu e o Nate somos semideuses. Certo?
-Certo.
-Mas o que isso tem a ver com esse lugar?
Pela primeira vez desde que nós chegamos aqui nesse tal Acampamento Meio-Sangue, eu vi ternura e compaixão nos olhos de Matt. Nos olhos de Nate só havia confusão e medo. Lembrei-me de como ele me encorajou no carro e segurei sua mão lançando um olhar tão seguro quanto possível a ele. Pareceu funcionar, então voltamos a prestar atenção em Matt.
-Todos esses adolescentes aqui – ele apontou para uma área vasta ao lado do trecho por onde caminhavamos – são semideuses. Incluindo eu. Eu sou filho de Zeus, o deus dos trovões e dos céus. Eu sou uma raridade aqui no acampamento. A maior parte dos semideus não chega nem aos 19 anos e eu já tenho 22 – isso foi dito entre suspiros.
-Tudo bem. Nós vamos precisar de um tempinho para assimilar isso tudo mas vamos nos acostumar não é, Nate? — apertei a mão dele mais uma vez e esperei até ele fazer contato visual comigo. Porque ele estava agindo assim?
-Sim, claro. Eu... Estou meio cansado Matt. Onde nós vamos ficar?
-Ah, isso. Eu esqueci desse detalhe. Aqui no acampamento, os campistas são divididos em chalés. Nós temos 20 chalés. Um para cada deus olimpiano. Quando nós não sabemos quem é seu pai ou mãe olimpiano colocamos você no chalé de Hermes que é o chalé 11.
-Porque o chalé de Hermes? — Nate perguntou com uma dose perceptível de antipatia na voz
-Hermes, além de deus dos mensageiros também é o deus dos viajantes.
-Hm. Me mostra onde fica, por favor. — Prendi um suspiro de frustração enquanto Matt parava e apontava para o chalé 11, que estava bem ao nosso lado. Parecia um chalé normal e bastante antigo, tinha um caduceu pintado na fachada e estava cheio de gente.
-Depois eu volto para conversar com você Nate. Eu preciso esclarecer algumas coisas, tudo bem? — Eu falei esperando uma reação menos estarrecedora do meu amigo
-Tanto faz.
Ele disse isso e entrou no chalé. Eu fiquei um tempo encarando a porta tentando não chorar até que Matt pôs a mão em meu ombro e falou:
-Ele vai ficar bem. Você se preocupa mesmo com ele não? — eu supiro e me viro para encará-lo
-Sim. Muito mesmo. Ele é o único amigo que tenho e o melhor.
-Ele está muito atordoado. Dê um tempo a ele, April. Você falou que queria esclarecer algumas coisas. Então, fale enquanto nós andamos.
Andamos até o topo da colina onde começamos a conversar. Sentamos lá e ficamos conversando por um tempão. No fim das contas, eu perguntei sobre tudo o que podia ser perguntado sobre o mundo grego em que eu iria viver a partir de agora. Conversar com Matt me fez sentir melhor pois, por baixo daquela expressão autoritaria e endurecida pelo tempo, ele é uma pessoa bem-humorada e legal. Ele é uma pessoa muito doce, Matt realmente tentou me fazer sentir mais confortável sobre ser uma semideusa e tudo mais. Bom, agora que eu aceitei toda essa história preciso ver como Nate está. Me despeço de Matt com um aperto de mão mas ele me puxa para um abraço que eu muito apreciei. Andei rápido até o chalé 11 e rodei até encontrar Nate. Ele estava dormindo. Parecia tão tranquilo que não tive coragem de acordá-lo. Ocupei a cama vizinha à dele e decidi que de manhã conversaria com ele.
Notas finais
~beckie
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