A Filha Proibida
2 Capítulo 2
Anos se passaram, anos que para muitos não foram muito importantes, afinal para eles nada havia acontecido, no entanto, esses anos foram o bastante para uma garotinha crescer. Uma garotinha que ninguém imaginava que poderia mudar tudo, criar uma confusão entre os deuses, e aquele dia era simplesmente o dia em que tudo mudaria. April havia crescido longe de todos aqueles inúmeros problemas de ser uma semideusa, Hera a visitava às vezes, mas não poderia ganhar o prêmio de melhor mãe, mesmo fazendo o seu máximo. Seu pai, James Fields, era extremamente esforçado, sempre estava ali quando a filha precisava, ela sabia que sempre poderia contar com ele. No entanto, ele não poderia mudar o que a filha era, uma semideusa que nunca deveria ter nascido, uma perigosa bomba que os deuses não faziam a melhor ideia de que existia. Mesmo não sabendo o que era, April se sentia diferente, nunca fora igual aos outros adolescentes que conhecia, inúmeras vezes acontecimentos estranhos a perseguiam. Depois de 6 escolas no mesmo ano, ela já tinha quase certeza de que aquela escola nova não seria uma boa ideia, mas seu pai havia feito ela prometer que desta vez não iria se meter em confusão. Desanimada, April levantou cedo, mais cedo do que deveria, e correu até o banheiro. Depois de um longo banho, ela caminhou até o quarto e encontrou a roupa que havia separado no dia anterior, sim, ela era uma garota extremamente organizada, igual ao pai. Já vestida, ela caminhou até o espelho e penteou os longos cabelos cor de caramelo, April sempre soube que era bonita e todos que a conheciam – e que gostavam dela – a faziam sempre lembrar daquilo. Junto com os cabelos quase loiros, possuía lindos e grandes olhos verdes, uma pele branquinha como a de uma bonequinha de porcelana, um nariz pequeno e arrebitado e uma expressão autoritária que combinava com a da mãe. Saiu do quarto e já encontrou o pai tomando café, lendo o grosso livro. A própria casa deles era cheia de livros, havia milhares deles por todos os cantos, de longas prateleiras a enormes mesas, April, igual ao pai, havia desenvolvido um excelente gosto por livros e sempre está lendo um diferente.
–Bom dia! – disse seu pai, sem tirar os olhos do livro.
Ela sorriu e se sentou ao seu lado na mesa, pegando uma xícara e fazendo um chá.
–Pronta para o seu primeiro dia? – perguntou ele, abrindo um sorriso.
Não, era exatamente isso que April gostaria de responder, mas a expressão de seu pai sugeria que ele próprio estava muito animado, mas ao mesmo tempo apreensivo. Sem ver outra escolha, ela abriu outro sorriso, um forçado desta vez e disse:
–Claro, muito animada. – sua voz saiu um pouco desanimada, mas seu pai não pareceu notar.
–Fico tão feliz, April! Finalmente vamos conseguir uma escola, onde você não vai... – ele hesitou por um momento, mas logo se recompôs. – você sabe.
É, April sabia. Minutos se arrastaram até dar a hora de ir, o momento que April gostaria de retardar o máximo possível, mas seu pai ficou de pé e falou animado.
–Vamos! Vamos! – falava ele já pegando suas coisas. – Você não gostaria de chegar atrasada no primeiro dia, não é mesmo?
Pois era exatamente isso que ela gostaria de fazer, mas novamente não disse nada daqui que gostaria. April ficou de pé e seguiu o pai até o carro. Eles moravam em um lindo apartamento que Hera os havia dado, mesmo que James, na época, não quisesse aceitar. Saíram de casa, apressados, e chegaram a escola, que não ficava longe o suficiente para April, logo.
–Aqui estamos! – comentou James. – Sua nova escola.
Era um prédio antiquado, mas bonito. Alto e largo, construído por longas e largas pedras escuras, o resto do prédio era pintado de vermelho, já haviam milhares de estudantes andando pelo campus, meninos e meninas, todos usando roupas diferentes, andavam em diferentes grupos. Na frente, havia uma mulher usando um terninho cinza, segurando uma prancheta e com um enorme sorriso, ela estava recebendo os alunos.
–Ali está a Sra. Pierce, vamos falar com ela. – disse seu pai, já caminhando na direção da mulher, com April atrás de si.
–Vocês devem ser os Fields, e você – disse a mulher sorrindo mais ainda, encarando April, que tentava não ficar assustada. Os enormes olhos da mulher eram de um preto profundo, que lembravam April um fundo buraco. – deve ser April.
April assentiu, hesitando.
–Prazer, sou Miranda Pierce. Estou responsável por dar boas vindas aos novos alunos, e ajuda-los sempre que necessário. – ela piscou, era muito bonita, de um jeito estranho e curioso, pensou April, mesmo sem saber o que isso significava.
–Está nervosa? – perguntou Miranda.
Estava tão na cara assim? April suspirou e assentiu novamente.
–Não fique, a maior parte dos alunos novos ficam, mas não fique preocupada, vai perceber que aqui é uma ótima escola, aposto que vai fazer amigos rapidamente. – tranquilizou Miranda.
April olhou para os adolescentes que andavam pelo campus, todos eles pareciam tudo, menos nervosos. Seu pai começou a conversar com Miranda, que explicava os benefícios de se estudar ali.
–... Entendeu, querida? – falou seu pai.
–O que? – perguntou April confusa.
–Você escutou o que eu disse? – perguntou James.
–Sinto muito, o que estava dizendo? – indagou ela confusa.
Seu pai sorriu e a abraçou.
–Eu estava dizendo para você ficar calma, que hoje vai ser um ótimo dia, você vai fazer novos amigos, sorrir e não vai arrumar confusão. Será ótimo. – ele disse. – tenho certeza de que você vai ser maravilhosa.
–Obrigada. – April sentiu uma vontade súbita de vomitar, mas engoliu em seco.
–Está na hora de você ir, Srta. Fields. – falou Miranda.
James se afastou da filha, e sorriu mais uma vez.
–Boa sorte.
E então caminhou até o carro, entrou nele e saiu dirigindo. É, agora ele não poderia mais voltar.
–Srta. Fields, você está vem?
–Sim... Eu estou bem, Sra. Pierce. – ela forçou um sorriso.
–Então, aqui está o seu horário, sua primeira aula é biologia, na sala 113. Ah, aqui está um mapa do colégio, caso não consiga encontrar as salas. Se precisar de mais alguma coisa, minha sala é no segundo andar, sala 216.
–Obrigada. – disse April pegando os papeis e subindo as escadas.
Primeiro dia de aula, em uma escola nova. Todo mundo fica nervoso ou com medo, mesmo sabendo que nada pode os machucar, mas April sentia que corria perigo, que havia algo errado. Nossa, ela não poderia estar mais certa.
Fale com o autor